segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Carta de amor


· ​Missa em Santa Marta ·



O amor cristão é sempre «concreto», com «obras de misericórdia», porque tem como único critério a encarnação de Cristo; por esta razão não se deve cair no «processo» sedutor de «intelectualizar e ideologizar» que «descarna o amor», chegando assim ao «triste espetáculo de um Deus sem Cristo, de um Cristo sem Igreja e de uma Igreja sem povo». Na missa celebrada a 11 de novembro em Santa Marta, o Papa admoestou precisamente contra o risco de crer «num amor de romance ou de telenovela, mundano, filosófico, abstrato e soft».

A reflexão do Pontífice partiu do trecho da segunda leitura de São João (1, 3-9) proposto pela liturgia: «Parece – observou – uma carta de um apaixonado: é o diálogo de amor entre o pastor e a sua esposa, a Igreja». Um diálogo «tão delicado, tão respeitador», a ponto que o apóstolo chama a Igreja «senhora eleita por Deus».



Com este «título cheio de amor o pastor dirige-se à Igreja». E sempre «com tanta delicadeza recorda que “caminhar no amor” é o mandamento que recebemos do Senhor».

De facto, na carta de João lê-se: «E agora, senhora, rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros». É um convite a caminhar «no amor». Mas é deveras com «tanta mansidão e tanto respeito» que «o pastor se dirige à sua Igreja, à sua esposa».

«De que amor se trata?» é a questão apresentada por Francisco. «Porque esta palavra – explicou – hoje é usada, mas foi sempre usada, para tantas coisas: tudo é amor». Eis por que é necessário compreender bem «de qual amor» se trata. É «o amor, por exemplo, de um romance ou de uma telenovela, porque também isto se diz que é amor?». Ou então é «o amor teórico, dos filósofos?».

Na sua carta, João cita as palavras do pastor à sua esposa para lhe sugerir que esteja atenta. «Surgiram no mundo muitos sedutores» que, disse o Papa, «propõem outro amor ou outra explicação do amor» e «também outra explicação do amor cristão, porque para eles é assim».

«O critério do amor cristão – afirmou o Pontífice – é a encarnação do verbo». A este propósito João é explícito: «Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne». E prossegue: «Este tal é o enganador e o anticristo!». De resto, explicou o Papa, «um amor que não reconhece que Jesus veio em carne, em carne, não é o amor que Deus nos comanda: é um amor mundano, é um amor filosófico, é um amor abstrato, é um amor falido, é um amor soft».

Ao contrário, «o critério do amor cristão é a encarnação do Verbo» relançou Francisco. E «quem diz que o amor cristão é outra coisa, este é o anticristo, que não reconhece que o Verbo veio em carne». É precisamente «esta a nossa verdade: Deus enviou o seu Filho, encarnou-se e levou uma vida como a nossa». Eis por que se deve «amar como Jesus amou; amar como Jesus nos ensinou; amar seguindo o exemplo de Jesus; amar, caminhando pela vereda de Jesus». E «a vereda de Jesus é dar a vida».

No trecho evangélico de Lucas (17, 26-37), recordou o Papa, «Jesus admoesta-nos: «A pessoa que procura os seus próprios interesses nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo terá a vida verdadeira». Com efeito, «ele perdeu a vida por amor, para a reencontrar na sua ressurreição». Por conseguinte, «a única maneira de amar como Jesus amou é sair continuamente do próprio egoísmo e pôr-se ao serviço dos outros». Também o apóstolo Tiago repete isto com força na sua carta, «porque o amor cristão é um amor concreto, porque é concreta a presença de Deus em Jesus Cristo, que veio em carne: a encarnação do verbo».

Voltando à carta de João, o Pontífice repetiu também as palavras com as quais o pastor «admoesta bem» a “senhora”: «Prestai atenção a vós próprios para não arruinar aquilo que construímos e para receber uma recompensa plena». Trata-se de um convite a prestar atenção, com mais um trecho: «Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho». Por conseguinte, explicou o Papa, «o Verbo veio em carne, mas vós estais também dentro de uma encarnação, entre aspas, na comunidade, na Igreja, porque quem prevarica esta doutrina da carne, quem prevarica e não permanece na doutrina de Cristo, não possui Deus». E «este prevaricar é um mistério: é sair do mistério da encarnação do Verbo, do mistério da Igreja, porque a Igreja é a comunidade em volta da presença de Cristo, o qual preserva».

Francisco fez referência à palavra grega «proagon», que é «muito forte», para indicar «quem prevarica». E «dali – prosseguiu – surgem todas as ideologias sobre o amor, as ideologias sobre a Igreja, as ideologias que privam a Igreja da carne de Cristo». Mas precisamente «estas ideologias descarnam a Igreja». Levam a dizer: «sim, eu sou católico; sim, sou cristão; eu amo todo o mundo com um amor universal». Mas «é tão etéreo». Ao contrário «um amor está sempre dentro, é concreto, e não além desta doutrina da encarnação do Verbo».

«O caminho da Igreja, a pertença à Igreja – afirmou o Pontífice – é sempre dentro, se prevaricar, sai da Igreja». E assim «quem quiser amar não como Cristo ama a sua esposa, a Igreja, com a própria carne e dando a vida, ama ideologicamente: não ama com todo o corpo e com toda a alma». E «este modo de proceder das teorias, das ideologias, até das propostas de religiosidade tiram a carne de Cristo, tiram a carne da Igreja, prevaricam e arruínam a comunidade, arruínam a Igreja». Nunca se deve «prevaricar o seio da mãe, da santa mãe Igreja hierárquica».

A carta de João revela o seu amor pela Igreja, em particular precisamente quando faz presente que «se começarmos a teorizar sobre o amor, sobre o caminhar no amor fora da Igreja, fora da encarnação do Verbo – explicou o Papa – chegaremos a uma realidade tão frequente na história da Igreja, também nos nossos dias: chegaremos à transformação daquilo que Deus quer, que quis com a encarnação do Verbo; chegaríamos a um Deus sem Cristo, a um Cristo sem Igreja e a uma Igreja sem povo». E «tudo neste processo de descarnar a Igreja».

Antes de retomar a celebração, Francisco pediu para rezar «ao Senhor para que o nosso caminhar no amor nunca – nunca! – nos transforme num amor abstrato». E para que o amor seja «concreto, com as obras de misericórdia», para tocar «a carne de Cristo ali, de Cristo encarnado». Foi «por isso que o diácono Lourenço disse que os pobres são o tesouro da Igreja, porque são a carne sofredora de Cristo».

Ao Senhor, concluiu o Papa, «pedimos esta graça de não prevaricar e de não entrar neste processo, que talvez seduza tanta gente, de intelectualizar, de ideologizar este amor, descarnando a Igreja, descarnando o amor cristão». E «de não chegar ao triste espetáculo de um Deus sem Cristo, de um Cristo sem Igreja e de uma Igreja sem povo».

De braços abertos


· Na última audiência jubilar o Papa falou da inclusão ·

Última audiência jubilar no ano santo extraordinário: aos numerosos fiéis reunidos na praça de São Pedro para o encontro de sábado, 12 de novembro, o Papa falou da ligação entre misericórdia e inclusão. «Com efeito, Deus – explicou – não quer excluir ninguém, antes incluir todos». Por esta razão também «nós cristãos somos convidados a usar o mesmo critério»: o da misericórdia, que «é a forma melhor de agir, um estilo, com o qual procuramos incluir na nossa vida os outros, evitando de nos fecharmos nas nossas seguranças egoístas».




Eis porque, esclareceu o Pontífice, «a inclusão se manifesta no abrir os braços para acolher sem classificar os outros a partir da sua condição social, língua, raça, cultura, religião». Como fazer? Francisco disse claramente: pensando que «diante de nós está uma pessoa que deve ser amada como Deus a ama. Aqueles que encontro no meu trabalho, no meu bairro». Sem hesitar: «Mas este é daquele país, de outro país, desta religião, de outra religião»; a única coisa importante é que temos na nossa frente «uma pessoa que ama a Deus e que eu tenho que amar». Daqui o convite a não esquecer as numerosas «pessoas cansadas e oprimidas» que «encontramos pelo caminho, nas administrações públicas, nos consultórios médicos». Na realidade «o olhar de Jesus recai sobre cada um daqueles rostos, também através dos nossos olhos». E o próprio Evangelho «exorta-nos a reconhecer na história da humanidade o desígnio de uma grande obra de inclusão, que, respeitando plenamente a liberdade de cada pessoa, comunidade, povo, exorta todos a formar uma família de irmãos e irmãs e a fazer parte da Igreja». E dado que, prosseguiu no seu raciocínio, os braços de Jesus «abertos na cruz mostram que ninguém está excluído do seu amor, nem os maiores pecadores», a expressão mais imediata com a qual podemos sentir-nos «acolhidos e inseridos n'Ele é o perdão. Todos – observou – temos necessidade de ser perdoados. E todos precisamos encontrar irmãos e irmãs que nos ajudem a ir ter com Jesus. Não coloquemos obstáculos uns aos outros! Não excluamos ninguém! Aliás – exortou – com humildade e simplicidade tornemo-nos instrumento da misericórdia inclusiva do Pai».

Catequese do Papa

«Senhor, que eu veja.»

Comentário do dia:

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poema «Noite feliz»



Muitas vezes, tive a impressão de ficar sem forças.
Mais vezes ainda, desesperei de ver a luz.
Mas, quando o meu coração estava tomado pela dor,
eis que uma estrela se elevou diante de mim.
Ela conduziu-me e eu segui-a,
primeiro com passo hesitante, depois com confiança. [...]

Aquilo que tinha de esconder no mais fundo do meu coração,
posso agora proclamá-lo alto e em bom som:
«creio e confesso a minha fé». [...]
Senhor, será possível que renasça
quem já viveu metade da sua vida (Jo 3,4)?
Tu o disseste e isso verificou-se comigo.
O fardo de uma longa vida de faltas e sofrimentos
caiu de cima dos meus ombros. [...]

Ah! nenhum coração humano pode compreender
o que Tu reservas aos que Te amam (1Cor 2, 9).
Agora que Te agarrei, nunca mais Te hei-de largar (Ct 3,4).
Seja qual for o caminho que tome a minha vida,
Tu estás comigo (Sl 22).
Nada poderá separar-me do teu amor (Rom 8, 39).





Evangelho segundo S. Lucas 18,35-43.




Naquele tempo, quando Jesus Se aproximava de Jericó, estava um cego a pedir esmola, sentado à beira do caminho.
Quando ele ouviu passar a multidão, perguntou o que era aquilo.
Disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava.
Então ele começou a gritar: «Jesus, filho de David, tem piedade de mim».
Os que vinham à frente repreendiam-no, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
Jesus parou e mandou que Lho trouxessem. Quando ele se aproximou, perguntou-lhe:
«Que queres que Eu te faça?». Ele respondeu-Lhe: «Senhor, que eu veja».
Disse-lhe Jesus: «Vê. A tua fé te salvou».
No mesmo instante ele recuperou a vista e seguiu Jesus, glorificando a Deus. Ao ver o sucedido, todo o povo deu louvores a Deus.


Palavra do Senhor

Livro do Apocalipse 1,1-4.2,1-5a.
Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe concedeu para mostrar aos seus servos o que há de acontecer muito em breve. Ele deu-o a conhecer ao seu servo João, pelo Anjo que enviou,
e João confirma a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, em tudo o que viu.
Feliz de quem ler e dos que ouvirem as palavras desta profecia e observarem o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.
João às sete Igrejas da Ásia: A graça e a paz vos sejam dadas por Aquele que é, que era e que há de vir, e pelos sete Espíritos que estão diante do seu trono.
Eu ouvi o Senhor que me dizia: «Ao Anjo da Igreja de Éfeso, escreve: ‘Eis o que diz Aquele que tem as sete estrelas na sua mão direita e caminha no meio dos sete candelabros de ouro:
Conheço as tuas obras, o teu trabalho e a tua perseverança. Sei que não podes suportar os maus, que puseste à prova aqueles que se dizem apóstolos sem o serem e descobriste que eram mentirosos.
Tens perseverança e sofreste pelo meu nome, sem desanimar.
Mas tenho contra ti que perdeste a tua caridade primitiva.
Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e pratica as obras anteriores’».


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Livro de Salmos 1,1-2.3.4.6.
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.




Santo do dia

S. José Pignatelli, presbítero, +1811




De família napolitana, pertencia a nobreza mais antiga. Quando tinha 4 anos de idade, a sua mãe faleceu e ele passou a morar com a irmã, condessa de Acerra. Com 16 anos de idade, decidiu entrar na Companhia de Jesus. O seu carácter, santidade, elegância e distinção, mesmo na humildade e na caridade e confiança plena em Deus, fizeram dele um dos santos mais representativos do século XVIII.

São José Pignatelli foi um dos que mais contribuiu para a restauração da Companhia de Jesus. Preso e expulso da Espanha juntamente com outros jesuítas em 1767, refugiou-se em Ferrara, nos Estados Pontifícios, até que, em 1773, Clemente XIV extinguiu a ordem. Anos difíceis, cheios de temores e perseguições. Porém, a ordem dos Jesuítas fora preservada na Rússia e Pignatelli esperou pacientemente pelo retorno da ordem dos Jesuítas a Nápoles assim como a todo o Ocidente: em Nápoles viu esse ideal acontecer em 1808, mas morreu antes da restauração definitiva no mundo, realizada pelo Papa Pio VII em 1814.



cf. www.asj.org.br

domingo, 13 de novembro de 2016

Liturgia de domingo

Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum (semana I do saltério)


Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum



A liturgia deste Domingo reflecte sobre o sentido da história da salvação e diz-nos que a meta final para onde Deus nos conduz é o novo céu e a nova terra da felicidade plena, da vida definitiva. Este quadro (que deve ser o horizonte que os nossos olhos contemplam em cada dia da nossa caminhada neste mundo) faz nascer em nós a esperança; e da esperança brota a coragem para enfrentar a adversidade e para lutar pelo advento do Reino.
Na primeira leitura, um “mensageiro de Deus” anuncia a uma comunidade desanimada, céptica e apática que Jahwéh não abandonou o seu Povo. O Deus libertador vai intervir no mundo, vai derrotar o que oprime e rouba a vida e vai fazer com que nasça esse “sol da justiça” que traz a salvação.
O Evangelho oferece-nos uma reflexão sobre o percurso que a Igreja é chamada a percorrer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos em caminhada na história, é comprometer-se na transformação do mundo, de forma a que a velha realidade desapareça e nasça o Reino. Esse “caminho” será percorrido no meio de dificuldades e perseguições; mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus.
A segunda leitura reforça a ideia de que, enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo na construção do Reino.

A vinda de Cristo

Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho segundo São Lucas X, 6-8



«Não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Estas palavras diziam respeito ao Templo edificado por Salomão [...], uma vez que tudo o que é construído pelas nossas mãos sucumbe ao desgaste ou à deterioração e está sujeito a ser derrubado pela violência ou destruído pelo fogo. [...] Mas dentro de nós também existe um templo que se desmorona se a fé faltar, em particular se em nome de Cristo procurarmos em vão apoderar-nos de certezas interiores, e talvez seja esta interpretação a mais útil para nós. Com efeito, de que servirá saber o dia do Juízo? De que me servirá, tendo consciência de todos os meus pecados, saber que o Senhor virá um dia, se Ele não vier à minha alma, não crescer no meu espírito, se Cristo não vier a mim, se Cristo não falar em mim? É a mim que Cristo deve vir, e é em mim que deve realizar-se a sua vinda.

Ora, a segunda vinda de Cristo terá lugar no nadir do mundo, quando pudermos dizer que «o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo» (Gal 6, 14). [...] Para quem lhe morreu o mundo, Cristo é eterno; para esse, o Templo é espiritual, a Lei espiritual, a própria Páscoa espiritual. [...] Então, para esse, realiza-se a presença da sabedoria, a presença da virtude e da justiça, a presença da redenção, porque Cristo na verdade morreu uma só vez pelos pecados de todos a fim de resgatar todos os dias os pecados de todos.




Evangelho segundo S. Lucas 21,5-19.


Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes:
«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído».
Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?».
Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais.
Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim».
Disse-lhes ainda: «Há de erguer-se povo contra povo e reino contra reino.
Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu».
Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome.
Assim tereis ocasião de dar testemunho.
Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa.
Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer.
Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós
e todos vos odiarão por causa do meu nome;
mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá.
Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».




Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Palavra do Senhor

Livro de Malaquias 3,19-20.
Há-de vir o dia do Senhor, ardente como uma fornalha; e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos.
Mas, para vós que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios; saireis e saltareis como bezerros para fora do estábulo.


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Livro de Salmos 98(97),5-6.7-8.9.
Cantai ao Senhor ao som da cítara,
ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei.

Ressoe o mar e tudo o que ele encerra,
a terra inteira e tudo o que nela habita;
aplaudam os rios
e as montanhas exultem de alegria.

Diante do Senhor que vem,
que vem para julgar a terra:
julgará o mundo com justiça
e os povos com equidade.

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2ª Carta aos Tessalonicenses 3,7-12.
Irmãos: Vós sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos entre vós na ociosidade,
nem comemos de graça o pão de ninguém. Trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós.
Não é que não tivéssemos esse direito, mas quisemos ser para vós exemplo a imitar.
Quando ainda estávamos convosco, já vos dávamos esta ordem: quem não quer trabalhar, também não deve comer.
Ouvimos dizer que alguns de vós vivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades.
A esses ordenamos e recomendamos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente, para ganharem o pão que comem.



Santo do dia

Domingo, dia 13 de Novembro de 2016

33º Domingo do Tempo Comum


Festa da Igreja : Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum (semana I do saltério)
Santo do dia : Santo Estanislau Kostka, religioso, +1568, S. Diogo de Alcalá, religioso, +1463

Santo Estanislau Kostka, religioso, +1568




Nasceu na Polónia em 1550. Desde menino tinha profunda vocação religiosa. Mesmo tendo nascido em família nobre e poderosa, manteve-se fiel a Deus por toda a vida. Aos 13 anos, foi mandado para completar seus estudos na escola dos jesuítas, juntamente com seu irmão mais velho, Paulo. Foi lá que passou por uma grande provação. Nessa época, o imperador da Áustria, em luta contra a recém formada Companhia de Jesus, requisitou o prédio onde moravam os meninos que provinham de longe. Por esse facto, os estudantes tiveram que recorrer a pensões. Longe de seus mestres, muitos, facilmente, caíram em diversos pecados; porém, Estanislau não os seguiu, usando o seu tempo livre para dedicar-se cada vez mais aos estudos. Nessa época, ficou doente, tendo um enorme desejo de receber a sagrada Eucaristia. Prodigiosamente foi ouvido por dois Anjos que lha trouxeram!. Foi aí que o jovem teve total convicção de seu propósito de entrar na Companhia de Jesus. Ultrapassou diversos obstáculos para chegar ao seu ideal, com uma vida dedicada inteiramente aos estudos e à devoção. Muito devoto de Nossa Senhora, morreu, conforme havia previsto, aos 18 anos, em 1568, no dia da Assunção de Nossa Senhora.



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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

«Jesus disse [...] uma parábola sobre a necessidade de orar sempre»

Comentário do dia:

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia 5



Não podemos limitar a oração a pedidos em palavras. Com efeito, Deus não precisa apenas que Lhe façam discursos; mesmo que nada Lhe peçamos, sabe aquilo de que precisamos. O que dizer? A oração não consiste em fórmulas; antes abarca a vida toda. «Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus», diz o apóstolo Paulo (1Cor 10,31). Estás à mesa? Reza: ao pegar no pão, agradece Àquele que to concede; ao beber o vinho, lembra-te daquele que te proporcionou este dom, para te alegrar o coração e te consolar das tristezas. Terminada a refeição, não te esqueças de te recordar do teu benfeitor. Quanto vestes a túnica, agradece Àquele que ta deu; quanto vestes a capa, testemunha o teu afeto a Deus, que nos proporciona vestes adequadas ao inverno e ao verão, para nos proteger a vida.

Terminado o dia, agradece Àquele que te deu o sol para os trabalhos da jornada e o fogo para te iluminar o escuro e prover às tuas necessidades. A noite dá-te motivos de ação de graças; olhando o céu e contemplando a beleza das estrelas, reza ao Senhor do universo, que fez todas as coisas com tal sabedoria. Quando vês a natureza adormecida, adora Aquele que, por meio do sono, nos reconforta de todas as fadigas e nos devolve, através do repouso, o vigor das forças.

Deste modo, rezarás sem descanso, se a tua oração não se limitar a fórmulas, mas pelo contrário te mantiveres unido a Deus no decurso de toda a tua existência, de maneira a fazeres da vida uma oração incessante.



Evangelho segundo S. Lucas 18,1-8.



Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar:
«Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens.
Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’.
Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens;
mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’».
E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!...
E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo?
Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

Palavra do Senhor

3ª Carta de S. João 1,5-8.
Caríssimo Gaio: Tu procedes fielmente em tudo o que fazes pelos irmãos, apesar de serem estrangeiros.
Eles deram testemunho da tua caridade perante a Igreja. Farás bem, provendo-os do necessário para a viagem, de maneira digna aos olhos de Deus.
Foi pelo nome do Senhor que eles se puseram a caminho, sem nada receberem dos pagãos.
Devemos, portanto, ajudar esses homens, para sermos cooperadores da verdade.

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Livro de Salmos 112(111),1-2.3-4.5-6.
Feliz o homem que teme o Senhor
e ama ardentemente os seus preceitos.
A sua descendência será poderosa sobre a terra,
será abençoada a geração dos justos.

Haverá em sua casa abundância e riqueza,
a sua generosidade permanece para sempre.
Brilha aos homens retos, como luz nas trevas,
o homem misericordioso, compassivo e justo.

Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.
Este jamais será abalado;
o justo deixará memória eterna.

Santo do dia

Sabado, dia 12 de Novembro de 2016
S. Josafá Kuncevicz, monge, bispo, mártir, +1623




Nasceu na Ucrânia, cerca do ano 1580, de pais ortodoxos. Abraçou a fé católica e entrou na Ordem de S. Basílio. Ordenado sacerdote e eleito bispo de Polock, dedicou-se com grande empenho à causa da unidade de Igreja, pelo que foi perseguido pelos seus inimigos e morreu mártir em 1623.


«Como nos dias de Noé»

Comentário do dia:

São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos
Hino de Noé, estr. 11ss.




O sábio Noé [...] embarcou na arca por ordem de Deus, com os seus filhos e as mulheres destes, ao todo somente oito almas. Sem parar de gemer, este servo rezava assim: «Não me faças perecer com os pecadores, meu Salvador, pois vejo já o caos apoderar-se da criação e os elementos estão agitados pelo medo. [...] As nuvens estão preparadas, o céu está tumultuoso, os anjos acorrem à frente da tua cólera.» Ao ouvir estas palavras, Deus cerrou a arca e selou-a, enquanto o seu fiel gritava: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo!»

Do alto do céu, o juiz dá uma ordem; de imediato se abriram as comportas, precipitando as chuvas, torrentes de água e saraiva de um lado do mundo ao outro; e o medo fez brotar as fontes do abismo, inundando a terra em todo o lado. [...] Foi este o efeito da cólera de Deus, porque os homens haviam perseverado no seu endurecimento e não se tinham apressado a gritar-Lhe com fé: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo!» [...]

Em seguida, o coro dos anjos, vendo os homens carnais destruídos, gritou: «Agora, que os justos possuam toda a extensão da terra!» Porque o Criador gosta de ver aqueles que fez à sua imagem (Gn 1,26); foi por isso que pôs os seus santos de parte para os salvar. Noé [...] solta a pomba e ela regressa ao fim do dia, trazendo no bico um ramo de oliveira, que anunciava simbolicamente a misericórdia de Deus. Então Noé sai da arca, como que do túmulo, segundo a ordem que recebera [...], não como outrora Adão, que comera de uma árvore que dá a morte, pois Noé produzira um fruto de penitência ao dizer: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo!»

Mortas estão a corrupção e a iniquidade; o homem de coração reto triunfa pela sua fé, pois encontrou graça [...]. Então, o justo (Gn 6,9) ofereceu ao Senhor um sacrifício sem mancha [...]; o Criador aspirou o seu agradável perfume e [...] declarou: «Jamais o universo voltará a perecer num dilúvio, mesmo que todos os homens levem uma vida má. Hoje estabeleço uma aliança irrevogável com eles. Mostro o meu arco a todos os habitantes da Terra para lhes servir de sinal, para que todos Me invoquem assim: 'Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo!'»

Evangelho segundo S. Lucas 17,26-37.




Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como sucedeu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem:
Comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio, que os fez perecer a todos.
Do mesmo modo sucedeu nos dias de Lot: Comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam.
Mas no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus mandou do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os fez perecer a todos.
Assim será no dia em que Se manifestar o Filho do homem.
Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver coisas em casa não desça para as tirar; e quem estiver no campo não volte atrás.
Lembrai-vos da mulher de Lot.
Quem procurar salvar a vida há de perdê-la e quem a perder há de salvá-la.
Eu vos digo que, nessa noite, estarão dois num leito: um será tomado e o outro deixado;
estarão duas mulheres a moer juntamente: uma será tomada e a outra deixada.
Dois homens estarão no campo: um será tomado e outro será deixado».
Então os discípulos perguntaram a Jesus: «Senhor, onde será isto?». Ele respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, aí se juntarão os abutres».

Palavras do Senhor

2ª Carta da S. João 1,4-9.
Senhora eleita de Deus: Muito me alegrei por saber que os teus filhos vivem no caminho da verdade, segundo o mandamento que recebemos do Pai.
E agora, Senhora, peço-te, não como quem escreve um mandamento novo, mas aquele que tivemos desde o princípio: amemo-nos uns aos outros.
Ora o amor consiste em viver segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento que ouvistes desde o princípio e segundo o qual deveis viver.
Apareceram no mundo muitos sedutores, os quais não professam a fé em Jesus feito homem. Este é o sedutor e o anticristo.
Tende cuidado convosco, para não perderdes os frutos do nosso trabalho, mas, pelo contrário, para receberdes a plena recompensa.
Quem se afasta e não permanece na doutrina de Cristo não possui a Deus. Quem permanece na doutrina, esse possui o Pai e o Filho.

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Livro de Salmos 119(118),1.2.10.11.17.18.
Felizes os que seguem o caminho perfeito
e andam na lei do Senhor.
Felizes os que observam as suas ordens
e O procuram de todo o coração.

De todo o coração Vos procuro,
não me deixeis afastar dos vossos mandamentos.
Conservo a vossa palavra dentro do coração,
para não pecar contra Vós.

Fazei bem ao vosso servo:
viverei e cumprirei a vossa palavra.
Abri, Senhor, os meus olhos
para ver as maravilhas da vossa lei.




Santo do dia

Sexta-feira, dia 11 de Novembro de 2016




Santo do dia : S. Martinho (de Tours), bispo, +397
S. Martinho (de Tours), bispo, +397S


São Martinho nasceu no ano de 316, na Sabária da Panónia (Hungria). Seu pai era oficial do Exército Romano. Aos 12 anos, contrariando a vontade dos pais, tornou-se cristão. Entretanto, o pai contrapôs-se terminantemente a essa decisão do filho, alistando-o no Exército Romano. Aconteceu, nessa época, o famoso episódio da manta de guarda imperial: ao ver um mendigo tiritando de frio, corta ao meio a sua manta e oferece-lhe uma parte. À noite sonhou e viu Jesus envolto naquele pedaço de manta, dizendo: "Martinho, ainda não baptizado, deu-me este vestuário".
Abandonou, então, o Exército e fez-se baptizar por Santo Hilário de Poitiers. Entregou-se à vida de eremíta, fundando um mosteiro em Ligugé, França, onde vivia sob a orientação de Santo Hilário. Ordenado sacerdote, foi mais tarde aclamado bispo de Tours (371). Tornou-se um grande evangelizador da França, verdadeiramente pastor, fundando mosteiros, instruindo o clero, defendendo a causa dos oprimidos e deserdados deste mundo. Morreu no ano de 397.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

«O Reino de Deus está entre vós»

Comentário do dia:

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, 1.ª série



Os demónios temem-no, mas Deus e os anjos desejam o homem que com fervor, dia e noite, procura a Deus no seu coração, e que afasta para longe de si as ofensas do inimigo. O lugar espiritual de um homem com esta pureza de alma está no interior de si mesmo: o sol que brilha nele é a luz da Santíssima Trindade; o ar que os seus pensamentos respiram é o Espírito Santo consolador; e os santos anjos estão com ele. A sua vida, a sua alegria, o seu júbilo, são Cristo, luz da luz do Pai. Este homem rejubila a todas as horas de contemplação da sua alma, e maravilha-se com a beleza que nela vê, cem vezes mais luminosa que o esplendor do céu.

Esta é Jerusalém. É o Reino de Deus que está em nós, segundo a palavra do Senhor. Esse país é a nuvem da glória de Deus, onde apenas os corações puros entrarão, para contemplar a face de seu Mestre (Mt 5,8), e o entendimento que têm do Senhor será iluminado pelos raios da sua luz.