sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Santo do dia

Santo do dia : Santa Úrsula e companheiras, virgens, mártires, séc. IV, Beato Carlos de Áustria, imperador, +1922

Santa Úrsula e companheiras, virgens, mártires, séc. IV, Beato Carlos de Áustria, imperador, +1922
Santa Úrsula e companheiras, virgens, mártires, séc. IV
Segundo a lenda teria sido martirizada em Colónia, na companhia de 11 meninas, por se ter recusado a casar com o rei dos Hunos. Da má leitura duma inscrição, as 11 mártires virgens passaram a ser conhecidas como As Onze Mil Virgens. É padroeira de Colónia.
Segundo a tradição, o corpo de Santa Auta, uma das companheiras mártires, teria vindo para Lisboa no século XVI.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cem vezes mais

Comentário do dia:



Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário ao evangelho de Lucas, 7, 134

«Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos ou terras por causa do meu nome receberá cem vezes mais» (Mt 19,29)

«Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três.» Em quase todas as passagens do Evangelho o sentido espiritual joga um papel importante; mas sobretudo nesta passagem, para que não seja rejeitada pela dureza de uma interpretação simplista, é preciso procurar na trama do sentido a profundidade espiritual. [...] Como é que Ele próprio disse: «Dou-vos a minha paz, deixo-vos a minha paz» (Jo 14,27), se veio separar os pais dos filhos, os filhos dos pais, rompendo os laços que os unem? Como pode ser chamado «maldito o que trata com desprezo seu pai ou sua mãe» (Dt 27,16), e fervoroso o que os abandona?

Se compreendermos que a religião vem em primeiro lugar e a piedade filial em segundo, esta questão fica esclarecida; com efeito, o humano tem de vir depois do divino. Porque, se temos deveres para com os pais, quanto mais para com o Pai dos pais, a quem devemos estar reconhecidos pelos nossos pais! [...] Ele não diz, portanto, que é preciso renunciar aos que amamos, mas que há que preferir Deus a todos. Aliás, encontramos noutro livro: «Quem amar pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10,37). Não te é interdito amares os teus pais, mas preferi-los a Deus. Porque as relações naturais são benefícios do Senhor, e ninguém deve amar os benefícios recebidos mais do que a Deus, que preserva os benefícios que dá.

A Palavra do Senhor

Carta aos Efésios 3,14-21.
Irmãos: Eu dobro os joelhos diante do Pai,
de quem recebe o nome toda a paternidade nos céus e na terra,
para que Se digne, segundo as riquezas da sua glória, armar-vos poderosamente pelo seu Espírito, para que se fortifique em vós o homem interior
e Cristo habite pela fé em vossos corações. Assim, profundamente enraizados na caridade,
podereis compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade
do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais totalmente saciados na plenitude de Deus.
Àquele que, pela sua virtude que atua em nós, pode fazer infinitamente mais do que possamos pedir ou imaginar,
a Ele a glória, na Igreja e em Jesus Cristo, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Ámen.


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Livro de Salmos 33(32),1-2.4-5.11-12.18-19.
Justos, aclamai o Senhor,
os corações retos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,

cantai-Lhe salmos ao som da harpa.
A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.
O plano do Senhor permanece eternamente

e os desígnios do seu coração por todas as gerações.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.



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Evangelho segundo S. Lucas 12,49-53.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda?
Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize.
Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.
A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três.
Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».


Alimentos e água direitos universais




· Na audiência geral o Papa recordou que as exigências dos pobres interpelam todos ·
19 de Outubro de 2016

A maturação duma «consciência solidária» para reafirmar que a alimentação e o acesso à água são «direitos universais de todos os seres humanos, sem distinções nem discriminações» foi o desejo expresso pelo Papa Francisco na audiência geral de quarta-feira, 19 de outubro, na praça de São Pedro. Retomando as palavras contidas na Caritas in veritate de Bento XVI, o Pontífice explicou que «o direito à alimentação e à água revestem um papel importante para a consecução de outros direitos» e definiu « um imperativo ético para toda a Igreja» a primeira obra de misericórdia corporal: «dar de comer a quem tem fome».
Nestas últimas semanas do jubileu extraordinário o Papa Francisco está a dedicar as próprias reflexões precisamente às obras de misericórdia e meditando sobre as duas primeiras exortou a considerar que demasiadas vezes os meios de comunicação informam sobre «populações que sofrem a falta de alimentos e de água, com graves consequências sobretudo para as crianças». Mas, observou, o chamado «bem-estar» faz com que «as pessoas tendam a fechar-se em si mesmas, tornando-se insensíveis às exigências dos outros». Contudo, advertiu, «a realidade deve ser recebida e enfrentada pelo que é, e com frequência nos deparamos com situações de necessidade urgente».
Certamente o Papa afirmou que está ciente de que «face a determinadas notícias e sobretudo a certas imagens, a opinião pública comove-se e têm início campanhas de ajuda» com «doações generosas»; mas «esta forma de caridade» embora seja importante – observou – talvez «não nos envolva diretamente. Entretanto quando, indo pelas ruas, nos cruzamos com uma pessoa em necessidade, ou um pobre bate à porta da nossa casa, é muito diferente» porque «somos envolvidos em primeira pessoa», esclareceu o Pontífice. Eis então a exortação ao compromisso pessoal porque – concluiu – há sempre alguém que sente fome e sede e precisa de mim. Não posso delegar outra pessoa».
Exortação repetida depois durante as saudações aos diversos grupos presentes na audiência. Foi significativa, nas palavras dirigidas aos polacos, a referência ao beato mártir Jerzy Popiełuszko, o sacerdote assassinado a 19 de outubro de 1984, do qual se celebrava a festa litúrgica: ele, recordou Francisco, pagou pessoalmente o seu compromisso «a favor dos trabalhadores e das suas famílias, pedindo justiça e condições dignas de vida».

Santo do dia

Santa Iria, mártir, +653, Santa Maria Bertilla Boscardin, religiosa, enfermeira, +1922, Beato Contardo Ferrini, profissional católico, +1902

Santa Iria, mártir, +653


Nascida de uma rica família de Nabância (Região de Tomar), de onde era natural, Iria recebeu educação nobre num mosteiro de freiras beneditinas, governado por seu tio, o Abade Sélio, e no qual viria a professar. Pela sua beleza e inteligência, Iria cedo reuniu a simpatia das religiosas e das pessoas da povoação, em especial dos moços e fidalgos, que disputavam entre si a as virtudes da noviça.

Entre estes mancebos contava-se Britaldo, príncipe daquele Senhorio, que veio a alimentar por Iria uma paixão doentia. Iria, porém, recusava as investidas amorosas do fogoso fidalgo, confessando-lhe a sua eterna devoção a Deus.

Dos amores de Britaldo teve conhecimento Remígio, director espiritual de Iria e a quem a beleza da donzela também não passara despercebida. Consumido de ciúmes, o monge fez tomar a Iria uma tisana embruxada, que logo fez surgir no seu corpo os sinais de gravidez. Expulsa do convento, a pobre donzela recolhera-se junto do rio para orar quando, traiçoeiramente, foi assassinada por um criado de Britaldo, a quem tinham chegado os rumores destes eventos.

Lançado ao rio, o corpo da mártir foi depositado em sepulcro celestial nas claras areias do Tejo, aí permanecendo, incorruptível, através dos tempos. Eis o que conta a lenda de Sta. Iria...
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Beato Contardo Ferrini, profissional católico, +1902



Contardo Ferrini nasceu em Milão na Itália, em 1859. Educado numa família profundamente cristã, passou a sua mocidade entre a escola, a família e a Igreja.

Já como doutor em Direito, o jovem Contardo Ferrini foi para Berlim e lá entrou em debate aberto com o protestantismo, partilhando a Verdade guardada pela Igreja Católica. Em Berlim, Contardo terminou os estudos de pós-graduação e voltou para a Itália, onde deu mostra do seu profundo amor a Deus, ao próximo e aos estudos; por isso, amava e era amado pelos alunos que o admiravam.

O Bem-Aventurado Contardo Ferrini chegou a escrever 200 artigos de carácter científico que expressaram muito bem a sua busca de Deus através da ciência e, assim, soube fazer de sua cátedra de mestre um fecundo apostolado.

Homem de oração, comunhão eucarística, pureza, caridade operosa e verdadeira devoção mariana, Contardo lutava contra o Mal e por toda parte levava vida exemplar no ser cristão e no profissional. Entrou no Céu com 43 anos.








terça-feira, 18 de outubro de 2016

18 de Outubro - Dia do Médico


S. Lucas, Evangelista - o Apóstolo médico




São Lucas nasceu, provavelmente, em Antioquia da Síria. Foi amigo e companheiro de São Paulo, apóstolo, na tarefa da propagação do Evangelho de Jesus Cristo. Toda a sua ciência médica e literária colocou à disposição do grande apóstolo. Entregou-lhe a sua pessoa e seguiu-o por toda a parte. Pertencente a uma família pagã, Lucas converteu-se ao cristianismo. Segundo São Paulo, era médico: “Saúdam-vos, Lucas, o médico amado e Demas" (Colossenses 4,14). Lucas, entretanto, é mais conhecido como aquele que escreveu o terceiro Evangelho. Segundo a tradição, escreveu o seu Evangelho por volta do ano 70. É o mais teólogo dos evangelistas sinóticos (Mateus, Marcos). Ele apresenta-nos uma visão completa do mistério da vida, da morte e da ressurreição de Cristo. Embora escrevesse mais para os gregos do que para os judeus, o seu Evangelho dirige-se a todos os homens. Mostra, com isto, que a salvação que Jesus de Nazaré veio trazer dirige-se a todos os homens. É uma mensagem universal: o Filho do homem veio para procurar e salvar o que estava perdido (Lucas 19,10). De acordo com ele, Jesus é o amigo dos pecadores; é o consolador dos que sofrem. A vinda de Jesus é causa de grande alegria. O Evangelho de Lucas propõe-se como regra de vida não somente para a pessoa em si, mas para toda a comunidade. Daí o seu cunho social. Nele se cumpriu a máxima de Jesus: “bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”.

São Lucas, evangelista, «servidor da Palavra» (Lc 1,2)

Comentário do dia:

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
PPS, vol. 3, n.º 22 : «A parte escolhida por Maria»



É boa toda a palavra de Cristo, que tem uma missão e uma finalidade, que não cai por terra. É impossível que o Verbo de Deus tenha jamais pronunciado palavras efémeras, Ele que [...] exprimiu os conselhos profundos e a vontade santa do Deus invisível. Toda a palavra de Cristo é boa. Mesmo que os seus propósitos tenham sido transmitidos por pessoas comuns, podemos estar certos de que nada do que nos foi conservado – sejam palavras dirigidas a um discípulo ou a um opositor, sejam conselhos ou opiniões, sejam reprimendas ou palavras de consolação, de persuasão ou de condenação –, nada tem uma significação puramente acidental, um alcance limitado ou parcial [...].

Pelo contrário, as palavras sagradas de Cristo, mesmo quando nos surgem revestidas de uma aparência temporária e dirigidas a um fim imediato - o que torna mais difícil distinguir o que há nelas de momentâneo e de contingente -, mesmo assim, nada perdem da sua força, a cada século que passa. Pertencendo à Igreja, estão destinadas a durar para sempre nos céus (cf Mt 24,35), prolongando-se até à eternidade. Elas são a nossa regra santa, justa e boa, «farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 118,105), na mesma plenitude e de forma tão íntima no nosso tempo, como quando pela primeira vez foram pronunciadas.

Tudo isto seria verdade mesmo que considerássemos ter sido obra humana a recolha destas migalhas da mesa de Cristo. Mas temos uma certeza muito maior, porque não as recebemos dos homens, mas de Deus (1Tess 2,13). O Espírito Santo, que veio glorificar Cristo e dar aos evangelistas a inspiração da escrita, não nos traçou um Evangelho estéril. Louvado seja por ter escolhido e salvado para nós as palavras que seriam mais úteis aos tempos vindouros, as palavras que podiam servir de lei à Igreja para a fé, para a moral e para a disciplina. Não uma lei escrita em tábuas de pedra (Ex 24,12), mas uma lei de fé e de amor, de espírito, e não de letra (Rom 7,6), uma lei para corações generosos que aceitam «viver da palavra», por mais modesta e humilde que seja, uma lei «que sai da boca de Deus» (Dt 8,3; Mt 4,4).