quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Comentário do dia



São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Homilias sobre as palavras do Evangelho: «Eis que o anjo do Senhor lhe apareceu», n°2, 13-15

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa»

«José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente» (Mt 1,19). Porque era justo, não queria desonrá-la. Não teria sido justo se se tivesse feito seu cúmplice depois de a ter julgado culpada, nem se, reconhecendo a sua inocência, a tivesse condenado. Eis porque tomou a decisão de secretamente a deixar. Mas porquê deixá-la? […] Pela mesma razão, dizem os Padres, que incitou Pedro a afastar o Senhor, dizendo-Lhe: «Afasta-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (Lc 5,8). De igual modo Lhe fechou a porta o centurião, dizendo-Lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto» (Mt 8,8).

José, que se considerava um pecador, dizia para consigo mesmo que era indigno por ter por mais tempo em sua casa uma mulher cuja excelência e superioridade lhe inspiravam veneração e temor. Ele viu que Ela carregava em si mesma o sinal indubitável da presença divina; e, incapaz de compreender o mistério, queria deixá-la. São Pedro temeu a omnipotência divina; o centurião ficou atemorizado com a presença da majestade de Cristo. José, enquanto homem, foi tomado de espanto ante um milagre tão singular e um tão impenetrável mistério; era por isso que, em segredo, meditava deixar Maria. Não vos espanteis por José se julgar indigno de viver ao lado da Virgem grávida; santa Isabel também não conseguiu suportar a sua presença sem ficar tomada de temor e de respeito: «E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1,43) […]

Porquê deixá-la em segredo? Para não dar azo a que se procurasse a causa de tal separação e para que ninguém viesse exigir explicações. Que poderia este homem justo ter respondido a […] pessoas sempre prontas a contestar? Se tivesse desvelado os seus pensamentos, se tivesse dito estar convencido da pureza da sua noiva, esses cépticos tê-lo-iam votado ao escárnio, e teriam lapidado Maria […]. José teve portanto razão, pois não queria mentir nem difamar. […] Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo.»





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