segunda-feira, 2 de maio de 2016

«Vós também haveis de dar testemunho»

Comentário do dia:

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de S. João, 10



A missão de Cristo na terra estava cumprida, mas era necessário que nos tornássemos «participantes da natureza divina» do Verbo (2Ped 1,4), isto é, que a nossa vida anterior fosse abandonada para se transformar numa vida nova [...]. De facto, enquanto viveu visivelmente entre os seus, Cristo surgia-lhes, parece-me, como o dispensador de todos os bens. Mas, quando chegou o momento em que teve de subir ao Pai celeste, foi necessário que continuasse presente entre os seus fiéis por meio do Espírito e que habitasse pela fé nos nossos corações (Ef 3,17).

Aqueles em quem o Espírito habita são transformados e recebem dele uma vida nova, como podemos facilmente demonstrar por exemplos, tanto do Antigo, como do Novo Testamento. Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: «O Espírito do Senhor virá então sobre ti» (1Sam 10,6). E São Paulo afirma: «E nós todos que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito» (2Cor 3,18).

Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente os faz passar da consideração das coisas terrenas ao olhar voltado unicamente para as realidades celestes, e os conduz da tibieza à vida heróica. Foi o que sucedeu com os discípulos: fortalecidos pelo Espírito, não se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo unidos a Cristo pelo vínculo de um amor invencível. [...] É pois verdade o que nos diz o Salvador: «É melhor para vós que Eu vá» (Jo 16,7). Pois então virá o Espírito Santo.

Livro dos Actos dos Apóstolos 16,11-15.


Naqueles dias, deixámos Tróade e navegámos diretamente para Samotrácia. No dia seguinte, fomos para Neápoles
e de lá para Filipos, cidade principal daquela região da Macedónia e colónia romana. Estivemos nesta cidade durante alguns dias.
No sábado, saímos pelas portas da cidade, em direção à margem do rio, onde julgávamos que havia um lugar de oração. Sentámo-nos e começámos a falar às mulheres ali reunidas.
Uma delas, chamada Lídia, escutava-nos com atenção; era negociante de púrpura, natural da cidade de Tiatira, e adorava o verdadeiro Deus. O Senhor abriu-lhe o coração, para aderir ao que Paulo dizia.
Quando recebeu o Batismo, juntamente com toda a sua família, fez-nos este pedido: «Se me considerais fiel ao Senhor, vinde hospedar-vos em minha casa». E obrigou-nos a aceitar.

Evangelho segundo S. João 15,26-27.16,1-4a.


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim.
E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio.
E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes.
Hão-de expulsar-vos das sinagogas; e mais ainda, aproxima-se a hora em que todo aquele que vos matar julgará que presta culto a Deus.
Procederão assim por não terem conhecido o Pai, nem Me terem conhecido a Mim.
Mas Eu disse-vos isto, para que, ao chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo tinha dito».

Livro de Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6a.9b.


Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor na assembleia dos santos.
Alegre-se Israel em seu Criador,

rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.
Louvem o seu nome com danças,
cantem ao som do tímpano e da cítara,

porque o Senhor ama o seu povo,
coroa os humildes com a vitória.
Exultem de alegria os fiéis,
cantem jubilosos em suas casas;

em sua boca os louvores de Deus.
Esta é a glória de todos os seus fiéis.

Papa Francisco

O preço do testemunho 

· Missa em Santa Marta ·

Na vida do cristão há um «duplo testemunho»: o do Espírito que «abre o coração» mostrando Jesus, e o da pessoa que «com a força do Espírito» anuncia «que o Senhor vive». Um testemunho, este último, que deve ser dado «não tanto com palavras» quanto com a «vida», mesmo à custa de «pagar o preço» das perseguições.
Foram mais uma vez o Espírito Santo e a sua ação no coração de cada crente o fulcro da meditação do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na segunda-feira 2 de maio. Com efeito, a liturgia continua a propor trechos dos Atos dos apóstolos (16, 11-15) com as primeiras missões da Igreja nascente e citações do discurso de Jesus durante a última ceia (João, 15, 26 – 16, 4). Em particular no Evangelho do dia lê-se acerca de Jesus que «fala do testemunho que o Espírito Santo, o Paráclito, dará dele e do testemunho que também nós deveríamos dar dele». E Francisco sublinhou que aqui a palavra «mais incisiva» é precisamente «testemunho».
O testemunho do Espírito encontra-se também na primeira leitura onde, quando se fala de Lídia, uma «negociante de púrpura da cidade de Tiatira, uma crente em Deus», se diz: «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir às palavras de Paulo». Mas «quem tocou o coração desta mulher?» questionou-se o Pontífice, recordando que Lídia «sentiu dentro de si» algo que a impelia a dizer: «Isto é verdade! Estou de acordo com quanto afirma este homem, este homem que dá testemunho de Jesus Cristo»? A resposta é: «o Espírito Santo». É ele «quem fez sentir a esta mulher que Jesus era o Senhor; fez sentir a esta mulher que a salvação estava nas palavras de Paulo; fez sentir a esta mulher um testemunho».
Por conseguinte, explicou o Papa, é o Espírito que «dá testemunho de Jesus. E todas as vezes que nós sentimos no coração algo que nos aproxima de Jesus, é o Espírito que trabalha dentro de nós». E o próprio Jesus explicou aos discípulos a ação do Espírito: «Ensinar-vos-á e recordar-vos-á tudo aquilo que eu disse». E o Espírito, acrescentou Francisco, «abre constantemente o coração, como abriu o coração desta senhora Lídia», e «dá testemunho para sentir e recordar aquilo que Jesus nos ensinou».
Mas o testemunho, explicou o Papa, «é duplo». Ou seja: «o Espírito dá-nos o testemunho de Jesus e nós damos o testemunho com a força do Espírito do mesmo Senhor». Reafirma-o ainda Jesus no trecho evangélico: «Quando vier o Paráclito, que eu vos mandarei do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim; e também vós dai testemunho, porque estais comigo desde o princípio». E o Senhor, observou Francisco, insiste sobre as caraterísticas deste testemunho – «talvez os discípulos não tenham compreendido bem» realçou – acrescentando: «Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis». Ou seja, ele explica «o preço do testemunho cristão» de forma direta: «Expulsar-vos-ão das sinagogas; virá a hora em que qualquer um que vos matar julgará prestar um serviço a Deus».
Portanto, resumiu o Pontífice, «o cristão, com a força do Espírito, dá testemunho que o Senhor vive, que o Senhor ressuscitou, que o Senhor está no meio de nós, que o Senhor celebra connosco a sua morte e ressurreição, todas as vezes que nos aproximamos do altar»; e fá-lo «na sua vida quotidiana, com o seu modo de agir». É, acrescentou, «o testemunho constante do cristão». Ao mesmo tempo, o cristão deve estar ciente de que por vezes este testemunho «provoca ataques, provoca perseguições»: são «as pequenas perseguições», como as das «bisbilhotices» e das «críticas», mas também das perseguições das quais «a história da Igreja está repleta», ou seja, as que levam «os cristãos para a prisão» ou «até a dar a vida».
Portanto, é o próprio «Espírito Santo que nos fez conhecer Jesus» que nos impele «a fazer com que ele seja conhecido, não tanto com as palavras, quanto com o testemunho de vida». E, concluindo o Papa sugeriu, «é bom pedir ao Espírito Santo que venha ao nosso coração, para dar testemunho de Jesus» e rezar-lhe assim: «Senhor, que eu não me afaste de Jesus. Ensina-me o que ensinou Jesus. Faz-me recordar o que Jesus disse e fez e, também, ajuda-me a dar o testemunho destas coisas. Que a mundanidade, as coisas fáceis, as coisas que provêm precisamente do pai da mentira, do príncipe deste mundo, o pecado, não me afastem do testemunho; que eu não me escandalize, como diz Jesus, de ser cristão, porque alguém me evita ou porque há perseguições».
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Papa Francisco

Situação desesperada

· No Regina caeli dedicado ao Espírito Santo o Papa Francisco lança um novo apelo a favor da Síria e volta a denunciar a tragédia dos abusos contra menores invocando penas severas para os culpados ·

É «com profundo pesar» que o Papa Francisco segue os dramáticos acontecimentos na Síria, «que dizem respeito à espiral de violência que continua a agravar a já desesperada situação humanitária do país». Ele próprio o confidenciou no final do Regina caeli com os fiéis presentes na praça de São Pedro ao meio-dia de domingo 1 de maio. Em particular o Pontífice fez referência à cidade de Alepo, onde o conflito ceifa vítimas inocentes, até entre as crianças, os doentes e quantos com grande sacrifício estão comprometidos a prestar ajuda ao próximo». Daqui o novo apelo «a todas as partes envolvidas, a respeitar a cessação das hostilidades e a fortalecer o diálogo em curso, único caminho – reafirmou com força – que leva à paz».
Particularmente severas também as palavras de denúncia pronunciadas na saudação à associação Meter, «que desde há muitos anos luta contra todas as formas de abuso de mores». Acrescentando reflexões pessoais ao texto escrito, o Papa comentou com indignação: «Esta é uma tragédia! Não devemos tolerar os abusos contra menores! Devemos defender os menores e punir severamente os abusadores».
Por fim, Francisco recordou duas datas ligadas ao 1 de maio: a Páscoa celebrada pelas Igrejas de Oriente, com os votos de que «o Senhor ressuscitado leve a todos os dons da sua luz e da sua paz», e a festa dos trabalhadores, com referência à conferência internacional sobre o tema «O desenvolvimento sustentável e as formas mais vulneráveis de trabalho» iniciada segunda-feira 2 em Roma. A este propósito, o Pontífice auspiciou que a iniciativa «possa sensibilizar as autoridades, as instituições políticas e económicas e a sociedade civil, a fim de que promova um modelo de desenvolvimento que tenha em consideração a dignidade humana, no pleno respeito das normativas sobre o trabalho e o meio ambiente».
Antes da oração mariana, comentando como de costume o Evangelho do domingo, o Papa sublinhou que durante a última ceia Jesus prometeu aos apóstolos «que não permanecerão sozinhos»: com eles – garantiu – estará sempre o Espírito Santo «para os defender e apoiar».
Ao introduzir a sua reflexão Francisco evidenciou que «antes de enfrentar a paixão e a morte na cruz, Jesus prometeu aos apóstolos o dom do Espírito, que terá a tarefa de ensinar e de recordar as suas palavras à comunidade dos discípulos». Portanto, «ensinar e recordar é o que faz o Espírito Santo nos corações» dos homens ainda hoje. E com particular referência a este segundo aspeto o Papa realçou que «o Espírito tem a tarefa de despertar a memória, recordar as palavras de Jesus».
Por fim, na manhã de segunda-feira 2, Francisco recebeu em audiência os participantes no capítulo geral dos mercedários. No oitavo centenário de fundação, reafirmou a atualidade da missão da ordem religiosa, com o convite a «ir às periferias, das quais é necessário aproximar-se – disse no discurso pronunciado em espanhol – como uma bagagem leve».
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Santo do dia

Segunda-feira, dia 02 de Maio de 2016

Segunda-feira da 6ª semana da Páscoa


Festa da Igreja : Nossa Senhora dos Prazeres
Santo do dia : Santo Atanásio, bispo, Doutor da Igreja, +373




Santo Atanásio, bispo e doutor da Igreja
Santo Atanásio foi desterrado cinco vezes por defender a religião. Nasceu na Alexandria, Egipto, no ano de 297. Sendo ainda criança no ano 311, presenciou o martírio do seu bispo Pedro de Alexandria e de outros cristãos, mortos na perseguição que realizaram os pagãos. Soube com alegria que, no ano 313, o imperador Constantino declarava a liberdade religiosa para os cristãos.
Com grandes qualidades para a oratória e uma brilhante inteligência, dedicou-se a preparar-se para o sacerdócio, e sendo diácono foi escolhido como secretário de Alexandre, arcebispo de Alexandria. Aos 23 anos escreveu seu primeiro livro sobre a Encarnação de Jesus Cristo.

Naquele tempo apareceu em Alexandria um herege chamado Ario, que negava a natureza divina de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Atanásio  dedicou-se a combater este heresia. Colaborou para que os bispos do mundo se reunissem para discutir sobre esta heresia que tanto dano estava causando à Igreja.