quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Papa Francisco

Não há humildade sem humilhação

· Missa em Santa Marta ·

Não há humildade e nem santidade que não passe através do caminho da humilhação: foi esta a verdade que Francisco frisou – evocando a história de David – durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 1 de Fevereiro, na capela da Casa de Santa Marta.
«Na primeira leitura prossegue-se com a história do rei David, o santo rei David», observou imediatamente o Papa, referindo-se ao trecho tirado do segundo livro de Samuel (15, 13-14, 30; 16, 5-13). É uma história, explicou, «que começou quando Samuel foi a casa de seu pai e David foi ungido rei», embora fosse ainda rapazinho. Depois «cresceu, teve as suas dificuldades, mas sempre foi um homem respeitador do rei que não o amava». Com efeito, o soberano «sabia que ele teria sido o seu sucessor». E «por fim David conseguiu unificar o reino de Israel: todos juntos com ele». Porém, «sentiu-se seguro e o zelo pela casa do Senhor começou a enfraquecer-se».
Precisamente «naquele tempo – ouvimos há dias – David estava prestes a entrar na corrupção», continuou Francisco. Assim, «o santo rei David, pecador mas santo, torna-se corrupto». Mas eis que «o profeta Natã, enviado por Deus», lhe faz «compreender que coisa negativa tinha feito, que coisa má: porque um corrupto não se dá conta. É necessária uma graça especial para mudar o coração de um corrupto». Portanto, «David, que ainda tinha o coração nobre», reconhece que pecou, «reconhece a sua culpa». E o que diz Natã? Eis as suas palavras: «O Senhor perdoa o teu pecado, mas a corrupção que semeaste crescerá. Tu mataste um inocente para encobrir um adultério. A espada nunca se afastará da tua casa». Por conseguinte, explicou o Papa, «Deus perdoa o pecado, David converte-se mas as feridas de uma corrupção dificilmente saram. Vemo-lo em tantas partes do mundo».
Foi a este ponto da história de David, afirmou Francisco, que «chegamos ao trecho de hoje: o filho de David faz guerra contra o pai. Quer o poder: o filho é já corrupto». Mas «o que faz David? Com aquela nobreza que, depois do pecado, reconquistou – também a penitência que fez para salvar o filho que morreu, o filho do adultério – reúne os seus: “Levantai-vos, e fujamos da cidade, para que não se apresse Absalão – o filho – e nos alcance, e lance sobre nós algum mal, e fira a cidade a fio de espada”, como era hábito naqueles tempos».
«Deus infligiu a David um duro castigo: “A espada nunca se afastará da tua casa”, recordou o Pontífice. Mas «ele defende a casa e foge, vai embora». É porventura «um cobarde? Não, é um pai». E «deixa a arca voltar», não «usa Deus, para se defender». Em síntese, David «vai embora para salvar o seu povo: esta é a estrada da santidade de David, depois daquele momento em que entrara na corrupção, começa a agir».
O trecho bíblico, prosseguiu o Papa, apresenta-nos David enquanto, chorando, sobe o monte das Oliveiras. Tinha «a cabeça coberta», em sinal de luto, e caminhava descalço. Fazia penitência. Também «toda a gente que estava com ele, os mais íntimos, tinha a cabeça coberta e subindo choravam: o pranto e a penitência». A Escritura faz-nos pensar também que «alguns, que não o amavam, começaram a segui-lo e a insultá-lo». Entre estes, estava Simei, que lhe chama «sanguinário» recordando-lhe «o crime que tinha feito contra Urias o Hitita para cobrir o adultério».
Abisai, uma das pessoas mais próximas de David, «quer defendê-lo» e gostaria de cortar a cabeça de Simei para o silenciar. Mas David dá «mais um passo: “Se este homem maldiçoar é porque o Senhor lhe ordenou: maldiçoa David!”». E «depois diz aos servos: “Eis, o filho que saiu das minhas vísceras tenta tirar-me a vida”». Pensa no seu filho Absalão. E por isso dirige-se aos seus servos: «Quanto mais este benjamita, deixai que amaldiçoe, porque foi o Senhor quem lho ordenou».
A questão, explicou Francisco, é que «David sabe ver os sinais: é o momento da sua humilhação, é o momento no qual ele está a pagar a sua culpa». A ponto que diz: «Talvez o Senhor olhe para a minha aflição e me dê o bem em troca da maldição de hoje». Resumindo «confia-se nas mãos do Senhor: este é o percurso de David, do momento da corrupção a esta entrega nas mãos do Senhor. E esta é a santidade. Esta é a humildade».
«Eu penso – prosseguiu o Papa – que cada um de nós, se alguém nos disser algo de mau», reage dizendo. «Mas não, eu não fiz isto, isto não é verdade, não!». Concretamente, nós «procuramos imediatamente dizer que não é verdade». Ou «fazemos como Simei: damos uma resposta ainda pior». Mas «a humildade – afirmou Francisco – só pode chegar a um coração através das humilhações: não há humildade sem humilhação». E «se tu não fores capaz de carregar algumas humilhações na tua vida, não és humilde. É assim: eu diria tão matemático, tão simples!».
Portanto, reafirmou o Papa, «a única estrada para a humildade é a humilhação». Por conseguinte «o objectivo de David, que é a santidade, realiza-se através da humilhação». Também «a finalidade da santidade que Deus oferece aos seus filhos, doa à Igreja, realiza-se através da humilhação do seu Filho que se deixa insultar, que se deixa levar para a cruz, injustamente. E «este filho de Deus que se humilha é o caminho da santidade: David, com a sua atitude, profetiza esta humilhação de Jesus».
Antes de retomar a celebração eucarística, Francisco pediu «ao Senhor, para cada um de nós, para toda a Igreja, a graça da humildade, mas também a graça de compreender que não é possível ser humilde sem humilhação».
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Comentário do dia



São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
Meditações sobre a vida de Cristo; Opera omnia, t. 12, pp. 530 ss.

«De onde Lhe vem tudo isto? [...] Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria?»

O Senhor Jesus, regressando do Templo e de Jerusalém a Nazaré com seus pais, morou com eles até à idade de trinta anos «e era-lhes submisso» (Lc 2,51). As Escrituras não nos dizem o que Ele fez durante todo este tempo, o que parece bastante surpreendente. [...] Mas, se olharmos com atenção, veremos claramente que, não fazendo nada, fazia maravilhas. Cada um dos seus gestos revela, com efeito, o seu mistério. E, como agia com poder, também Se calou com poder, permanecendo recolhido na obscuridade com poder. O Mestre soberano, que nos vai ensinar os caminhos da vida, começa desde a sua juventude a fazer obras poderosas, mas de uma forma surpreendente, incógnita e inconcebível, parecendo aos olhos dos homens inútil, ignorante e a viver no opróbrio. [...]

Ele apreciava esta maneira de viver, para ser julgado por todos como um ser pequeno e insignificante; isto fora anunciado pelo profeta, que dissera em seu nome: «Sou um verme e não um homem» (Sl 21,7). Vês portanto o que Ele fazia, não fazendo nada: tornava-Se desprezível [...]; parece-te pouca coisa? Seguramente, não era Ele que tinha necessidade disso, mas nós, pois não conheço coisa mais difícil nem mais grandiosa. Parece-me que chegaram ao mais alto grau aqueles que, de todo o seu coração e sem fingimento, se possuem suficientemente para não quererem nada de outrem senão ser desprezados, não contar para nada e viver num abaixamento extremo. É uma vitória maior que a tomada de uma cidade.

Papa Francisco

Encontro através do diálogo

· Entrevista do Papa Francisco a «Asia Times» ·

O Papa Francisco confessa a própria «admiração» pela China e pelo seu povo. «Para mim foi sempre um ponto de referência de grandeza, um grande país, aliás mais de que um país, uma grande cultura com uma sabedoria inesgotável», narra Francesco Sisci, que o entrevistou para o diário online em inglês «Asia Times».
Evocando a experiência do missionário jesuíta Matteo Ricci, o Pontífice afirma que hoje «é necessário entrar em diálogo com a China», uma terra «abençoada com muitas coisas». E a igreja católica – acrescenta – «tem o dever de respeitar com a “r” maiúscula» uma civilização como a chinesa, que representa «uma síntese de sabedoria e de história».
Para Francisco o mundo ocidental e o oriental têm a «capacidade de manter o equilíbrio da paz e a força para o fazer». Com a condição de que se ponha de lado o medo (que nunca é «um bom conselheiro») e se aceite o «desafio» do diálogo.
Na entrevista o Papa fala também do fenómeno da diminuição da natalidade e convida os chineses a «reconciliar-se com a própria história» através de uma atitude de «misericórdia» para consigo mesmos. Na conclusão o Pontífice envia os «melhores votos e saudações ao presidente Xi Jinping e ao povo inteiro» por ocasião do novo ano chinês que inicia no dia 8 de Fevereiro.
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Evangelho segundo S. Marcos 6,1-6.


Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O.
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.

Livro de Salmos 32(31),1-2.5.6.7.


Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa
e absolvido o pecado.
Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade
e em cujo espírito não há engano.

Confessei-vos o meu pecado
e não escondi a minha culpa.
Disse: «Vou confessar ao Senhor a minha falta»,
e logo me perdoastes a culpa do pecado.

Por isso a Vós se dirige todo o fiel
no tempo da tribulação.
Quando transbordarem as águas caudalosas,
só a ele não hão-de atingir.

Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos,
fazei que à minha volta só haja hinos de vitória.

Livro de 2º Samuel 24,2.9-17.


Naqueles dias, David ordenou a Joab e aos chefes do seu exército: «Ide por todas as tribos de Israel, desde Dan até Bersabé, e fazei o recenseamento da população, para que eu saiba qual é o seu número».
Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento: Israel contava oitocentos mil homens capazes de combater e Judá contava quinhentos mil.
Feito o recenseamento do povo, David sentiu remorsos e disse ao Senhor: «Pequei gravemente ao proceder deste modo. Mas agora, Senhor, dignai-Vos perdoar a falta do vosso servo, pois cometi uma grave loucura».
Na manhã seguinte, quando o rei se levantava, o Senhor dirigiu a palavra ao profeta Gad, vidente de David:
«Vai dizer a David: Assim fala o Senhor: Proponho-te três castigos. Escolhe aquele que preferes e Eu o executarei».
Gad foi ter com David e referiu-lhe esta mensagem: «Preferes três anos de fome no teu país, três anos de derrotas ante o inimigo que te perseguirá, ou três dias de peste no teu reino? Agora reflete e vê o que devo responder Àquele que me enviou».
David respondeu a Gad: «Sinto-me em grande ansiedade. Antes cair nas mãos do Senhor, porque é grande a sua misericórdia, do que cair nas mãos dos homens».
Então o Senhor enviou a peste a Israel, desde aquela manhã até ao dia fixado. Morreram setenta mil homens do povo, desde Dan até Bersabé.
O Anjo estendeu também a mão sobre Jerusalém para a destruir, mas o Senhor compadeceu-se de tanta desgraça e disse ao Anjo que exterminava o povo: «Basta! Agora retira a tua mão!». O Anjo do Senhor estava junto à eira de Araúna, o jebuseu.
Ao ver como o Anjo exterminava o povo, David disse ao Senhor: «Fui eu que pequei, sou eu o culpado. Mas estes, que são o rebanho, que mal fizeram? A vossa mão caia sobre mim e a minha família».

Santo do dia

Quarta-feira, dia 03 de Fevereiro de 2016

Quarta-feira da 4ª semana do Tempo Comum


Santo do dia : S. Brás, bispo e mártir, +316S. Oscar (Ansgário), bispo, +865 


Quarta-feira, dia 03 de Fevereiro de 2016

S. Brás, bispo e mártir, +316




S Brás, bispo e mártir
"Jesus levou-os até Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. E enquanto os abençoava, distanciou-se deles e era elevado aos céus" (Lc 24,50-51).
Hoje muitas pessoas vão à igreja a fim de receberem a "benção de São Brás". É um costume antigo, em que se pede a Deus, mediante essa bênção, que sejamos preservados de todo mal da garganta e de qualquer outra doença. A figura de São Brás está envolta em muitas lendas, segundo as quais ele teria vivido sozinho no deserto, no meio de animais ferozes. Depois, deveria ser devorado por leões, tigres e ursos, na arena romana, como mártir. E porquê a bênção da garganta? Conta a história que uma pobre mãe trouxe um filhinho sufocado por uma espinha de peixe, para que São Brás o curasse. Este lhe impôs as mãos, fez o sinal da cruz e a criança ficou curada. A devoção a esse Santo vem de longe. E é até representada num dos mais célebres vitrais da Catedral de Chartres, em França. A bênção - e eu penso na "benção de São Brás" - significa "força de Deus"; força em nossa vida, pela oração e também pela adesão à Sua vontade.

S. Oscar (Ansgário), bispo, +865




S. Óscar
Nasceu em França e partiu para o norte, para missionar junto dos normandos da Dinamarca e da Suécia, mas estes expulsaram-no e destruíram as igrejas que ele edificou. Terminou a sua vida em Brema, na Alemanha, nas costas do mar do Norte, onde implantara também o cristianismo.