segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A lâmpada no candelabro

Comentário do dia:

São Cromácio de Aquileia (?-407), bispo
Homilias sobre o Evangelho de Mateus


O Senhor chama aos seus discípulos «luz do mundo» (Mt 5, 4) porque, iluminados por Ele, que é a luz eterna e verdadeira (Jo 1,9), eles próprios se tornam uma luz no meio das trevas. Porque Ele é o «Sol da justiça» (Mal 3,20), o Senhor pode chamar aos seus discípulos «luz do mundo»: é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz da sua própria ciência. [...] Iluminados por eles, também nós passámos das trevas à luz, como diz o Apóstolo: «Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; vivei como filhos da luz» (Ef 3,8). E noutro passo: «Não sois filhos da noite nem das trevas, mas sois filhos da luz e filhos do dia» (1Tess 5,5). Com razão diz também S. João na sua primeira epístola: «Deus é luz» (1,5); e «quem permanece em Deus está na luz» (1,7). [...] Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos andar sempre na luz, como filhos da luz que somos. [...] Por isso diz o Apóstolo: «Vós brilhais entre eles como estrelas no mundo, ostentando a palavra da vida» (Tess 2,15). [...]

Aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve brilhar sempre em nós. [...] Por isso é nosso dever não ocultar esta lâmpada da lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para salvação de todos, a fim de nós próprios gozarmos da luz da sua verdade, e de com ela serem iluminados todos os crentes.

Evangelho segundo S. Lucas 8,16-18.


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha ou a colocar debaixo da cama, mas coloca-a num candelabro, para que os que entram vejam a luz.
Não há nada oculto que não se torne manifesto, nem secreto que não seja conhecido à luz do dia.
Portanto, tende cuidado com a maneira como ouvis. Pois àquele que tem, dar-se-á; mas àquele que não tem, até o que julga ter lhe será tirado».

Livro de Salmos 15(14),2-3ab.3cd-4ab.5.


O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia.
O que não faz mal ao seu próximo,

O que não faz mal ao seu próximo,
nem ultraja o seu semelhante,
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor.

e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado.

Livro de Provérbios 3,27-34.


Meu filho: Não negues um benefício a quem dele precisa, se estiver nas tuas mãos poder concedê-lo.
Não digas ao teu próximo: «Vai, e volta depois, amanhã te darei», quando o puderes logo atender.
Não maquines o mal contra teu próximo, quando ele deposita confiança em ti.
Não litigues contra ninguém, sem motivo, quando não te fez mal algum.
Não invejes o homem violento, nem adoptes o seu procedimento,
porque o Senhor abomina o homem perverso, mas reserva para os rectos a sua intimidade.
A maldição do Senhor cai sobre a casa do ímpio, mas Ele abençoa a morada dos justos.
Ele escarnece dos escarnecedores, mas concede a sua graça aos humilde

Santo do Dia

Segunda-feira da 25ª semana do Tempo Comum


Festa da Igreja : Nossa Senhora da Salette
Santo do dia : S. Januário, bispo, mártir, +305 


Nossa Senhora da Salette



A 19 de setembro de 1846, a Santíssima Virgem apareceu sobre uma montanha de La Salette, na França, a duas crianças: Maximino e Mélanie.
Várias congregações foram fundadas pela inspiração de La Salette, entre as quais os Missionários e as Irmãos de Nossa Senhora de La Salette, que se dedicam a propagar a mensagem de reconciliação.

S. Januário, bispo, mártir, +305




Foi bispo de Benevente. Durante a perseguição de Diocleciano, sofreu o martírio juntamente com outros companheiros, em Nápoles, onde é especialmente venerado.

sábado, 17 de setembro de 2016

A semente é a palavra de Deus

Comentário do dia:
São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
Breviloquium, Prólogo, 2-5

A origem da Escritura não se situa na investigação humana, mas na Revelação divina que provém do «Pai das Luzes», «a quem toda a paternidade no céu e na terra vai buscar o nome» (Tim 1,17; Ef 3,15). Dele, por seu Filho Jesus Cristo, se derrama em nós o Espírito Santo. Pelo Espírito Santo, que distribui os seus dons a cada um de nós segundo a sua vontade (Heb 2,4), é-nos dada a fé e «pela fé, Cristo habita nos nossos corações» (Ef 3,17). Deste conhecimento de Jesus Cristo deriva, como de uma fonte, a solidez e a inteligência de toda a Sagrada Escritura. É, pois, impossível entrar no conhecimento de Escritura sem possuir em primeiro lugar a fé infusa em Jesus Cristo, que é a luz, a porta e o alicerce de toda a Escritura. [...]
O resultado ou o fruto da Sagrada Escritura [...] é a plenitude da felicidade eterna. Porque a Escritura encerra «as palavras de vida eterna» (Jo 6,68); portanto, ela não foi escrita só para que acreditemos, mas também para que possuamos a vida eterna na qual veremos e amaremos, e onde os nossos desejos serão inteiramente satisfeitos. Então, com os desejos satisfeitos, conheceremos verdadeiramente «o amor que ultrapassa todo o conhecimento» e assim ficaremos «cheios da plenitude de Deus» (Ef 3,19). É nesta plenitude que a divina Escritura se esforça por nos introduzir; é em vista deste fim, é com esta intenção que a Sagrada Escritura deve ser estudada, ensinada e entendida.

A lógica do depois de amanhã


· ​Missa em Santa Marta ·
16 de Setembro de 2016
O cristão deve ter a coragem de viver com «a lógica do depois de amanhã», ou seja, com a certeza da «ressurreição da carne» que é também «a raiz mais profunda das obras de misericórdia». E das tentações de se deixar condicionar por uma «piedade espiritualista» ou de ficar só pela «lógica do passado e do presente» o Papa advertiu na missa celebrada na sexta-feira 16 de setembro, na capela da Casa Santa Marta, relançando a verdade da «lógica da redenção, até ao fim».
Refletindo sobre o trecho evangélico de Lucas (8, 1-3) proposto pela liturgia, o Papa afirmou: «quando ouço este trecho do Evangelho sorrio um pouco porque alguns apóstolos implicavam com Madalena: Lucas, também Marcos, recordam sempre o passado» a ponto de escrever que dela «tinham saído sete demónios». Mas «pobre mulher, foi a apóstola da ressurreição, é apóstola, mas eles não esquecem». Por conseguinte, o Papa repropôs os conteúdos do trecho da primeira carta aos Coríntios (15, 12-20). Entrando «neste jogo – é a palavra que me vem – jogo: que Paulo faz» entre a ressurreição de Cristo e «a nossa ressurreição – “Se Cristo não ressuscitou, também nós não ressuscitaremos” – e de uma parte para outra, mas parece um pouco confuso». Na realidade, a finalidade do apóstolo dos Gentios «é clara: deseja fazer com que entremos na lógica da redenção até ao fim». Por exemplo, «quando recitamos o Credo é bonito: dizemos: “Deus, Pai Omnipotente, o Filho, o Espírito Santo...”». E «até àquele ponto dizemo-lo bem». Ao contrário, o fim do Credo começa a ir depressa: “a Igreja católica, a ressurreição dos mortos” ou nalgumas traduções, como a espanhola, «a ressurreição da carne”». Mas esta parte do Credo, insistiu Francisco, «dizemo-la depressa: sim, é melhor dizê-la depressa porque não sabemos como será isto, a carne assusta-nos». E eis que, na carta aos Coríntios, «Paulo entra em todo este jogo da ressurreição: se Jesus fez assim, por que nós...; e se não fizermos assim, nem sequer Jesus o fez».
Segundo Francisco a explicação é simples: «Todos nós temos facilidade de entrar na lógica do passado, porque é concreta: vimos». E «é fácil também entrar na lógica do presente: porque o vemos». Mas «devemos dizer também que muitos psiquiatras trabalharam para fazer compreender a algumas pessoas esta lógica do passado e do presente: é fácil, é concreta». Sim, prosseguiu Francisco, «não é muito difícil, mas nisto atraiçoa-nos um pouco o neo-saduceísmo: pensar na lógica do futuro, “não, mas sim no céu, há tanta gente no céu: como será? Mas é melhor não pensar nisso”». Trata-se de uma maneira de pensar um pouco como os «saduceus»: «Sim, o Senhor ama-nos e far-nos-á viver, mas não pensemos como, porque isto é difícil». Sem dúvida «não é fácil entrar na totalidade desta lógica do futuro».
Com efeito, «a lógica de ontem é fácil, a lógica de hoje é fácil» e também «a lógica de amanhã é fácil: todos morreremos» afirmou o Papa. O que é «difícil» é a «lógica do depois de amanhã». E precisamente «o que Paulo quer comunicar hoje, a lógica do depois de amanhã: como será?». A questão central é «a ressurreição: Cristo ressuscitou e está claro que não ressuscitou como um fantasma». Por isso, narrando a ressurreição, Lucas cita esta palavra de Jesus: «Tocai-me, dai-me de comer!». Porque «um fantasma não tem carne, nem ossos». Eis então que «a lógica do depois de amanhã é a lógica que inclui a carne: como será o céu? Sim, todos iremos para lá?».
«Mas nós não compreendemos o que Paulo quer dizer, esta lógica do depois de amanhã» explicou ainda o Pontífice. E «também aqui nos atraiçoa um certo gnosticismo: não, serei todo espiritual». O facto, prosseguiu o Papa, é que «nós temos medo da carne: não esqueçamos que esta foi a primeira heresia condenada pelo apóstolo João: “Quem diz que o Verbo de Deus não veio na carne é do Anticristo, é do Maligno”». Sim, afirmou o Papa, «temos medo de aceitar e levar até às últimas consequências a carne de Cristo». É «mais fácil uma piedade espiritualista, uma piedade de tonalidades; mas entrar na lógica da carne de Cristo, isso é difícil». Contudo «esta é a lógica do depois de amanhã: nós ressuscitaremos como Cristo, com a nossa carne».
A este propósito Francisco observou que «se compreende algo nas profecias» que podem servir de ajuda: por exemplo, explicou, «Job, um pouco profeticamente obscuro, no capítulo 19, diz-nos algo: “Sei que o meu Redentor está vivo e eu vê-lo-ei com os meus olhos». E «foi precisamente Jesus quem mostrou que a sua ressurreição é assim». Mas também «já os primeiros cristãos, os de Corinto, também os de Tessalónica», pensam: «Sim, Ele ressuscitou desta forma, mas talvez nós, não sei, sim, veremos o Senhor, mas...». Na realidade é precisamente «aqui, na fé da ressurreição da carne», que «as obras de misericórdia têm a raiz mais profunda, porque há uma ligação contínua: a carne de Cristo, a carne do irmão, as obras de misericórdia, é a carne transformada».
Por isso «Paulo diz aos cristãos de Tessalónica», na primeira carta, capítulo quarto: “Eu não quero que estejais na ignorância em relação aos adormecidos. Todos seremos transformados”. O nosso corpo, prosseguiu Francisco, «a nossa carne será transformada e estaremos sempre no Senhor; assim como o Senhor é, com o corpo e com a alma, transformado: do modo como o Senhor se fez ver e tocar, e do modo como comeu com os discípulos depois da ressurreição, também nós seremos com o mesmo corpo». E «é esta a lógica do depois de amanhã, aquela que temos dificuldade de compreender, na qual temos dificuldade de entrar». Em nossa ajuda vem uma bonita frase de Paulo aos cristãos de Tessalónica: e nós, assim transformados, «estaremos sempre com o Senhor».
«Compreender bem a lógica do passado é um sinal de maturidade; mover-se na lógica do presente é um sinal de maturidade, na de ontem e na de hoje». E «é também um sinal de maturidade ter a prudência para ver a lógica do amanhã, do futuro». Mas «é necessária uma graça grande do Espírito Santo para compreender esta lógica do depois de amanhã, depois da transformação, quando Ele vier e nos levar todos transformados sobre as nuvens para permanecer sempre com Ele». Ao Senhor, concluiu o Papa, «pedimos a graça desta fé».
Missa em Santa Marta