quinta-feira, 31 de março de 2016

Papa Francisco

O oceano e a neve

· Na audiência geral o Papa recorda que o perdão de Deus cancela o pecado pela raiz ·

«O perdão divino não esconde o pecado, mas destrói-o, cancela-o precisamente pela raiz, não como fazem na lavandaria quando levamos uma veste para tirar a mancha». O Papa Francisco usou, como de costume, imagens concretas do dia a dia para descrever a misericórdia divina.
Na audiência geral de quarta-feira, 30 de março, na última catequese do ciclo dedicado ao aprofundamento do tema jubilar à luz do antigo testamento, dirigindo-se aos numerosos fiéis presentes na praça de São Pedro o Papa falou do salmo 51, conhecido como Miserere.
«Trata-se – explicou Francisco no início da sua reflexão – de uma oração penitencial na qual o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e na qual o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, se torna uma criatura nova, capaz de obediência, firmeza de espírito e de louvor sincero».
Em seguida, o Pontífice observou que o «“título” que a antiga tradição judaica deu a este Salmo» se «refere ao rei David», o qual «depois de ter cometido adultério com Betsabé, manda matar o seu marido». Mas quando o «profeta Natan lhe revela a sua culpa e o ajuda a reconhecê-la», David mostra-se capaz de humildade e obtém a «reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado».
Por isso, afirmou o Papa, «quem reza com este salmo está convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que David teve», o qual – observou – não cometera «um pecado de pouca importância, uma pequena mentira: cometera um adultério e um assassínio».
Por conseguinte, «a única coisa da qual temos deveras necessidade na vida é ser perdoados, libertados do mal e das suas consequências de morte». Até quando «infelizmente a vida nos faz experimentar estas situações», encorajou Francisco, somos chamados a «confiar na misericórdia» divina. Porque – como fez repetir várias vezes em voz alta aos presentes na praça – «Deus é maior do que o nosso pecado». Aliás «é maior do que todos os pecados que possamos cometer» e «o seu amor é um oceano no qual nos podemos imergir sem receio de sermos subjugados».
O perdão divino, prosseguiu o Pontífice, torna o penitente de novo “puro”, porque «cada mancha é eliminada e ele torna-se mais branco do que a neve incontaminada». De resto, observou, «todos somos pecadores», sem excluir ninguém. Mesmo assim, não obstante tudo, Deus perdoa a todos. Como? O Pontífice esclareceu-o acrescentando de novo ao texto preparado uma consideração pessoal, baseada na vivência diária. «Quando uma criança cai, o que faz?», perguntou. «Levanta a mão para a mãe, para o pai, para que a ajude a levantar-se» foi a resposta.
Eis então o convite a fazer o mesmo. «Se caíres por debilidade no pecado – foi a exortação do Pontífice – levanta a mão: o Senhor pega nela e ajuda-te a levantar. Esta é a dignidade do perdão de Deus!».
«A dignidade que nos concede o perdão é a de nos levantarmos, de nos pormos sempre de pé, porque – concluiu Francisco com esta certeza consoladora – ele criou o homem e a mulher para que estejam de pé».
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Incredulidade - desespero




  
Incredulidade: Desespero
“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos... a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse 21.8). Esta é a sentença que Deus profere contra esse pecado.
Por que os incrédulos estão ameaçados de tão severo castigo? Por que a incredulidade, o desespero, são pecados tão graves? Porque, pela sua conduta, os incrédulos mostram não confiar em Deus. Se um pai ama seu filho e tudo sacrifica para ajudá-lo, poderá o filho ofendê-lo mais do que se mostrando descrente nele e sentindo que “Meu pai não se interessa em fazer algo em meu favor”? Jesus condena tal desconfiança na parábola dos talentos replicando ao servo que diz “Senhor, sabendo que és homem severo” (Mateus 25.24), com a sentença: “E o servo inútil lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25.30).
Assim, vemos que não é pecado inocente ficar desesperado, abrir a porta à incredulidade e nela persistir. As conseqüências serão terríveis. O reino dos céus estará fechado para nós enquanto as portas das trevas se abrirão para receber-nos.
Será, então, inútil tentar desculpar nossa incredulidade, como talvez procuremos fazer agora, dizendo que, para nós, é difícil crer, ou compadecendo-nos de nós mesmos por “não sermos capazes de crer”. Não! Pois, se Jesus nos exorta a crer, quando diz “Tende fé em Deus” (Marcos 11.22), então podemos crer. Se não cremos, estamos pecando. É reflexo de nosso orgulho. O orgulho e a arrogância levam-nos a criticar Deus, dizendo: “Afinal de contas, Jesus não pode ajudar-me! Ninguém, nem o próprio Deus é capaz de tirar-me do aperto, dessa situação desesperadora, das minhas tentações e pecados. São fortes demais.” Quando dizemos tais coisas, pensamos ser mais sábios que a Palavra de Deus, que declara: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei” (Salmo 50.15), “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5), “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões” (Isaías 43.25).
É realmente sintoma de grande orgulho quando nos colocamos acima da Palavra de Deus baseados em nossas opiniões, pensamentos e julgamentos, pensando que só eles são certos, rejeitando arrogantemente, como inválidas, as promessas de Deus. É por isso que o servo que disse “Senhor, sabendo que és homem severo”, foi repreendido pelas rigorosas palavras de Jesus, que lhe disse que seu lugar seria no inferno, no reino de Satanás, que personifica o ódio e a descrença.

E esta condenação nos alcançará se persistirmos na incredulidade. Geralmente dizemos, embora com aparência piedosa: “Estou desesperado”. O que deveríamos fazer é admitir que estamos nos rebelando e pensando que sabemos mais do que Deus. Mas, se em nosso orgulho, agimos como se Ele não pudesse auxiliar-nos, estamos insultando a Deus, que realizou tão grande sacrifício, entregando Seu Filho à morte na cruz, para mostrar-nos Seu amor. Como podemos, depois disso, recusar confiar no Seu amor? Podemos porque somos excessivamente orgulhosos para admitir o fato de que somos pecadores ante Deus e ante o homem e que, vez por outra, nos enganamos. Somos, também, muito orgulhosos para concordarmos com a punição dos nossos pecados pelo amor paternal de Deus - tal como os pais terrenos punem e corrigem seus filhos. Nós nos rebelamos contra essa disciplina, embora, naquele momento Deus esteja agindo exatamente por nós, com o fim de auxiliar-nos, de livrar-nos daquilo que nos está perturbando: o pecado. Ele age por amor, como um Pai, que nos castiga de modo a poder dar-nos, mais tarde, muitas outras coisas boas.
O orgulho, a descrença e a tentativa de esquivar-nos à cruz são, na realidade, as razões por que caímos. Ficamos revoltados contra a correção, contra aquilo que nos é difícil, embora sejam somente nossa personalidade complicada e os muitos enganos que nos humilham e nos cobrem de vergonha. Sim, nossa revolta está no mais fundo do nosso coração, embora a disfarcemos com uma fachada diferente. Dissimulamos nosso ressentimento quando coisas amargas nos sucedem, dizendo: “Não consigo mais crer no amor de Deus”. Com essa descrença, não apenas impedimos Deus de operar em nós, como deixamos de oferecer aos outros um testemunho de fé, e permitimos que o nosso trabalho no Reino de Deus perca o poder. Os discípulos experimentaram exatamente isso. Quando perguntaram a Jesus por que não tinham bastante poder, Sua resposta foi: “Por causa da pequenez da vossa fé!” (Mateus 17.20).
É por isso que devemos lutar contra a incredulidade ao ponto de derramar o sangue. Ela nos fará infelizes aqui na terra e, um dia, fará com que habitemos no reino das trevas. Não importa o quanto custe, precisamos livrar-nos desse pecado de maneira a alcançarmos a glória por toda a eternidade. O primeiro passo na luta contra a incredulidade e o desespero é respeitar a verdade e admitir que estamos em falta se não experimentarmos o amor e o auxílio de Deus. Porque a descrença quebra nossa associação e levanta uma barreira entre nós e Ele, que impede que o fluxo de Seu amor e auxílio chegue até nós.
Com tal atitude não nos surpreendemos se o amor de Deus, bem como todas as coisas boas que Ele preparou para nós, não penetrarem em nosso coração e em nossa vida. Lemos nas Escrituras o exemplo do Seu povo no deserto, o povo que recebera a promessa de uma terra. Mas lemos, também, que os israelitas não puderam entrar naquela terra por causa de sua incredulidade. É por isso que as Escrituras nos exortam: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o exemplo da desobediência” (Hebreus 4.11).
Para que não caiamos, importa que Deus nos mostre a razão mais profunda de nossa incredulidade: o orgulho. O objetivo seguinte de nossa fé, de modo a vencermos a incredulidade e o desespero, deve ser admitirmos, diante de Deus e dos homens, que o orgulho nos faz cegos ao amor do Pai. Somente o humilde terá os olhos abertos para ver Deus, o Pai, em Seu amor infinito. O humilde receberá auxílio. O humilde e o abatido se apegam às promessas de Deus. Faça o mesmo!
Se crer se torna difícil para nós, e nos sentimos em risco de chegarmos ao desespero, devemos orar em voz alta assim: “Meu Pai. Não sei o modo pelo qual me ajudarás, mas sei que me ajudarás. Tenho certeza, porque Tu és Amor! Meu Pai, dou-Te graças porque tens solução para este problema, pois Tu és Amor. Dou-Te graças porque és maior do que tudo, maior ainda que minhas dificuldades, e porque estás sempre me socorrendo. Agradeço-Te por responderes minha oração e por me acudires. Senhor Jesus, agradeço-Te por seres meu Redentor e tão certo quanto cumpres Tuas promessas - me libertarás das cadeias do meu pecado.” 
Se, com humildade, dissermos essas palavras, como filho Seu, estaremos usando nossa fé e venceremos a incredulidade e o desespero. Precisamos nos aproximar dEle que diz “Eu sou humilde de coração”, porque Ele ofereceu o sacrifício no Calvário de modo a podermos nos tornar como Ele e crer no Pai com coração humilde e cheio de amor - ainda que seja preciso fazê-lo alta noite. Ele nos dará fé humilde. Fomos remidos por amor, confiando na bondade e na fidelidade do Pai, e na perfeita redenção do Filho em qualquer prova e tentação.

«A paz esteja convosco»



Comentário do dia:

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermões sobre os temas do dia



O coração de cada cristão deve representar a Igreja Católica, dado que o próprio Espírito faz de toda a Igreja, e de cada um dos seus membros, Templo de Deus (1Cor 3,16). Assim como opera a unidade na Igreja que, entregue a si própria, se dividiria em numerosas parcelas, assim também o Espírito torna una a alma, apesar dos seus diversos gostos e das suas faculdades, das suas tendências contraditórias. Assim como dá a paz à multiplicidade das nações, que estão, por natureza, em discórdia umas com as outras, assim também submete a alma a uma gestão ordenada, estabelecendo a razão e a consciência como soberanas sobre os aspectos inferiores da nossa natureza. […] E tenhamos a certeza de que estas duas operações do nosso divino Consolador dependem uma da outra. Enquanto os cristãos não procurarem a unidade e a paz interiores no seu próprio coração, nunca a Igreja viverá em paz e unidade no seio deste mundo que a rodeia. E, de forma bastante semelhante, enquanto a Igreja se encontrar, por todo o mundo, no lamentável estado de desordem que constatamos, não haverá nenhum país específico – parte simples desta Igreja – que não se encontre necessariamente num estado de grande confusão religiosa.

É algo em que faremos bem em meditar na hora presente, porque nos equilibrará as esperanças e nos dissipará as ilusões; não podemos esperar ter paz em nós se estivermos em guerra fora de nós.

Evangelho segundo S. Lucas 24,35-48.


Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão.
Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?».
Deram-Lhe uma posta de peixe assado,
que Ele tomou e começou a comer diante deles.
Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’».
Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia,
e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Livro de Salmos 8,2a.5.6-7.8-9.


Senhor, nosso Deus,
como é admirável o vosso nome em toda a terra!
Que é o homem para que Vos lembreis dele,
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

Fizestes dele quase um ser divino,
de honra e glória o coroastes;
destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,
tudo submetestes a seus pés:

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,
e até os animais selvagens,
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que se move nos oceanos.

Livro dos Actos dos Apóstolos 3,11-26.


Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão.
Ao ver isto, Pedro falou ao povo, dizendo: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque fitais os olhos em nós, como se fosse pelo nosso próprio poder ou piedade que fizemos andar este homem?
O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O.
Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino;
matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso.
Foi pela fé no seu nome que este homem que vedes e conheceis recuperou as forças; foi a fé que vem de Jesus que o curou completamente, na presença de todos vós.
Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes.
Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer.
Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».
Assim o Senhor fará que venham os tempos de conforto e vos enviará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado.
Ele terá de ficar no Céu até à restauração universal, que Deus anunciou, desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas.
Moisés disse: ‘O Senhor Deus fará que se levante para vós, do meio dos vossos irmãos, um profeta como eu. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser.
Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo’.
E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram também estes dias.
Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus firmou com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’.
Foi para vós, em primeiro lugar, que Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar, afastando cada um de vós das suas iniquidades».

Santo do dia

Quinta-feira, dia 31 de Março de 2016

5ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA


Santo do dia : Santo Amós, profetaSanto Acácio, bispo, +250Santa Balbina, virgem, mártir (+132)S. Guido, Leigo, Peregrino, séc. X e XI 


Santo Amós, profeta




Amós, profeta
Amós (nome que em hebraico significa "levar" e que parece ser uma forma abreviada da expressão Amosiá, que significa Deus levou) foi um Profeta do Antigo Testamento, autor do Livro de Amós.
O terceiro dos chamados profetas menores era um vaqueiro e cultivador de sicómoros (7:14), um fruto comestível que se parece com o figo, cujas frutas devem ser arranhadas com a unha ou com um objeto de metal antes de amadurecerem para que fiquem doces. Vivia em Técua (Teqoa), nos limites do deserto de Judá (1:1), perto de Bet-Lehem, povoado situado a menos de 20 Km ao sul deJerusalém. Aproximadamente em 760 AC, deixou sua vida tranquila e foi anunciar e denunciar no Reino de Israel Setentrional, durante o reinado de Jeroboão II (1:1).
Nesse contexto, o luxo dos ricos insultava a miséria dos oprimidos e o esplendor do culto disfarçava a ausência de uma religião verdadeira. Amós denunciava essa situação com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens típica de um homem do campo.
A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus iria atingir não só as nações pagãs, mas também, e principalmente, o povo escolhido; este já se considerava salvo, mas na prática era pior do que os pagãos (1:3-2:16). Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social, ele denunciava especificamente:
  • os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3:13-15; 6:1-7), criando um regime de opressão (3:10);
  • as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos (4:1-3);
  • os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar dízimo, dar esmolas para aplacar a própria consciência (4:4-12; 5:21-27);
  • os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (2:6-7; 4:1; 5:7.10-13);
  • os comerciantes ladrões  sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo (8:4-8)[3].

Santo Acácio, bispo, +250




Santo Acácio
Santo Acácio, cognominado Agatangelo, isto é, bom Anjo, viveu como bispo de Antioquia quando  Décio era imperador romano. Em Antioquia existiam muitos Marcionitas, que abandonaram a religião, quando os católicos guiados pelo bispo, ficaram firmes na fé. O próprio bispo, por motivos de  religião, foi citado perante o tribunal de  Marciano.  Este lhe disse:  " Tens  a  felicidade de  viver sob a proteção das leis romanas. Convém, pois, que honres e  veneres os nossos  príncipes, nossos  defensores". Acácio respondeu-lhe: "Quem  poderá ter nisso mais interesse que os cristãos, e  por quem o imperador é mais amado, senão por eles? É a  nossa oração constante, que tenha longa  vida aqui no mundo, governe com justiça os povos  e lhe seja conservada a paz; nós rezamos pela  salvação dos soldados  e  de  todas as classes do império". 
Marciano:  "Tudo  isto é muito louvável, mas para dar  ao imperador  uma  prova de submissão,  vem comigo e oferece  o sacrifício aos deuses".  Acácio: "Já  te disse  que faço oração ao supremo Deus pelo imperador;  mas criatura nenhuma poderá exigir de nós que sacrifiquemos a outros deuses".  Marciano interrogou-o : " Dize-me, pois, a que Deus adoras, para que possamos  acompanhar-te em tuas orações".  Acácio:  "Oxalá o conheças!"   Marciano:  "Que nome tem ele?" Acácio: "É o Deus  de  Abraão, Isaac e Jacó"   Marciano: "São deuses também?" Acácio: "Não são deuses, mas homens a  quem Deus se comunicou. Há um só Deus a quem é devida toda a oração".  Marciano:  "Afinal, quem é esse Deus?"  Acácio:  "É o Altíssimo, que tem seu trono sobre Querubins e Serafins"  Marciano:  "Que coisa é Serafim? " Acácio:  "Um mensageiro do altíssimo e príncipe dos mais distintos da corte  celestial" .  Marciano: "Deixa de  contar-nos as tuas  fantasias. Abandona aqueles seres invisíveis e  adora os  deuses  visíveis".   Acácio: "Dize-me que deuses são"  Marciano: " É Apolo, o salvador dos homens, que nos defende contra  a peste e a fome, que ilumina e governa o mundo"  Acácio: "Eu adorar a Apolo, que não pode  salvar-se a  si mesmo;a Apolo, cujas paixões inconfessáveis  são conhecidas por  Dafne e Narciso; a Apolo que, como um companheiro de Neptuno, trabalhou como pedreiro, para ganhar pão;  eu adorar  a Apolo?  Pelo  mesmo motivo podia queimar incenso a  Esculápio, vítima  do assassino  Júpiter, à lúbrica Venus e  a  outros aventureiros do vosso culto. Isto eu nunca farei, embora me custe   a vida . Como poderia adorar divindades, cuja imitação é uma vergonha e  cujos imitadores são punidos pela lei?"   Marciano:  "Sei que vós cristãos, injuriais os nossos  deuses. Por isso eu te ordeno que me acompanhes  ao banquete, que será dado em homenagem a  Júpiter e Juno"   Acácio: " Poderia eu adorar um homem , cujo túmulo ainda existe  na ilha de Creta?  Por acaso ressuscitou?" Marciano: "Basta de palavras:  escolhe entre o sacrifício ou a morte"  Acácio: "Esta é a linguagem dos saltadores na Dalmácia:  a bolsa ou a vida!  Nada. Nada receio;  se fosse eu um adúltero, salteador ou ladrão, eu mesmo me julgaria; se, porém,  me condenam por ter adorado o Deus vivo e  verdadeiro,  a  injustiça  está do lado do juiz".   Marciano: "Tenho ordem de obrigar-te ao sacrifício ou punir a tua desobediência"  Acácio:  "Ordem  minha é não negar a  Deus; devo obedecer ao Deus poderoso e eterno que disse  que negará perante seu Pai àquele  que O  negar diante dos homens"  Marciano: "Estás confessando o erro da tua seita, em dizer que Deus tem um filho". Acácio: "Sem dúvida, que tem".  Marciano:  "Quem é este Filho de Deus?"  Acácio: "A palavra da  verdade e  da graça".  Marciano: "Este é seu nome?"   Acácio:  "Não me perguntes pelo seu nome, mas quem era"  Marciano: " Qual é pois  seu nome?"  Acácio: " Jesus Cristo". Marciano: "De que esposa teve Deus  este filho?" Acácio:  "Deus  tem seu filho, não de maneira humana, gerado de mulher;  pois o primeiro homem foi criado por suas mãos. Do barro da  terra formou  o corpo  humano e deu-lhe um  espírito. O Filho de Deus, o Verbo da Verdade, saiu do coração de  Deus,  como está escrito:  meu coração produziu boa palavra". (S. 44,1).
Marciano insistiu que sacrificasse  aos deuses e  imitasse os exemplos  dos Montanitas, dando assim um bom exemplo de obediência. Acácio, porém, respondeu: " O povo obedece a Deus e não a mim"   Marciano:  "Dize-me os nomes daqueles  que compõem o teu povo"  Acácio:  "Estão escritos no livro da  vida"    Marciano:  "Onde estão os feiticeiros teus  companheiros e  pregadores  de nova doutrina?"    Acácio:  "Ninguém condena a feitiçaria mais do que nós a condenamos"  Marciano: "Esta nova religião, que introduzís, é  feitiçaria"   Acácio:  "É feitiçaria  atirar ao chão ídolos feitos por mão humana? Nós só tememos aquele, que é Senhor do Universo, que nos ama como um Pai, que como Pastor misericordioso, nos salvou da morte e do inferno".   Marciano: "Dize-me os nomes que te pedi, se quiseres  poupar-te aos tormentos".  Acácio: "Aqui estou diante do tribunal. Desejas  saber o meu nome  e  dos meus companheiros. Como vencerás os outros, se eu sozinho te envergonho?  Pois seja feita a tua vontade. Eu me chamo Acácio, ou Agatangelo, e com este nome sou mais conhecido. Meus companheiros são Piso, bispo de Tróia e o sacerdote Menandro. Agora faze o que entenderes"   Marciano: "Hás de ficar preso, até que o imperador tenha tomado conhecimento do teu processo". 
Décio  ficou comovido  pela leitura das atas  e concedeu a Acácio plena liberdade  no exercício da religião. Ignora-se a data da  morte do Santo. Os gregos, egípcios e  todas as Igrejas do Oriente celebram a sua festa no dia 31 de março. 

Santa Balbina, virgem, mártir (+132)




Santa Balbina
Balbina era filha de Quirino (militar e tribuno). Converteu- se à fé cristã e foi batizada pelo papa Alexandre, jurando voto de virgindade.
Por causa de sua riqueza e nobreza espirituais, muitos jovens a pediram em matrimônio, mas ela manteve seu voto incorruptível e livre de qualquer mácula.
Estando gravemente enferma, o pai a levou ao Papa, que estava encarcerado, e ela foi curada.
Em 132, mais provavelmente no dia 31 de Março, foi arrastada com o pai por ordem do imperador Adriano e, com barbaridade, cortaram- lhe a cabeça. Devido a sua bravura diante da morte e por ter morrido em nome da fé, foi elevada, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santa, sendo- lhe dedicada uma Basílica Menor em Roma.
Está sepultada, ao lado de seu pai, num antigo cemitério entre as vias Ápia e Ardeatina, o qual recebeu o seu nome.

S. Guido, Leigo, Peregrino, séc. X e XI

S. Guido
Guido viveu entre os séculos X e XI, e terá nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, ele já demonstrava o seu desapego dos bens terrenos, tanto que na juventude distribuiu aos pobres tudo o que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também dedicar-se às orações e à penitência. Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas, seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado.  Convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados. Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e da assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade. Depois da longa peregrinação incluindo a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado nesta cidade e a sua sepultura tornou-se um pólo de peregrinação. Assim com o passar do tempo foi erguida uma igreja a elededicada, para guardar suas relíquias. Com o passar dos séculos, a devoção a São Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal. A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.





 
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quarta-feira, 30 de março de 2016

O pecado da Vaidade



  
A Frivolidade: Vaidade
 Uma pessoa vaidosa! Estas palavras não constituem exatamente o que você classificaria como um cumprimento. No entanto o mais alto anseio do indivíduo vaidoso é ser cumprimentado. Exteriormente, ele procura ter uma aparência atraente e usar roupas elegantes. Interiormente, se esforça por apresentar a fachada de uma personalidade agradável. Seu motivo básico é fazer uma boa figuração em público, de modo a conseguir respeito e atenção. A pessoa vaidosa sente forte atração pelo espelho. Contempla sua figura e gosta do que vê. Num sentido figurado, ele mira também todas as suas reações, atividades e conversas num espelho e tem prazer nelas.
O frívolo e o vaidoso esquecem, entretanto, que há um outro espelho - o olho de Deus - que nos mostra a verdade acerca de nós mesmos, aquilo que está por trás da fachada. Através dele podemos ver como tudo é realmente "vazio", transitório e perecível. Mas, se evitamos o espelho de Deus, estamos enganando a nós mesmos com o espelho dos olhos humanos que miramos o tempo todo fazendo as seguintes perguntas: Como reagem os outros em relação a nós? Temos boa aparência? Somos populares? Então nossa vaidade cresce cada vez mais, embora, no fim, nos torne infelizes. Porque, quanto maior ela é, mais nos tiraniza. Não seremos capazes de fazer algo, sem pensar em como reagirão os outros. Acabamos por fazer com que os que nos rodeiam se sintam constrangidos, porque, pelo menos inconscientemente, eles sentem as exigências de nosso ego, da nossa vaidade.
A vaidade coloca o ego no trono. Ela idolatra o ego e é por isso que ela é um grande pecado. Todo ídolo toma o lugar que, em nossa vida, devia ser de Deus. É por isso que o mesmo veredicto que Deus pronunciou contra os adoradores de ídolos nos atinge também. Porque não podemos servir a Deus e ao nosso ídolo-ego. Queremos que os outros queimem incenso ao nosso ego. Nossa vaidade quer que os outros admirem nossa beleza, inteligência, talentos e habilidades e queimem incenso a elas. Em alguns casos tudo isso é combinado com acréscimos de riquezas mundanas. Gastamos, então, grandes somas de dinheiro na aquisição de custoso guarda-roupa e de outras coisas que nos ajudem a ganhar a admiração dos demais.
Mas, acima de tudo, a vaidade, o desejo de sermos agradáveis aos que nos cercam, faz-nos insensíveis à coisa mais importante para a nossa vida, aqui na eternidade: o sermos agradáveis a Deus. Ninguém conseguirá ser agradável a Deus apresentando uma aparência atraente ou exibindo seus talentos e habilidades. Somente os que não pretendem ser coisa alguma aos olhos dos homens conseguirão a aprovação de Deus. Este é o ponto a que chegamos. Seria terrível perder a aprovação de Deus enquanto estivéssemos procurando a aprovação dos homens. Estaríamos, então, demasiado longe de Jesus. É por isso que temos de arrepender-nos completamente.
O primeiro passo para nos desembaraçarmos desse pecado é admitirmos honestamente que somos frívolos e vaidosos. Se deixarmos que a luz de Deus nos mostre isso, então podemos dizer: "Como poderia eu ser vaidoso? Meus pecados são tão feios. Mesmos que eu fosse excepcionalmente atraente ou talentoso, que importância teria aos olhos de Deus, que sabe o que existe realmente em meu coração? Eu devia sentir-me envergonhado por estar tão afastado de Deus, visto que estou contente com minha pobre e feia pessoa."
Agora é a hora de pedirmos o "colírio" (Apocalipse 3.18). Que significa isso? Significa que pedimos a Deus e aos outros que nos digam o que somos na realidade, sem levar em consideração a nossa suscetibilidade. Isso nos vai ferir, mas, em compensação, nos ajudará a perceber a verdade a respeito de nós mesmos. Precisamos também pedir ao Senhor: "Impede-me de ouvir alguém me elogiando, e expõe à luz o máximo do meu pecado, de modo que eu possa vê-lo mais claramente. Então me sentirei envergonhado e perderei a vaidade. Sim, eu mesmo devia dizer aos outros o que sou na realidade, de modo que eu me torne humilde e pronto a viver, não do seu favor, mas do perdão e da misericórdia de Deus."
Outro passo para ficar livre da vaidade é revelar nossos pensamentos frívolos, confessá-los a outra pessoa. Se quisermos receber a graça de Deus, temos de estar livres de frivolidade e da vaidade, porque a graça só será dada aos humildes e aos pecadores contritos, que não ficam satisfeitos consigo mesmo. Mas, se continuarmos a admirar no espelho nossas supostas qualidades e deixarmos que a mão esquerda veja o que faz a direita, já recebemos nossa recompensa (Mateus 6.1). Existe Alguém que não achou aprovação em Si mesmo, sendo Ele o único que podia fazê-lo: Jesus (Romanos 15.3). E nEle somos retos, isto é, fomos purificados de todo pecado, vaidade e frivolidade, inclusive. Ele mudará nosso coração de modo que ele não procure mais agradar aos homens, mas somente a Deus.


Pôs-Se com eles a caminho

Comentário do dia:

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Para 6 de Janeiro de 1941




O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

Papa Francisco

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Sábado Santo, 26 de Março de 2016



«Pedro (…) correu ao sepulcro» (Lc 24, 12). Quais poderiam ser os pensamentos que agitavam a mente e o coração de Pedro durante esta corrida? O Evangelho diz-nos que os Onze, incluindo Pedro, não acreditaram no testemunho das mulheres, no seu anúncio pascal. Antes, aquelas «palavras pareceram-lhes um desvario» (v. 11). Por isso, no coração de Pedro, reinava a dúvida, acompanhada por muitos pensamentos negativos: a tristeza pela morte do Mestre amado e a deceção por tê-Lo renegado três vezes durante a Paixão.
Mas há um detalhe que assinala a sua transformação: depois que ouvira as mulheres sem ter acreditado nelas, Pedro «pôs-se a caminho» (v. 12). Não ficou sentado a pensar, não ficou fechado em casa como os outros. Não se deixou enredar pela atmosfera pesada daqueles dias, nem aliciar pelas suas dúvidas; não se deixou absorver pelos remorsos, o medo e as maledicências sem fim que não levam a nada. Procurou Jesus; não a si mesmo. Preferiu a via do encontro e da confiança e, assim como era, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro, donde voltou depois «admirado» (v. 12). Isto foi o início da «ressurreição» de Pedro, a ressurreição do seu coração. Sem ceder à tristeza nem à escuridão, deu espaço à voz da esperança: deixou que a luz de Deus entrasse no seu coração, sem a sufocar.
As próprias mulheres, que saíram de manhã cedo para fazer uma obra de misericórdia, ou seja, levar os perfumes ao sepulcro, viveram a mesma experiência. Estavam «amedrontadas e voltaram o rosto para o chão», mas sobressaltaram-se ao ouvir estas palavras do anjo: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?» (cf. v. 5).
Também nós, como Pedro e as mulheres, não podemos encontrar a vida, permanecendo tristes e sem esperança e permanecendo aprisionados em nós mesmos. Mas abramos ao Senhor os nossos sepulcros selados – cada um de nós os conhece -, para que Jesus entre e dê vida; levemos-Lhe as pedras dos ressentimentos e os penedos do passado, as rochas pesadas das fraquezas e das quedas. Ele deseja vir e tomar-nos pela mão, para nos tirar para fora da angústia. Mas a primeira pedra a fazer rolar para o lado nesta noite é esta: a falta de esperança, que nos fecha em nós mesmos. O Senhor nos livre desta terrível armadilha: sermos cristãos sem esperança, que vivem como se o Senhor não tivesse ressuscitado e o centro da vida fossem os nossos problemas.
Vemos e continuaremos a ver problemas perto e dentro de nós. Sempre existirão, mas esta noite é preciso iluminar tais problemas com a luz do Ressuscitado, de certo modo «evangelizá-los». Evangelizar os problemas. Não permitamos que a escuridão e os medos atraiam o olhar da alma e se apoderem do coração, mas escutemos a palavra do Anjo: o Senhor «não está aqui; ressuscitou!» (v. 6); Ele é a nossa maior alegria, está sempre ao nosso lado e nunca nos dececionará.
Este é o fundamento da esperança, que não é mero otimismo, nem uma atitude psicológica ou um bom convite a ter coragem. A esperança cristã é um dom que Deus nos concede, se sairmos de nós mesmos e nos abrirmos a Ele Esta esperança não dececiona porque o Espírito Santo foi infundido nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). O Consolador não faz com que tudo apareça bonito, não elimina o mal com a varinha mágica, mas infunde a verdadeira força da vida, que não é a ausência de problemas, mas a certeza de sermos sempre amados e perdoados por Cristo, que por nós venceu o pecado, venceu a morte, venceu o medo. Hoje é a festa da nossa esperança, a celebração desta certeza: nada e ninguém poderá jamais separar-nos do seu amor (cf. Rm 8, 39).
O Senhor está vivo e quer ser procurado entre os vivos. Depois de O ter encontrado, cada um é enviado por Ele para levar o anúncio da Páscoa, para suscitar e ressuscitar a esperança nos corações pesados de tristeza, em quem sente dificuldade para encontrar a luz da vida. Há tanta necessidade disto hoje. Esquecendo de nós mesmos, como servos jubilosos da esperança, somos chamados a anunciar o Ressuscitado com a vida e através do amor; caso contrário, seremos uma estrutura internacional com um grande número de adeptos e boas regras, mas incapaz de dar a esperança de que o mundo está sedento.
Como podemos alimentar a nossa esperança? A Liturgia desta noite dá-nos um bom conselho. Ensina-nos a recordar as obras de Deus. Com efeito, as leituras narraram-nos a sua fidelidade, a história de seu amor por nós. A Palavra viva de Deus é capaz de nos envolver nesta história de amor, alimentando a esperança e reavivando a alegria. Isto mesmo nos lembra também o Evangelho que escutamos. Os anjos, para dar esperança às mulheres, dizem: «Lembrai-vos de como [Jesus] vos falou» (v. 6). Fazer memória das palavras de Jesus, fazer memória de tudo aquilo que Ele fez na nossa vida. Não esqueçamos a sua Palavra e as suas obras, senão perderemos a esperança e nos tornaremos cristãos sem esperança; por isso façamos memória do Senhor, da sua bondade e das suas palavras de vida que nos tocaram; recordemo-las e façamo-las nossas, para sermos sentinelas da manhã que sabem vislumbrar os sinais do Ressuscitado.
Amados irmãos e irmãs, Cristo ressuscitou! E nós temos a possibilidade de abrir-nos e receber o seu dom de esperança. Abramo-nos à esperança e ponhamo-nos a caminho; a memória das suas obras e das suas palavras seja a luz resplandecente, que orienta os nossos passos na confiança, rumo àquela Páscoa que não terá fim.


Evangelho segundo S. Lucas 24,13-35.


Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste,
e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo.
Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?»
Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante.
Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles,
que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Livro de Salmos 105(104),1-2.3-4.6-7.8-9.


Dai graças ao Senhor, aclamai o seu nome,
anunciai entre os povos as suas obras.
Cantai-Lhe salmos e hinos,
proclamai todas as suas maravilhas.

Gloriai-vos no seu nome santo,
exulte o coração dos que procuram o Senhor.
Considerai o Senhor e o seu poder,
procurai sempre a sua face.

Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
O Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.

Livro dos Actos dos Apóstolos 3,1-10.


Naqueles dias, Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde.
Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam.
Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola.
Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós».
O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa.
Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda».
E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos,
levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar; depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus
e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

Santo do dia

4ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA


Santo do dia : S. Leonardo Murialdo, confessor, +1900Santa Irene, virgem (séc. IX)S. João Clímaco, religioso, +649

S. Leonardo Murialdo, confessor, +1900




S. Leonardo Murialdo
 Nasceu em 1828 em Turim - Itália, numa família burguesa.

Conheceu cedo a riqueza que a vida de oração, de sacrifício e de caridade pode proporcionar para o amadurecimento humano, e também o discernimento em todas as coisas.
Foi uma pessoa muita atenta aos sinais dos tempos e sensível à opressão dos mais pobres. E foi assim que ele discerniu e quis ser um padre para os pobres.

Leonardo voltou-se para as classes mais desprezadas, a que realiza os trabalhos simples. Até criou um jornal chamado 'A voz dos operários'. De fato, tinha uma fé solidária. Ele foi sinal de esperança para Igreja e para a sociedade.

O santo de hoje foi ponte para que muitos se encontrassem com  Cristo no mistério da cruz e do sofrimento.

Ele se consumiu na evangelização, na caridade, na promoção humana, falecendo no ano de 1900.
Peçamos sua intercessão para que sejamos sinais de esperança na Igreja e no Mundo.



Santa Irene, virgem (séc. IX)





Santa Irene
Santa Iria ou Irene  é uma mártir lendária da cidade de Nabância (próxima da moderna Tomar).
Nascida de uma rica família de Nabância, Iria recebeu educação esmerada e professou num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.
Devido à sua beleza e inteligência, Iria cedo congregou a afeição das religiosas e das pessoas da terra, sobretudo dos jovens e dos fidalgos, que disputavam entre si as virtudes de Iria.
Entre estes adolescentes contava-se Britaldo, herdeiro daquele senhorio, que alimentou por Iria doentia paixão. Iria, contudo, recusava as suas investidas amorosas, antes afirmando a sua eterna devoção a Deus.
Dos amores de Britaldo teve conhecimento Remígio, um monge director espiritual de Iria, ao qual também a beleza da donzela  não passara despercebida. Ardendo de ciúmes, o monge deu a Iria uma tisana embruxada, que logo fez surgir no corpo sinais de prenhez.
Por causa disso foi expulsa do convento, recolhendo-se junto do rio para orar. Aí, foi assassinada à traição por um servo de Britaldo, a quem tinham chegado os rumores destes eventos.
Lançado ao rio, o corpo da mártir ficou depositado entre as areias do Teja, aí permanecendo, incorruptível, através dos tempos.

S. João Clímaco, religioso, +649




S. João Clímaco
A história do santo de hoje está intimamente ligada com o Monte Sinai, citado na Bíblia, isso porque São João Clímaco foi um dos inúmeros homens que buscaram nos mosteiros do Monte Sinai, o ideal da Santidade. Nasceu na Palestina em 579, e recebeu dos pais exemplar formação literária e cristã. João Clímaco, para começar a rica experiência, renunciou livremente aos bens familiares e a uma próspera vida religiosa, para entrar na linda família monástica. Inicialmente, colocou-se na direção espiritual de martírio, depois, perto da cela de um outro eremita, prosseguiu seu caminho de oração, jejum, estudos, trabalhos e principalmente silêncio. Por meio dos jejuns e mortificações, este santo conseguia, em Cristo, vencer o demônio e viver com os outros irmãos, com os quais se encontrava aos sábados e domingos. Do conjunto de mosteiros e celas que povoavam o Sinai, São João, que era muito respeitado pela santidade e conhecimento da doutrina, foi eleito abade geral, até entrar na Vida Eterna no ano de 649.


terça-feira, 29 de março de 2016

Desejo de atenção



  
Desejo de Atenção e Consideração

Dois quadros estão colocados diante de nossos olhos. O primeiro nos mostra Jesus coroado com a coroa da vergonha. Ele escolheu voluntariamente ser o mais desprezado e indigno entre os homens. As pessoas esconderam dEle o rosto, e "dEle não fizemos caso". Jesus! É Ele que merece toda honra no céu e na terra; no entanto se sacrificou por amor a nós e Se deixou ser vilipendiado.
No segundo quadro estamos nós, seres humanos, uns mais outros menos, coroados com coroas reluzentes do desejo pessoal de atenção e respeito. Somos dominados por esse desejo. Sem nos importarmos com o que isso custa, queremos ser o centro das atenções. Fazemos o que podemos para alcançar o objetivo, a ponto de os demais objetivos se tornarem secundários. O contraste flagrante entre os dois quadros mostra-nos claramente como esse pecado é grave. Mostra-nos ainda que o desejo de atenção contradiz nosso chamamento divino para sermos recriados conforme a imagem de Jesus.
As raízes desse pecado estão presas à queda de Adão. Por efeito da queda tudo perdeu seu relacionamento próprio. Não estamos mais preocupados, em primeiro lugar, em ser respeitados por Deus, sendo um com Ele em amor. Em lugar disso, temos acentuada propensão, muitas vezes um anseio apaixonado, de sermos respeitados e apreciados pelos outros. Se sentimos que as pessoas que respeitamos, e cujas opiniões julgamos importantes, não nos respeitam, ficamos tristes, deprimidos, infelizes e sensíveis.
Mas isso não é tudo. No desejo de obter consideração, procuramos muitas vezes ficar sob o foco de luz e fingimos ser algo que não somos, ou ter habilidades que não possuímos. Desse modo nos tornamos artificiais e, sem percebermos, hipócritas. Pensamos que estamos servindo a Deus, mas, na realidade, estamos fazendo tudo visando a nossa honra, para que os outros nos respeitem e, desse modo pecamos contra as coisas mais sagradas. Então o "Ai" que Jesus dirigiu aos fariseus também se aplica a nós. "Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens... Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças..."(Mateus 23.7).
Esses hipócritas, aos quais Jesus disse "Ai", estão sujeitos à condenação de Jesus na eternidade. É por isso que não podemos mais tolerar o desejo de consideração e atenção. Ele provoca muitos outros pecados.

Magoamos os outros, agimos com desamor, colocando-os na sombra, de modo que apareçamos sob uma luz favorável. Principalmente nos dias atuais, quando pertencer a Jesus e segui-lO representa ainda mais desonra, ridículo e vergonha, nosso desejo de consideração pode significar a ruína e pode levar-nos a negar a Jesus. Sim, se esta preocupação em receber honra das pessoas é tão forte em nós, Jesus deve lamentar sobre nós B como fez em relação aos fariseus que não O aceitaram. "Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros,e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?" (Jo 5.44). Assim este pecado do desejo de consideração, que normalmente existe em nossa personalidade, separa-nos de Jesus e da vida divina. É por isso que  temos de descartar-nos dele, não importa quanto isso custe. Quem pode ajudar-nos?
Antes de mais nada, temos de deixar que o Espírito de Deus nos mostre, de vez em quando, quão desprezível é o nosso desejo de consideração, e façamos, então, uma renúncia definida: "Senhor, não  quero ser nada; não quero ser tratado com consideração." E, então, verificaremos que há poder nesta resoluta renúncia. Jesus a aceita. Ele, o Filho de Deus, sujeitou-Se a ser desprezado e rejeitado por todos. Agora Ele pode ajudar-nos. O que é Seu, é nosso. Ele conquistou esta humildade, este desejo de não ser nada. Receberemos, então, o dom maior. Seremos respeitados por Deus. O Pai disse que Se comprazia em Seu Filho quando Ele desceu ao rio Jordão e deixou que muitos pensassem que Ele era pecador, indigno de respeito. Esta "descida" trouxe a Jesus o amor especial do Pai e Lhe deu a maior alegria.
Jesus renunciou à Sua glória e preferiu sofrer a vergonha para que pudéssemos ser remidos do pecado do desejo de consideração, bem como pudéssemos ser mudados conforme Sua imagem de humildade. Sua humilhação até ao  ponto de morrer como "criminoso" na cruz, é firme garantia de Seu auxílio para todos nós que queremos ser livres de nosso desejo de atenção.

«Vistes Aquele que a minha alma ama?» (Ct 3,3)

Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Sobre a virgindade, 17-21



«Porque choras?» És tu a causa das tuas lágrimas, é por tua causa que choras. [...] Choras porque não acreditas em Cristo; acredita e vê-Lo-ás. Cristo nunca deixa de aparecer a quantos O procuram. «Porque choras?» Não é de lágrimas que precisas, mas de uma fé atenta e digna de Deus. Não penses nas coisas mortais e não chorarás. [...] Porque choras com aquilo que alegra os outros?

«A quem procuras?» Não vês que Cristo é a força de Deus, que Cristo é a sabedoria de Deus, que Cristo é santidade, que Cristo é castidade, que Cristo é pureza, que Cristo nasceu de uma virgem, que Cristo é do Pai e está junto do Pai e está sempre no Pai; nascido mas não criado, nem caído, sempre amado, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro? «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram.» Enganas-te, mulher; pensas que Cristo foi levado do túmulo por outros e que não ressuscitou pelo seu próprio poder. Mas ninguém retira o poder a Deus, ninguém retira a sabedoria a Deus, ninguém Lhe retira a venerável castidade. Cristo não foi levado do túmulo de justiça e de intimidade da Virgem, nem do segredo da sua alma fiel; e, mesmo que haja quem queira apoderar-se dele, tal não é possível.

Então Jesus disse-lhe: «Maria, olha para Mim.» Enquanto não acreditou, era «mulher»; quando começou a voltar-se para Ele, recebeu o nome de Maria, o nome daquela que deu Cristo à luz, porque é a alma que dá Cristo espiritualmente à luz. «Olha para Mim», disse Ele. Quem olha para Cristo corrige-se; é quando não vemos a Cristo que nos enganamos. E ela, voltando-se, disse: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!» Quem olha, volta-se; quem se volta, capta de forma mais completa; quem vê, progride. É por isso que ela chama Mestre Àquele que julgava estar morto: porque encontrou Aquele que julgava estar perdido.

Evangelho segundo S. João 20,11-18.


Naquele tempo, Maria Madalena estava a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro
e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus.
Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram».
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele.
Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar».
Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!».
Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus».
Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito.

Livro de Salmos 33(32),4-5.18-19.20.22.


A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor,
Ele é o nosso amparo e protetor.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

Livro dos Actos dos Apóstolos 2,36-41.


No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes».
Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?»
Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo,
porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de Ac longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus».
E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa».
Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Batismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

Discípulos de Cristo

Como campainhas que despertam do entorpecimento

· ​Em Santa Maria em Trastevere vigília de oração em memória dos mártires de hoje ·

«Poucos podem ser heróis» mas «todos podemos ser mártires de Cristo se vivermos a nossa vida como seus discípulos, sem esperar as grandes ocasiões, mas aproveitando as pequenas ocasiões que o dia nos apresenta»: na vigília de oração que teve lugar a 22 de março em Roma, na basílica de Santa Maria em Trastevere, em recordação de quantos nestes últimos anos ofereceram a sua vida pelo Evangelho, o cardeal Beniamino Stella quis não só prestar homenagem ao sacrifício corajoso de muitos, mas sobretudo, a seu exemplo, solicitar o testemunho diário de todos os cristãos.
O prefeito da Congregação para o clero – que presidiu ao encontro organizado pela comunidade de Santo Egídio – delineou o sulco de um caminho possível, marcado pela contraposição entre a lógica do mundo e a das bem-aventuranças. Uma lógica evocada precisamente por quem, ainda hoje, enfrenta o martírio tendo como única certeza o encontro com Jesus: «A sua vida e a sua morte – disse recordam-nos a beleza do evangelho das bem-aventuranças, palavras de iludidos para quem rejeita Cristo, mas um vislumbre de paraíso para nós que temos fé n'Ele».
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