segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Papa Francisco

Prova de humanidade

· O Papa convidou o mundo a olhar para a África, elogiou o esforço generoso do Uganda no acolhimento dos refugiados e relançou a actualidade do ecumenismo do sangue ·

O acolhimento de quantos fogem de guerras, violências e injustiças é «uma prova da nossa humanidade, do nosso respeito pela dignidade humana e, antes de tudo, da nossa solidariedade com os irmãos e irmãs necessitados». Tendo partido do Quénia, na tarde de sexta-feira 27 de Novembro, o Papa chegou ao Uganda, segunda etapa da viagem em terra africana, e imediatamente prestou homenagem «ao esforço excepcional» que o país africano demonstrou na hospitalidade dos refugiados. «Aqui na África oriental – disse – os ugandeses permitiram que quantos fogem de guerras e miséria «reconstruíssem as próprias existências, fazendo compreender a dignidade que deriva do ganhar a vida com um trabalho honesto». De resto, observou, «o nosso mundo, marcado pela violência e por diversas formas de injustiça, é testemunha de uma movimento migratório sem precedentes».
No discurso pronunciado na residência presidencial de Entebbe, o Papa encorajou «os muitos esforços silenciosos realizados para assistir os pobres, os doentes e as pessoas com qualquer tipo de dificuldade». Porque – explicou – «nestes pequenos sinais é que podemos ver a verdadeira alma de um povo». E elogiou a população ugandesa que contribui assim para tornar «o nosso mundo mais solidário», e convidou a não ceder à cultura do descartável «que nos torna cegos diante dos valores espirituais, endurece os nossos corações face às necessidades dos pobres e priva os nossos jovens da esperança».
No início o Pontífice evocou também o motivo principal da sua visita: o cinquentenário da canonização dos mártires ugandeses. Tema que retomou depois quando, em Kampala, quis parar em Munyonyo, lugar onde teve início a perseguição que levou ao martírio numerosos cristãos, anglicanos e católicos. Encontrando-se com os catequistas ali, Francisco evidenciou o papel dos leigos na evangelização do país e actualizando o testemunho dos mártires frisou que o dos catequistas «é um trabalho santo. Deveis ser mestres – disse-lhes – mas isto não serve se não fordes testemunhas»; aliás, mais ainda, «testemunhas de santidade», capazes de prosseguir «sem medo» indo a todos os recantos do país «para difundir a boa semente da palavra de Deus».
E o testemunho dos mártires ugandeses foi reapresentado por Francisco na manhã de sábado durante a grande missa de povo celebrada no santuário erigido em sua honra em Namugongo. Na homilia, recordando que «os prazeres mundanos e o poder não dão alegria e paz duradouras», retomou um tema querido aos seu magistério, o «ecumenismo do sangue», que uniu católicos e anglicanos no martírio e que hoje continua a unir os cristãos de todas as confissões.
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«Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»

Comentário do dia:

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n°14, 2



Que pescaria admirável a do Salvador! Admirai a fé e a obediência dos discípulos. Como sabeis, a pesca exige uma atenção ininterrupta. Ora, no meio da sua labuta, eles ouvem o chamamento de Jesus e não hesitam um instante, dizendo por exemplo: «Deixa-nos ir a casa falar com a nossa família.» Não, deixam tudo e seguem-No, como Eliseu fez com Elias (1Rs 19,20). Esta é a obediência que Cristo nos pede: sem a menor hesitação, mesmo que necessidades aparentemente mais urgentes nos pressionem. Foi por isso que quando um jovem que queria segui-Lo Lhe pediu para ir primeiro sepultar o pai, Ele não lho permitiu (Mt 8,21). Seguir Jesus, obedecer à sua palavra, é um dever que tem prioridade sobre todos os outros.


Dir-me-ás talvez que a promessa que Ele lhes fazia era muito grande. Mas é por isso que os admiro tanto: embora não tendo ainda assistido a nenhum milagre, eles acreditaram nessa promessa tão grande e renunciaram a tudo para O seguir! E fizeram-no por acreditarem que, com as mesmas palavras com que eles próprios haviam sido como que pescados, também eles poderiam pescar outros.

Jesus

Evangelho segundo S. Mateus 4,18-22.
Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.»
E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e
eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos -www.capuchinhos.org

O seu eco ressoou por toda a terra

Livro de Salmos 19(18),2-3.4-5.
Os céus proclamam a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
O dia transmite ao outro esta mensagem
e a noite a dá a conhecer à outra noite.

Não são palavras nem linguagem
cujo sentido se não perceba.
O seu eco ressoou por toda a terra
e a sua notícia até aos confins do mundo.

Todo o que nele acreditar não ficará frustrado

Carta aos Romanos 10,9-18.
Irmãos: Se confessares com a tua boca: «Jesus é o Senhor», e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo.
É que acreditar de coração leva a obter a justiça, e confessar com a boca leva a obter a salvação.
É a Escritura que o diz: Todo o que nele acreditar não ficará frustrado.
Assim, não há diferença entre judeu e grego, pois todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam.
De facto, todo o que invocar o nome do Senhor será salvo. Culpa de Israel: a falta de fé
Ora, como hão-de invocar aquele em quem não acreditaram? E como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que o anuncie?
E como hão-de anunciar, se não forem enviados? Por isso está escrito: Que bem-vindos são os pés dos que anunciam as boas-novas!
Porém, nem todos obedeceram à Boa-Nova. É Isaías quem o diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?
Portanto, a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo.
Mas, pergunto eu, será que não a ouviram? Pelo contrário: A voz deles ressoou por toda a terra e até aos confins do mundo as suas palavras.

Santo do dia

Segunda-feira, dia 30 de Novembro de 2015

Santo André, apóstolo



Os gregos chamam a este ousado apóstolo "Protókletos", que significa: o primeiro chamado. Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Baptista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André e João foram atrás d'Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: "Que procurais?" - Mestre, onde habitas? - "Vinde e vede". A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.

domingo, 29 de novembro de 2015

Papa Francisco

O grito da mãe terra

· Francisco recorda aos participantes no V festival da doutrina social da Igreja que o respeito da natureza e da criação é o grande desafio para o futuro do homem ·

Com um convite a «ouvir o grito da mãe terra», porque «o respeito das criaturas e da criação representa um grande desafio para o futuro do homem», foi dirigido pelo Papa Francisco aos participantes no V festival da doutrina social da Igreja que decorre em Verona de 26 a 29 de Novembro. 
Numa mensagem vídeo o Papa frisou quanto é necessária hoje «a capacidade de dialogar, de construir pontes e não muros». Este é o tempo do diálogo, não da defesa de inflexibilidades contrapostas». «Por todos – acrescentou o Pontífice – é sentida a necessidade de mudança porque se intui que alguma coisa não funciona. O consumismo, a idolatria do dinheiro, as demasiadas desigualdades e injustiças, a homologação com o pensamento dominante são um peso do qual nos queremos libertar recuperando a nossa dignidade e comprometendo-nos na partilha, sabendo que a solução dos problemas concretos não provém do dinheiro mas da fraternidade que se ocupa do outro... Fazer um pouco de limpeza, aumentar a transparência, recuperar vigor, genuinidade e agilidade faz bem às estruturas e às pessoas: encontraremos de novo o estímulo e o entusiasmo de fazer algo bom ao serviço dos irmãos. Para as novas necessidades e pobrezas são necessárias respostas novas. Vivendo a proximidade encontraremos também a inspiração e a força para dar uma forma concreta à mudança que todos desejam».
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