quinta-feira, 3 de março de 2016

Santo do dia

Quinta-feira, dia 03 de Março de 2016

Quinta-feira da 3ª da Quaresma


Santo do dia : Beato Inocêncio de Berzo, presbítero, +1890Santos Marino e Astério, mártires, +260 



Beato Inocêncio de Berzo, presbítero, +1890




Beato Inocêncio de Berzo
O Beato Inocêncio era filho de Pedro Scalvinoni e de Francisca Poli. Nasceu no dia 19 de Março de 1844 em Nardo, Vale de Canónica, em Bréscia, na Itália. Foi baptizado com o nome de João.
 A sua infância ficou marcada pelo sofrimento, ficou orfão de pai, e pela prática da virtude, como aluno do Colégio de Lovere. Foi admitido no Seminário diocesano de Bréscia e foi ordenado sacerdote a 2 de Julho de 1867. Foi nomeado Coadjutor de um pároco, em Cevo, onde se distinguiu pelo desapego das coisas materiais, assiduidade no confessionário, caridade para com os pobres, assistência aos doentes e pregação.
 O Bispo chamou-o para Bréscia a fim de desempenhar o cargo de Vice-Reitor do Seminário. Após um ano, voltou para a cura das almas como pároco em Berzo, onde se entregou a uma intensa actividade apostólica, feita de oração, bom exemplo e uma pregação simples e paternal, bem como de uma proximidade pessoal junto de cada um para os levar até Deus. Entretanto, o Senhor chamava-o a uma vida mais perfeita. Depois de uma luta espiritual, pediu para ser capuchinho, quando tinha 30 anos. Em 1874, vestiu o hábito da Ordem, recebendo, nessa altura, o nome de Frei Inocêncio.  Viveu em Albino. Depois, foi para o Convento da Santíssima Anunciata, como Vice-Mestre de noviços. Em 1880, foi-lhe confiada a redacção dos Anais Franciscanos, em Milão. Partiu para Crema, levando, por toda a parte, o brilho da sua santidade. Foi colocado outra vez no Convento da Santíssima Anunciata, onde encontrou aquilo que o seu espírito desejava: ser santo!
 No ermitério do Convento, encontrou forma de se submergir na união com Deus que era própria do seu temperamento, de saciar a sua ânsia de sacrifício, de penitência e vida escondida. O seu ideal era desaparecer e fazer que o esquecessem, o exercício de prolongadas horas de oração e contemplação, o desempenho dos mais humildes serviços do Convento, tais como: pedir esmola de porta em porta com a pregação do bom exemplo e de boas palavras. A beleza da sua alma transparecia em todas estas manifestações.  Pregou exercícios espirituais aos seus irmãos, a quem inundava com a abundância do seu espírito seráfico. Neste ministério da pregação teve de fazer muita violência sobre si mesmo, sobretudo, porque não se considerava capaz de coisa alguma.  Morreu com 46 anos de idade, no dia 3 de Março de 1890, na enfermaria do Convento de Bérgamo, quando estava a pregar um retiro aos seus irmãos. 

Santos Marino e Astério, mártires, +260




São Marino e Santo Astério, mártires
São Marino era oficial do exército imperial em Cesaréia da Palestina. Devido à sua bravura, fora nomeado centurião romano, cargo bastante almejado. Enquanto se aguardava a cerimónia da entrega da vara da videira, símbolo da sua promoção, um dos pretendentes ao cargo acusou-o de ser cristão. O facto ocorreu por volta do ano 260, quando a Igreja de Cristo era bastante perseguida.
São Marino teve o apoio do bispo Teotecno, que o incentivou a perseverar na fé, embora isso lhe custasse a vida. O bispo, diante do altar, apresentou-lhe uma espada e a Bíblia pedindo-lhe que escolhesse. São Marino, com segurança, escolheu a Bíblia e, diante das autoridades, afirmou ser cristão.
Estava presente na execução outro cristão, o senador Astério, que o incentivou a permanecer firme em sua decisão. Logo após o martírio, Astério tomou o seu corpo a fim de lhe dar uma sepultura digna, embora soubesse que esse gesto também lhe custaria a vida, como de facto aconteceu. Dessa maneira, São Marino divide com Astério a honra do martírio por ser seguidor de Cristo.




 

quarta-feira, 2 de março de 2016

Papa Francisco

O nome e o adjetivo

· ​Missa em Santa Marta ·

Estamos abertos aos outros, somos capazes de misericórdia ou vivemos fechados em nós mesmos, escravos do nosso egoísmo? A parábola evangélica de Lázaro e do homem rico, apresentada pela liturgia, guiou o Papa Francisco — na missa celebrada a 25 de Fevereiro em Santa Marta — numa reflexão sobre a qualidade da vida cristã. Evocando a antífona de entrada tirada do salmo 139 (23-24), o Pontífice frisou a importância de pedir ao Senhor «a graça de saber» se percorremos «o caminho da mentira» ou «da vida».
Estamos, explicou Francisco, no sulco da reflexão feita nos dias precedentes, quando se falava da «religião do fazer» e da «religião do dizer». A sugestão é dada pelos dois personagens evangélicos: o homem rico, descrito como alguém «que vestia roupas de púrpura e de linho finíssimo» e que «todos os dias dava banquetes de luxo». Ou seja, uma caraterização até um pouco forçada que quer mostrar-nos uma pessoa que «tinha tudo, todas as possibilidades». Diante dele há «um pobre chamado Lázaro» que «estava à sua porta, coberto de chagas, desejoso de matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber as suas feridas».
O Papa analisou a descrição dos personagens e realçou que o rico — como «se vê no diálogo final com o pai Abraão» — era «um homem de fé», que «tinha estudado a lei, conhecia os mandamentos» e que «certamente todos os sábados ia à sinagoga e una vez por ano ao templo»; em síntese: «um homem que tinha uma certa religiosidade». Ao mesmo tempo, da narração evangélica sobressai que ele era também «um homem fechado no seu pequeno mundo, o mundo dos banquetes, das roupas, da vaidade, dos amigos». Fechado na sua «redoma de vaidade», ele «não conseguia ver além» e não se «dava conta do que acontecia fora do seu mundo fechado». Por exemplo, «não pensava nas carências de muita gente, nem na necessidade de os doentes terem companhia», mas só pensava em si mesmo, «nas suas riquezas, na sua vida sossegada: dava-se à boa vida». Era — concluiu — um homem «religioso, aparente». Sim, um exemplo perfeito «da religião do dizer».
O rico epulão «não conhecia periferia alguma, mas vivia fechado em si mesmo». Contudo, «precisamente a periferia» estava «perto da porta da sua casa», mas ele «não a conhecia». Esta, explicou o Papa, «é a vida da mentira», da qual na antífona pedimos ao Senhor que nos liberte.
Diante desta descrição, o Pontífice aprofundou a análise interior do homem rico, que «só confiava em si mesmo, nos seus bens», e «não em Deus»; absolutamente distante do «homem bem-aventurado que confia no Senhor», que lhe é contraposto no salmo responsorial tirado do salmo 1. «Que herança — interrogou-se — deixou este homem?». Certamente, disse citando o mesmo salmo, «não é como uma árvore plantada na margem do regato», mas «como a palha que o vento leva».
Aquele homem tinha uma família, irmãos; na narração evangélica lê-se que pede ao pai Abraão que lhes envie alguém para os avisar: «Parai, não é este o caminho!». Mas depois da morte, explicou o Papa, ele «não deixou herança nem vida, porque vivia fechado em si mesmo».
Uma aridez de vida ressaltada, recordou o Pontífice, por um pormenor: quando fala deste o homem o Evangelho «não diz como se chamava, só diz que era rico». Detalhe significativo, pois «quando o teu nome só é um adjetivo, é porque perdeste: perdeste substância e força». Assim, diz-se: «este é rico, esse é poderoso, aquele pode fazer tudo, este é um sacerdote de carreira, um bispo de carreira...». Muitas vezes, explicou, somos levados a «mencionar as pessoas com adjetivos, não com nomes, porque não têm substância». Era esta a realidade do rico da narração de hoje.
Neste ponto Francisco interrogou-se: «Deus que é Pai não teve misericórdia deste homem? Não bateu à porta do seu coração para o sensibilizar?». E a resposta foi imediata: «Sim, estava à porta, na pessoa de Lázaro». E Lázaro tinha um nome. «Aquele Lázaro — acrescentou o Papa — com as suas necessidades, misérias e doenças, era precisamente o Senhor que batia à porta, para que aquele homem abrisse o coração, e a misericórdia pudesse entrar». E no entanto, o rico «não via», «estava fechado» e «para ele fora da porta não havia nada».
O trecho evangélico, comentou, é útil para todos nós, a meio do caminho quaresmal, para despertar em nós algumas perguntas: «Percorro a vereda da vida ou da mentira? Quanto egoísmo ainda tenho no coração? Onde está a minha alegria: no fazer ou no dizer?», e ainda: a minha alegria está «no sair de mim mesmo para ir ao encontro do próximo para ajudar», ou «no manter tudo arrumado, fechado em mim mesmo?».
Enquanto pensamos nisto, concluiu, «peçamos ao Senhor» a graça «de ver sempre os Lázaros que estão à nossa porta, os Lázaros que batem à porta do nosso coração», e a graça de «sair de nós mesmos com generosidade e atitude de misericórdia, para que a misericórdia de Deus possa entrar no nosso coração».
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Papa Francisco


Papa: o perdão de Deus não conhece limite


2016-03-01 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Que o tempo da Quaresma “nos prepare o coração” ao perdão de Deus e a perdoarmos como Ele, isto é, esquecendo das culpas dos outros. Com esta oração, o Papa concluiu a homilia da missa da manhã desta terça-feira (1º/3), celebrada na Casa Santa Marta.A perfeição de Deus tem um ponto fraco exatamente aonde a imperfeição humana tende a não dar desconto: a capacidade de perdoar.
 
Sem memória  
O pensamento do Papa, na homilia, é conduzido pelas leituras da liturgia. O Evangelho apresenta a célebre pergunta de Pedro a Jesus: quantas vezes devo perdoar um irmão que cometeu uma ofensa contra mim? A leitura, extraída do Profeta Daniel, é centrada na oração do jovem Azarias que, colocado no forno por ter se recusado a adorar um ídolo de ouro, invoca entre as chamas a misericórdia de Deus pelo povo, pedindo-lhe simultaneamente o perdão para si. Este, sublinha Francisco, é o modo justo certo de rezar. Sabendo contar com um aspecto especial da bondade de Deus: 
“Quando Deus perdoa, o seu perdão é tão grande que é como se ‘esquecesse’. Todo o contrário daquilo que nós fazemos, das fofocas: ‘Mas ele fez isso, fez aquilo, fez aquilo outro …’, e nós temos de tantas pessoas a história antiga, média, medieval e moderna, eh?, e não esquecemos. Por quê? Porque não temos o coração misericordioso. ‘Trata-nos segundo a Tua clemência’, diz este jovem Azarias. ‘Segundo a Tua imensa misericórdia. Salva-nos. É um apelo à misericórdia de Deus, para que nos dê o perdão e a salvação e esqueça os nossos pecados”.
A equação do perdão
No trecho do Evangelho, para explicar a Pedro que precisa perdoar sempre, Jesus conta a parábola dos dois endividados, o primeiro obtém o perdão do seu patrão, mesmo lhe devendo uma cifra enorme, e pouco depois, é incapaz de ser também ele misericordioso com outro que lhe devia somente uma pequena quantia. Assim observou o Papa:
“No Pai-Nosso rezamos: ‘Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É uma equação, vão juntas. Se você não é capaz de perdoar, como Deus poderá o perdoar? Ele quer perdoar você, mas não poderá se o seu coração estiver fechado, e a misericórdia não poderá entrar. ‘Mas, Pai, eu perdoo, mas não posso esquecer aquele mal que ele me fez …’. ‘Eh, peça ao Senhor que o ajude a esquecer’: mas isso é outra coisa. Pode-se perdoar, mas esquecer nem sempre se consegue. Mas ‘perdoar’ e dizer: ‘você me paga’: isso não! Perdoar como Deus perdoa: perdoar ao máximo”.
Misericórdia que “esquece”
Misericórdia, compaixão, perdão, repete o Papa, recordando que “o perdão do coração que nos dá Deus é sempre misericórdia”:
“Que a Quaresma prepare o nosso coração para receber o perdão de Deus. Recebê-lo e, depois, fazer o mesmo com os outros: perdoar de coração. Talvez não me dirija a palavra, mas no meu coração eu lhe perdoei. E assim nos aproximamos desta coisa tão grande de Deus que é a misericórdia. E perdoando abrimos o nosso coração para que a misericórdia de Deus entre e nos perdoe, a nós. Porque todos nós precisamos pedir perdão: todos. Perdoemos e seremos perdoados. Tenhamos misericórdia com os outros, e nós sentiremos aquela misericórdia de Deus que, quando perdoa, “se esquece"”. (CM/BF/RB)
(from Vatican Radio)

Comentário do dia



São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Homilia 12; PG 77, 1041ss.



«Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição»


Vimos Cristo obedecer às leis de Moisés, o que quer dizer que Deus, o legislador, Se submeteu, como um homem, às suas próprias leis. É o que nos ensina São Paulo [...]: «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei» (Gal 4, 4-5). Por conseguinte, Cristo resgatou da maldição da Lei os que a ela estavam sujeitos, mas não a observavam. De que modo os resgatou? Aperfeiçoando esta Lei; dito de outro modo, a fim de apagar a transgressão da qual Adão se tornou culpado, Ele mostrou-Se obediente e dócil para com Deus Pai em nosso lugar. Porque está escrito: «Como, pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornaram justos» (Rom 5, 19). Connosco, Ele curvou a cabeça perante a Lei, e fê-lo segundo o plano divino da Incarnação. Com efeito, «convém que cumpramos assim toda a justiça» (Mt 3, 15).

Depois de ter tomado completamente a condição de servo (Fil 2, 7), precisamente porque a sua condição humana O agregava ao número dos que suportavam o jugo, pagou o montante do imposto aos cobradores como toda a gente, ainda que por natureza, e como Filho, estivesse dispensado disso. Por conseguinte, quando O vires observar a Lei, não fiques chocado, não ponhas no rol de servos Aquele que é livre, mas avalia pelo pensamento a profundidade de tal desígnio.

Evangelho segundo S. Mateus 5,17-19.


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar.
Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra.
Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Livro de Salmos 147,12-13.15-16.19-20.


Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.

Envia à terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.
Faz cair a neve como a lã,
espalha a geada como cinza.

Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.


Livro de Deuteronómio 4,1.5-9.


Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais.
Ensinei-vos estas leis e preceitos, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenara, a fim de os praticardes na terra de que ides tomar posse.
Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’.
Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?
E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».
Mas tende cuidado; prestai atenção para não esquecer tudo quanto viram os vossos olhos, nem o deixeis fugir do pensamento em nenhum dia da vossa vida. Ensinai-o aos vossos filhos e aos filhos dos vossos filhos».