segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Papa Francisco

Com a força da verdade

· No Angelus o Papa opõe a lógica de Cristo à mundana que usa as armas do medo, da chantagem e da manipulação ·

«A lógica mundana baseia-se na ambição, na competição, combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências»; ao contrário, a lógica «do Evangelho exprime-se na humildade e na gratuitidade, afirma-se silenciosa mas eficazmente com a força da verdade», salientou o Papa no Angelus de domingo 22 de Novembro, falando sobre a solenidade de Cristo Rei aos numerosos fiéis presentes na praça de São Pedro. «Falar de poder e de força – disse o Pontífice – para o cristão significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, inclusive diante da rejeição, e que se manifesta como o cumprimento de uma vida dedicada na oferta total de si a favor da humanidade».
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A vossa libertação

Comentário do dia:

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Sobre Isaias, III, 1 (a partir da trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 6, p. 76)

«Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai as vossas cabeças, porque a vossa libertação está próxima» (Lc 21, 28

«Reduzistes a cidade a um montão de pedras; a cidadela dos orgulhosos está aniquilada, jamais será reedificada. Por isso um povo forte vos glorifica» (Is 25,2-3). Pertence ao desígnio constante de Deus omnipotente e aos seus conselhos irrepreensíveis reduzir as «cidadelas» a «montões de pedra», abalá-las desde os fundamentos, sem esperança de voltarem a erguer-se. «Jamais será reedificada», diz o texto. Estas cidades destruídas não são, a nosso ver, aquelas que são perceptíveis pelos sentidos, nem são os homens que nelas vivem. Parece-nos que se trata antes das potências más e hostis, e sobretudo de Satanás, aqui chamado cidade e «cidadela». [...]


Quando o Emanuel apareceu e brilhou neste mundo, o exército ímpio das potências adversas foi derrubado, Satanás foi abalado nos seus fundamentos e caiu, enfraquecido para sempre, sem esperança de voltar a erguer-se, de levantar de novo a cabeça.


Por isso, o povo pobre e a cidade dos homens oprimidos bendirá o Senhor. Israel foi chamado ao conhecimento de Deus pela pedagogia da Lei, foi cumulado de todos os bens por Deus. Sim, Israel foi salvo e obteve em herança a terra da promessa. Mas a multidão das nações que estão sob o céu estava privada destes bens espirituais. [...] Quando Cristo apareceu em pessoa e, destruindo a tirania do demónio, as conduziu a seu Deus e seu Pai, foram enriquecidas com a luz da verdade pela participação na glória divina, pela grandeza da vida do Evangelho. É por isso que cantam hinos de acções de graças a Deus Pai: «Vós realizastes os vossos maravilhosos desígnios» (v.1), tudo recapitulando em Cristo. Vós iluminastes aqueles que se encontravam nas trevas (cf Lc 1,79), derrubando as potências que dominam o mundo (cf Ef 6,12) como se derrubam cidadelas. «Por isso um povo forte vos glorifica».

Jesus disse-lhes:

Evangelho segundo S. Lucas 21,5-11.
Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes:
«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído».
Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?».
Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais.
Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim».
Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino.
Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu».

Anjos do Senhor, bendizei o Senhor

Livro de Daniel 3,57.58.59.60.61.
Obras do Senhor, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Céus, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.

Anjos do Senhor, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Águas que estais sobre os céus, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.

Poderes do Senhor, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.

Naqueles dias, Daniel disse ao rei Nabucodonosor

Livro de Daniel 2,31-45.
Naqueles dias, Daniel disse ao rei Nabucodonosor: «Tu, ó rei, tiveste esta visão: apareceu uma grande estátua, uma estátua gigantesca e de extraordinário esplendor: erguia-se diante de ti e o seu aspeto era terrível.
A cabeça da estátua era de ouro fino, o peito e os braços eram de prata, o ventre e as coxas eram de bronze,
as pernas eram de ferro e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro.
Estavas a olhar para ela, quando uma pedra se deslocou sem intervenção de mão alguma e foi bater nos pés da estátua, que eram de ferro e de barro, e reduziu-os a pó.
Então pulverizaram-se ao mesmo tempo o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e ficaram como a moinha das eiras no verão: levou-os o vento e não ficou rasto deles. A pedra que tinha batido na estátua tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra.
Foi esse o sonho; e daremos a sua interpretação diante do rei:
Tu, ó rei, és o rei dos reis, a quem o Deus do Céu deu a realeza, o poder, a força e a glória.
Ele entregou-te nas mãos os filhos dos homens, os animais dos campos e as aves do céu, onde quer que eles habitem, e fez-te senhor de todos eles. És tu a cabeça de ouro.
Depois de ti surgirá outro reino, inferior ao teu; a seguir, um terceiro reino, um reino de bronze, que dominará toda a terra.
E haverá um quarto reino, duro como o ferro. Assim como o ferro tudo esmaga e despedaça, esse reino esmagará e despedaçará todos os outros.
Os pés e os dedos que viste, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, significam um reino dividido. Terá a solidez do ferro e por isso viste o ferro misturado com o barro mole.
Mas se os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro é porque o reino será em parte forte e em parte frágil.
Viste o ferro misturado com a argila: assim também as duas partes se hão-de ligar por geração humana; mas não se hão-de unir solidamente, como o ferro não pode misturar-se com o barro.
No tempo desses reis, o Deus do Céu fará surgir um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará a outro povo. Esmagará e reduzirá a nada todos esses reinos, mas ele permanecerá para sempre.
É o que significa a pedra que viste desprender-se da montanha sem intervenção de mão alguma e pulverizar o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O grande Deus fez saber ao rei o que vai acontecer em seguida. O sonho é verdadeiro e fidedigna a sua explicação».

Santo do dia



Terça-feira, dia 24 de Novembro de 2015

Santo André Dung Lac e companheiros, presbíteros, mártires vietnamitas, séc. XVIII e XIX




No dia 9 de junho de 1988, João Paulo II canonizou 116 mártires pertencentes à Igreja do Vietnam. Desses, 96 eram de origem vietnamita e os demais missionários provenientes da Espanha e da França. Desde 1624, quando os primeiros jesuítas fundaram ali as bases do cristianismo, os cristãos sofreram contínuas e sangrentas perseguições. Eram acusados de destruir, com sua pregação, os valores culturais e religiosos do país. Durante a perseguição de 1843, um deles, Paulo Le Bao-Tinh escrevia da prisão:
"O meu cárcere é verdadeiramente uma imagem do fogo eterno. Aos cruéis suplícios de todo género, como grilhões, algemas e ferros, juntam-se ódio, vingança, calúnias, palavrões, acusações, maldades, falsos testemunhos, maldições e, finalmente, angústia e tristeza. Mas Deus, tal como outrora libertou-me dessas tribulações, que se tornaram suaves, porque a sua misericórdia é eterna!"
Santo André Dung-Lac, era de família pobre, reconheceu a riqueza do Dom Sacerdotal e foi ordenado Padre em 1823; no meio das perseguições desejava ardentemente testemunhar Jesus Cristo com o martírio, pois dizia que "aqueles que morrem pela fé sobem ao céu".

Papa Francisco

Horizontes abertos

· O Pontífice convidou os professores cristãos a experimentarem novos métodos inclusivos ·

Educar, com novos métodos e horizontes abertos, para os valores da humanidade e para a transcendência: foi a exortação que o Papa Francisco dirigiu aos participantes no congresso mundial promovido pela Congregação para a educação católica, recebidos na manhã de 21 de Novembro na sala Paulo VI. Num clima de festa e de diálogo, caracterizado por uma presença preponderante de jovens, o Pontífice respondeu directamente a três perguntas que lhe foram dirigidas por um director escolar, um religioso e uma religiosa.
Depois de ter recomendado que nunca se faça proselitismo nas escolas, o Papa partiu do pressuposto que não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade. Com efeito, é preciso guiar os jovens e as crianças para os valores humanos, com particular atenção ao transcendente. Segundo Francisco, a maior crise da educação, em especial hoje, é o fechamento à transcendência. Porque — disse, criticando abertamente a tendência que o neopositivismo imperante tem de apostar apenas nas realidades imanentes — nenhum fechamento contribui para a educação.
Sucessivamente, o Pontífice expressou solidariedade aos educadores católicos, relevando que estão entre as categorias de profissionais mais mal remuneradas. A propósito, constatou também a ruptura do pacto educativo entre família e escola, e entre família e Estado. Depois, denunciou como a educação está a tornar-se demasiado selectiva, com a consequência de que nem todas as crianças têm acesso à mesma. Também porque, observou, o elitismo em vez de aproximar os povos, afasta-os, separa os ricos dos pobres, divide as culturas. Então, é urgente um novo pacto social, acompanhado pela necessidade de procurar novos caminhos, como fez a seu tempo dom Bosco, com a sua «educação de emergência», que se caracteriza por ser informal e inclusiva. Ao contrário da actual, que é formal e depauperada, porque se funda no tecnicismo intelectualista.
Entre os exemplos positivos actuais, Francisco citou o método de Scholas occurrentes que, afastando-se de esquemas tradicionais, educa também através do desporto e da arte, agindo sobre a linguagem da cabeça, do coração e das mãos. Enquanto, ao contrário, as escolas geralmente apostam na criação de super-homens — aqueles que têm dinheiro para pagar as melhores — porque se inspiram apenas no critério do interesse, do fantasma do dinheiro que arruína a humanidade.
Outra consequência é a rigidez, quando na realidade seriam necessários o diálogo, a fraternidade e a universalidade. Também por este motivo, acrescentou, o verdadeiro educador deve ser um «mestre de risco», como cada pai sabe ser, quando ensina o filho a caminhar.
Finalmente, com referência à crónica recente, o Pontífice afirmou que no momento de conflito a tentação são os muros; mas a maior falência é precisamente a de educar dentro dos muros. Ao contrário, repetiu, é preciso ir às periferias, porque as realidades se entendem melhor dali que do centro. Portanto, ir às periferias não significa só fazer beneficência e dar de comer, mas também levar pela mão, acompanhar. E concluiu, esclarecendo que sobretudo nesta perspectiva a Europa deve ser novamente educada para os valores da inclusão. 
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