quarta-feira, 30 de março de 2016

Santo do dia

4ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA


Santo do dia : S. Leonardo Murialdo, confessor, +1900Santa Irene, virgem (séc. IX)S. João Clímaco, religioso, +649

S. Leonardo Murialdo, confessor, +1900




S. Leonardo Murialdo
 Nasceu em 1828 em Turim - Itália, numa família burguesa.

Conheceu cedo a riqueza que a vida de oração, de sacrifício e de caridade pode proporcionar para o amadurecimento humano, e também o discernimento em todas as coisas.
Foi uma pessoa muita atenta aos sinais dos tempos e sensível à opressão dos mais pobres. E foi assim que ele discerniu e quis ser um padre para os pobres.

Leonardo voltou-se para as classes mais desprezadas, a que realiza os trabalhos simples. Até criou um jornal chamado 'A voz dos operários'. De fato, tinha uma fé solidária. Ele foi sinal de esperança para Igreja e para a sociedade.

O santo de hoje foi ponte para que muitos se encontrassem com  Cristo no mistério da cruz e do sofrimento.

Ele se consumiu na evangelização, na caridade, na promoção humana, falecendo no ano de 1900.
Peçamos sua intercessão para que sejamos sinais de esperança na Igreja e no Mundo.



Santa Irene, virgem (séc. IX)





Santa Irene
Santa Iria ou Irene  é uma mártir lendária da cidade de Nabância (próxima da moderna Tomar).
Nascida de uma rica família de Nabância, Iria recebeu educação esmerada e professou num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.
Devido à sua beleza e inteligência, Iria cedo congregou a afeição das religiosas e das pessoas da terra, sobretudo dos jovens e dos fidalgos, que disputavam entre si as virtudes de Iria.
Entre estes adolescentes contava-se Britaldo, herdeiro daquele senhorio, que alimentou por Iria doentia paixão. Iria, contudo, recusava as suas investidas amorosas, antes afirmando a sua eterna devoção a Deus.
Dos amores de Britaldo teve conhecimento Remígio, um monge director espiritual de Iria, ao qual também a beleza da donzela  não passara despercebida. Ardendo de ciúmes, o monge deu a Iria uma tisana embruxada, que logo fez surgir no corpo sinais de prenhez.
Por causa disso foi expulsa do convento, recolhendo-se junto do rio para orar. Aí, foi assassinada à traição por um servo de Britaldo, a quem tinham chegado os rumores destes eventos.
Lançado ao rio, o corpo da mártir ficou depositado entre as areias do Teja, aí permanecendo, incorruptível, através dos tempos.

S. João Clímaco, religioso, +649




S. João Clímaco
A história do santo de hoje está intimamente ligada com o Monte Sinai, citado na Bíblia, isso porque São João Clímaco foi um dos inúmeros homens que buscaram nos mosteiros do Monte Sinai, o ideal da Santidade. Nasceu na Palestina em 579, e recebeu dos pais exemplar formação literária e cristã. João Clímaco, para começar a rica experiência, renunciou livremente aos bens familiares e a uma próspera vida religiosa, para entrar na linda família monástica. Inicialmente, colocou-se na direção espiritual de martírio, depois, perto da cela de um outro eremita, prosseguiu seu caminho de oração, jejum, estudos, trabalhos e principalmente silêncio. Por meio dos jejuns e mortificações, este santo conseguia, em Cristo, vencer o demônio e viver com os outros irmãos, com os quais se encontrava aos sábados e domingos. Do conjunto de mosteiros e celas que povoavam o Sinai, São João, que era muito respeitado pela santidade e conhecimento da doutrina, foi eleito abade geral, até entrar na Vida Eterna no ano de 649.


terça-feira, 29 de março de 2016

Desejo de atenção



  
Desejo de Atenção e Consideração

Dois quadros estão colocados diante de nossos olhos. O primeiro nos mostra Jesus coroado com a coroa da vergonha. Ele escolheu voluntariamente ser o mais desprezado e indigno entre os homens. As pessoas esconderam dEle o rosto, e "dEle não fizemos caso". Jesus! É Ele que merece toda honra no céu e na terra; no entanto se sacrificou por amor a nós e Se deixou ser vilipendiado.
No segundo quadro estamos nós, seres humanos, uns mais outros menos, coroados com coroas reluzentes do desejo pessoal de atenção e respeito. Somos dominados por esse desejo. Sem nos importarmos com o que isso custa, queremos ser o centro das atenções. Fazemos o que podemos para alcançar o objetivo, a ponto de os demais objetivos se tornarem secundários. O contraste flagrante entre os dois quadros mostra-nos claramente como esse pecado é grave. Mostra-nos ainda que o desejo de atenção contradiz nosso chamamento divino para sermos recriados conforme a imagem de Jesus.
As raízes desse pecado estão presas à queda de Adão. Por efeito da queda tudo perdeu seu relacionamento próprio. Não estamos mais preocupados, em primeiro lugar, em ser respeitados por Deus, sendo um com Ele em amor. Em lugar disso, temos acentuada propensão, muitas vezes um anseio apaixonado, de sermos respeitados e apreciados pelos outros. Se sentimos que as pessoas que respeitamos, e cujas opiniões julgamos importantes, não nos respeitam, ficamos tristes, deprimidos, infelizes e sensíveis.
Mas isso não é tudo. No desejo de obter consideração, procuramos muitas vezes ficar sob o foco de luz e fingimos ser algo que não somos, ou ter habilidades que não possuímos. Desse modo nos tornamos artificiais e, sem percebermos, hipócritas. Pensamos que estamos servindo a Deus, mas, na realidade, estamos fazendo tudo visando a nossa honra, para que os outros nos respeitem e, desse modo pecamos contra as coisas mais sagradas. Então o "Ai" que Jesus dirigiu aos fariseus também se aplica a nós. "Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens... Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças..."(Mateus 23.7).
Esses hipócritas, aos quais Jesus disse "Ai", estão sujeitos à condenação de Jesus na eternidade. É por isso que não podemos mais tolerar o desejo de consideração e atenção. Ele provoca muitos outros pecados.

Magoamos os outros, agimos com desamor, colocando-os na sombra, de modo que apareçamos sob uma luz favorável. Principalmente nos dias atuais, quando pertencer a Jesus e segui-lO representa ainda mais desonra, ridículo e vergonha, nosso desejo de consideração pode significar a ruína e pode levar-nos a negar a Jesus. Sim, se esta preocupação em receber honra das pessoas é tão forte em nós, Jesus deve lamentar sobre nós B como fez em relação aos fariseus que não O aceitaram. "Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros,e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?" (Jo 5.44). Assim este pecado do desejo de consideração, que normalmente existe em nossa personalidade, separa-nos de Jesus e da vida divina. É por isso que  temos de descartar-nos dele, não importa quanto isso custe. Quem pode ajudar-nos?
Antes de mais nada, temos de deixar que o Espírito de Deus nos mostre, de vez em quando, quão desprezível é o nosso desejo de consideração, e façamos, então, uma renúncia definida: "Senhor, não  quero ser nada; não quero ser tratado com consideração." E, então, verificaremos que há poder nesta resoluta renúncia. Jesus a aceita. Ele, o Filho de Deus, sujeitou-Se a ser desprezado e rejeitado por todos. Agora Ele pode ajudar-nos. O que é Seu, é nosso. Ele conquistou esta humildade, este desejo de não ser nada. Receberemos, então, o dom maior. Seremos respeitados por Deus. O Pai disse que Se comprazia em Seu Filho quando Ele desceu ao rio Jordão e deixou que muitos pensassem que Ele era pecador, indigno de respeito. Esta "descida" trouxe a Jesus o amor especial do Pai e Lhe deu a maior alegria.
Jesus renunciou à Sua glória e preferiu sofrer a vergonha para que pudéssemos ser remidos do pecado do desejo de consideração, bem como pudéssemos ser mudados conforme Sua imagem de humildade. Sua humilhação até ao  ponto de morrer como "criminoso" na cruz, é firme garantia de Seu auxílio para todos nós que queremos ser livres de nosso desejo de atenção.

«Vistes Aquele que a minha alma ama?» (Ct 3,3)

Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Sobre a virgindade, 17-21



«Porque choras?» És tu a causa das tuas lágrimas, é por tua causa que choras. [...] Choras porque não acreditas em Cristo; acredita e vê-Lo-ás. Cristo nunca deixa de aparecer a quantos O procuram. «Porque choras?» Não é de lágrimas que precisas, mas de uma fé atenta e digna de Deus. Não penses nas coisas mortais e não chorarás. [...] Porque choras com aquilo que alegra os outros?

«A quem procuras?» Não vês que Cristo é a força de Deus, que Cristo é a sabedoria de Deus, que Cristo é santidade, que Cristo é castidade, que Cristo é pureza, que Cristo nasceu de uma virgem, que Cristo é do Pai e está junto do Pai e está sempre no Pai; nascido mas não criado, nem caído, sempre amado, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro? «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram.» Enganas-te, mulher; pensas que Cristo foi levado do túmulo por outros e que não ressuscitou pelo seu próprio poder. Mas ninguém retira o poder a Deus, ninguém retira a sabedoria a Deus, ninguém Lhe retira a venerável castidade. Cristo não foi levado do túmulo de justiça e de intimidade da Virgem, nem do segredo da sua alma fiel; e, mesmo que haja quem queira apoderar-se dele, tal não é possível.

Então Jesus disse-lhe: «Maria, olha para Mim.» Enquanto não acreditou, era «mulher»; quando começou a voltar-se para Ele, recebeu o nome de Maria, o nome daquela que deu Cristo à luz, porque é a alma que dá Cristo espiritualmente à luz. «Olha para Mim», disse Ele. Quem olha para Cristo corrige-se; é quando não vemos a Cristo que nos enganamos. E ela, voltando-se, disse: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!» Quem olha, volta-se; quem se volta, capta de forma mais completa; quem vê, progride. É por isso que ela chama Mestre Àquele que julgava estar morto: porque encontrou Aquele que julgava estar perdido.

Evangelho segundo S. João 20,11-18.


Naquele tempo, Maria Madalena estava a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro
e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus.
Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram».
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele.
Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar».
Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!».
Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus».
Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito.

Livro de Salmos 33(32),4-5.18-19.20.22.


A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor,
Ele é o nosso amparo e protetor.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

Livro dos Actos dos Apóstolos 2,36-41.


No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes».
Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?»
Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo,
porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de Ac longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus».
E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa».
Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Batismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

Discípulos de Cristo

Como campainhas que despertam do entorpecimento

· ​Em Santa Maria em Trastevere vigília de oração em memória dos mártires de hoje ·

«Poucos podem ser heróis» mas «todos podemos ser mártires de Cristo se vivermos a nossa vida como seus discípulos, sem esperar as grandes ocasiões, mas aproveitando as pequenas ocasiões que o dia nos apresenta»: na vigília de oração que teve lugar a 22 de março em Roma, na basílica de Santa Maria em Trastevere, em recordação de quantos nestes últimos anos ofereceram a sua vida pelo Evangelho, o cardeal Beniamino Stella quis não só prestar homenagem ao sacrifício corajoso de muitos, mas sobretudo, a seu exemplo, solicitar o testemunho diário de todos os cristãos.
O prefeito da Congregação para o clero – que presidiu ao encontro organizado pela comunidade de Santo Egídio – delineou o sulco de um caminho possível, marcado pela contraposição entre a lógica do mundo e a das bem-aventuranças. Uma lógica evocada precisamente por quem, ainda hoje, enfrenta o martírio tendo como única certeza o encontro com Jesus: «A sua vida e a sua morte – disse recordam-nos a beleza do evangelho das bem-aventuranças, palavras de iludidos para quem rejeita Cristo, mas um vislumbre de paraíso para nós que temos fé n'Ele».
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