quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

«O Verbo fez-Se homem»

Comentário do dia:

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Comentário sobre São João, I, 178s

O Verbo era a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina.

«O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos apalparam acerca do Verbo da vida [...], isso vos anunciamos» (1Jo 1,1-3). [...] O Verbo encarnado deu-Se a conhecer aos apóstolos de duas maneiras: eles reconheceram-No, em primeiro lugar, pela vista, recebendo do próprio Verbo o conhecimento do Verbo; e, em segundo lugar, pelo ouvido, recebendo do testemunho de João Baptista o conhecimento do Verbo.

Acerca do Verbo, João Evangelista começa por dizer o seguinte: «Nós contemplámos a sua glória.» [...] Para São João Crisóstomo, estas palavras estão relacionadas com a frase anterior do evangelho de João: «O Verbo fez-Se homem»; o evangelista pretende dizer que a encarnação nos conferiu, para além do benefício de nos tornarmos filhos de Deus, o benefício de vermos a sua glória. Com efeito, os olhos fracos e doentes não são capazes de, por si mesmos, contemplar a luz do sol; mas, quando o sol incide numa nuvem, ou num corpo opaco, já são capazes de o contemplar. Antes da encarnação do Verbo, os espíritos humanos eram incapazes de olhar directamente para a luz que «a todo o homem ilumina». Assim, e para que não fossem privados da alegria de a verem, a própria luz, o Verbo de Deus, quis revestir-Se de carne, a fim de que fôssemos capazes de a ver.

Então, estando os homens «voltados para o lado do deserto, a glória do Senhor apareceu, de repente, na nuvem» (Ex 16,10); isto é, o Verbo de Deus encarnou. [...] E Santo Agostinho observa que, para que pudéssemos ver a Deus, o Verbo sarou os olhos dos homens, fazendo da sua carne um colírio salutar. [...] Eis por que motivo, logo após ter dito: «O Verbo fez-Se homem», o evangelista acrescenta: «E nós contemplámos a sua glória», como que para explicar que, mal se aplicou este colírio, os nossos olhos ficaram sarados. [...] Era esta glória que Moisés desejava ver e da qual viu apenas uma sombra e um símbolo. Os apóstolos, pelo contrário, viram-na em todo o seu esplendor.

O Verbo era a luz verdadeira

Evangelho segundo S. João 1,1-18.
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.
No princípio, Ele estava com Deus.
Tudo se fez por meio d'Ele e sem Ele nada foi feito.
N'Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens.
A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam.
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.
Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu.
Veio para o que era seu e os seus não O receberam.
Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho d'Ele, exclamando: "Era deste que eu dizia: 'O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim'".
Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça.
Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.

Anunciai dia a dia a sua salvação

Livro de Salmos 96(95),1-2.11-12.13.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira,
cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.
Anunciai dia a dia a sua salvação,

Alegrem-se os céus, exulte a terra,
ressoe o mar e tudo o que ele contém,
exultem os campos e quanto neles existe,
alegrem-se as árvores das florestas.

Diante do Senhor que vem, que vem para julgar a terra:
julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade.

Anticristo

1ª Carta de S. João 2,18-21.
Meus filhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que há-de vir o Anticristo. Pois bem, surgiram já muitos anticristos e por isso sabemos que é a última hora.
Eles saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se fossem dos nossos, teriam ficado connosco. Assim sucedeu para ficar bem claro que nem todos eram dos nossos.
Vós, porém, tendes a unção que vem do Santo e todos possuís a ciência.
Não vos escrevo por ignorardes a verdade, mas porque a conheceis e porque nenhuma mentira provém da verdade.

Papa Francisco

Juntamente com os fiéis na praça de São Pedro para a última audiência geral de 2015 o Papa Francisco falou sobre o Natal e dirigiu um pensamento às vítimas das calamidades que atingiram as Américas e a Grã-Bretanha. ·

Também Deus «foi um menino». O Pontífice ofereceu uma reflexão natalícia na quarta-feira 30 de Dezembro durante a audiência geral e convidou os fiéis reunidos na praça a «observar a vida das crianças» para aprender a acolher e amar Jesus. De facto, afirmou o Papa, «podemos aprender muito com Ele se observarmos a vida das crianças». E a primeira coisa que se descobre é «que as crianças querem a nossa atenção. Porque têm necessidade de se sentirem protegidas». Portanto, acrescentou Francisco, «é necessário também que coloquemos Jesus no centro da nossa vida e saibamos, mesmo que pareça paradoxal, que temos a responsabilidade de o proteger».
O segundo aspecto refere-se ao facto de que é preciso «fazer sorrir o Menino Jesus para lhe demonstrar o nosso amor e a nossa alegria porque ele está no meio de nós». Com efeito, «o seu sorriso é sinal do amor que nos dá a certeza de que somos amados».
Por fim, o último aspecto diz respeito ao amor das crianças pelas brincadeiras. «Fazer brincar um menino, contudo, significa – observou o Pontífice – abandonar a nossa lógica para entrar na dele. Se quisermos que se divirta é necessário compreender do que gosta, e não ser egoísta, fazendo com que ele faça só o que nós gostamos. É um ensinamento para nós. Diante de Jesus somos chamados a abandonar a nossa pretensão de autonomia, para acolher ao contrário a verdadeira forma de liberdade, que consiste em conhecer quem está à nossa frente e servi-lo». Eis então a exortação para «abraçar o Menino Jesus» pondo-nos «ao seu serviço», porque – concluiu – ele «é fonte de amor e de serenidade».
E nas pegadas desta atenção privilegiada aos mais pequeninos, com o pensamento dirigido às calamidades naturais que nestes dias afligem os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a América do Sul, especialmente o Paraguai, no final da audiência o Pontífice convidou a rezar pelas vítimas e pelos desabrigados. «O Senhor dê conforto àquelas populações – desejou – e a solidariedade fraterna os socorra nas suas necessidades».
- See more at: http://www.osservatoreromano.va/pt/news/salvos-por-um-menino#sthash.e4vDTzb9.dpuf

Santo do dia

Quinta-feira, dia 31 de Dezembro de 2015

S. Silvestre I, papa, +335



S. Silvestre, Papa
Era um homem piedoso e santo com uma personalidade pouco marcada. Foi um homem apagado ao lado de um Imperador culto e ousado, o qual mais que servi-lo se terá antes servido dele, da sua simplicidade e humanidade, agindo como verdadeiro bispo da Igreja. E, na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos, com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou político. Apesar de tudo, S. Silvestre terá sido o Papa ideal para as circunstâncias, pois ainda estava muito viva a lembrança dos horrores que passara a Igreja e, como testemunha de tudo isso, terá preferido agradecer este dom inesperado da protecção imperial e agir com moderação e prudência.
 Entretanto, novas pregações tinham voltado a negar a divindade da 2ª Pessoa e por conseguinte o Mistério da Santíssima Trindade. Constantino, dando conta desta agitação doutrinária, manda convocar os bispos do império para discutirem de novo esta questão. Sabemos que o Papa dá o seu acordo, e envia como representantes seus, Oslo, Bispo de Córdova, acompanhado por dois presbíteros. Ele próprio, como dignidade suprema, não se imiscuía nas disputas, reservando-se a aprovação do veredicto final, pois não convinha parecer demasiado submisso ao Imperador.
         Depois de 21 anos de pontificado, cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida da Igreja, morre S. Silvestre I no último dia do ano 335, dia em que a Igreja venera a sua memória.
         Sepultado no cemitério de Priscíla, os seus restos mortais seriam transladados por Paulo I  (757-767) para a Igreja erguida em sua memória.