quinta-feira, 26 de maio de 2016

O mistério da Eucaristia

Comentário do dia:

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Obras, Sobre a Festa do Corpo do Senhor, opusc. 57



O Filho único de Deus, querendo fazer-nos participar da sua divindade, tomou a nossa natureza para divinizar os homens, Ele que Se fez homem. Além disso, o que tomou de nós, também no-lo deu inteiramente, para nossa salvação. Com efeito, sobre o altar da cruz, ofereceu o seu corpo em sacrifício a Deus Pai para nos reconciliar com Ele; e derramou o seu sangue para ser ao mesmo tempo nosso resgate e nosso baptismo: resgatados de uma lamentável escravatura, fomos purificados de todos os nossos pecados. E, para que guardássemos para sempre a memória de tão grande benefício, deixou aos fiéis o seu corpo e o seu sangue, sob as formas do pão e do vinho. [...]

Haverá coisa mais preciosa que este banquete, onde já não nos é proposto, como na antiga Lei, que comamos a carne de bois e carneiros, mas o Cristo que é verdadeiramente Deus? Haverá coisa mais admirável que este sacramento? [...] Nenhum sacramento produz efeitos mais salutares do que este: ele apaga os pecados, aumenta as virtudes e enche a alma superabundantemente de todos os dons espirituais. Ele é oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, a fim de aproveitar a todos, pois foi instituído para a salvação de todos.

É impossível exprimir as delícias deste sacramento [...]; nele se celebra a memória do amor inultrapassável que Cristo mostrou na sua Paixão. Ele queria que a imensidade deste amor se gravasse profundamente no coração dos fiéis e por isso [...] instituiu este sacramento como memorial perpétuo da sua Paixão, cumprimento das antigas profecias, o maior de todos os seus milagres. Àqueles a quem a sua ausência encheria de tristeza, deixou este conforto incomparável.

Evangelho segundo S. Lucas 9,11b-17.


Mas as multidões, que tal souberam, seguiram-no. Jesus acolheu-as e pôs-se a falar-lhes do Reino de Deus, curando os que necessitavam.
Ora, o dia começava a declinar. Os Doze aproximaram-se e disseram-lhe: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar, pois aqui estamos num lugar deserto.»
Disse-lhes Ele: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Retorquiram: «Só temos cinco pães e dois peixes; a não ser que vamos nós mesmos comprar comida para todo este povo!»
Eram cerca de cinco mil homens. Jesus disse aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta.»
Assim procederam e mandaram-nos sentar a todos.
Tomando, então, os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os aos discípulos, para que os distribuíssem à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados; e, do que lhes tinha sobrado, ainda recolheram doze cestos cheios.

1ª Carta aos Coríntios 11,23-26.


Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão
e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim».
Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim».
Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

Livro de Salmos 110(109),1.2.3.4.


Disse o Senhor ao meu Senhor:
"Senta-te à minha direita,
até que Eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés.
O Senhor estenderá de Sião

o cetro do teu poder
e tu dominarás no meio dos teus inimigos.
A ti pertence a realeza desde o dia em que nasceste
nos esplendores da santidade,

antes da aurora, como orvalho, Eu te gerei".
O Senhor jurou e não Se arrependerá:
"Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedec".


Livro de Génesis 14,18-20.


Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como era sacerdote do Deus Altíssimo,
abençoou Abrão, dizendo: «Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo que criou os céus e a Terra!
Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos!» E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.

Santo do dia

S. Filipe Néri, presbítero,fundador, +1595




S. Filipe Neri
Neste dia recordamos a santidade de vida do Santo da Alegria, que encantou a Igreja com seu jeito criativo e excêntrico de viver o Evangelho. Nascido em 1515, São Filipi Néri, foi morar com um tio negociante, que colocou diante de seus olhos a proposta de assumir os empreendimentos, mas acolheu as proposta do Senhor que eram bem outras.
Ao ir para Roma estudou Filosofia e Teologia, sem pensar no sacerdócio. Sendo um homem de caridade, vendeu toda a sua biblioteca e deu tudo aos pobres; visitava as catacumbas tinha devoção aos mártires e tudo fazia para ganhar os jovens para Deus, já que era afável, modesto e alegre, por isso fundou ainda como leigo, a irmandade da Santíssima Trindade.
São Filipe Néri que muito acolhia peregrinos em Roma, foi dócil em acolher o chamamento ao sacerdócio que o despertou para as missões nas Índias, porém, o seu Bispo esclareceu-lhe que a sua Índia era Roma. Como Santo da Jovialidade, simplicidade infantil e confiança na Divina Providência, Filipe fundou a Congregação do Oratório; foi vítima de calúnias; esquivou-se de ser cardeal, mas não da Salvação das Almas e do seu lema: Pecados e melancolia estejam longe de minha casa.




 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Papa Francisco

Hino à alegria

· Missa em Santa Marta ·

«O bilhete de identidade do cristão é a alegria»: o «estupor» diante da «grandeza de Deus», do seu «amor», da «salvação» que doou à humanidade não pode deixar de levar o crente a uma alegria que nem sequer as cruzes da vida podem afetar, porque também na provação há «a certeza de que Deus está connosco».
Foi um verdadeiro hino à alegria a meditação do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na segunda-feira 23 de maio. A inspiração proveio da liturgia do dia. Em particular, o Pontífice quis reler o incipit do trecho tirado da primeira Carta de Pedro (1, 3-9) que – disse – pelo «tom exultante», a «alegria», o modo do apóstolo intervir «com toda a força» recorda o início do «Oratório de Natal de Bach». Com efeito, escreve Pedro: «Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vós que, mediante a fé, sois protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo».
São palavras em que se percebe «a maravilha diante da grandeza de Deus», diante da «regeneração que o Senhor – “em Jesus Cristo e por Jesus Cristo” – fez em nós». E é «um estupor cheio de júbilo, alegre»: logo a seguir, observou o Papa, no texto da carta encontra-se a «palavra-chave», ou seja: «Por esta razão estais repletos de alegria».
A alegria sobre a qual fala o apóstolo é duradoura. Por isso, explicou Francisco, ele acrescenta na epístola que, mesmo se por algum tempo somos obrigados a estar «afligidos pelas provações», aquela alegria do início «não nos será tirada». Com efeito, brota «daquilo que Deus fez em nós: regenerou-nos em Cristo e deu-nos uma esperança». Uma esperança – «a que os primeiros cristãos apresentavam como uma âncora no céu» – que, disse o Papa, é também a nossa. Dali provém a alegria. E de facto Pedro, concluindo a sua mensagem, convida todos: «Por isso exultai de alegria indizível e gloriosa».
De tudo isto, sublinhou o Pontífice, compreende-se como a alegria seja realmente a «virtude do cristão». Um cristão, especificou, «é um homem e uma mulher com a alegria no coração». Mais ainda: «Não existe um cristão sem alegria». Alguém poderia objetar: «Mas, Padre, eu já vi tantos!», pretendendo dizer com isto «não são cristãos: dizem que o são, mas não é assim, falta-lhe algo». Eis porque segundo o Papa «o bilhete de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido eleitos por Jesus, salvos por Jesus, regenerados por Jesus; a alegria daquela esperança que Jesus espera por nós». E também «nas cruzes e nos sofrimentos desta vida», acrescentou, o cristão vive aquela alegria, experimentando-a de outra forma, isto é, com a «paz» que vem da «segurança que Jesus nos acompanha, está connosco». Com efeito, o cristão vê «crescer esta alegria com a confiança em Deus». Ele sabe bem que «Deus se lembra dele, que Deus o ama, que o acompanha, espera por ele. Isto é alegria».
Em paralelo com a este hino da alegria, a liturgia do dia propõe «outra palavra», que está ligada ao episódio do Evangelho de Marcos (10, 17-27) no qual se narra sobre o jovem «que se aproximou de Jesus para o seguir»: um «bom jovem» a ponto de conseguir «conquistar o coração de Jesus» o qual, lê-se, «olhou para ele» e «amou-o». Jesus fez uma proposta àquele jovem: «Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o que possuis e dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me»: mas ao ouvir estas palavras ele «ficou abatido e afastou-se triste».
O jovem, realçou Francisco, «não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza». Mas porquê? A resposta é clara: «Porque possuía muitos bens. Era agarrado aos bens».
Aliás, o próprio Jesus tinha avisado «que não se pode servir a dois senhores: ou serves o Senhor ou serves as riquezas». Voltando sobre este tema já enfrentado numa homilia proferida há poucos dias, o Pontífice explicou: «as riquezas não em si são negativas», a maldade é «servir a riqueza». Em síntese, foi por isso que o jovem se foi embora triste: «Ele ficou abatido e afastou-se triste».
Este episódio esclarece a vida quotidiana «nas nossas paróquias, nas nossas comunidades, nas nossas instituições»: aqui com efeito, sublinhou o Papa, se «encontrarmos pessoas que se consideram cristãs e querem ser cristã, mas são tristes», significa que algo «não está bem». E é tarefa de cada um ajudar estas pessoas «a encontrar Jesus, a apagar aquela tristeza, para que possam rejubilar do Evangelho, possam ter esta alegria que é própria do Evangelho».
Francisco quis aprofundar mais este conceito central e ligar a alegria ao estupor que brota – como recordou são Pedro na sua carta – «diante da revelação, do amor de Deus, da emoção do Espírito Santo». Por conseguinte, podemos afirmar que «o cristão é um homem, uma mulher de estupor».
Uma palavra – «estupor» – que está presente também no final do trecho evangélico do dia, «quando Jesus explica aos apóstolos que aquele jovem tão bom não conseguiu seguí-lo, porque era apegado às riquezas e diz que é muito difícil que um rico, que uma pessoa apegada às riquezas, entre no reino dos Céus». Com efeito, lê-se ainda que eles, «mais surpreendidos», diziam: «E quem se pode salvar?».
O homem, o cristão – explicou o Papa – pode estar tão surpreendido perante tamanha grandeza e beleza, a ponto de pensar: «Eu não consigo. Não sei como fazer!». A resposta dada por Jesus, encarando os seus discípulos é consoladora: «Impossível aos homens – não conseguimos... – mas não a Deus?». Ou seja, podemos viver a «alegria cristã», o «estupor da alegria», e salvar-nos «do risco de viver apegados a outras coisas, às mundanidades», só «com a força de Deus, com a força do Espírito Santo».
Portanto, confidenciou o Pontífice no final da homilia, «peçamos hoje ao Senhor que nos dê o estupor perante ele, perante as muitas riquezas espirituais que nos concedeu; e juntamente com este estupor nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver com o coração em paz as numerosas dificuldades; e nos proteja da tentação de procurar a felicidade em muitas coisas que afinal acabam por nos entristecer: prometem tanto, mas nada nos darão!». Esta a conclusão: «lembrai-vos bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de estupor».
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