quinta-feira, 31 de março de 2016

Papa Francisco

O oceano e a neve

· Na audiência geral o Papa recorda que o perdão de Deus cancela o pecado pela raiz ·

«O perdão divino não esconde o pecado, mas destrói-o, cancela-o precisamente pela raiz, não como fazem na lavandaria quando levamos uma veste para tirar a mancha». O Papa Francisco usou, como de costume, imagens concretas do dia a dia para descrever a misericórdia divina.
Na audiência geral de quarta-feira, 30 de março, na última catequese do ciclo dedicado ao aprofundamento do tema jubilar à luz do antigo testamento, dirigindo-se aos numerosos fiéis presentes na praça de São Pedro o Papa falou do salmo 51, conhecido como Miserere.
«Trata-se – explicou Francisco no início da sua reflexão – de uma oração penitencial na qual o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e na qual o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, se torna uma criatura nova, capaz de obediência, firmeza de espírito e de louvor sincero».
Em seguida, o Pontífice observou que o «“título” que a antiga tradição judaica deu a este Salmo» se «refere ao rei David», o qual «depois de ter cometido adultério com Betsabé, manda matar o seu marido». Mas quando o «profeta Natan lhe revela a sua culpa e o ajuda a reconhecê-la», David mostra-se capaz de humildade e obtém a «reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado».
Por isso, afirmou o Papa, «quem reza com este salmo está convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que David teve», o qual – observou – não cometera «um pecado de pouca importância, uma pequena mentira: cometera um adultério e um assassínio».
Por conseguinte, «a única coisa da qual temos deveras necessidade na vida é ser perdoados, libertados do mal e das suas consequências de morte». Até quando «infelizmente a vida nos faz experimentar estas situações», encorajou Francisco, somos chamados a «confiar na misericórdia» divina. Porque – como fez repetir várias vezes em voz alta aos presentes na praça – «Deus é maior do que o nosso pecado». Aliás «é maior do que todos os pecados que possamos cometer» e «o seu amor é um oceano no qual nos podemos imergir sem receio de sermos subjugados».
O perdão divino, prosseguiu o Pontífice, torna o penitente de novo “puro”, porque «cada mancha é eliminada e ele torna-se mais branco do que a neve incontaminada». De resto, observou, «todos somos pecadores», sem excluir ninguém. Mesmo assim, não obstante tudo, Deus perdoa a todos. Como? O Pontífice esclareceu-o acrescentando de novo ao texto preparado uma consideração pessoal, baseada na vivência diária. «Quando uma criança cai, o que faz?», perguntou. «Levanta a mão para a mãe, para o pai, para que a ajude a levantar-se» foi a resposta.
Eis então o convite a fazer o mesmo. «Se caíres por debilidade no pecado – foi a exortação do Pontífice – levanta a mão: o Senhor pega nela e ajuda-te a levantar. Esta é a dignidade do perdão de Deus!».
«A dignidade que nos concede o perdão é a de nos levantarmos, de nos pormos sempre de pé, porque – concluiu Francisco com esta certeza consoladora – ele criou o homem e a mulher para que estejam de pé».
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Incredulidade - desespero




  
Incredulidade: Desespero
“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos... a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse 21.8). Esta é a sentença que Deus profere contra esse pecado.
Por que os incrédulos estão ameaçados de tão severo castigo? Por que a incredulidade, o desespero, são pecados tão graves? Porque, pela sua conduta, os incrédulos mostram não confiar em Deus. Se um pai ama seu filho e tudo sacrifica para ajudá-lo, poderá o filho ofendê-lo mais do que se mostrando descrente nele e sentindo que “Meu pai não se interessa em fazer algo em meu favor”? Jesus condena tal desconfiança na parábola dos talentos replicando ao servo que diz “Senhor, sabendo que és homem severo” (Mateus 25.24), com a sentença: “E o servo inútil lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25.30).
Assim, vemos que não é pecado inocente ficar desesperado, abrir a porta à incredulidade e nela persistir. As conseqüências serão terríveis. O reino dos céus estará fechado para nós enquanto as portas das trevas se abrirão para receber-nos.
Será, então, inútil tentar desculpar nossa incredulidade, como talvez procuremos fazer agora, dizendo que, para nós, é difícil crer, ou compadecendo-nos de nós mesmos por “não sermos capazes de crer”. Não! Pois, se Jesus nos exorta a crer, quando diz “Tende fé em Deus” (Marcos 11.22), então podemos crer. Se não cremos, estamos pecando. É reflexo de nosso orgulho. O orgulho e a arrogância levam-nos a criticar Deus, dizendo: “Afinal de contas, Jesus não pode ajudar-me! Ninguém, nem o próprio Deus é capaz de tirar-me do aperto, dessa situação desesperadora, das minhas tentações e pecados. São fortes demais.” Quando dizemos tais coisas, pensamos ser mais sábios que a Palavra de Deus, que declara: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei” (Salmo 50.15), “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5), “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões” (Isaías 43.25).
É realmente sintoma de grande orgulho quando nos colocamos acima da Palavra de Deus baseados em nossas opiniões, pensamentos e julgamentos, pensando que só eles são certos, rejeitando arrogantemente, como inválidas, as promessas de Deus. É por isso que o servo que disse “Senhor, sabendo que és homem severo”, foi repreendido pelas rigorosas palavras de Jesus, que lhe disse que seu lugar seria no inferno, no reino de Satanás, que personifica o ódio e a descrença.

E esta condenação nos alcançará se persistirmos na incredulidade. Geralmente dizemos, embora com aparência piedosa: “Estou desesperado”. O que deveríamos fazer é admitir que estamos nos rebelando e pensando que sabemos mais do que Deus. Mas, se em nosso orgulho, agimos como se Ele não pudesse auxiliar-nos, estamos insultando a Deus, que realizou tão grande sacrifício, entregando Seu Filho à morte na cruz, para mostrar-nos Seu amor. Como podemos, depois disso, recusar confiar no Seu amor? Podemos porque somos excessivamente orgulhosos para admitir o fato de que somos pecadores ante Deus e ante o homem e que, vez por outra, nos enganamos. Somos, também, muito orgulhosos para concordarmos com a punição dos nossos pecados pelo amor paternal de Deus - tal como os pais terrenos punem e corrigem seus filhos. Nós nos rebelamos contra essa disciplina, embora, naquele momento Deus esteja agindo exatamente por nós, com o fim de auxiliar-nos, de livrar-nos daquilo que nos está perturbando: o pecado. Ele age por amor, como um Pai, que nos castiga de modo a poder dar-nos, mais tarde, muitas outras coisas boas.
O orgulho, a descrença e a tentativa de esquivar-nos à cruz são, na realidade, as razões por que caímos. Ficamos revoltados contra a correção, contra aquilo que nos é difícil, embora sejam somente nossa personalidade complicada e os muitos enganos que nos humilham e nos cobrem de vergonha. Sim, nossa revolta está no mais fundo do nosso coração, embora a disfarcemos com uma fachada diferente. Dissimulamos nosso ressentimento quando coisas amargas nos sucedem, dizendo: “Não consigo mais crer no amor de Deus”. Com essa descrença, não apenas impedimos Deus de operar em nós, como deixamos de oferecer aos outros um testemunho de fé, e permitimos que o nosso trabalho no Reino de Deus perca o poder. Os discípulos experimentaram exatamente isso. Quando perguntaram a Jesus por que não tinham bastante poder, Sua resposta foi: “Por causa da pequenez da vossa fé!” (Mateus 17.20).
É por isso que devemos lutar contra a incredulidade ao ponto de derramar o sangue. Ela nos fará infelizes aqui na terra e, um dia, fará com que habitemos no reino das trevas. Não importa o quanto custe, precisamos livrar-nos desse pecado de maneira a alcançarmos a glória por toda a eternidade. O primeiro passo na luta contra a incredulidade e o desespero é respeitar a verdade e admitir que estamos em falta se não experimentarmos o amor e o auxílio de Deus. Porque a descrença quebra nossa associação e levanta uma barreira entre nós e Ele, que impede que o fluxo de Seu amor e auxílio chegue até nós.
Com tal atitude não nos surpreendemos se o amor de Deus, bem como todas as coisas boas que Ele preparou para nós, não penetrarem em nosso coração e em nossa vida. Lemos nas Escrituras o exemplo do Seu povo no deserto, o povo que recebera a promessa de uma terra. Mas lemos, também, que os israelitas não puderam entrar naquela terra por causa de sua incredulidade. É por isso que as Escrituras nos exortam: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o exemplo da desobediência” (Hebreus 4.11).
Para que não caiamos, importa que Deus nos mostre a razão mais profunda de nossa incredulidade: o orgulho. O objetivo seguinte de nossa fé, de modo a vencermos a incredulidade e o desespero, deve ser admitirmos, diante de Deus e dos homens, que o orgulho nos faz cegos ao amor do Pai. Somente o humilde terá os olhos abertos para ver Deus, o Pai, em Seu amor infinito. O humilde receberá auxílio. O humilde e o abatido se apegam às promessas de Deus. Faça o mesmo!
Se crer se torna difícil para nós, e nos sentimos em risco de chegarmos ao desespero, devemos orar em voz alta assim: “Meu Pai. Não sei o modo pelo qual me ajudarás, mas sei que me ajudarás. Tenho certeza, porque Tu és Amor! Meu Pai, dou-Te graças porque tens solução para este problema, pois Tu és Amor. Dou-Te graças porque és maior do que tudo, maior ainda que minhas dificuldades, e porque estás sempre me socorrendo. Agradeço-Te por responderes minha oração e por me acudires. Senhor Jesus, agradeço-Te por seres meu Redentor e tão certo quanto cumpres Tuas promessas - me libertarás das cadeias do meu pecado.” 
Se, com humildade, dissermos essas palavras, como filho Seu, estaremos usando nossa fé e venceremos a incredulidade e o desespero. Precisamos nos aproximar dEle que diz “Eu sou humilde de coração”, porque Ele ofereceu o sacrifício no Calvário de modo a podermos nos tornar como Ele e crer no Pai com coração humilde e cheio de amor - ainda que seja preciso fazê-lo alta noite. Ele nos dará fé humilde. Fomos remidos por amor, confiando na bondade e na fidelidade do Pai, e na perfeita redenção do Filho em qualquer prova e tentação.

«A paz esteja convosco»



Comentário do dia:

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermões sobre os temas do dia



O coração de cada cristão deve representar a Igreja Católica, dado que o próprio Espírito faz de toda a Igreja, e de cada um dos seus membros, Templo de Deus (1Cor 3,16). Assim como opera a unidade na Igreja que, entregue a si própria, se dividiria em numerosas parcelas, assim também o Espírito torna una a alma, apesar dos seus diversos gostos e das suas faculdades, das suas tendências contraditórias. Assim como dá a paz à multiplicidade das nações, que estão, por natureza, em discórdia umas com as outras, assim também submete a alma a uma gestão ordenada, estabelecendo a razão e a consciência como soberanas sobre os aspectos inferiores da nossa natureza. […] E tenhamos a certeza de que estas duas operações do nosso divino Consolador dependem uma da outra. Enquanto os cristãos não procurarem a unidade e a paz interiores no seu próprio coração, nunca a Igreja viverá em paz e unidade no seio deste mundo que a rodeia. E, de forma bastante semelhante, enquanto a Igreja se encontrar, por todo o mundo, no lamentável estado de desordem que constatamos, não haverá nenhum país específico – parte simples desta Igreja – que não se encontre necessariamente num estado de grande confusão religiosa.

É algo em que faremos bem em meditar na hora presente, porque nos equilibrará as esperanças e nos dissipará as ilusões; não podemos esperar ter paz em nós se estivermos em guerra fora de nós.

Evangelho segundo S. Lucas 24,35-48.


Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão.
Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?».
Deram-Lhe uma posta de peixe assado,
que Ele tomou e começou a comer diante deles.
Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’».
Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia,
e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Livro de Salmos 8,2a.5.6-7.8-9.


Senhor, nosso Deus,
como é admirável o vosso nome em toda a terra!
Que é o homem para que Vos lembreis dele,
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

Fizestes dele quase um ser divino,
de honra e glória o coroastes;
destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,
tudo submetestes a seus pés:

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,
e até os animais selvagens,
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que se move nos oceanos.

Livro dos Actos dos Apóstolos 3,11-26.


Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão.
Ao ver isto, Pedro falou ao povo, dizendo: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque fitais os olhos em nós, como se fosse pelo nosso próprio poder ou piedade que fizemos andar este homem?
O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O.
Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino;
matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso.
Foi pela fé no seu nome que este homem que vedes e conheceis recuperou as forças; foi a fé que vem de Jesus que o curou completamente, na presença de todos vós.
Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes.
Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer.
Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».
Assim o Senhor fará que venham os tempos de conforto e vos enviará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado.
Ele terá de ficar no Céu até à restauração universal, que Deus anunciou, desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas.
Moisés disse: ‘O Senhor Deus fará que se levante para vós, do meio dos vossos irmãos, um profeta como eu. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser.
Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo’.
E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram também estes dias.
Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus firmou com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’.
Foi para vós, em primeiro lugar, que Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar, afastando cada um de vós das suas iniquidades».

Santo do dia

Quinta-feira, dia 31 de Março de 2016

5ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA


Santo do dia : Santo Amós, profetaSanto Acácio, bispo, +250Santa Balbina, virgem, mártir (+132)S. Guido, Leigo, Peregrino, séc. X e XI 


Santo Amós, profeta




Amós, profeta
Amós (nome que em hebraico significa "levar" e que parece ser uma forma abreviada da expressão Amosiá, que significa Deus levou) foi um Profeta do Antigo Testamento, autor do Livro de Amós.
O terceiro dos chamados profetas menores era um vaqueiro e cultivador de sicómoros (7:14), um fruto comestível que se parece com o figo, cujas frutas devem ser arranhadas com a unha ou com um objeto de metal antes de amadurecerem para que fiquem doces. Vivia em Técua (Teqoa), nos limites do deserto de Judá (1:1), perto de Bet-Lehem, povoado situado a menos de 20 Km ao sul deJerusalém. Aproximadamente em 760 AC, deixou sua vida tranquila e foi anunciar e denunciar no Reino de Israel Setentrional, durante o reinado de Jeroboão II (1:1).
Nesse contexto, o luxo dos ricos insultava a miséria dos oprimidos e o esplendor do culto disfarçava a ausência de uma religião verdadeira. Amós denunciava essa situação com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens típica de um homem do campo.
A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus iria atingir não só as nações pagãs, mas também, e principalmente, o povo escolhido; este já se considerava salvo, mas na prática era pior do que os pagãos (1:3-2:16). Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social, ele denunciava especificamente:
  • os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3:13-15; 6:1-7), criando um regime de opressão (3:10);
  • as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos (4:1-3);
  • os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar dízimo, dar esmolas para aplacar a própria consciência (4:4-12; 5:21-27);
  • os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (2:6-7; 4:1; 5:7.10-13);
  • os comerciantes ladrões  sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo (8:4-8)[3].

Santo Acácio, bispo, +250




Santo Acácio
Santo Acácio, cognominado Agatangelo, isto é, bom Anjo, viveu como bispo de Antioquia quando  Décio era imperador romano. Em Antioquia existiam muitos Marcionitas, que abandonaram a religião, quando os católicos guiados pelo bispo, ficaram firmes na fé. O próprio bispo, por motivos de  religião, foi citado perante o tribunal de  Marciano.  Este lhe disse:  " Tens  a  felicidade de  viver sob a proteção das leis romanas. Convém, pois, que honres e  veneres os nossos  príncipes, nossos  defensores". Acácio respondeu-lhe: "Quem  poderá ter nisso mais interesse que os cristãos, e  por quem o imperador é mais amado, senão por eles? É a  nossa oração constante, que tenha longa  vida aqui no mundo, governe com justiça os povos  e lhe seja conservada a paz; nós rezamos pela  salvação dos soldados  e  de  todas as classes do império". 
Marciano:  "Tudo  isto é muito louvável, mas para dar  ao imperador  uma  prova de submissão,  vem comigo e oferece  o sacrifício aos deuses".  Acácio: "Já  te disse  que faço oração ao supremo Deus pelo imperador;  mas criatura nenhuma poderá exigir de nós que sacrifiquemos a outros deuses".  Marciano interrogou-o : " Dize-me, pois, a que Deus adoras, para que possamos  acompanhar-te em tuas orações".  Acácio:  "Oxalá o conheças!"   Marciano:  "Que nome tem ele?" Acácio: "É o Deus  de  Abraão, Isaac e Jacó"   Marciano: "São deuses também?" Acácio: "Não são deuses, mas homens a  quem Deus se comunicou. Há um só Deus a quem é devida toda a oração".  Marciano:  "Afinal, quem é esse Deus?"  Acácio:  "É o Altíssimo, que tem seu trono sobre Querubins e Serafins"  Marciano:  "Que coisa é Serafim? " Acácio:  "Um mensageiro do altíssimo e príncipe dos mais distintos da corte  celestial" .  Marciano: "Deixa de  contar-nos as tuas  fantasias. Abandona aqueles seres invisíveis e  adora os  deuses  visíveis".   Acácio: "Dize-me que deuses são"  Marciano: " É Apolo, o salvador dos homens, que nos defende contra  a peste e a fome, que ilumina e governa o mundo"  Acácio: "Eu adorar a Apolo, que não pode  salvar-se a  si mesmo;a Apolo, cujas paixões inconfessáveis  são conhecidas por  Dafne e Narciso; a Apolo que, como um companheiro de Neptuno, trabalhou como pedreiro, para ganhar pão;  eu adorar  a Apolo?  Pelo  mesmo motivo podia queimar incenso a  Esculápio, vítima  do assassino  Júpiter, à lúbrica Venus e  a  outros aventureiros do vosso culto. Isto eu nunca farei, embora me custe   a vida . Como poderia adorar divindades, cuja imitação é uma vergonha e  cujos imitadores são punidos pela lei?"   Marciano:  "Sei que vós cristãos, injuriais os nossos  deuses. Por isso eu te ordeno que me acompanhes  ao banquete, que será dado em homenagem a  Júpiter e Juno"   Acácio: " Poderia eu adorar um homem , cujo túmulo ainda existe  na ilha de Creta?  Por acaso ressuscitou?" Marciano: "Basta de palavras:  escolhe entre o sacrifício ou a morte"  Acácio: "Esta é a linguagem dos saltadores na Dalmácia:  a bolsa ou a vida!  Nada. Nada receio;  se fosse eu um adúltero, salteador ou ladrão, eu mesmo me julgaria; se, porém,  me condenam por ter adorado o Deus vivo e  verdadeiro,  a  injustiça  está do lado do juiz".   Marciano: "Tenho ordem de obrigar-te ao sacrifício ou punir a tua desobediência"  Acácio:  "Ordem  minha é não negar a  Deus; devo obedecer ao Deus poderoso e eterno que disse  que negará perante seu Pai àquele  que O  negar diante dos homens"  Marciano: "Estás confessando o erro da tua seita, em dizer que Deus tem um filho". Acácio: "Sem dúvida, que tem".  Marciano:  "Quem é este Filho de Deus?"  Acácio: "A palavra da  verdade e  da graça".  Marciano: "Este é seu nome?"   Acácio:  "Não me perguntes pelo seu nome, mas quem era"  Marciano: " Qual é pois  seu nome?"  Acácio: " Jesus Cristo". Marciano: "De que esposa teve Deus  este filho?" Acácio:  "Deus  tem seu filho, não de maneira humana, gerado de mulher;  pois o primeiro homem foi criado por suas mãos. Do barro da  terra formou  o corpo  humano e deu-lhe um  espírito. O Filho de Deus, o Verbo da Verdade, saiu do coração de  Deus,  como está escrito:  meu coração produziu boa palavra". (S. 44,1).
Marciano insistiu que sacrificasse  aos deuses e  imitasse os exemplos  dos Montanitas, dando assim um bom exemplo de obediência. Acácio, porém, respondeu: " O povo obedece a Deus e não a mim"   Marciano:  "Dize-me os nomes daqueles  que compõem o teu povo"  Acácio:  "Estão escritos no livro da  vida"    Marciano:  "Onde estão os feiticeiros teus  companheiros e  pregadores  de nova doutrina?"    Acácio:  "Ninguém condena a feitiçaria mais do que nós a condenamos"  Marciano: "Esta nova religião, que introduzís, é  feitiçaria"   Acácio:  "É feitiçaria  atirar ao chão ídolos feitos por mão humana? Nós só tememos aquele, que é Senhor do Universo, que nos ama como um Pai, que como Pastor misericordioso, nos salvou da morte e do inferno".   Marciano: "Dize-me os nomes que te pedi, se quiseres  poupar-te aos tormentos".  Acácio: "Aqui estou diante do tribunal. Desejas  saber o meu nome  e  dos meus companheiros. Como vencerás os outros, se eu sozinho te envergonho?  Pois seja feita a tua vontade. Eu me chamo Acácio, ou Agatangelo, e com este nome sou mais conhecido. Meus companheiros são Piso, bispo de Tróia e o sacerdote Menandro. Agora faze o que entenderes"   Marciano: "Hás de ficar preso, até que o imperador tenha tomado conhecimento do teu processo". 
Décio  ficou comovido  pela leitura das atas  e concedeu a Acácio plena liberdade  no exercício da religião. Ignora-se a data da  morte do Santo. Os gregos, egípcios e  todas as Igrejas do Oriente celebram a sua festa no dia 31 de março. 

Santa Balbina, virgem, mártir (+132)




Santa Balbina
Balbina era filha de Quirino (militar e tribuno). Converteu- se à fé cristã e foi batizada pelo papa Alexandre, jurando voto de virgindade.
Por causa de sua riqueza e nobreza espirituais, muitos jovens a pediram em matrimônio, mas ela manteve seu voto incorruptível e livre de qualquer mácula.
Estando gravemente enferma, o pai a levou ao Papa, que estava encarcerado, e ela foi curada.
Em 132, mais provavelmente no dia 31 de Março, foi arrastada com o pai por ordem do imperador Adriano e, com barbaridade, cortaram- lhe a cabeça. Devido a sua bravura diante da morte e por ter morrido em nome da fé, foi elevada, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santa, sendo- lhe dedicada uma Basílica Menor em Roma.
Está sepultada, ao lado de seu pai, num antigo cemitério entre as vias Ápia e Ardeatina, o qual recebeu o seu nome.

S. Guido, Leigo, Peregrino, séc. X e XI

S. Guido
Guido viveu entre os séculos X e XI, e terá nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, ele já demonstrava o seu desapego dos bens terrenos, tanto que na juventude distribuiu aos pobres tudo o que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também dedicar-se às orações e à penitência. Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas, seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado.  Convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados. Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e da assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade. Depois da longa peregrinação incluindo a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado nesta cidade e a sua sepultura tornou-se um pólo de peregrinação. Assim com o passar do tempo foi erguida uma igreja a elededicada, para guardar suas relíquias. Com o passar dos séculos, a devoção a São Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal. A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.





 
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