sábado, 27 de fevereiro de 2016

Santo do dia

Sabado, dia 27 de Fevereiro de 2016

Sábado da 2ª semana da Quaresma


Santo do dia : S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, confessor, +1862S. Leandro, bispo, +600 


S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, confessor, +1862




S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores
Data de 1838 o nascimento de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, na cidade de Assis. Órfão de mãe aos quatro anos, foi para a cidade de Espoleto, onde estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs e com os jesuítas.

Eleito ainda muito jovem para o cargo de presidente da Academia de Literatura, em 1856, o santo decidiu ingressar na ordem dos passionistas, na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Possuidor de uma alma alegre e bem humorada, a todos cativava pela sua simplicidade e humildade.

Morreu muito jovem, com apenas 24 anos, no dia 27 de Fevereiro de 1862. Foi beatificado por Pio X em 1908 e canonizado por Bento XV, em 1920.

S. Leandro, bispo, +600




S. Leandro, bispo
Nasceu em Cartagena e foi para Sevilha em 554. Destacou-se pela sua luta contra o Arianismo.
Foi exilado pelo Rei Visigodo Levegildo para Constantinopla de 579 a 582. Mas retornou a Sevilha quando Recaredo, filho do rei visigodo e que havia sido baptizado por Leandro, ascendeu ao trono.
Presidiu ao terceiro Concilio de Toledo em 589. Converteu novamente os Visigodos à fé cristã ortodoxa. Escreveu várias regras de conduta para as freiras. Introduziu em Niceia o Credo na Missa no Ocidente.
Na Espanha ele é considerado Doutor da Igreja. Faleceu em Sevilha no ano de 600 DC.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Comentário do dia



Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de São Lucas 9, 29-30 (trad. Véricel, L'Evangile commenté, p. 290 rev. ; cf SC 52, p. 150)

A parábola da vinha

A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. [...] É, pois, com razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque ele traça na testa o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramos da videira, pobres e ricos, humildes e poderosos, servos e senhores, todos são, na Igreja, de uma igualdade completa. [...]

Quando é ligada, a vinha endireita-se; se é podada, não é para a diminuir, mas para fazê-la crescer. E o mesmo se passa com o povo santo: quando é preso, liberta-se; quando é humilhado, eleva-se; quando é cortado, é uma coroa que lhe é dada. Melhor ainda: tal como o rebento que é retirado de uma árvore velha e enxertado noutra raiz, assim também este povo santo [...] se desenvolve quando é alimentado na árvore da cruz [...]. E o Espírito Santo, como que expandindo-Se nos sulcos de um terreno, derrama-Se sobre o nosso corpo, lavando tudo o que é imundo e limpando-nos os membros, para os dirigir para o céu.

O Vinhateiro tem por costume mondar esta vinha, ligá-la e apará-la (Jo 15, 2). [...] Ora inunda de sol os segredos do nosso corpo, ora os rega com a chuva. Ele gosta de mondar o terreno, para que os espinheiros não perturbem os rebentos; e vela para que as folhas não façam demasiada sombra [...], privando de luz as virtudes e impedindo os frutos de amadurecer.

Evangelho segundo S. Mateus 21,33-43.45-46.


Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança’.
Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?
Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
Ao ouvirem as parábolas de Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que falava deles
e queriam prendê-l’O; mas tiveram medo do povo, que O considerava profeta.

Livro de Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.


Deus chamou a fome sobre aquela terra e privou-os do pão que dá o sustento.
Adiante deles enviara um homem: José vendido como escravo.
Apertaram-lhe os pés com grilhões, lançaram-lhe ao pescoço uma coleira de ferro,
até que se cumpriu a profecia e a palavra do Senhor o mostrou inocente.
Então o rei mandou que o soltassem, o soberano dos povos deu-lhe a liberdade;
e fê-lo senhor da sua casa e governador de todos os seus domínios.


Livro de Génesis 37,3-4.12-13a.17b-28.


Jacob gostava mais de José que dos seus outros filhos, porque ele era o filho da sua velhice; e mandou fazer-lhe uma túnica de mangas compridas.
Os irmãos, vendo que o pai o preferia a todos eles, começaram a odiá-lo e não eram capazes de lhe falar com bons modos.
Um dia foram para Siquém apascentar os rebanhos do pai.
Jacob disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. vem cá, pois quero mandar-te ir ter com eles».
José partiu à procura dos irmãos e encontrou-os em Dotain.
Eles viram-no de longe e, antes que chegasse perto, combinaram entre si a sua morte.
Disseram uns aos outros: «Aí vem o homem dos sonhos.
Vamos matá-lo e atirá-lo a uma cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos então em que vão dar os seus sonhos».
Mas Rúben ouviu isto e, querendo livrá-lo das suas mãos, disse: «Não lhe tiremos a vida». Para o livrar das suas mãos e entregá-lo ao pai,
Rúben disse aos irmãos: «Não derrameis sangue. Lançai-o nesta cisterna do deserto, mas não levanteis as mãos contra ele».
Quando José chegou junto dos irmãos, eles tiraram-lhe a túnica de mangas compridas que trazia,
pegaram nele e lançaram-no dentro da cisterna, uma cisterna vazia, sem água.
Depois sentaram-se para comer. Mas, erguendo os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Traziam camelos carregados de goma de tragacanto, resina aromática e láudano, que levavam para o Egipto.
Então Judá disse aos irmãos: «Que interesse haveria em matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue?
Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não lhe ponhamos as mãos, porque é nosso irmão, da mesma carne que nós». Os irmãos concordaram.
Passando por ali uns negociantes de Madiã, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egipto.

Lições do Budismo

Quantos tipos de meditação existem?

Existem vários tipos de meditação no Budismo, mas para atingir os objetivos descritos acima, há dois tipos de meditação que são os mais adequados. Uma é a meditação da concentração e a outra é a meditação de insight. Os dois tipos também são conhecidos como samadhi e vipassana em Pali (shamatha e vipayshana em Sânscrito).
A meditação da concentração visa acalmar e tranquilizar a mente enquanto que a meditação de insight visa ver as coisas que ocorrem na nossa mente como elas na verdade são.
Para dar um exemplo, imaginemos um lago com águas cristalinas, tão limpas que nos permita ver o fundo, ver as pedras e o cascalho, os peixes nadando. Agora imaginem a superfície do lago com ondas agitadas pelo vento, seria possível ver até o fundo do lago? Muito provavelmente não, a superfície do lago tem de estar calma, sem ondas, sem nenhuma agitação. Assim é como funciona a meditação da concentração, que tem como objetivo subjugar a agitação natural da mente para poder ver melhor o que está acontecendo. Agora imaginem que a superfície do lago está calma, a pessoa que está olhando é capaz de ver e apreciar aquilo que está na água, agora se essa pessoa tiver conhecimentos de biologia, geologia ou ecologia, ela poderá apreciar aquilo que está vendo num grau muito mais completo e profundo do que uma que não tenha esse tipo de conhecimento. De modo semelhante com a meditação de insight, que possibilita ao meditador enxergar e entender completa e profundamente aquilo que está ocorrendo na sua mente. Mas isso também implica que há um certo referencial para a prática da meditação de insight que são exatamente os ensinamentos do Buda sobre a realidade das coisas. Praticar a meditação de insight sem esse referencial é perda de tempo. Esse referencial pode ser obtido através do estudo dos ensinamentos Budistas.

Papa Francisco

O nome e o adjetivo

· ​Missa em Santa Marta ·

Estamos abertos aos outros, somos capazes de misericórdia ou vivemos fechados em nós mesmos, escravos do nosso egoísmo? A parábola evangélica de Lázaro e do homem rico, apresentada pela liturgia, guiou o Papa Francisco — na missa celebrada a 25 de Fevereiro em Santa Marta — numa reflexão sobre a qualidade da vida cristã. Evocando a antífona de entrada tirada do salmo 139 (23-24), o Pontífice frisou a importância de pedir ao Senhor «a graça de saber» se percorremos «o caminho da mentira» ou «da vida».
Estamos, explicou Francisco, no sulco da reflexão feita nos dias precedentes, quando se falava da «religião do fazer» e da «religião do dizer». A sugestão é dada pelos dois personagens evangélicos: o homem rico, descrito como alguém «que vestia roupas de púrpura e de linho finíssimo» e que «todos os dias dava banquetes de luxo». Ou seja, uma caraterização até um pouco forçada que quer mostrar-nos uma pessoa que «tinha tudo, todas as possibilidades». Diante dele há «um pobre chamado Lázaro» que «estava à sua porta, coberto de chagas, desejoso de matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber as suas feridas».
O Papa analisou a descrição dos personagens e realçou que o rico — como «se vê no diálogo final com o pai Abraão» — era «um homem de fé», que «tinha estudado a lei, conhecia os mandamentos» e que «certamente todos os sábados ia à sinagoga e una vez por ano ao templo»; em síntese: «um homem que tinha uma certa religiosidade». Ao mesmo tempo, da narração evangélica sobressai que ele era também «um homem fechado no seu pequeno mundo, o mundo dos banquetes, das roupas, da vaidade, dos amigos». Fechado na sua «redoma de vaidade», ele «não conseguia ver além» e não se «dava conta do que acontecia fora do seu mundo fechado». Por exemplo, «não pensava nas carências de muita gente, nem na necessidade de os doentes terem companhia», mas só pensava em si mesmo, «nas suas riquezas, na sua vida sossegada: dava-se à boa vida». Era — concluiu — um homem «religioso, aparente». Sim, um exemplo perfeito «da religião do dizer».
O rico epulão «não conhecia periferia alguma, mas vivia fechado em si mesmo». Contudo, «precisamente a periferia» estava «perto da porta da sua casa», mas ele «não a conhecia». Esta, explicou o Papa, «é a vida da mentira», da qual na antífona pedimos ao Senhor que nos liberte.
Diante desta descrição, o Pontífice aprofundou a análise interior do homem rico, que «só confiava em si mesmo, nos seus bens», e «não em Deus»; absolutamente distante do «homem bem-aventurado que confia no Senhor», que lhe é contraposto no salmo responsorial tirado do salmo 1. «Que herança — interrogou-se — deixou este homem?». Certamente, disse citando o mesmo salmo, «não é como uma árvore plantada na margem do regato», mas «como a palha que o vento leva».
Aquele homem tinha uma família, irmãos; na narração evangélica lê-se que pede ao pai Abraão que lhes envie alguém para os avisar: «Parai, não é este o caminho!». Mas depois da morte, explicou o Papa, ele «não deixou herança nem vida, porque vivia fechado em si mesmo».
Uma aridez de vida ressaltada, recordou o Pontífice, por um pormenor: quando fala deste o homem o Evangelho «não diz como se chamava, só diz que era rico». Detalhe significativo, pois «quando o teu nome só é um adjetivo, é porque perdeste: perdeste substância e força». Assim, diz-se: «este é rico, esse é poderoso, aquele pode fazer tudo, este é um sacerdote de carreira, um bispo de carreira...». Muitas vezes, explicou, somos levados a «mencionar as pessoas com adjetivos, não com nomes, porque não têm substância». Era esta a realidade do rico da narração de hoje.
Neste ponto Francisco interrogou-se: «Deus que é Pai não teve misericórdia deste homem? Não bateu à porta do seu coração para o sensibilizar?». E a resposta foi imediata: «Sim, estava à porta, na pessoa de Lázaro». E Lázaro tinha um nome. «Aquele Lázaro — acrescentou o Papa — com as suas necessidades, misérias e doenças, era precisamente o Senhor que batia à porta, para que aquele homem abrisse o coração, e a misericórdia pudesse entrar». E no entanto, o rico «não via», «estava fechado» e «para ele fora da porta não havia nada».
O trecho evangélico, comentou, é útil para todos nós, a meio do caminho quaresmal, para despertar em nós algumas perguntas: «Percorro a vereda da vida ou da mentira? Quanto egoísmo ainda tenho no coração? Onde está a minha alegria: no fazer ou no dizer?», e ainda: a minha alegria está «no sair de mim mesmo para ir ao encontro do próximo para ajudar», ou «no manter tudo arrumado, fechado em mim mesmo?».
Enquanto pensamos nisto, concluiu, «peçamos ao Senhor» a graça «de ver sempre os Lázaros que estão à nossa porta, os Lázaros que batem à porta do nosso coração», e a graça de «sair de nós mesmos com generosidade e atitude de misericórdia, para que a misericórdia de Deus possa entrar no nosso coração».
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