terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Comentário do Dia



São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Protéptico 1, 6-8; SC 2

O cântico novo: «Ana proclamava os louvores de Deus»

Sendo do alto, o Verbo, a Palavra de Deus, era e é o divino começo de todas as coisas. Mas, agora que recebeu como nome «Aquele-que-foi-consagrado», ou seja, «Cristo», eu chamo-Lhe «cântico novo» (Sl 33, 144, 149, etc.). O Verbo fazia-nos existir desde há muito, porque estava em Deus; por Ele a nossa existência é boa. Ora este Verbo acaba de aparecer aos homens, Ele que é Deus e Homem; Ele é para nós a causa de todos os bens. Tendo aprendido com Ele a viver bem, somos por Ele introduzidos na vida eterna. Porque, como nos diz o apóstolo do Senhor, «a graça de Deus, fonte de salvação, apareceu a todos os homens; ela ensina-nos a renunciar à impiedade e às cobiças do mundo, e a viver no tempo presente com temperança, justiça e piedade, aguardando com jubilosa esperança a revelação da glória do grande Deus, Jesus Cristo, nosso Salvador» (Tit 2,11-13).


Eis o cântico novo: a manifestação do Verbo que existia desde o princípio e que acaba de resplandecer entre nós. […] Porque Aquele que existia como Salvador desde sempre acaba de aparecer; Aquele que é Deus apareceu como mestre; o Verbo por Quem tudo foi criado apareceu (Jo 1,10). Como Criador, Ele deu a vida no princípio; agora, tendo aparecido como Mestre, ensina-nos a viver bem, de maneira que um dia nos possa dar, enquanto Deus, a vida eterna. Não foi hoje a primeira vez que Ele teve piedade de nós por andarmos perdidos; foi desde o princípio.



Ana, filha de Fanuel

Evangelho segundo S. Lucas 2,36-40.
Quando os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém, a fim de O apresentarem ao Senhor, estava no templo uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Santo do Dia

Terça-feira, dia 30 de Dezembro de 2014

Beata Margarida Colona, religiosa, +1280




Margarida nasceu em 1255, no castelo de seus pais a 40 quilómetros de Roma. Perdeu o pai pouco depois de nascer e a mãe aos dez anos. Foi posta sob a tutela de seu irmão João.

Quando atingiu dezoito anos e a quis casar, João verificou que, tanto Margarida como seu irmão Tiago, se tinham apaixonado pelos ideais franciscanos e nada os pôde demover.

Tiago chegou a cardeal defensor da Ordem, enquanto Margarida se retirou para um pequeno convento, dizendo ter sido agraciada com uma aparição da Virgem Maria. Não estando sujeita a clausura, pôde entregar-se às obras de caridade, especialmente junto dos Irmãos Menores doentes e dos leprosos

cf. José Leite, s.j.

O Senhor é Rei

Livro de Salmos 96(95),7-8a.8b-9.10.
Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder,
dai ao Senhor a glória do seu nome.

Levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d'Ele a terra inteira.

Dizei entre as nações: "O Senhor é Rei",
sustenta o mundo e ele não vacila,
governa os povos com equidade.


Não ameis o mundo nem o que existe no mundo

1ª Carta de S. João 2,12-17.
Escrevo-vos, meus filhos, porque os vossos pecados foram perdoados, pelo nome de Jesus.
Escrevo-vos, pais, porque conheceis Aquele que existe desde o princípio. Escrevo-vos, jovens, porque vencestes o Maligno.
Escrevo-vos, meus filhos, porque conheceis o Pai. Escrevo-vos, pais, porque conheceis Aquele que existe desde o princípio. Escrevo-vos, jovens, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o Maligno.
Não ameis o mundo nem o que existe no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.
Porque tudo o que há no mundo - concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho da riqueza - não vem do Pai, mas do mundo.
Ora o mundo passa com as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Comentário do dia


Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja
Caminho de Perfeição, cap. 31, 1-2 (Ed. Carmelo, 2000, rev)

Simeão tomou-O nos braços

Nesta oração de quietude, o Senhor começa a dar a entender que ouve a nossa petição e começa, já aqui neste mundo, a dar-nos o seu reino, para que deveras O louvemos, santifiquemos o seu nome e procuremos que todos o façam.


Esta oração é já coisa sobrenatural e que não podemos procurar por nós mesmos, por mais diligências que façamos, porque é um pôr-se a alma em paz, ou pô-la o Senhor em paz, para melhor falar com a sua presença, como fez ao justo Simeão, porque todas as potências se sossegam. Entende a alma, de um modo muito diverso do entender com os sentidos exteriores, que já está ali mesmo ao pé de Deus, que com mais um poucochinho chegará a estar feita uma mesma coisa com Ele por união. E isto, não porque O veja com os olhos do corpo, nem com os da alma. O justo Simeão também não via, do glorioso Menino pobrezinho, mais do que as faixas em que O levavam envolto e a pouca gente que ia com ele na procissão, que mais pudera julgá-lo filho de gente pobre que Filho do Pai celestial; mas o mesmo Menino deu-Se-lhe a conhecer. E é assim que a alma aqui entende, embora não com essa clareza; porque nem mesmo ela percebe como o entende, senão que se vê no reino, ou ao menos junto do Rei que lho há-de dar, e parece que a própria alma está com tal respeito, que nem sequer ousa pedir.



Simeão

Evangelho segundo S. Lucas 2,22-35.
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor,
como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor»,
e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele.
O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor;
e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito,
Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando:
«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo,
porque os meus olhos viram a vossa salvação,
que pusestes ao alcance de todos os povos:
luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».
O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia.
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição;
– e uma espada trespassará a tua alma –
assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Anunciai dia a dia a sua salvação

Livro de Salmos 96(95),1-2a.2b-3.5b-6.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

Anunciai dia a dia a sua salvação,
publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

Foi o Senhor quem fez os céus:
diante d’Ele a honra e a majestade,
no seu templo o poder e o esplendor.


Quem ama o seu irmão permanece na luz

1ª Carta de S. João 2,3-11.
Caríssimos: Nós sabemos que conhecemos Jesus Cristo, se guardamos os seus mandamentos.
Aquele que diz conhecê-l’O mas não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele.
Mas se alguém guarda a sua palavra, nesse o amor de Deus é perfeito. Nisto reconhecemos que estamos n’Ele.
Quem diz que permanece n’Ele deve também proceder como Ele procedeu.
Caríssimos, não vos escrevo um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que recebestes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes.
No entanto, é um mandamento novo que vos escrevo — o que é verdadeiro n’Ele e em vós—, porque as trevas estão a passar e já brilha a luz verdadeira.
Quem diz que está na luz e odeia o seu irmão ainda se encontra nas trevas.
Quem ama o seu irmão permanece na luz e não há nele ocasião de pecado.
Mas quem odeia o seu irmão encontra-se nas trevas, caminha nas trevas e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos.

Santo do Dia

Segunda-feira, dia 29 de Dezembro de 2014

S. Tomás Becket, bispo, mártir, +1170



S. Tomás Becket
S. Tomás Becket nasceu na Normandia, era senhor de grande riqueza e considerado um dos homens de grandes capacidades no seu tempo. Foi até comparado a Richelieu, com o qual na realidade se parecia pelas qualidades de homem de Estado e grande amor às grandezas.
Em 1155, Henrique II rei de Inglaterra nomeou-o seu chanceler. Quando vagou a Sé de Canterbury, Henrique II escolheu-o para a ocupar. Tomás foi ordenado sacerdote a 1 Junho de 1162 e sagrado Bispo dois dias depois. Desde então, passou a ser a pessoa mais importante a seguir ao rei e mudou inteiramente de vida, convertendo-se num dos prelados mais austeros
                            .
Convencido de que o cargo de primeiro-ministro e o de príncipe de Inglaterra eram incompatíveis, Tomás pediu demissão do cargo de chanceler, o que descontentou muito o rei. Henrique II ficou ainda mais aborrecido quando, em 1164, por ocasião dos “concílios” de Clarendon e Northampton, o Arcebispo tomou o partido do Papa contra ele. Tomás viu-se obrigado a fugir, disfarçado em irmão leigo, e foi procurar asilo em Compiegne, junto de LuisVII.  

                            Passou, a seguir, à abadia de Pontigny e depois à de Santa Comba, na região de Sens (França). Decorridos 4 anos, a pedido do Papa e do rei de França, Henrique II acabou por consentir em que Tomás regressasse à Inglaterra, O rei estava persuadido de que podia contar dai em diante com a submissão cega do Arcebispo, mas em breve reconheceu que muito se tinha enganado, pois este continuava a defender a Igreja Romana contra as pretensões régias. Desesperado, o rei exclamou um dia: “Malditos sejam os que vivem do meu pão e não me livram deste padre insolente”. Quatro cavaleiros tomaram à letra estas palavras, que não eram sem dúvida mais que uma exclamação de desespero. A 29 de Dezembro de 1170, à tarde, vieram encontrar-se com Tomás no seu palácio, exigindo-lhe que levantasse as censuras que tinha imposto. Recusou-se a isso e foi com eles tranquilamente para uma capela lateral da Sé.
                            “Morro de boa vontade por Jesus e pela Santa Igreja”, disse-lhes; e eles abateram-no com as espadas.





 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Sagrada Família

Domingo, dia 28 de Dezembro de 2014

Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José - Ano B (semana I do saltério)



Sagrada Família
A liturgia desta festa propõe-nos a família de Jesus como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares… Como a família de Jesus – diz-nos a liturgia deste dia – as nossas famílias devem viver numa atenção constante aos desafios de Deus e às necessidades dos irmãos.
O Evangelho põe-nos diante da Sagrada Família de Nazaré apresentando Jesus no Templo de Jerusalém. A cena mostra uma família que escuta a Palavra de Deus, que procura concretizá-la na vida e que consagra a Deus a vida dos seus membros. Nas figuras de Ana e Simeão, Lucas propõe-nos também o exemplo de dois anciãos de olhos postos no futuro, capazes de perceber os sinais de Deus e de testemunhar a presença libertadora de Deus no meio dos homens.
A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram ser “Homem Novo”. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.
A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.


www.ecclesia.pt

Comentário do Dia


São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia para o Natal; PG 56, 392

«Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.»

Que posso eu dizer sobre este mistério? Vejo um operário, uma manjedoura, um Menino, uns paninhos, uma Virgem que dá à luz privada do necessário; vejo as marcas de indigência, o fardo da pobreza. Alguma vez vistes a riqueza em tal penúria? Como é que Aquele que era rico Se fez pobre por nós (cf 2Cor 8,9), ao ponto de, privado de berço e de mantas, estar deitado numa dura manjedoura? […] Oh! Riqueza imensa, sob a aparência de pobreza! Ele dorme numa manjedoura, mas abala o universo. Envolto em panos, rompe as cadeias do pecado. Embora ainda não saiba falar, instruiu os magos para que regressassem por outro caminho. O mistério ultrapassa em muito a palavra!


Eis o Bebé envolto em panos, deitado numa manjedoura; e Maria, Virgem e Mãe; e também José, a quem chamamos seu pai. Este desposou Maria, mas o Espírito Santo cobriu Maria com a sua sombra. Por isso José ficou angustiado, não sabendo que nome dar ao Menino. […] Nessa ansiedade, chegou-lhe uma mensagem através dum anjo: «José, não temas receber Maria, tua esposa, pois O que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1,20). […] Porque nasceu o Salvador duma Virgem? Eva, que era virgem, deixou-se seduzir e deu à luz a causa da nossa morte; Maria, tendo recebido do anjo a Boa Nova, deu à luz o Verbo feito carne, que nos traz a vida eterna.



Maria e José levaram Jesus a Jerusalém

Evangelho segundo S. Lucas 2,22-40.
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor,
como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor»,
e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele.
O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor;
e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito,
Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando:
«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo,
porque os meus olhos viram a vossa salvação,
que pusestes ao alcance de todos os povos:
luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».
O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia.
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição;
– e uma espada trespassará a tua alma –
assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Pela fé

Carta aos Hebreus 11,8.11-12.17-19.
Irmãos: Pela fé, Abraão, ao ser chamado, obedeceu e partiu para um lugar que havia de receber como herança e partiu sem saber para onde ia.
Pela fé, também Sara, apesar da sua avançada idade, recebeu a possibilidade de conceber, porque considerou fiel aquele que lho tinha prometido.
Por isso, de um só homem, e já marcado pela morte, nasceu uma multidão tão numerosa como as estrelas do céu e incontável como a areia da beira-mar.
Pela fé, Abraão, quando foi posto à prova, ofereceu Isaac, e estava preparado para oferecer o seu único filho, ele que tinha recebido as promessas e
a quem tinha sido dito: Por meio de Isaac será assegurada a tua descendência.
De facto, ele pensava que Deus tem até poder para ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, recuperou o seu filho.

Santo do Dia

Domingo, dia 28 de Dezembro de 2014

Santos Inocentes, mártires, séc. I




A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus: "Quem perder a vida por amor a mim há-de encontrará-la." Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: "Salvé, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa."
O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: "Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem."
A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: "Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes."
Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

Recordai as maravilhas que Ele fez

Livro de Salmos 105(104),1b-2.3-4.5-6.8-9.
Louvai o Senhor, aclamai o seu nome,
anunciai entre os povos as suas obras.
Cantai-lhe hinos e salmos,
proclamai as suas maravilhas.

Orgulhai-vos do seu nome santo;
alegre-se o coração dos que procuram o Senhor.
Recorrei ao Senhor e ao seu poder
e buscai sempre a sua face.

Recordai as maravilhas que Ele fez,
os seus prodígios e as sentenças da sua boca,
Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.


Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas

Livro de Génesis 15,1-6.21,1-3.
Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão numa visão: «Nada temas, Abrão! Eu sou o teu escudo, a tua recompensa será muito grande.»
Abrão respondeu: «Que me dareis, Senhor Deus? Vou-me sem filhos e o herdeiro da minha casa é Eliézer, de Damasco.»
Acrescentou: «Não me concedeste descendência, e é um escravo, nascido na minha casa, que será o meu herdeiro.»
Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida, nos seguintes termos: «Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas.»
E, conduzindo-o para fora, disse-lhe: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se fores capaz de as contar.» E acrescentou: «Pois bem, será assim a tua descendência.»
Abrão confiou no Senhor, e Ele considerou-lhe isso como mérito.
O Senhor visitou Sara, como lhe tinha dito, e realizou nela o que prometera.
Sara concebeu e, na data marcada por Deus, deu um filho a Abraão, quando este já era velho.
Ao filho que lhe nascera de Sara, deu Abraão o nome de Isaac. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Santo do dia

S. João, Apóstolo e Evangelista




João, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como Pedro e André, ocupa um lugar de primeiro plano no elenco dos apóstolos. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto. No entanto, o leitor, mesmo que leia superficialmente os seus escritos, percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas.
João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à acção. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário: "No princípio de tudo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e ele mesmo era Deus."
Ele está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida João está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Maria. Mas contrariamente a tudo o que possam fazer pensar as representações da arte, João não era um homem fantasioso e delicado. Bastaria o apelido humorista que o Mestre impôs a ele e a seu irmão Tiago: "Filhos do trovão" para nos indicar um temperamento vivaz e impulsivo, alheio a compromissos e hesitações, até aparecendo intolerante e cáustico.
No seu Evangelho designa a si mesmo simplesmente como "o discípulo a quem Jesus amava." Também se não nos é dado indagar sobre o segredo desta inefável amizade, podemos adivinhar uma certa analogia entre a alma do Filho do homem e a do filho do trovão, pois Jesus veio à terra não só trazer a paz mas também o fogo. Após a ressurreição, João está quase constantemente ao lado de Pedro. Paulo, na epístola aos gálatas, fala de Pedro, Tiago e João como colunas na Igreja.
No Apocalipse, João diz que foi perseguido e degredado para a ilha de Patmos "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo". Conforme uma tradição unânime ele viveu em Éfeso em companhia de Maria e sob o imperador Domiciano foi colocado dentro de uma caldeira com óleo a ferver, mas saiu ileso e todavia com a glória de ter dado testemunho. Depois do exílio de Patmos voltou definitivamente para Éfeso, onde exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, resultando em três cartas, acolhidas entre os textos sagrados, assim como o Apocalipse e o Evangelho. Morreu carregado de anos em Éfeso durante o império de Trajano (98-117), onde foi sepultado.


Comentário o dia


João Escoto Erígena (?-c. 870), beneditino irlandês
Homilia sobre o prólogo do evangelho de João, § 2

«O que existia desde o princípio, […] o que contemplámos, […] isso vos anunciamos» (1Jo 1,1-3)

Pedro e João correm para o túmulo. O túmulo de Cristo é a Sagrada Escritura, na qual os mistérios mais obscuros da divindade e da humanidade de Jesus estão defendidos, por assim dizer, por uma muralha de rocha. Mas João corre mais depressa que Pedro, pois o poder da contemplação totalmente purificada penetra os segredos das obras divinas com um olhar mais agudo e mais vivo que o poder da acção ainda não totalmente pura.


Contudo, é Pedro quem entra primeiro no sepulcro; João segue-o. Os dois correm e entram os dois. Aqui, Pedro é a imagem da fé e João representa a inteligência. […] Portanto, a fé deve entrar em primeiro lugar no sepulcro, que é imagem da Sagrada Escritura, e a inteligência deve segui-la. […]


Pedro, que representa também a prática das virtudes, vê, pelo poder da fé e da acção, o Filho de Deus encerrado dum modo inexprimível e maravilhoso nos limites da carne. João, que representa a mais alta contemplação da verdade, admira o Verbo de Deus, perfeito em Si próprio e infinito na sua origem, isto é, em seu Pai. Pedro, conduzido pela revelação divina, olha ao mesmo tempo para as coisas eternas e para as coisas deste mundo, unidas em Cristo. João contempla e anuncia a eternidade do Verbo para O dar a conhecer às almas crentes.


Digo, portanto, que João é uma águia espiritual de voo rápido, que vê Deus; chamo-lhe teólogo. Ele domina toda a criação visível e invisível, vai para além das faculdades do intelecto, e entra divinizado em Deus, que com ele partilha a sua própria vida divina.


Ressurreição

Evangelho segundo S. João 20,2-8.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Rascunho27

1ª Carta de S. João 1,1-4.
Caríssimos: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, o que tocámos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos.
Porque a Vida manifestou-Se e nós vimos e damos testemunho dela. Nós vos anunciamos a Vida eterna, que estava junto do Pai e nos foi manifestada.
Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
E vos escrevemos tudo isto, para que a vossa alegria seja completa.

Livro de Salmos 97(96),1-2.5-6.11-12.

O Senhor é Rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.

Derretem-se os montes como cera,
diante do Senhor de toda a terra.
Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.

A luz resplandece para o justo
e a alegria para os corações retos.
Alegrai-vos, ó justos, no Senhor,
e louvai o seu nome santo.



Evangelho segundo S. João 20,2-8.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

João Escoto Erígena (?-c. 870), beneditino irlandês
Homilia sobre o prólogo do evangelho de João, § 2

«O que existia desde o princípio, […] o que contemplámos, […] isso vos anunciamos» (1Jo 1,1-3)


Pedro e João correm para o túmulo. O túmulo de Cristo é a Sagrada Escritura, na qual os mistérios mais obscuros da divindade e da humanidade de Jesus estão defendidos, por assim dizer, por uma muralha de rocha. Mas João corre mais depressa que Pedro, pois o poder da contemplação totalmente purificada penetra os segredos das obras divinas com um olhar mais agudo e mais vivo que o poder da acção ainda não totalmente pura.


Contudo, é Pedro quem entra primeiro no sepulcro; João segue-o. Os dois correm e entram os dois. Aqui, Pedro é a imagem da fé e João representa a inteligência. […] Portanto, a fé deve entrar em primeiro lugar no sepulcro, que é imagem da Sagrada Escritura, e a inteligência deve segui-la. […]


Pedro, que representa também a prática das virtudes, vê, pelo poder da fé e da acção, o Filho de Deus encerrado dum modo inexprimível e maravilhoso nos limites da carne. João, que representa a mais alta contemplação da verdade, admira o Verbo de Deus, perfeito em Si próprio e infinito na sua origem, isto é, em seu Pai. Pedro, conduzido pela revelação divina, olha ao mesmo tempo para as coisas eternas e para as coisas deste mundo, unidas em Cristo. João contempla e anuncia a eternidade do Verbo para O dar a conhecer às almas crentes.


Digo, portanto, que João é uma águia espiritual de voo rápido, que vê Deus; chamo-lhe teólogo. Ele domina toda a criação visível e invisível, vai para além das faculdades do intelecto, e entra divinizado em Deus, que com ele partilha a sua própria vida divina.





A luz resplandece para o justo

Livro de Salmos 97(96),1-2.5-6.11-12.
O Senhor é Rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.

Derretem-se os montes como cera,
diante do Senhor de toda a terra.
Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.

A luz resplandece para o justo
e a alegria para os corações retos.
Alegrai-vos, ó justos, no Senhor,
e louvai o seu nome santo.


Verbo da Vida

1ª Carta de S. João 1,1-4.
Caríssimos: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, o que tocámos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos.
Porque a Vida manifestou-Se e nós vimos e damos testemunho dela. Nós vos anunciamos a Vida eterna, que estava junto do Pai e nos foi manifestada.
Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
E vos escrevemos tudo isto, para que a vossa alegria seja completa.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Santo do Dia

Sexta-feira, dia 26 de Dezembro de 2014

Santo Estêvão, diácono, primeiro mártir, séc. I




Depois do Pentecostes, os apóstolos dirigiam o anúncio da mensagem cristã aos mais próximos, aos hebreus, aguçando o conflito apenas acalmado da parte das autoridades religiosas do judaísmo. Como Cristo, os apóstolos conheceram logo as humilhações dos flagelos e da prisão, mas apenas libertados das correntes retomam a pregação do Evangelho. A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, colocou tudo em comum, repartindo diariamente o que era suficiente para o seu sustento. Com o crescimento da comunidade, os apóstolos confiaram o serviço da assistência diária a sete ministros da caridade, chamados diáconos.

Entre eles sobressaía o jovem Estêvão, que além de exercer as funções de administrador dos bens comuns, não renunciava ao anúncio da Boa Nova, e o fez com tanto sucesso que os judeus “apareceram de surpresa, agarraram Estêvão e levaram-no ao tribunal. Apresentaram falsas testemunhas, que declararam: "Este homem não faz outra coisa senão falar contra o nosso santo templo e contra a Lei de Moisés. Nós até o ouvimos afirmar que esse Jesus de Nazaré vai destruir o templo e mudar as tradições que Moisés nos deixou."

Estêvão, como se lê nos Actos dos Apóstolos, cheio de graça e de força, como pretexto de sua autodefesa, aproveitou para iluminar as mentes de seus adversários. Primeiro, resumiu a história hebraica de Abraão até Salomão, em seguida afirmou não ter falado contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem fora do Templo. Demonstrou, de facto, que Deus se revelava também fora do Templo e se propunha a revelar a doutrina universal de Jesus como última manifestação de Deus, mas os seus adversários não o deixaram prosseguir no discurso, "taparam os ouvidos e atiraram-se todos contra ele, em altos gritos. Expulsaram-no da cidade e apedrejaram-no."

Dobrando os joelhos debaixo de uma tremenda chuva de pedra, o primeiro mártir cristão repetiu as mesmas palavras de perdão pronunciadas por Cristo sobre a Cruz: "Senhor, não os condenes por causa deste pecado." Em 415 a descoberta das suas relíquias suscitou grande emoção na cristandade. A festa do primeiro mártir foi sempre celebrada imediatamente após a festividade do Natal.

Comentário do dia

São Fulgêncio de Ruspas (467-532), bispo 
Sermon 3, 1-3, 5-6 ; CCL 91 A, 905-909 (trad. breviário) 

Coroados juntos pelo humilde Rei da Glória

Ontem, celebrámos o nascimento temporal do nosso Rei eterno ; hoje celebramos o martírio triunfal do seu soldado. […] O nosso Rei, o Altíssimo, humilhou-Se por nós; mas a sua vinda não foi em vão: Ele trouxe grandes dons aos seus soldados, a quem não só enriqueceu abundantemente, mas também fortaleceu para serem invencíveis na luta: trouxe-lhes o dom da caridade, que torna os homens participantes da natureza divina. […]

A mesma caridade que Cristo trouxe do céu à terra fez subir Estêvão da terra ao céu. […] Para merecer a coroa que o seu nome significava, Estêvão tomou como arma a caridade e com ela triunfava em toda a parte. Por amor de Deus, não cedeu perante os judeus que o atacavam; por amor do próximo, intercedia pelos que o apedrejavam. Pela caridade, argumentava contra os que estavam no erro, para que se corrigissem; pela caridade, orava pelos que o apedrejavam, para que não fossem castigados. Confiado na força da caridade, venceu a crueldade de Saulo e mereceu ter como companheiro no céu aquele que na terra foi seu perseguidor. Movido por santa e infatigável caridade, desejava conquistar com a sua oração aqueles que não pôde converter com as suas palavras. E agora, Paulo alegra-se com Estêvão, com Estêvão goza da glória de Cristo, com Estêvão triunfa, com Estêvão reina. Onde entrou primeiro Estêvão, martirizado pelas obras de Paulo, entrou depois Paulo, ajudado pelas orações de Estêvão.


Hino de 26 de dezembro


" Fala Jesus Querido "
 Harpa Cristã


Fala, Jesus querido; fala-me, hoje sim!
Fala com Tua bondade; fica ao pé de mim;
Meu coração aberto 'stá p'ra Tua voz ouvir;
Enche-me de louvores e gozo p'ra Te servir.

Fala-me suavemente! Fala, com muito amor!
Vencedor para sempre, livre te hei de por,
Fala-me cada dia, sempre em terno tom;
Ouvir Tua voz eu quero e neste mesmo som.

Para teus filhos fala, e, no caminho bom,
Pela bondade os guia a pedir o santo dom;
Quererão consagrar-se para ...

"Tende cuidado com os homens"

Evangelho segundo S. Mateus 10,17-22.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas.
Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações.
Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer;
porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós.
O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte.
E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org 

Livrai-me das mãos dos meus inimigos

Livro de Salmos 31(30),3cd-4.6.8ab.16bc.17.
Sede a rocha do meu refúgio
e a fortaleza da minha salvação.
Porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,
por amor do Vosso nome guiai-me e conduzi-me.

Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me.
Hei-de exultar e alegrar-me com a vossa misericórdia,
porque conhecestes as angústias da minha alma.

Livrai-me das mãos dos meus inimigos
e de quantos me perseguem.
e de quantos me perseguem.
Fazei brilhar sobre mim a vossa face,

salvai-me pela vossa bondade.


"Senhor Jesus, recebe o meu espírito"

Livro dos Actos dos Apóstolos 6,8-10.7,54-59.
Naqueles dias, Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo.
Entretanto, alguns membros da sinagoga chamada dos Libertos, oriundos de Cirene, de Alexandria, da Cilícia e da Ásia, vieram discutir com Estêvão,
mas não eram capazes de resistir à sabedoria e ao Espírito Santo com que ele falava.
Ao ouvirem as suas palavras, estremeciam de raiva em seu coração e rangiam os dentes contra Estêvão.
Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita e exclamou:
«Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus».
Então levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois atiraram-se todos contra ele,
empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.
Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito». 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal - Nascimento de Jesus

Quinta-feira, dia 25 de Dezembro de 2014

Natal do Senhor (ofício próprio)




Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo
A liturgia deste dia convida-nos a contemplar o amor de Deus, manifestado na incarnação de Jesus… Ele é a “Palavra” que se fez pessoa e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.
A primeira leitura anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança.
A segunda leitura apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projecto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a “Palavra” de Deus que os homens devem escutar e acolher.
O Evangelho desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho/”Palavra” é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus.


www.ecclesia.pt

Comentário do dia



São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia para o nascimento de Cristo, 2,6; PG 31, 1459

O nascimento do Salvador, morte da morte

Deus na terra, Deus entre os homens! Já não é Aquele que dá a sua Lei no meio dos relâmpagos, ao som da trombeta, no alto da montanha fumegante, na obscuridade de uma trovoada aterradora (Ex 19,18), mas Aquele que se relaciona com doçura e bondade, num corpo humano, com os seus irmãos. Deus na nossa carne! Já não é Aquele que age apenas em alguns momentos, como fazia com os profetas, mas Aquele que assume plenamente a natureza humana e que, pela sua carne que é a nossa carne, eleva a Si todos os homens.


Como foi que a luz veio a todos por um só? De que maneira está a divindade na carne? Está como o fogo no ferro […]: permanecendo no seu lugar, o fogo comunica ao ferro o seu ardor próprio; e, sem ficar diminuído, enche por completo o ferro ao qual se comunica. Da mesma forma, Deus, o Verbo que «habitou entre nós», não saiu de Si mesmo; o Verbo que Se fez carne não Se submeteu à mudança; o Céu não ficou privado daquele que o continha e a terra acolheu Aquele está no Céu. […]


Entra plenamente neste mistério: Deus veio à carne para matar a morte que nela se escondia. Assim como os medicamentos nos curam logo que são assimilados pelo corpo, assim como a obscuridade que reina numa casa se dissipa quando a luz lá entra, assim também a morte que nos tinha em seu poder foi anulada pela vinda do nosso Deus. Assim como o gelo formado durante a noite se funde sob o calor dos raios solares, assim também a morte reinou até à manifestação de Cristo. Mas logo que o Sol de justiça se elevou (Mal 3,20), «a morte foi absorvida pela vitória» (1Cor 15,54), pois não podia suportar a presença da verdadeira vida. […] Demos glória com os pastores, dancemos em coro com os anjos «pois um Salvador nos nasceu hoje, que é Cristo Senhor» (Lc 2, 11). […] Festejemos a salvação do mundo, o dia do nascimento de toda a humanidade.



No princípio, Ele estava com Deus

Evangelho segundo S. João 1,1-18.
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.
No princípio, Ele estava com Deus.
Tudo se fez por meio d'Ele e sem Ele nada foi feito.
N'Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens.
A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam.
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.
Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu.
Veio para o que era seu e os seus não O receberam.
Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho d'Ele, exclamando: "Era deste que eu dizia: 'O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim'".
Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça.
Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Tu és meu Filho e hoje Te gerei

Carta aos Hebreus 1,1-6.
Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas.
Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo.
Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus
e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança.
A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»?
E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

Aclamai o Senhor, terra inteira

Livro de Salmos 98(97),1.2-3ab.3cd-4.5-6.
Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.
Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.
Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei.


O teu Deus é Rei

Livro de Isaías 52,7-10.
Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei».
Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêm com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião.
Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém.
O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

Hino do dia 25 de dezembro



                           
" Vencendo Vem Jesus "
 Harpa Cristã


Já refulge a glória eterna de Jesus, o Rei dos reis;
Breve os reinos deste mundo seguirão as suas leis!
Os sinais da sua vinda mais se mostram cada vez.
Vencendo vem Jesus!

Glória, glória! Aleluia!
Glória, glória! Aleluia!
Glória, glória! Aleluia!
Vencendo vem Jesus!

O clarim que chama os crentes à batalha, já soou;
Cristo, à frente do seu povo, multidões já conquistou.
O inimigo, em retirada, seu furor patenteou.
Vencendo vem Jesus!

Glória...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Nascimento de Jesus

Quarta-feira, dia 24 de Dezembro de 2014

Vigília de Natal



Vigília de Natal
A liturgia desta noite fala-nos de um Deus que ama os homens; por isso, não os deixa perdidos e abandonados a percorrer caminhos de sofrimento e de morte, mas envia “um menino” para lhes apresentar uma proposta de vida e de liberdade. Esse menino será “a luz” para o povo que andava nas trevas.
A primeira leitura anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, dom de Deus ao seu Povo; esse “menino” eliminará a guerra, o ódio, o sofrimento e inaugurará uma era de alegria, de felicidade e de paz sem fim.
O Evangelho apresenta a realização da promessa profética: Jesus, o “menino de Belém”, é o Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer – sobretudo aos pobres e marginalizados – a salvação. A proposta que Ele traz não será uma proposta que Deus quer impor pela força; mas será uma proposta que Deus oferece ao homem com ternura e amor.
A segunda leitura lembra-nos as razões pelas quais devemos viver uma vida cristã autêntica e comprometida: porque Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; porque, comprometidos e identificados com Cristo, devemos realizar as obras d’Ele.


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Comentário do dia



Liturgia bizantina
Vésperas de 20 de Dezembro

Prepara-te, Belém: Ele vem!

Prepara-te, Belém: as portas do Éden abrem-se para todos. Exulta, Efratá (Mi 5,1), pois na gruta a Virgem faz florir a árvore de vida. […] Cristo aproxima-Se para nos servir; Ele, o Criador, toma a forma da obra das suas mãos. Rico na sua divindade e cheio de misericórdia, traz ao infeliz Adão uma nova criação e um nascimento novo. Inclina os céus, e no seio da Virgem Maria aproxima-Se de nós, revestido da nossa carne. Vai nascer na gruta de Belém, segundo as Escrituras; é como criança que surge, Ele que dá a vida às crianças no seio de suas mães.


Vamos pois ao seu encontro; vamos a Belém em grande alegria e com a alma em festa. O Senhor […] chega a sua casa como um estrangeiro; acolhamo-Lo para nos tornarmos hóspedes do seu paraíso, e aí ficarmos pela misericórdia daquele que nasce no estábulo. Abrem-se-nos já os pórticos da encarnação do Verbo de Deus.


Céus, rejubilai de alegria! Anjos, tremei de entusiasmo! Que a terra e os que a habitam se entreguem à alegria com os pastores e os magos! A Virgem Maria avança, com um vaso de alabastro cheio de perfume; trá-lo para a gruta, para nos aspergir as almas com o seu perfume, no Espírito Santo. Acorrei, potestades dos anjos! Vós que habitais Belém, preparai o presépio, porque Cristo está a caminho, a Sabedoria está a chegar. Fiéis, recebei os nossos votos; povos, digamos para júbilo da Mãe de Deus: «Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!» (Mt 21,9). Cristo, nosso Deus, vai aparecer à plena luz do dia; Ele já não demora. Nascerá de uma Virgem imaculada; depois, há-de descansar na gruta. […] Dirige o coro, Isaías, anuncia o Verbo de Deus, profetiza-nos que a sarça da Virgem é uma chama de fogo que não se consome (Ex 3,2). […] O astro misterioso que pára sobre o estábulo designa o Autor da vida, o Senhor que vem salvar todos os homens.



Glória a Deus nas alturas

Evangelho segundo S. Lucas 2,1-14.
Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra.
Este primeiro recenseamento efetuou-se quando Quirino era governador da Síria.
Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.
José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David,
a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe.
Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz
e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos.
O Anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo:
nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo:
«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Um povo purificado

Carta a Tito 2,11-14.
Caríssimo: Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens.
Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade,
aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo,
que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome

Livro de Salmos 96(95),1-3.11-13.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome,
anunciai dia a dia a sua salvação

publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.
Alegrem-se os céus, exulte a terra,
ressoe o mar e tudo o que ele contém.

Exultem os campos e quanto neles existe,
alegrem-se as árvores dos bosques.
Diante do Senhor que vem, que vem para julgar a terra.
Julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade.


Porque um menino nasceu para nós

Livro de Isaías 9,1-6.
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar.
Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos.
Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.
Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas.
Porque um menino nasceu para nós um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz».
O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

Santo do Dia

Quarta-feira, dia 24 de Dezembro de 2014

S. Charbel Makhlouf, monge, eremita, +1898



Charbel, cujo nome de baptismo era José, nasceu em Buga-Kafra, povoado do Norte do Líbano, em 1828. Filho de numerosa família pobre, mas profundamente religiosa, órfão de pai em tenra idade, desde criança sentia o chamamento de Deus para a vida religiosa. Aos 20 anos entrou no mosteiro da ordem libanesa maronita em Maifuc, seguindo depois para Annaya. No noviciado recebeu o nome de Charbel, santo martirizado em Edessa, cuja festa é celebrada pelos maronitas no dia 5 de dezembro. Foi ordenado sacerdote em 1859. No ano seguinte, escapou por pouco da horrível invasão turca, na qual morreram milhares de jovens cristãos e igrejas e mosteiros foram saqueados e destruídos.

Sua vida religiosa resumia-se à prática da profissão evangélica e austeridade, assiduidade na oração e obediência aos superiores. Em 1875, Charbel obteve licença para viver como eremita no ermo dos santos apóstolos Pedro e Paulo, a 1200 metros de altitude. Procurava, assim, viver na maior austeridade de vida, com mais rigor ainda do que no convento. Charbel não foi pregador nem missionário. Contudo, o seu eremitério era muito procurado para conselho e orientação espiritual. No dia 16 de Dezembro de 1898, no momento da elevação da hóstia e do cálice, sentiu-se arrebatado numa visão: era o fim da missa de sua vida terrena. Levado para a sua cela, estendido sobre tábuas nuas com um pedaço de madeiro por travesseiro, entrou em agonia. Exalou o seu último suspiro em 24 de Dezembro, para iniciar seu Natal no céu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Comentário do dia





Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão para o nascimento de João Baptista; PLS 2, 497

«Quem virá a ser este menino?»

Que maravilha! O mensageiro nasce antes daquele que o fez vir ao mundo. João é realmente a voz e Jesus o Verbo, a Palavra de Deus (cf Mt 3,3; Jo 1,1). […] A palavra nasce primeiro no espírito, e depois suscita a voz que a enuncia; a voz exprime-se pelos lábios e dá a conhecer a palavra aos que a escutam. Assim, Cristo permaneceu em seu Pai, por quem João foi criado, como todas as coisas, mas João saiu de uma mãe e deu Cristo a conhecer a todos os homens. Este era o Verbo que existia desde o princípio, antes que o mundo existisse; João foi a voz que precedeu a vinda do Verbo. A palavra nasce do pensamento; a voz sai do silêncio.


Assim, ao dar à luz a Cristo, Maria crê, ao passo que Zacarias, antes de gerar João, é castigado com a mudez. Um sai duma juventude em flor, o outro nasce duma mulher velha, enfraquecida. A Palavra habita o coração daquele que pensa; a voz expira no ouvido daquele que escuta. E talvez seja esse o sentido destas palavras de João: «Ele é que deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30). Pois as predições da Lei e dos profetas, surgidas antes de Cristo qual voz antes do Verbo, continuaram até João, em quem cessam as últimas prefigurações. Seguidamente, a graça do Evangelho e o anúncio do Reino dos Céus que não terá fim dão fruto e crescem em toda a terra.