quarta-feira, 31 de agosto de 2016

«A multidão foi à procura dele»

Comentário do dia: 

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Solilóquios 



Desde agora, Senhor, só a Ti amo, a Ti somente me prendo, a Ti somente procuro, a Ti somente estou disposto a servir, porque só Tu ordenas com justiça. Às tuas ordens desejo submeter-me; ordena, peço-Te, ordena o que quiseres, mas cura-me, abre os meus ouvidos, a fim de que eu possa ouvir as tuas palavras. […]

Recebe-me como um fugitivo, Senhor, ó Pai excelente. Sofri tempo demais; tempo demais estive submetido aos teus inimigos e fui joguete de mentiras. Recebe-me como teu servo que quer afastar-se de todas as coisas vãs. […] Sinto que tenho necessidade de regressar a Ti; estou a bater, abre-me a porta, ensina-me a chegar a Ti. […] É para junto de Ti que pretendo ir, dá-me pois os meios de chegar até Ti. Se Te afastares, pereceremos! Mas Tu a ninguém abandonas, porque és o Soberano Bem; todos quantos Te procuram retamente Te encontram. És Tu que nos mostras como havemos de procurar-Te com retidão. Ó meu Pai, faz com que Te procure, liberta-me do erro, não permitas que, na minha busca, encontre outra coisa senão a Ti. Se nada mais desejo senão a Ti, faz com que apenas Te encontre a Ti, ó meu Pai.



Evangelho segundo S. Lucas 4,38-44.


Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre muito alta e pediram a Jesus que fizesse alguma coisa por ela.
Jesus, aproximando-Se da sua cabeceira, falou imperiosamente à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se e começou logo a servi-los.
Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com diversas enfermidades traziam-nos a Jesus e Jesus, impondo as mãos sobre cada um deles, curava-os.
De muitos deles saíam demónios, que diziam em altos gritos: «Tu és o Filho de Deus». Mas Jesus, em tom severo, impedia-os de falar, porque sabiam que Ele era o Messias.
Ao romper do dia, Jesus dirigiu-Se a um lugar deserto. A multidão foi à procura d’Ele e, tendo-O encontrado, queria retê-l’O, para que não os deixasse.
Mas Jesus disse-lhes: «Tenho de ir também às outras cidades anunciar a boa nova do reino de Deus, porque para isto fui enviado».
E pregava pelas sinagogas da Judeia.

Jesus nunca envelhece


· Mensagem ao simpósio internacional de Salónica ·
30 de Agosto de 2016
O homem europeu precisa hoje como nunca de redescobrir toda a beleza e verdade do anúncio de Jesus Cristo, «que nunca envelhece»: afirmou o Papa Francisco na mensagem enviada ao cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício conselho para a promoção da unidade dos cristãos, por ocasião do décimo quarto simpósio intercristão, promovido de 28 a 30 de agosto em Salónica, na Grécia, pelo instituto franciscano de espiritualidade da Pontifícia universidade Antonianum e pelo departamento de teologia da faculdade teológica ortodoxa da universidade Aristóteles de Salónica.
O objetivo é explícito: favorecer o confronto teológico e cultural entre católicos e ortodoxos, refletindo juntos acerca da «necessidade de uma reevangelização das comunidades cristãs na Europa».
Também o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, enviou uma mensagem aos participantes no simpósio de Salónica, indicando «a necessidade, hoje de maneira particular, do diálogo intercristão para cultivar um clima de confiança recíproca e de amizade sincera entre os cristãos, numa época na qual a colaboração e a unidade se tornam cada vez mais necessárias».
Diálogo intercristão

Meio Ambiente


O grito dos sedentos

· �Pronunciamento do cardeal Turkson na semana mundial da água ·
30 de Agosto de 2016

«É uma vergonha que muitos dos nossos irmãos e irmãs sintam sistematicamente sede ou sejam obrigados a beber água não potável, que as suas exigências sejam secundárias em relação às das indústrias que a utilizam demasiadamente e poluem aquela que resta; que os governos persigam outras prioridades e ignorem o seu grito sedento». Estas palavras foram pronunciadas pelo cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, na semana mundial da água – que se realiza em Estocolmo até ao dia 2 de setembro – abrindo no dia 29 de agosto uma mesa redonda dedicada a «Água e crenças», isto é ao papel das religiões na busca dos objetivos de desenvolvimento sustentável.
É «dom» – disse o presidente do Pontifício conselho «justiça e paz» – a palavra-chave que deve ser compreendida se o mundo quiser vencer o desafio de «tornar realidade o acesso universal e sustentável à água». De facto, só se compreender que «o nosso planeta, os seus recursos e os ecossistemas são um dom maravilhoso» pelo qual sentir a responsabilidade inclusive «para as gerações futuras», o homem terá a justa motivação para enfrentar e resolver este problema planetário.
Uma consciência bem clara na comunidade católica, acrescentou o purpurado, e que se encontra também noutras religiões e tradições espirituais: «a vida humana é um dom» e sabemos que «a natureza nos foi doada para ser partilhada por todos os homens, geração após geração, e que toda a família humana é chamada a cuidar da nossa casa comum».
O uso sustentável dos recursos hídricos, explicou o cardeal Turkson, é só uma das sensibilidades que mostram o forte vínculo entre fé e desenvolvimento. Não é por acaso que «colaborações frutuosas entre as religiões já estão a decorrer em diversos setores como a saúde, a segurança alimentar, os investimentos, a educação, a gestão dos recursos naturais e a assistência aos migrantes».
Sinergias fundamentais porque a ação nestes âmbitos, para ser deveras eficaz, não conta só com os dados científicos mas apoia os seus fundamentos numa forte componente motivacional: «A ciência – disse o presidente de Iustitia et pax – só pode explicar a realidade concreta, as suas substâncias e relações causais, e talvez possa quantificar a poluição nas profundidades oceânicas ou ao redor de um sítio mineiro, prevendo as consequências negativas e propondo remédios»; mas a ciência não «é capaz de fornecer a motivação para uma ação virtuosa».

Livro de Salmos 33(32),12-13.14-15.20-21.


Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do Céu o Senhor contempla
e observa todos os homens.

Do lugar onde habita,
contempla todos os habitantes da terra.
Ele que formou o coração de cada homem
está atento a todas as suas obras.

A nossa alma espera o Senhor,
Ele é o nosso amparo e protetor.
N’Ele se alegra o nosso coração,
em seu nome santo pomos a nossa confiança.

1ª Carta aos Coríntios 3,1-9.


Irmãos: Não pude falar-vos como a pessoas espirituais, mas como a pessoas demasiado naturais, como a crianças em Cristo.
Por isso vos dei leite a beber e não alimento sólido, porque não podíeis suportá-lo. Mas nem sequer o podeis suportar agora,
porque ainda sois demasiado naturais. De facto, se entre vós há inveja e discórdia, não é certo que sois demasiado naturais e procedeis segundo critérios humanos?
Pois, quando alguém diz: «Eu sou de Pedro», e outro: «Eu sou de Apolo», não julgais apenas por critérios humanos?
Então, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos de Deus, por meio dos quais alcançastes a fé, cada um na medida em que o Senhor lhe concedeu.
Eu plantei, Apolo regou; mas Deus é que fez crescer.
Assim, nem o que planta nem o que rega são coisa alguma; só Deus é que conta, pois é Ele que faz crescer.
Entretanto, quem planta e quem rega trabalham como um só, mas cada qual receberá a recompensa, segundo o esforço do seu trabalho.
Nós somos colaboradores de Deus e vós sois o campo de Deus, o edifício de Deus.

Santo do Dia


S. Raimundo Nonato, presbítero, +1240




Ingressou, com 24 anos, na Ordem dos Mercedários, destinada ao resgate de cativos. Ofereceu-se voluntariamente para ficar escravo entre os mouros, a fim de permitir a libertação de um católico que estava periclitando na fé. Visava também exercer seu ministério entre os demais pobres cativos e, mais ainda, pregar a Religião católica aos próprios maometanos. Para impedi-lo de pregar, os mouros furaram-lhe os lábios com um ferro quente, e mantinham sua boca fechada com um cadeado. Passou oito meses prisioneiro, sofrendo atrozmente. Depois de libertado, foi nomeado cardeal, em reconhecimento pelos seus méritos. Faleceu com apenas 36 anos. Recebeu o nome de Nonato (do latim "non natus", isto é, não nascido) porque sua mãe morreu antes de dá-lo à luz e ele precisou ser extraído do corpo já inerte da mãe. É por isso invocado como padroeiro das parturientes e das parteiras.