quinta-feira, 28 de abril de 2016

Santo do dia

Quinta-feira, dia 28 de Abril de 2016

Quinta-feira da 5ª semana da Páscoa


Santo do dia : S. Luís Maria Grignion de Montfort, presbítero, +1716S. Pedro Chanel, presbítero, mártir, padroeiro da Oceânia, +1841Santa Joana Beretta Molla, mãe de família, +1962


S. Luís Maria Grignion de Montfort, presbítero, +1716




S Luís Maria Grignon de Monfort
Nasceu em 1673 na aldeia de Montfort, em França. Foi educado no colégio da Companhia de Jesus de Rennes e ordenado padre em 1700. Fundou uma congregação de sacerdotes, a "Companhia de Maria", para o ministério de missões populares, e uma congregação feminina, as "Filhas da Sabedoria".
Foi um missionário infatigável e abnegado que, com missão recebida directamente do Papa, evangelizou a Bretanha e diversas regiões de França ao longo de muitos anos, tendo sofrido inúmeras perseguições, instigadas pelo espírito jansenista que nessa época se tinha infiltrado não só entre os fiéis como entre o clero e até na hierarquia da Igreja de França.
A característica que mais o distinguiu na sua pregação e marca a sua espiritualidade foi a devoção à Virgem Santíssima, com modalidades tão pessoais que fazem dele um caso sem igual na espiritualidade mariana de todos os tempos.
Morreu santamente em 1716. Foi beatificado por Leão XIII e canonizado por Pio XII.

S. Pedro Chanel, presbítero, mártir, padroeiro da Oceânia, +1841




S. Pedro Chanel, presbítero
São Pedro Maria Chanel é o padroeiro da Oceânia. Nasceu em Cuet, França, no ano de 1803. Em 1824, ingressou no seminário de Bourg e em 1827 foi ordenado sacerdote. Foi vigário de Amberieu e de Gex. Entrou depois, para a Sociedade de Maria, sob a guia do Pe. Colin. Em 1837 partiu na companhia de um confrade leigo para Futuna, uma pequena ilha no Oceano Pacífico, no arquipélago de Tonga.
A sua pregação logo produziu frutos abundantes entre a geração jovem da ilha. Mas logo veio a reacção e a oposição dos líderes mais antigos, ciosos das suas tradições e costumes, ameaçados pelo "sacerdote branco". Avisado pelos amigos do risco que corria e para que deixasse a ilha, São Pedro ignorou o aviso e decidiu permanecer e continuar a pregação. O seu martírio deu-se no dia 28 de Abril de 1841. O seu sacrifício não foi em vão. A semente de sua pregação germinou e todos os habitantes acolheram o cristianismo.

Santa Joana Beretta Molla, mãe de família, +1962




Santa Gianna Beretta Molla
Gianna nasceu a 4 de outubro de 1922, em Magenta, na Itália. Pertencia a uma família de 13 irmãos. Escolheu a profissão de médica a qual já era uma tradição na família e casou em 1955 com Pietro Molla, engenheiro industrial também militante da Ação Católica. Estava decidida a formar uma família cristã e a coadonar a sua vida familiar, profissional e apostólica no seu projeto de vida. 
Ingressou na Ação Católica desde muito jovem, em 1943 e pôs-se ao serviço dos irmãos através de variados cargos , quer na área estudantil quer paroquial. Aos 39 anos, grávida do seu quarto filho, começou a ter complicações de saúde. Mais tarde,  o seu marido, então com 82 anos recorda os pormenores: «Durante a quarta gravidez, em setembro de 1961, apareceu um grande fibroma no útero, por causa do qual, aos dois meses e meio de gestação do bebé, foi necessário fazer uma intervenção cirúrgica».
Este foi o início do holocausto. Fidelíssima aos seus princípios morais e religiosos, ordenou sem hesitações que o cirurgião se ocupasse em primeiro lugar de salvar a vida da sua "criaturinha". Nas vésperas do parto não hesitou reunir à sua cabeceira o marido e os médicos para lhes dizer:_Se tiverem de escolher entre o bebé e eu, não duvidem: escolham, exijo-vos , a criança. Salvem-na!" Com estas convicções profundas e sabendo o que a esperava, (Gianna era pediatra), deu entrada na clínica  de Monza no dia 20 de Abril de 1962, sexta feira santa, tendo dado à luz a sua filha Gianna Manuela. Santa Gianna  faleceu oito dias depois.  
O seu processo para a canonização teve início em 1980.
O Papa João Paulo II declarou-a venerável em julho de 1991.Durante mais de 20 anos a sua vida, os seus escritos, os testemunhos e as virtudes desta jovem mulher, foram cuidadosamente examinados, bem como os milagres atribuidos à sua intercessão e confirmados pela Igreja. Na sua beatificação, a 24 de abril de 1994, o Papa  propô-la como modelo para todas as mães.Foi proclamada Santa no dia 16 de maio de 2004.




 




 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

«Eu sou a videira; vós sois os ramos»

Comentário do dia:

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
A mulher e o seu destino, colectânea de seis conferências



No que diz respeito à Igreja, a concepção mais acessível ao espírito humano é a de uma comunidade de crentes. Quem crê em Jesus Cristo e no seu Evangelho e espera o cumprimento das suas promessas, quem se encontra ligado a Ele por um sentimento de amor e obedece aos seus mandamentos, deve estar unido a todos quantos partilham o mesmo espírito por uma profunda comunhão espiritual e uma ligação de amor. Aqueles que seguiram o Senhor durante a sua passagem pela Terra foram os primeiros sarmentos da comunidade cristã; foram eles que a difundiram e que transmitiram em herança, na sucessão dos tempos, até aos nossos dias, as riquezas da fé de onde retiravam a respectiva coesão.

Mas até uma comunidade humana natural pode ser já muito mais do que uma simples associação de indivíduos distintos; pode ser uma estreita harmonia que vai a ponto de se tornar uma unidade orgânica; o mesmo se aplica, ainda com maior verdade, à comunidade sobrenatural que é a Igreja. A união da alma com Cristo é diferente da comunhão entre duas pessoas terrenas; esta união, iniciada no baptismo e constantemente reforçada pelos outros sacramentos, é uma integração e um arremesso de seiva, como nos diz o símbolo da videira e dos ramos. Este acto de união com Cristo pressupõe uma aproximação membro a membro entre todos os cristãos. Assim, a Igreja toma a figura do Corpo Místico de Cristo. Esse corpo é um corpo vivo e o espírito que o anima é o Espírito de Cristo que, partindo da cabeça, se comunica a todos os membros (Ef 5,23.30); o espírito que emana de Cristo é o Espírito Santo, e a Igreja é por isso templo do Espírito Santo (Ef 2,21-22).

Evangelho segundo S. João 15,1-8.


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor.
Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto.
Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei.
Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer.
Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem.
Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido.
A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

Livro de Salmos 122(121),1-2.3-4a.4b-5.


Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.

Jerusalém, cidade bem edificada,
que forma tão belo conjunto!
Para lá sobem as tribos,
as tribos do Senhor.

Segundo o costume de Israel,
para celebrar o nome do Senhor;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.


Livro dos Actos dos Apóstolos 15,1-6.


Naqueles dias, alguns homens que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a Lei de Moisés, não podereis salvar-vos».
Isto provocou muita agitação e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém, para tratarem dessa questão com os Apóstolos e os anciãos.
Despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, onde narravam a conversão dos gentios, causando grande contentamento a todos os irmãos.
Ao chegarem a Jerusalém, foram recebidos pela Igreja, pelos Apóstolos e pelos anciãos, e contaram tudo o que Deus tinha feito por seu intermédio.
Ergueram-se alguns homens do partido dos fariseus que tinham abraçado a fé, para dizerem que era preciso circuncidar os gentios e impor-lhes a observância da Lei de Moisés.
Então os Apóstolos e os anciãos reuniram-se para examinar o assunto.

Lições adventistas


O mal dos fariseus

Texto de Karyne M. Lira Correia

Há pelo menos duas décadas eu ouço a palavra ‘fariseu’ ser utilizada em tom pejorativo. Na igreja em que cresci, ela costumava ser utilizada por jovens para criticar os membros mais conservadores da igreja. Aos 19 anos, percebi que não se tratava de um “adjetivo” para o conservadorismo, mas para qualquer pessoa que defendesse as Reformas espirituais, pastores ou leigos, ou que pregasse sobre determinada coisa ser certa ou errada (independente de como pregasse).
Desde que comecei a estudar sobre Reavivamento e Reforma, sempre tive comigo o receio de ser “fariseu”. Isto porque a mensagem de reforma com que tive contato durante a infância e adolescência era a mensagem de saúde, e ela era passada de uma forma nada atrativa. Ao contrário, eu sentia repulsa por esta mensagem e cheguei a afirmar que nunca me tornaria vegetariana. Agora que eu estava estudando e iniciando minha caminhada nas reformas espirituais, o fantasma dos “fariseus” do passado me assombravam.
Mais alguns anos se passaram, e eu finalmente entendi qual era o problema dos fariseus. Ser fariseu, em si, não era problema. O grande problema deles foi apontado por Jesus em Mateus 23:2 e 3:
“Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;”
Jesus afirma que as coisas que os fariseus diziam deviam ser feitas – “observai-as e fazei-as”. O problema não estava então no que eles diziam que se devia ou não devia fazer. O problema, aparentemente, não eram as regras que eles defendiam. O mal dos fariseus era sua própria vida – “não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem”. Eles pregavam aquilo que não viviam. Por isso, em outra ocasião eles foram chamados por Cristo de hipócritas (Mateus 15:7) – “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.”Mateus 15:8
Ainda no capítulo 23, se continuarmos lendo, veremos que eles gostavam de aplausos, de ser bem vistos, de aparentar serem do bem, viverem em retidão, quando na verdade, no íntimo de sua vida aquilo não era real assim. Eles tinham muito discurso, muita pose, mas pouca fidelidade de fato.
Eles também pareciam não compreender o espírito da lei. Cumpriam as formalidades que a lei (moral e cerimonial) exigia, mas não cumpriam a lei de fato, porque a lei não se encerra em suas formalidades. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” Mateus 23:23. Jesus foi claro em dizer “deveis, porém, fazer estas coisas” (o que é próprio do espírito da lei) “e não omitir aquelas” (as formalidades, os detalhes da lei)

Um problema atual

Infelizmente, o mal dos fariseus continua existindo, e todos corremos o risco de sofrer desse mal. Isso porque pregar é mais fácil que viver. Querer que os outros mudem é mais fácil do que mudarmos a nós mesmos. É mais fácil aconselhar do que seguir conselhos.
Recentemente várias pessoas se manifestaram nas redes sociais contra a morte de milhares de cachorros que seriam comidos num festival chinês. Algo que me chamou a atenção na ocasião foi que muitos dos que se indignaram contra o costume chinês (e que pude ler as manifestações de indignação através do meu facebook) são carnívoros. Apenas uma pessoa indignada, dos meus contatos, não come carne, mas usa outros produtos de origem animal que são extraídos a custa de sofrimento animal também. Tenho alguns amigos veganos, e não me recordo de ter visto qualquer manifestação de indignação da parte deles. Aquelas pessoas, movidas por paixão, se queixaram dos chineses, enquanto elas mesmas são cúmplices da morte de milhares de perus na época do Natal, e de centenas de outros animais ao longo do ano (li uma crítica nesta direção, em um site de notícias, e achei bem coerente). Talvez não perceberam que, à semelhança dos fariseus, estavam criticando algo que elas mesmas fazem. É mais fácil querer mudar a China do que mudarmos a nós mesmos!
É mais fácil, também, querer que meu irmão me ame e me aceite, do que amá-lo e aceitá-lo. Uma moça estava se queixando com alguns amigos que o povo da igreja não ama quem é diferente, que sendo adventista, só porque ela usava jóias, isso e aquilo outro, as pessoas a “julgavam”. Depois de alguns minutos ouvindo este discurso, um de seus amigos a questionou se era apenas os que usavam jóias, isso e aquilo que deveriam ser aceitos e amados. Questionou se ela amava e aceitava as irmãs que não usam calça comprida, que só usam saia abaixo do joelho, que seguem uma dieta vegetariana estrita, etc… Houve silêncio, e o assunto mudou.
Isto se repete na igreja em diversas áreas. A pessoa prega sobre modéstia, mas ela mesma não segue os princípios de modéstia cristã. Prega sobre reforma de saúde, mas ela mesma mantém seus pecados acariciados em relação ao apetite. Prega sobre fidelidade nos dízimos e nas ofertas, mas é mesquinha em doar para a igreja parte dos recursos que O Senhor lhe deu no fim do mês. Prega sobre amor ao próximo, mas não é tolerante com quem pensa diferente, ou guarda rancor contra o irmão. E para cada detalhe da vida cristã, teremos exemplos do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. E não me refiro aqui a quem prega algo e eventualmente cai. Este não era o problema dos fariseus – uma queda eventual, para a qual João escreveu a solução (I João 2:1). Refiro-me ao não praticar, como hábito voluntário, aquilo que está pregando.

Uma solução antiga

Foi a um fariseu que Cristo disse: “Necessário vos é nascer de novo.” João 3:7. Essas são palavras profundas. São estas as palavras que o Senhor tem para cada ser humano que sofre deste mal, para cada um de nós.
Nascer de novo não é dar uma melhoradinha em quem eu era antes. Nascer de novo é sinônimo de mudança total.
“A vida cristã não é uma modificação ou melhoramento da antiga, mas uma transformação da natureza. Tem lugar a morte do eu e do pecado, e uma vida toda nova. Essa mudança só se pode efetuar mediante a eficaz operação do Espírito Santo.” Mensagens aos Jovens, pág. 157.
Só podemos nascer de novo pela operação do Espírito Santo. Esta não é uma obra que podemos fazer por nós mesmos. É uma obra que devemos aceitar que o Espírito faça em nós.
Saul era um rei que, à semelhança dos fariseus, se detinha nas formalidades (especialmente para justificar seus pecados). A ele Samuel disse que “obedecer é melhor do que sacrificar” (I Samuel 15:22). Lendo a história de Saul em Patriarcas e Profetas, me deparei com o seguinte texto: “Mas saul estava tão satisfeito consigo mesmo e com sua obra, que saiu ao encontro do profeta como alguém que devesse ser elogiado em vez de reprovado.” (pág. 618). Ele havia cometido um pecado voluntário atrás do outro, movido por orgulho, e ainda desejava ser elogiado em vez de reprovado. Quão dispostos estamos a aceitar a reprovação de nossos atos? O Espírito de Deus nos mostra onde erramos, seja através da Bíblia, dos Testemunhos, de outras pessoas, ou falando diretamente à nossa mente. Mas precisamos estar dispostos a reconhecer que estamos errados para que Ele possa efetuar a obra de transformação.
O rei que substituiu Saul foi chamado “homem segundo o coração de Deus”. Sobre ele, o Espírito de Profecia declara:
“Então Ele chamou ao trono “um homem segundo o Seu coração” (I Sam. 13:14); não um que fosse irrepreensível em seu caráter, mas que, em vez de confiar em si, confiaria em Deus, e seria guiado por Seu Espírito; que, ao pecar, sujeitar-se-ia à reprovação e correção.” (Patriarcas e Profetas, pág. 636)
Como disse anteriormente, todos estamos sujeitos a sofrer do mal dos fariseus. Contudo, isto não é o fim! Jesus tem a solução! O Espírito Santo está ansioso por transformar-nos em nova criatura. Que possamos nos sujeitar à reprovação e correção, a fim de experimentarmos plenamente o poder transformador da graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

Papa Francisco

Chegou a hora dos leigos

· Na vida dos povos latino-americanos ·

mas parece que o relógio parou

Na vida dos povos latino-americanos «chegou a hora dos leigos, mas «parece que o relógio parou»: escreveu o Papa Francisco ao cardeal Marc Ouellet numa carta que reúne e aprofunda as reflexões que nasceram na plenária da Pontifícia comissão para a América Latina, presidida pelo purpurado no passado mês de março sobre o tema do «compromisso dos leigos na vida pública». Tema que para o Pontífice exige dos pastores a capacidade de «servir melhor o santo povo fiel de Deus», evitando o risco de teorizações contidas em «frases bonitas que não conseguem apoiar a vida das nossas comunidades».
«Olhar para o povo de Deus é recordar que todos fazemos o nosso ingresso na Igreja como leigos» afirmou o Papa recomendando que «ninguém foi batizado sacerdote nem bispo». Disto deriva que a Igreja não pode ser considerada «uma elite de sacerdotes, consagrados e bispos»: deformação que segundo Francisco alimenta a tentação do «clericalismo» e provoca o sufocamento daquele «fogo profético do qual a Igreja inteira está chamada a dar testemunho».
O Pontífice releva que na América Latina a «pastoral popular» representou «um dos poucos espaços em que o povo de Deus se libertou da influência do clericalismo». E evidenciou que «a fé do nosso povo, as suas orientações, buscas, desejos, anseios, acabam por nos manifestar uma genuína presença do Espírito». Neste sentido, deve ser encorajada a presença dos leigos na vida pública: isto «significa – afirmou o Papa – comprometer-nos no meio do nosso povo e, com o nosso povo, apoiar a sua fé e a esperança». Com a consciência de que o leigo comprometido não é só aquele que trabalha «em coisas de padres» mas é também a pleno título «o crente que muitas vezes queima a sua esperança na luta quotidiana para viver a fé».
«É ilógico e até impossível – afirmou Francisco – pensar que nós como pastores deveríamos possuir o monopólio das soluções para os múltiplos desafios que a vida contemporânea nos apresenta. Pelo contrário, devemos permanecer ao lado do nosso povo, acompanhando-o nas suas buscas e estimulando aquela imaginação capaz de responder à problemática atual».
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