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quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
Comentário do dia
São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo
Sermão Morin 35
Sabeis o que dizemos a Deus na oração antes da comunhão: «Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.» Preparai-vos interiormente para perdoar, porque reencontrareis estas palavras na oração. E como as direis? Talvez não as digais. Pois esta é verdadeiramente a questão: direis estas palavras ou não? Tu detestas o teu irmão e dizes: «Perdoai-nos como nós perdoamos»? [...] Não, evito proferir essas palavras, responder-me-ás. Mas então, o que é que rezas? Prestai muita atenção, meus irmãos, pois ides rezar dentro de momentos; perdoai de todo o vosso coração!
Olhai para Cristo pregado na cruz e ouvi-O rezar: «Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Dirás, sem dúvida: Ele foi capaz de o fazer, mas eu não sou; porque eu sou um homem e Ele é Deus. Quer dizer que não és capaz de imitar a Cristo? Mas então, porque foi que o apóstolo Pedro nos escreveu: «Cristo sofreu por vós e deu-vos o exemplo, para que sigais os seus passos» (1Ped 2,21)? Porque foi que o apóstolo Paulo nos escreveu: «Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados» (Ef 5,1)? Porque foi que o próprio Senhor disse: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29)? Nós usamos rodeios e procuramos desculpas, quando classificamos como impossível aquilo que não queremos fazer. [...] Meus irmãos, não acusemos Cristo de nos ter dado mandamentos difíceis, impossíveis de realizar. Mas, com toda a humildade, digamos com o salmista: «Tu és justo, Senhor, e os teus mandamentos são justos» (Sl 119,137).
Olhai para Cristo pregado na cruz e ouvi-O rezar: «Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Dirás, sem dúvida: Ele foi capaz de o fazer, mas eu não sou; porque eu sou um homem e Ele é Deus. Quer dizer que não és capaz de imitar a Cristo? Mas então, porque foi que o apóstolo Pedro nos escreveu: «Cristo sofreu por vós e deu-vos o exemplo, para que sigais os seus passos» (1Ped 2,21)? Porque foi que o apóstolo Paulo nos escreveu: «Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados» (Ef 5,1)? Porque foi que o próprio Senhor disse: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29)? Nós usamos rodeios e procuramos desculpas, quando classificamos como impossível aquilo que não queremos fazer. [...] Meus irmãos, não acusemos Cristo de nos ter dado mandamentos difíceis, impossíveis de realizar. Mas, com toda a humildade, digamos com o salmista: «Tu és justo, Senhor, e os teus mandamentos são justos» (Sl 119,137).
Papa Francisco
· Missa em Santa Marta ·
1 de Março de 2016
A misericórdia foi o «eixo» da liturgia da terça-feira, 1 de março. Foi a «palavra mais repetida» e sobre ela refletiu o Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta.
Em toda a liturgia da palavra ressoou este conceito. No salmo responsorial repete-se: «Recorda-te, Senhor, da tua misericórdia». É, explicou o Pontífice, como dizer: «Recorda-te do teu nome, Senhor: o teu nome é misericórdia».
Também na primeira leitura, tirada do livro do profeta Daniel (3, 25.34.43), o pedido de misericórdia está no centro da narração. Com efeito, lê-se acerca da «oração de Azarias, um dos jovens que estavam perto do forno porque não queriam adorar o ídolo de ouro»: «pede misericórdia para si e para o povo; pede o perdão a Deus». Não «um perdão superficial», não um simples tirar a mancha «como faz o dono da tinturaria quando lhe levamos a roupa». O pedido, frisou o Papa Francisco, foi de um «perdão do coração» que, quando vem de Deus, «é sempre misericórdia».
Azarias «pede humildemente: “Pelo amor de vosso nome, em consideração a Abraão, vosso amigo, Isaac, vosso servo, Israel”». Isto é o jovem «faz memória a Deus de todas as suas promessas», mas reconhece a necessidade de perdão: «fomos reduzidos a nada diante das nações, fomos humilhados diante de toda a terra: tudo, devido a nossos pecados».
Insere-se aqui, disse Francisco, a segunda palavra-chave da meditação hodierna: «perdão». A dinâmica é a seguinte: «dirijo-me a Deus, recordando-lhe a sua misericórdia e peço-lhe perdão», mas «o perdão como Deus o concede».
O Pontífice aprofundou uma característica deste perdão de Deus, cuja perfeição é incompreensível a nós homens, pois Ele chega a “esquecer-se” dos nossos pecados. «Quando Deus perdoa – disse o Papa – o seu perdão é tão grande que é como se “se esquecesse”». Assim «uma vez que estamos em paz com Deus pela sua misericórdia», se perguntássemos ao Senhor: «Mas te recordas daquela má ação que pratiquei?», a resposta poderia ser: «Qual? Não recordo...».
Acontece, explicou Francisco, «o oposto daquilo nós fazemos» e que emerge com frequências das nossas «conversas: “Mas este fez isto e aquilo...”». Nós «não nos esquecemos» e de muitas pessoas conservamos «a história antiga, média, medieval e moderna». E isto porque «não temos um coração misericordioso».
Dirigindo-se ao senhor, ao contrário, Azarias pôde fazer «um apelo» à sua misericórdia «a fim de que nos dê o perdão e a salvação e esqueça os nossos pecados». Porque pediu: «tratai-nos com a vossa habitual doçura» e ainda «com todas as riquezas da vossa misericórdia». É a mesma oração que retorna no salmo responsorial: «Recorda-te, Senhor, da tua misericórdia».
Também no trecho litúrgico do Evangelho de Mateus (18, 21-25) se trata o mesmo tema. Aqui o protagonista é Pedro, o qual «tinha ouvido o Senhor falar muitas vezes sobre perdão e misericórdia». O apóstolo, evidentemente, na sua simplicidade – «não tinha estudado, não era formado, era um pescador» – não tinha compreendido plenamente o significado daquelas palavras. Portanto «aproximou-se de Jesus e disse-lhe: “Senhor, se meu irmão comete culpas contra mim, quantas vezes devo perdoar-lhe? Até sete vezes?”». Sete vezes: talvez lhe parecesse até «generoso». Mas «Jesus responde-lhe: “Não te digo até sete, mas setenta vezes sete”».
Para o explicar melhor, Jesus narra a parábola do rei «que deseja fazer as contas com os seus servos». A ele, lê-se nas Escrituras, é apresentado «um que lhe devia dez mil talentos», uma quantia enorme para a qual, «segundo a lei daquele tempo», teria sido obrigado a vender tudo até a esposa, os filhos e os campos». A este ponto, disse o Papa, retomando a narração evangélica, o devedor «começou a chorar, a pedir misericórdia, perdão», até que o dono «sentiu “compaixão”».
«Compaixão», explicou o Pontífice, é outra palavra que se aproxima facilmente do conceito de misericórdia. Com efeito, quando nos Evangelhos se fala de Jesus e se descreve o seu encontro com um doente lê-se que ele «teve “compaixão” por ele».
A parábola então continua com o dono que «deixou ir» o servo «e perdoou a dívida». Tratava-se de «uma grande dívida». Por seu lado, o servo, encontrando-se com «um companheiro que tinha uma dívida com ele de pouco valor, queria mandá-lo para a prisão». Aquele homem, explicou o Papa, «não compreendeu o que o seu rei fez com ele» e assim «comportou-se de maneira egoísta». Na conclusão da narração o rei chama o servo ao qual tinha perdoado a dívida e manda-o prender porque não foi «generoso». Isto é, não fez «ao seu companheiro o que Deus fez a ele».
Para obter um ensinamento válido para todos, Francisco evocou a frase do Pai-Nosso na qual dizemos: «Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido». E afirmou que se trata de «uma equação», ou seja: «Se tu não fores capaz de perdoar, como te poderá perdoar Deus?» O Senhor, acrescentou o Papa, «quer perdoar-te, mas não poderá se tu tens o coração fechado, e a misericórdia não pode entrar». Alguém poderia objetar: «Padre, eu perdoo mas não posso esquecer o que me fizeram...». A resposta é: «Pede ao Senhor que te ajude a esquecer». Contudo, acrescentou o Pontífice, se é verdade que «se pode perdoar, mas esquecer nem sempre se consegue», certamente não se pode aceitar a atitude do «”perdoar” e “vais pagar”». É preciso «perdoar como Deus perdoa», o qual «perdoa ao máximo».
Concluindo a meditação o Papa falou sobre as nossas dificuldades diárias: «Não é fácil perdoar, não é fácil» reconheceu, recordando que em muitas famílias há «irmãos que discutem pela herança dos pais e não se falam; muitos casais que discutem e cresce o ódio e a família acaba destruída». Estas pessoas «não são capazes de perdoar. Este é o mal».
Que a Quaresma, desejou Francisco, «nos prepare o coração para receber o perdão de Deus. Mas recebê-lo e depois fazer o mesmo com os outros: perdoar de coração». Isto é, ter uma atitude que nos leve a dizer «talvez nunca me cumprimentas mas no meu coração perdoei-te».
Esta é a melhor maneira, concluiu, para nos aproximarmos «deste aspecto tão grande de Deus que é a misericórdia». Com efeito «perdoando abrimos o nosso coração para que a misericórdia de Deus entre e nos perdoe». E todos temos motivos para pedir o perdão de Deus: «Perdoemos e seremos perdoados».
Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35.
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».
Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Livro de Salmos 25(24),4bc-5ab.6-7bc.8-9.
Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.
Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.
O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.
Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.
O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.
Livro de Daniel 3,25.34-43.
Naqueles dias, levantando-se no meio da fornalha ardente, Azarias fez a seguinte oração:
«Por amor do vosso nome, Senhor, não nos abandoneis para sempre e não anuleis a vossa aliança.
Não nos retireis a vossa misericórdia, por amor de Abraão vosso amigo, de Isaac vosso servo e de Israel vosso santo,
aos quais prometestes multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
Mas agora, Senhor, tornámo-nos o mais pequeno de todos os povos e somos hoje humilhados em toda a terra, por causa dos nossos pecados.
Não temos chefe, nem guia nem profeta, nem holocausto nem sacrifício, nem oblação nem incenso, nem lugar onde apresentar-Vos as primícias para alcançar misericórdia.
Mas de coração arrependido e espírito humilhado sejamos por Vós recebidos como se viéssemos com um holocausto de touros e carneiros
e milhares de gordos cordeiros. Seja hoje este nosso sacrifício agradável na vossa presença, porque jamais serão confundidos aqueles que em Vós esperam
E agora Vos seguimos de todo o coração, Vos tememos e buscamos o vosso rosto.
Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa bondade e segundo a abundância da vossa misericórdia.
Livrai-nos pelo vosso admirável poder e dai glória, Senhor, ao vosso nome».
«Por amor do vosso nome, Senhor, não nos abandoneis para sempre e não anuleis a vossa aliança.
Não nos retireis a vossa misericórdia, por amor de Abraão vosso amigo, de Isaac vosso servo e de Israel vosso santo,
aos quais prometestes multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
Mas agora, Senhor, tornámo-nos o mais pequeno de todos os povos e somos hoje humilhados em toda a terra, por causa dos nossos pecados.
Não temos chefe, nem guia nem profeta, nem holocausto nem sacrifício, nem oblação nem incenso, nem lugar onde apresentar-Vos as primícias para alcançar misericórdia.
Mas de coração arrependido e espírito humilhado sejamos por Vós recebidos como se viéssemos com um holocausto de touros e carneiros
e milhares de gordos cordeiros. Seja hoje este nosso sacrifício agradável na vossa presença, porque jamais serão confundidos aqueles que em Vós esperam
E agora Vos seguimos de todo o coração, Vos tememos e buscamos o vosso rosto.
Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa bondade e segundo a abundância da vossa misericórdia.
Livrai-nos pelo vosso admirável poder e dai glória, Senhor, ao vosso nome».
Santo do dia
Terça-feira, dia 01 de Março de 2016
Terça-feira da 3ª semana da Quaresma
Santo do dia : Beato Miguel Carvalho e companheiros, mártires, +1624, S. Rosendo, bispo, +977, Santo Albino, bispo, +550
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