segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Pedir perdão e perdoar aos outros

Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Discursos sobre os Salmos, Sl 60,9; CCL 39,771



«Todos os caminhos do Senhor são graça e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos» (Sl 24,10). O que este salmo diz acerca do amor e da verdade é da maior importância. […] Fala do amor, porque Deus não olha aos nossos méritos, mas à sua bondade, a fim de nos perdoar os nossos pecados e de nos prometer a vida eterna. E fala igualmente da verdade, porque Deus nunca falta às suas promessas. Reconheçamos este modelo divino e imitemos a Deus, que nos manifestou o seu amor e a sua verdade. […] Tal como Ele, realizemos neste mundo obras cheias de amor e de verdade. Sejamos bons para com os fracos, os pobres, e mesmo para com os nossos inimigos.

Vivamos na verdade evitando fazer o mal. Não multipliquemos pecados, porque aquele que presume da bondade de Deus está a permitir que nele se introduza a vontade de tornar Deus injusto. Imagina esse que, mesmo que se obstine nos seus pecados e se recuse a arrepender-se deles, Deus lhe há de conceder um lugar entre os seus fiéis servidores. Mas seria justo Deus colocar-te no mesmo lugar que aqueles que renunciaram aos seus pecados, quando tu perseveras nos teus? […] Porque pretendes, então, dobrá-lo à tua vontade? Sê tu a submeter-te à sua.

A este propósito diz justamente o salmista: «Quem procurará a misericórdia e a verdade do Senhor junto dele?» (Sl 60,8). […] E por que dirá «junto dele»? Porque são muitos os que procuram instruir-se acerca do amor do Senhor e da sua verdade nos livros sagrados. Porém, uma vez aí chegados, vivem para si próprios e não para Ele. Procuram os seus próprios interesses, e não os interesses de Jesus Cristo. Apregoam o amor e a verdade, mas não os praticam. Já aquele que ama a Deus e a Cristo, quando prega a verdade e o amor divinos, é para Deus que os procura, e não no seu próprio interesse. Não prega para daí retirar vantagens materiais, mas para o bem dos membros de Cristo, ou seja, dos seus fiéis. Distribui-lhes aquilo que aprendeu em espírito de verdade, de tal maneira que «os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou» (2Cor 5,15). «Quem procurará a misericórdia e a verdade do Senhor?»




Evangelho segundo S. Lucas 17,1-6.



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os provoca.
Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao mar, do que ser ocasião de pecado para um só destes pequeninos.
Tende cuidado. Se teu irmão cometer uma ofensa, repreende-o, e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.
Se te ofender sete vezes num dia e sete vezes vier ter contigo e te disser: ‘Estou arrependido’, tu lhe perdoarás».
Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé».
O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela vos obedeceria».



Palavra de Deus

Carta a Tito 1,1-9.
Paulo, servo de Deus, Apóstolo de Jesus Cristo, para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade conforme à piedade,
na esperança da vida eterna. Antes dos tempos antigos, Deus, que não mente,
prometeu esta vida eterna, e no tempo determinado manifestou a sua palavra, através da mensagem que me foi confiada por ordem de Deus, nosso Salvador.
A Tito, meu verdadeiro filho segundo a nossa fé comum, a graça e a paz de Deus nosso Pai e de Jesus Cristo, nosso Salvador!
Eu deixei-te em Creta, para acabares de organizar o que faltava e estabeleceres anciãos em cada cidade, segundo as minhas instruções.
O ancião deve ser irrepreensível, casado uma só vez; e os seus filhos sejam fiéis, sem fama de maus costumes ou insubordinação.
O dirigente da comunidade, como administrador da casa de Deus, tem de ser irrepreensível; não pode ser arrogante, nem colérico, nem amigo do vinho, nem conflituoso, nem ávido de lucros desonestos.
Pelo contrário, deve ser hospitaleiro, amigo do bem, ponderado, justo, piedoso, disciplinado.
Deve ser de tal modo fiel na exposição da palavra, conforme ao ensino recebido, que seja capaz, não só de exortar na sã doutrina, mas também de refutar os que a contradizem.

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Livro de Salmos 24(23),1-2.3-4ab.5-6.
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob.



Santo do Dia

Segunda-feira, dia 07 de Novembro de 2016

Festa da Igreja : Maria, Medianeira de todas as Graças
Santo do dia : Beato Vicente Grossi, presbítero, fundador, +1917

Maria, Medianeira de todas as Graças



O culto à intercessão de Maria e à sua função de mediadora e distribuidora de graças redentoras nasceu no século IV. Podemos afirmar que todas as graças que pedimos chegam até nós pela mediação de Maria. Daí o título de Mãe da Igreja, proclamado por Paulo VI em 1964.

É muito generalizada, entre os católicos, a crença no poder intercessor de Maria. Mediante Ela, as petições dos homens sobem da terra ao céu, e por Ela desce à terra tudo o que lhe é outorgado no céu. A mediadora das graças fala ao seu Divino Filho numa linguagem clara, precisa, directa, para apresentar-lhe os pedidos e desejos que os seus filhos da terra elevam, sem cessar, através das orações, ao longo dos séculos, em todas as latitudes, raças e línguas.

O Evangelho apresenta-a como a mediadora que obtém do seu Filho o primeiro milagre público: a conversão da água em vinho, nas bodas de Caná. É a intermediária entre Jesus e São João Batista, santificado antes de nascer. E enquanto a Virgem orava no cenáculo, desceu sobre ela e os apóstolos o Espírito Santo.

É na Ave-Maria onde melhor lhe expressamos a nossa devoção: “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

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Beato Vicente Grossi, presbítero, fundador, +1917


Beato Vicente Grossi

Sacerdote italiano, fundador da congregação das Filhas do Oratório.

Beatificado por Paulo VI em 1975.

domingo, 6 de novembro de 2016

«Sendo filhos da ressurreição, são filhos de Deus»

Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Comentário à Epístola aos Romanos 4,7; PG 14, 985



No último dia, a morte será vencida. Depois do suplício da cruz, a ressurreição de Cristo contém misteriosamente a ressurreição de todo o Corpo de Cristo; e assim como este foi crucificado, posto no túmulo e de seguida ressuscitado, assim também todo o Corpo dos santos de Cristo foi crucificado com Ele e já não vive em si próprio.

Desse modo, quando sobrevier a ressurreição do verdadeiro Corpo de Cristo, do seu Corpo total, então os membros de Cristo, que são atualmente ossos ressequidos, reunir-se-ão juntura por juntura (Ez 37,1s), encontrando cada um o seu lugar próprio, «até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4,13). Então a multidão dos membros constituirá um só Corpo, porque todos pertencem ao mesmo Corpo (Rom 12,4).



Evangelho segundo S. Lucas 20,27-38.




Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição –
e fizeram-Lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’.
Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos.
O segundo
e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos.
Por fim, morreu também a mulher.
De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?».
Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento.
Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento.
Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus.
E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’.
Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».


Palavras do Senhor

Livro de 2º Macabeus 7,1-2.9-14.
Naqueles dias, foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe, e o rei da Síria quis obrigá-los, à força de golpes de azorrague e de nervos de boi, a comer carne de porco proibida pela lei judaica.
Um deles tomou a palavra em nome de todos e falou assim ao rei: «Que pretendes perguntar e saber de nós? Estamos prontos para morrer, antes que violar a lei de nossos pais».
Prestes a soltar o último suspiro, o segundo irmão disse: «Tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente, mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis».
Depois deste começaram a torturar o terceiro. Intimado a pôr fora a língua, apresentou-a sem demora e estendeu as mãos resolutamente,
dizendo com nobre coragem: «Do Céu recebi estes membros, e é por causa das suas leis que os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo».
O próprio rei e quantos o acompanhavam estavam admirados com a força de ânimo do jovem, que não fazia nenhum caso das torturas.
Depois de executado este último, sujeitaram o quarto ao mesmo suplício.
Quando estava para morrer, falou assim: «Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará; mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida».

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Livro de Salmos 17(16),1.5-6.8.15.
Ouvi, Senhor, uma causa justa,
atendei a minha súplica.
Escutai a minha oração,
feita com sinceridade.

Firmai os meus passos nas vossas veredas,
para que não vacilem os meus pés.
Eu Vos invoco, ó Deus, respondei-me,
ouvi e escutai as minhas palavras.

Guardai-me como a menina dos olhos,
protegei-me à sombra das vossas asas.
Senhor, mereça eu contemplar a vossa face
e, ao despertar, saciar-me com a vossa imagem.


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2ª Carta aos Tessalonicenses 2,16-17.3,1-5.
Irmãos: Jesus Cristo, nosso Senhor, e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, eterna consolação e feliz esperança,
confortem os vossos corações e os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras.
Entretanto, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada, como acontece no meio de vós.
Orai também, para que sejamos livres dos homens perversos e maus, pois nem todos têm fé.
Mas o Senhor é fiel: Ele vos dará firmeza e vos guardará do Maligno.
Quanto a vós, confiamos inteiramente no Senhor que cumpris e cumprireis o que vos mandamos.
O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança.