quarta-feira, 2 de março de 2016

Santo do dia

Quarta-feira, dia 02 de Março de 2016

S. Simplício, papa, +483





S. Simplício, papa
Foi Papa de 468 a 483 e assistiu, durante seu pontificado, à queda do Império Romano do Ocidente, acontecimento que abalou o mundo e afetou grandemente as condições de vida da Igreja. Soube conduzir com firmeza a Barca de Pedro em meio aos mares revoltosos, combatendo também com vigor o nestorianismo e o monofisitismo, duas heresias que na época ameaçavam a integridade da doutrina católica.


Santa Inês de Praga, religiosa, +1282





Santa Inês de Praga (ou da Boémia)
Santa Inês de Praga, nasceu em 1208. Pertencia à família real, pois Otocaro I, seu pai, era rei da Boémia. Educada por monges, recusou-se a casar com Frederico II, imperador da Alemanha, contando para isso com o apoio do papa Gregório IX. Foi uma mulher activa e preocupada com os problemas de seu tempo. Dedicou-se de corpo e alma ao serviço dos pobres, fundando para eles um hospital, onde se estabeleceu em pobreza absoluta, renunciando às rendas e vivendo de esmolas e doações.

Incentivou e apoiou os Franciscanos e as Clarissas, para quem fundou dois mosteiros. Santa Clara, a quem devotava grande amizade, chamava-a de "metade de minha alma". Ingressou, mais tarde, no convento das Clarissas, por ela própria fundado, onde foi nomeada abadessa. Morreu no dia 2 de Março de 1282 em Praga, onde nasceu.

terça-feira, 1 de março de 2016

Comentário do dia



São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo
Sermão Morin 35

Perdoar ao irmão de todo o coração

Sabeis o que dizemos a Deus na oração antes da comunhão: «Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.» Preparai-vos interiormente para perdoar, porque reencontrareis estas palavras na oração. E como as direis? Talvez não as digais. Pois esta é verdadeiramente a questão: direis estas palavras ou não? Tu detestas o teu irmão e dizes: «Perdoai-nos como nós perdoamos»? [...] Não, evito proferir essas palavras, responder-me-ás. Mas então, o que é que rezas? Prestai muita atenção, meus irmãos, pois ides rezar dentro de momentos; perdoai de todo o vosso coração!

Olhai para Cristo pregado na cruz e ouvi-O rezar: «Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Dirás, sem dúvida: Ele foi capaz de o fazer, mas eu não sou; porque eu sou um homem e Ele é Deus. Quer dizer que não és capaz de imitar a Cristo? Mas então, porque foi que o apóstolo Pedro nos escreveu: «Cristo sofreu por vós e deu-vos o exemplo, para que sigais os seus passos» (1Ped 2,21)? Porque foi que o apóstolo Paulo nos escreveu: «Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados» (Ef 5,1)? Porque foi que o próprio Senhor disse: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29)? Nós usamos rodeios e procuramos desculpas, quando classificamos como impossível aquilo que não queremos fazer. [...] Meus irmãos, não acusemos Cristo de nos ter dado mandamentos difíceis, impossíveis de realizar. Mas, com toda a humildade, digamos com o salmista: «Tu és justo, Senhor, e os teus mandamentos são justos» (Sl 119,137).

Papa Francisco

A equação do perdão

· ​Missa em Santa Marta ·

A misericórdia foi o «eixo» da liturgia da terça-feira, 1 de março. Foi a «palavra mais repetida» e sobre ela refletiu o Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta.
Em toda a liturgia da palavra ressoou este conceito. No salmo responsorial repete-se: «Recorda-te, Senhor, da tua misericórdia». É, explicou o Pontífice, como dizer: «Recorda-te do teu nome, Senhor: o teu nome é misericórdia».
Também na primeira leitura, tirada do livro do profeta Daniel (3, 25.34.43), o pedido de misericórdia está no centro da narração. Com efeito, lê-se acerca da «oração de Azarias, um dos jovens que estavam perto do forno porque não queriam adorar o ídolo de ouro»: «pede misericórdia para si e para o povo; pede o perdão a Deus». Não «um perdão superficial», não um simples tirar a mancha «como faz o dono da tinturaria quando lhe levamos a roupa». O pedido, frisou o Papa Francisco, foi de um «perdão do coração» que, quando vem de Deus, «é sempre misericórdia».
Azarias «pede humildemente: “Pelo amor de vosso nome, em consideração a Abraão, vosso amigo, Isaac, vosso servo, Israel”». Isto é o jovem «faz memória a Deus de todas as suas promessas», mas reconhece a necessidade de perdão: «fomos reduzidos a nada diante das nações, fomos humilhados diante de toda a terra: tudo, devido a nossos pecados».
Insere-se aqui, disse Francisco, a segunda palavra-chave da meditação hodierna: «perdão». A dinâmica é a seguinte: «dirijo-me a Deus, recordando-lhe a sua misericórdia e peço-lhe perdão», mas «o perdão como Deus o concede».
O Pontífice aprofundou uma característica deste perdão de Deus, cuja perfeição é incompreensível a nós homens, pois Ele chega a “esquecer-se” dos nossos pecados. «Quando Deus perdoa – disse o Papa – o seu perdão é tão grande que é como se “se esquecesse”». Assim «uma vez que estamos em paz com Deus pela sua misericórdia», se perguntássemos ao Senhor: «Mas te recordas daquela má ação que pratiquei?», a resposta poderia ser: «Qual? Não recordo...».
Acontece, explicou Francisco, «o oposto daquilo nós fazemos» e que emerge com frequências das nossas «conversas: “Mas este fez isto e aquilo...”». Nós «não nos esquecemos» e de muitas pessoas conservamos «a história antiga, média, medieval e moderna». E isto porque «não temos um coração misericordioso».
Dirigindo-se ao senhor, ao contrário, Azarias pôde fazer «um apelo» à sua misericórdia «a fim de que nos dê o perdão e a salvação e esqueça os nossos pecados». Porque pediu: «tratai-nos com a vossa habitual doçura» e ainda «com todas as riquezas da vossa misericórdia». É a mesma oração que retorna no salmo responsorial: «Recorda-te, Senhor, da tua misericórdia».
Também no trecho litúrgico do Evangelho de Mateus (18, 21-25) se trata o mesmo tema. Aqui o protagonista é Pedro, o qual «tinha ouvido o Senhor falar muitas vezes sobre perdão e misericórdia». O apóstolo, evidentemente, na sua simplicidade – «não tinha estudado, não era formado, era um pescador» – não tinha compreendido plenamente o significado daquelas palavras. Portanto «aproximou-se de Jesus e disse-lhe: “Senhor, se meu irmão comete culpas contra mim, quantas vezes devo perdoar-lhe? Até sete vezes?”». Sete vezes: talvez lhe parecesse até «generoso». Mas «Jesus responde-lhe: “Não te digo até sete, mas setenta vezes sete”».
Para o explicar melhor, Jesus narra a parábola do rei «que deseja fazer as contas com os seus servos». A ele, lê-se nas Escrituras, é apresentado «um que lhe devia dez mil talentos», uma quantia enorme para a qual, «segundo a lei daquele tempo», teria sido obrigado a vender tudo até a esposa, os filhos e os campos». A este ponto, disse o Papa, retomando a narração evangélica, o devedor «começou a chorar, a pedir misericórdia, perdão», até que o dono «sentiu “compaixão”».
«Compaixão», explicou o Pontífice, é outra palavra que se aproxima facilmente do conceito de misericórdia. Com efeito, quando nos Evangelhos se fala de Jesus e se descreve o seu encontro com um doente lê-se que ele «teve “compaixão” por ele».
A parábola então continua com o dono que «deixou ir» o servo «e perdoou a dívida». Tratava-se de «uma grande dívida». Por seu lado, o servo, encontrando-se com «um companheiro que tinha uma dívida com ele de pouco valor, queria mandá-lo para a prisão». Aquele homem, explicou o Papa, «não compreendeu o que o seu rei fez com ele» e assim «comportou-se de maneira egoísta». Na conclusão da narração o rei chama o servo ao qual tinha perdoado a dívida e manda-o prender porque não foi «generoso». Isto é, não fez «ao seu companheiro o que Deus fez a ele».
Para obter um ensinamento válido para todos, Francisco evocou a frase do Pai-Nosso na qual dizemos: «Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido». E afirmou que se trata de «uma equação», ou seja: «Se tu não fores capaz de perdoar, como te poderá perdoar Deus?» O Senhor, acrescentou o Papa, «quer perdoar-te, mas não poderá se tu tens o coração fechado, e a misericórdia não pode entrar». Alguém poderia objetar: «Padre, eu perdoo mas não posso esquecer o que me fizeram...». A resposta é: «Pede ao Senhor que te ajude a esquecer». Contudo, acrescentou o Pontífice, se é verdade que «se pode perdoar, mas esquecer nem sempre se consegue», certamente não se pode aceitar a atitude do «”perdoar” e “vais pagar”». É preciso «perdoar como Deus perdoa», o qual «perdoa ao máximo».
Concluindo a meditação o Papa falou sobre as nossas dificuldades diárias: «Não é fácil perdoar, não é fácil» reconheceu, recordando que em muitas famílias há «irmãos que discutem pela herança dos pais e não se falam; muitos casais que discutem e cresce o ódio e a família acaba destruída». Estas pessoas «não são capazes de perdoar. Este é o mal».
Que a Quaresma, desejou Francisco, «nos prepare o coração para receber o perdão de Deus. Mas recebê-lo e depois fazer o mesmo com os outros: perdoar de coração». Isto é, ter uma atitude que nos leve a dizer «talvez nunca me cumprimentas mas no meu coração perdoei-te».
Esta é a melhor maneira, concluiu, para nos aproximarmos «deste aspecto tão grande de Deus que é a misericórdia». Com efeito «perdoando abrimos o nosso coração para que a misericórdia de Deus entre e nos perdoe». E todos temos motivos para pedir o perdão de Deus: «Perdoemos e seremos perdoados».  
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Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35.


Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».
Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Livro de Salmos 25(24),4bc-5ab.6-7bc.8-9.


Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Livro de Daniel 3,25.34-43.


Naqueles dias, levantando-se no meio da fornalha ardente, Azarias fez a seguinte oração:
«Por amor do vosso nome, Senhor, não nos abandoneis para sempre e não anuleis a vossa aliança.
Não nos retireis a vossa misericórdia, por amor de Abraão vosso amigo, de Isaac vosso servo e de Israel vosso santo,
aos quais prometestes multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
Mas agora, Senhor, tornámo-nos o mais pequeno de todos os povos e somos hoje humilhados em toda a terra, por causa dos nossos pecados.
Não temos chefe, nem guia nem profeta, nem holocausto nem sacrifício, nem oblação nem incenso, nem lugar onde apresentar-Vos as primícias para alcançar misericórdia.
Mas de coração arrependido e espírito humilhado sejamos por Vós recebidos como se viéssemos com um holocausto de touros e carneiros
e milhares de gordos cordeiros. Seja hoje este nosso sacrifício agradável na vossa presença, porque jamais serão confundidos aqueles que em Vós esperam
E agora Vos seguimos de todo o coração, Vos tememos e buscamos o vosso rosto.
Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa bondade e segundo a abundância da vossa misericórdia.
Livrai-nos pelo vosso admirável poder e dai glória, Senhor, ao vosso nome».

Santo do dia

Terça-feira, dia 01 de Março de 2016

Terça-feira da 3ª semana da Quaresma


Santo do dia : Beato Miguel Carvalho e companheiros, mártires, +1624S. Rosendo, bispo, +977Santo Albino, bispo, +550 


Beato Miguel Carvalho e companheiros, mártires, +1624




Beato Miguel de Carvalho
Miguel de Carvalho nasceu em Braga em 1577. Cedo ficou fascinado pela espiritualidade missionária da Companhia de Jesus onde ingressou em 1597, tendo partido para a Índia em 1602. Em Goa realizou os estudos teológicos e foi ordenado sacerdote.
Em 1620 é enviado para o Japão onde chegou disfarçado de soldado, depois de numerosos percalços que o conduziram a Macau, à China e às Filipinas.
Permaneceu dois anos na ilha de Amacusa. Apresentou-se ao governador em plena época de perseguições, declarando ser sacerdote, missionário e jesuíta. Foi condenado à morte, mas o governador, por considerá-lo demente, mandou-o para fora da sua jurisdição. Encontrou-se, mais tarde, com o Padre Provincial em Nagasaki, onde permaneceu. Depois de ter sido reconhecido por soldados acabou por ser preso numa cadeia de Omura, onde, juntamente com outros missionários, foi condenado à morte em 25 de Agosto de 1624. 


S. Rosendo, bispo, +977




S. Rosendo, bispo

Nasceu no concelho de Santo Tirso, em 907, filho de um companheiro de armas de Afonso III de Leão. Com 18 anos apenas, foi feito bispo de Mondoñedo, na galiza. Consolidou a paz, reconstruiu os mosteiros e igrejas, apaziguou clero e nobreza, libertou os escravos.
Escolhido para bispo de Dume, nos arredores de Braga, visitou longamente as regiões da Galiza e de Entre-Douro-e-Minho, tornando-se modelo de fé, humildade, confiança em Deus
Foi o fundador de um dos mais célebres mosteiros beneditinos da Galiza, Celanova, na diocese de Ourense, habitado por uma comunidade modelo e procurado por bispos, condes, monges e muitos, muitos fiéis. Nesse mosteiro se retirou em 944 depois de renunciar ao bispado, mas em 970 foi chamado a administrar a diocese de Compostela, quando a região era assolada por invasões normandas.
Morreu em Celanova, no dia 1 de Março de 977.


Santo Albino, bispo, +550




Santo Albino, bispo
Nasceu em 469, em Vannes, França, de uma família nobre bretã. Foi monge aos 20 anos em Timcillac, mais tarde chamada Saint Aubin em sua honra. Indicado Abade em 504, foi Bispo de Angers em 529.
O costume naquele tempo permitia o casamento consanguíneo, (irmãos, primos em primeiro grau, tios, sobrinhas, etc), mas Albino considerava-o como incesto e lutou contra ele, fazendo vários inimigos em muitas famílias poderosas que praticavam o casamento consanguíneo.
Convocou o Concilio de Orleans em 538, o qual condenou esta prática e várias outras ofensas morais. 
A tradição conta que, quando visitou Etheria, uma mulher que estava presa pelo Rei Childebert por dívidas ao Estado, a mulher se atirou aos pés de Albino e implorou ajuda. Um guarda fez um movimento para bater nela, mas Albino apenas soprou e ele caiu morto. Etheria foi logo solta.
De outra vez, passou pela torre da prisão de Angers e ouviu gritos e gemidos de prisioneiros que eram maltratados. Ele pediu ao magistrado local para que fossem soltos, mas o magistrado recusou. Albino retornou à torre e orou em frente dela e algumas horas depois um deslocamento de terra deitou abaixo a torre e os prisioneiros escaparam, seguindo Albino até à igreja de São Mauricio, onde mudaram a sua vida e se tornaram cristãos modelos.
Certa vez, um homem com sérios problemas renais (talvez a famosa e dolorosa pedra nos rins) e gemendo de dor, aproximou-se de Abino, prostrou-se a seus pés e implorou a sua ajuda. Abino curou-o apenas com sua benção e oração.
Talvez devido a isto, ele seja considerado o protector dos aflitos com problemas renais.
Faleceu no dia 1 de Março de 549 e o seu túmulo logo se converteu em local de peregrinação e vários milagres foram creditados sua intercessão.