segunda-feira, 30 de maio de 2016

«Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor» (Jo 15,1)

Comentário do dia:

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa
Diálogo, 24



[Deus disse a santa Catarina:] Sabes o que Eu faço quando os meus servidores querem seguir a doutrina do doce Verbo do amor? Podo-os para que produzam muito fruto, e para que os seus frutos sejam doces e não voltem a ser silvestres. O agricultor limpa os ramos da vinha para que eles produzam um vinho melhor; não é isso que Eu faço, Eu que sou o verdadeiro agricultor? (Jo 15,1). Aos meus servidores que permanecem em Mim, limpo-os por meio de muitas atribulações, para que produzam frutos mais abundantes e melhores, e sejam comprovados na virtude; mas aos que permanecem estéreis corto-os e lanço ao fogo (Jo 15,6).

Os verdadeiros trabalhadores trabalham bem as suas almas: arrancam todo o amor-próprio e voltam à terra do seu amor por Mim, adubando e fazendo aumentar a semente da graça que receberam no santo batismo. Cultivando a sua vinha, cultivam também a do próximo; não podem cultivar uma sem a outra. Lembra-te sempre de que todo o mal e todo o bem se fazem por meio do próximo. É assim que sois meus agricultores, procedentes de Mim, o eterno agricultor. Fui Eu que vos uni e transferi para esta vinha, graças à união que estabeleci convosco. [...] Todos juntos, formais uma só vinha universal [...]; estais unidos na vinha do corpo místico da Santa Igreja, da qual extraís a vossa vida. Nesta vinha está plantada a cepa do meu Filho único, ao qual deveis estar ligados, para permanecerdes na vida.

Evangelho segundo S. Marcos 12,1-12.


Naquele tempo, Jesus começou a falar em parábolas aos príncipes dos sacerdotes, aos escribas e aos anciãos: «Um homem plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, construiu um lagar e ergueu uma torre. Depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou o tempo, enviou um servo aos vinhateiros para receber deles uma parte dos frutos da vinha.
Os vinhateiros apoderaram-se do servo, espancaram-no e mandaram-no sem nada.
Enviou-lhes de novo outro servo. Também lhe bateram na cabeça e insultaram-no.
Enviou-lhes ainda outro, que eles mataram. Enviou-lhes muitos mais e eles espancaram uns e mataram outros.
O homem tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho; e enviou-o por último, dizendo consigo: «Respeitarão o meu filho».
Mas aqueles vinhateiros disseram entre si: «Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa».
Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
Que fará então o dono da vinha? Virá ele próprio para exterminar os vinhateiros e entregará a outros a sua vinha.
Não lestes esta passagem da Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se pedra angular.
Isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?». Procuraram então prender Jesus, pois compreenderam que tinha dito para eles a parábola.
Mas tiveram receio da multidão e por isso deixaram-n’O e foram-se embora.

Livro de Salmos 91(90),1-2.14-15ab.15c-16.


Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo,
moras à sombra do Omnipotente.
diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela;
meu Deus, em Vós confio».

«Porque confiou em Mim, hei-de salvá-lo;
hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação.

Hei-de libertá-lo e dar-lhe glória,
favorecê-lo-ei com longa vida
e lhe mostrarei a minha salvação».


2ª Carta de S. Pedro 1,2-7.


Caríssimos: A graça e a paz vos sejam dadas em abundância, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.
Jesus, com o seu divino poder, concedeu-nos tudo o que é necessário à vida e à piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou pela sua glória e virtude.
Assim, entramos na posse das maiores e mais preciosas promessas, para nos tornarmos participantes da natureza divina, livres da corrupção que a concupiscência gera no mundo.
Por este motivo, esforçai-vos quanto possível por juntar à vossa fé a virtude, à virtude a ciência,
à ciência a temperança, à temperança a constância, à constância a piedade,
à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade.

Perseverança em Deus



"Necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé. E se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daquele que retrocedem para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma." (Hebreus 10: 36-39)

Como é difícil nos mantermos na fé, em um mundo cada vez mais cheio de atrativos falsos que nos desviam o olhar e o comportamento em relação às coisas. Imagens coloridas da televisão e todo tipo de entretenimento e jogos eletrônicos disponíveis em celulares e tablets, envolvendo não apenas crianças e jovens, mas também muitos adultos.

O prazer do lúdico, infantilizando eternamente as pessoas, fazendo que muitos não assumam verdadeiro papel de pais ou mães e por meio de um comportamento extremamente permissivo, influenciando negativamente na formação dos próprios filhos.

Alunos que não respeitam seus professores nas escolas, que agridem impunemente seus colegas, fazendo do chamado bulling um ato corriqueiro. A disciplina vista como algo que tolhe a criatividade da criança e dos jovens.

Para que mundo caminhamos, quando os próprios religiosos são os primeiros a não perseverar na fé em Deus. Cultos, missas e atividades religiosas transformadas em festas que estimulam a sensualidade como nos antigos festivais ao deus Baco. Será, verdadeiramente, esta a casa do Senhor?

Foi dito que não se pode servir a dois senhores. Mas, quando os fazem achando normal reinterpretar a Palavra de Deus de maneira a que ela se torne maleável aos seus próprios pensamentos e maneira de agir.

Sabemos que é difícil perseverar, fazendo a vontade de Deus. Mas, é pela oração que podemos pedir auxílio para que não nos afastemos de sua Palavra. "Livrai-nos do mal", ensinou Jesus em sua oração. Precisamos ser humildes e pedirmos ajuda para que possamos perseverar.

O apóstolo Paulo falou da dificuldade de nos mantermos fiéis aos ensinamentos de Cristo, mas da mesma forma falou que é pela fé e perseverança que cada vez mais nos aproximaremos de Deus. Jesus venceu o mundo e é dever dos que os seguem lutar de maneira firme para cada vez mais estar próximo do que Ele pregou.




Santo do dia

Segunda-feira, dia 30 de Maio de 2016

Segunda-feira da 9ª semana do Tempo Comum


Santo do dia : Santa Joana d'Arc, virgem, mártir, (+ Rouen, França, 1431)Beata Matilde do Sagrado Coração Tellez Robles, religiosa, fundadora, +1902 


Santa Joana d'Arc, virgem, mártir, (+ Rouen, França, 1431)




Santa Joana d'Arc, Virgem
(+ Rouen, França, 1431)

A donzela suscitada por Deus para libertar a França dos ingleses, depois de
vencer as resistências dos que não queriam reconhecer a sua missão,
conseguiu obter vitórias espantosas sobre os invasores e obteve a coroação
do rei Carlos VII em Reims. Sua obra parecia terminada, mas Deus ainda
queria dela um sacrifício supremo. Traída e entregue aos ingleses, foi
julgada iniquamente e queimada como feiticeira. Mais tarde a Igreja a
reabilitou e reconheceu a heroicidade de suas virtudes. Foi beatificada em
1909, pelo Papa São Pio X, e canonizada por Bento XV em 1920.


Beata Matilde do Sagrado Coração Tellez Robles, religiosa, fundadora, +1902




Beata Matilde Tellez Robles
Matilde Téliez Robles nasceu em Robledillo de la Vera (Cáceres - Espanha) no dia 30 de maio de 1841, um dia de plenitude primaveril inundado pela luz da solenidade litúrgica de Pentecostes. Ela recebeu as águas do batismo na igreja paroquial no dia seguinte do seu nascimento. Era a segunda dos quatro filhos de Félix Téliez Gómez e de sua esposa Basilea Robles Ruiz. No mês de novembro de 1841, seu pai, devido a sua profissão de escrivão, se estabeleceu com a sua família em Béjar (Salamanca).
Nesta cidade de Béjar, importante pela sua indústria textil, a pequena Matilde vai crescendo; recebe uma formação cultural de base, própria da sua classe social média, e uma boa formação religiosa, iniciada no ambiente profundamente cristão do seu lar. Guiada por sua mãe, já desde pequenina começa a amar intensamente o Senhor e a exercitar-se na prática da oração e nas virtudes, com uma meiga devoção a Nossa Senhora e uma grande misericórdia pelos necessitados e os pecadores.
Ainda muito jovem, quando tudo na vida lhe sorria, Matilde faz a sua opção radical e definitiva por Cristo. Decidiu-se consagrar toda a sua existência a Ele, trabalhando com empenho constante e generoso em busca de corações que o amem.
Sua mãe compreende e apoia sempre a aspiração da filha, mas seu pai lhe deseja um futuro diferente. Obriga-a a engajar-se na vida da sociedade, limita o tempo que Matilde transcorre na igreja, desejando vê-la realizada na vida matrimonial. Obedecendo, ela se adorna e participa da vida social, encantando a todos com sua graça juvenil. Mas mesmo assim, a sua inclinação pelas coisas de Deus é clara e, no fim, o senhor Félix, vencido pela constância de sua filha, deixa-a em liberdade para seguir o caminho por ela escolhido.
Matilde continua a intensificar a sua vida espiritual e a sua devoção a Nossa Senhora. Sente no seu interior que Maria a conduz a uma profunda intimidade com Jesus na Eucaristia, a quem ama com grande paixão. Mesmo «no meio do inverno ardia quando se colocava perto do tabernáculo!», ela afirma nos seus escritos.
Aos 23 anos é eleita presidente da associação das Filhas de Maria, apenas estabelecida em Béjar, e pouco tempo depois é nomeada enfermeira investigadora das Conferências de São Vicente de Paulo. Ela, em seu ardente desejo de ganhar corações para Jesus, exclama diante do sacrário: «Meu senhor, Jesus amante! O mundo é cheio de necessidades. Todos têm coração. Eu vou à procura daqueles de que sou capaz. Estes, eu vou trazê-los a ti».
Unindo a contemplação e a ação, Matilde se lança por longos anos em uma intensa atividade apostólica com crianças e jovens, pobres e doentes; trabalha com as Filhas de Maria, faz catequese, atende a escola dominical, prepara os cristãos para o matrimônio e acompanha as jovens vocacionadas; percorre alegre a cidade em todas as direções para levar consolação e ajuda a qualquer doente ou necessitado, «visitando o seu amante Jesus na pessoa de seus pobres».
Sempre contemplativa na ação, a Eucaristia é a sua força, o sacrário é o seu refúgio. Ela vive prolongadas horas de oração, sendo Nossa Senhora a sua guia, mestra e companheira inseparável.
Ainda jovem sente o chamado para a vida religiosa e desde então recebe diante do tabernáculo a inspiração de fundar um Instituto religioso; e assim o comunica ao Papa Pio IX numa carta escrita no dia 4 de maio de 1874. Mas seu pai volta a provar a filha impedindo-a de realizar a sua vocação, por causa do clima político anticlerical daquela época na Espanha.
Matilde no entanto sofre em silêncio, reza e espera, confortada pelo seu diretor espiritual, Pe. Manuel da Oliva, sacerdote de São Filipe, até que seu pai lhe concede a desejada autorização.
Ela exulta de alegria em ação de graças a Deus e rápidamente prepara tudo para iniciar a fundação com sete jovens das filhas de Maria, que se comprometeram a seguí-la na vida religiosa.
No dia 19 de marzo de 1875, solenidade de São José, todas devem participar da celebração eucarística na Paróquia de Santa Maria e em seguida, unidas e solidárias, seguirem para a casa preparada, onde darão início à vida religiosa. Mas entre as sete jovens comprometidas só uma se apresenta: Maria Briz. Diante desta grande provação, Matilde não se desanima. Fortalecidas com o pão da Eucaristia, ela e a sua única companheira se dirigem alegres e esperançosas, com heróica intrepidez, na «casita de Nazaret», como Matilde a denomina.
Nesta casa procuram imitar a Sagrada Familia de Nazaré, vivendo com muito amor e alegria no recolhimento e na oração, em humildade e pobreza, sem contar com nada e plenamente confiantes na divina Providência. Nesta nova residência, elas não têm um tabernáculo, mas são acompanhadas por uma imagem de Nossa Senhora, diante da qual rezam e a quem consultam tudo.
Poucos dias mais tarde, unindo sempre a contemplação e a ação, recebem em casa um grupo de meninas órfãs, dão aulas às crianças pobres e cuidam dos doentes a domicílio. O seu testemunho evangélico vai atraindo algumas jovens a unirem-se a elas, não obstante as críticas daqueles que consideram a fundação uma loucura.
No dia 23 de abril de 1876, o bispo de Plasencia, D. Pedro Casas y Souto, autoriza provisoriamente a Obra com o título de «Amantes de Jesus e Filhas de Maria Imaculada»; e no dia 20 de janeiro de 1878, Matilde e Maria vestem o hábito religioso em Plasencia.
No fim de março de 1879, a comunidade se transfere de Béjar para Don Benito (Badajoz), onde instalam o noviciado, acolhem as crianças órfãs, dão aulas diárias e dominicais, cuidam dos doentes em suas casas e prestam ajuda aos pobres.
Na comunidade se respira o espirito de Nazaré e toda a vida da casa se desenvolve em torno ao sacrário, diante do qual, a turno, as Irmãs passam várias horas durante todo o dia. Nossa Senhora também recebe um culto especial.
No dia 19 de março de 1884, o mesmo bispo erige canonicamente a Obra como Instituto religioso de direito diocesano, e no dia 29 de junho, a Fundadora com outras Irmãs emitem a profissão religiosa.
No ano seguinte declara-se uma terrível epidemia de cólera na cidade. Madre Matilde e todas as Irmãs consagram-se heroicamente ao cuidado amoroso dos contaminados pela peste, despertando grande admiração nas pessoas pela sua delicada caridade evangélica. A Irmã Maria Briz falece vítima de contágio e a Madre abre em sua memória um Hospital para os pobres.
Em 1889 começa a expansão do Instituto, com uma fundação em Cáceres, e continua nos anos seguintes com outras fundações em Trujillo, Béjar, Villanueva de Córdoba, Almendralejo, Los Santos de Maimona e Villaverde de Burguilios. De cada uma delas se poderia escrever uma bela história de amor: amor apaixonado a Jesus Eucaristia, amor a Maria, amor aos irmãos necessitados: doentes, pobres, meninas órfãs, etc. A missão da Fundadora e das irmãs nesta época é marcada pelo total desinteresse econômico e pela constante ajuda da Providência que não as abandona jamais.
Não faltam as provas e as dificuldades de todos os tipos, mas não importa:
Matilde prossegue o caminho, com Jesus sempre avante!, sempre praticando o lema por ela deixado para o seu Instituto: «Oração, ação, sacrificio»; sempre buscando forças em seus prolongados tempos de oração diante do sacrário e conduzida pela mão materna de Maria.
Da sua forte experiência eucarística nasce o seu ardor evangelizador bem como a ardente caridade que todos admiram. «Seja toda a vida um ato de amor!», ela repete às suas Irmãs. E bem assim o que observam na Madre: è uma vida cheia de Deus, em continua oração e ao mesmo tempo dedicada aos irmãos. Multiplica sua atenção maternal com as novas comunidades, é a animadora da Obra, a Regra viva. Sua simplicidade, sua prudência, sua bondade e sua inalterável alegria atraem a todos. Pobres e ricos se aproximam confiantes na Madre, pois para todos tem uma atenção, um conselho e um sorriso.
Apenas com 61 anos, o seu organismo encontra-se já muito debilitado, por causa dos sofrimentos passados, do intenso trabalho e das doenças que sofria. Madre Matilde parece pressentir o aproximar-se da sua hora de união definitiva com o Senhor. Ao sair de manhã para uma viajem, no dia 15 de dezembro de 1902, sofreu um forte ataque de apoplexia, e nas primeiras horas do dia 17, rodeada por suas filhas, com uma grande paz, partiu para a casa do Pai.
Todo o povoado, sobretudo os pobres, choraram a sua perda como se fosse uma mãe, proclamando ao mesmo tempo a sua grande caridade e as suas numerosas virtudes.
No dia 23 de abril de 2002, o Papa João Paulo II reconheceu oficialmente as Virtudes Heróicas da Serva de Deus Matilde Téllez, e no ano seguinte, no dia 12 de abril, promulgava-se o Decreto sobre o milagre operado por sua intercessão, constituindo esse fato a passagem decisiva para a sua Beatificação no dia 21 de março de 2004.
O Instituto da Madre Matilde, fiel à herança recebida da sua fundadora, continua a viver o seu carisma, tendo no centro a Eucaristia e Maria como Mãe e Mestra, para que Ela forme seu coração para o Evangelho e guie as Irmãs para a Eucaristia. Segundo as Constituições atuais, da Eucaristia nasce uma viva resposta de amor a Jesus Cristo e, n’Ele e com Ele, ao mundo inteiro, levando a boa nova do amor do Pai, com preferência e de modo integral, aos pobres, aos pequenos e aos que sofrem.
Atualmente as Filhas de Maria Mãe da Igreja (chamam-se assim a partir do ano 1965) realizam sua missão evangelizadora na Espanha, Portugal, Itália, Venezuela, Colômbia, Peru e México, através de: lares - internatos onde acolhem meninas e jovens marginalizadas; escolas e colégios abertos à todas as famílias e pessoas excluídas; comunidades sanitárias dedicadas aos doentes, idosos abandonados, transeuntes, alcóolatras, etc., comunidades orantes, casas de acolhida, e comunidades de Pastoral rural e de colaboração nas Paróquias.
Todas as Irmãs do Instituto suplicam a sua Fundadora que as ajudem a fazer de suas vidas um continuo ato de amor e uma «eucaristia perene», para a maior glória de Deus e a salvação do mundo, assim como fez a Madre Matilde.


www.vatican.va



 


 

domingo, 29 de maio de 2016

«Mas diz uma palavra e o meu servo será curado»

Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 62



Como é que o centurião obteve a graça da cura do seu servo? «Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz.» Tenho poder sobre os meus subordinados mas eu também estou submetido a uma autoridade superior. Se, pois, embora subordinado, tenho, apesar de tudo, o poder de comandar, o que não poderás fazer Tu, a Quem se submetem todas as potestades? Este homem pertencia ao povo pagão pois a nação judaica estava ocupada pelos exércitos do Império Romano. [...].

Mas Nosso Senhor, embora estivesse no meio do povo hebraico, declarava já que a Igreja se espalharia por toda a terra, para onde Ele enviaria os seus apóstolos (cf Mt 8,11). Com efeito, os pagãos acreditaram nele sem O terem visto [...]. O Senhor não entrou fisicamente na casa do centurião; mas, embora ausente de corpo, estava presente pela sua majestade e curou esta casa pela sua fé. Do mesmo modo, o Senhor só estava fisicamente presente no meio do povo hebraico; os outros povos não O viram nascer de uma Virgem, nem sofrer, nem caminhar, nem sujeitar-Se às condições da natureza humana, nem fazer maravilhas divinas. Ele não fez nada disso entre os pagãos e, no entanto, entre eles, realizou-se o que Ele tinha dito a seu respeito: «Povos desconhecidos prestaram-Me vassalagem.» Como é que O serviram se não O conheciam? O salmo continua: «Mal ouviram falar de Mim, logo Me obedeceram e os estrangeiros Me cortejaram» (Sl 17,45).