sábado, 31 de outubro de 2015

O segredo do último lugar

Comentário do dia:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 37 sobre o Cântico dos Cânticos



Se soubéssemos claramente em que lugar Deus coloca cada um de nós, aceitaríamos tal decisão sem nunca nos colocarmos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso estado presente, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade está-nos oculta. Por isso, o mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, é escolhermos o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Ao passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer; mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não devemos recear nenhuma humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência.


Não vos compareis, nem com os que são maiores que vós, nem com os vossos inferiores, nem com quaisquer outros, nem sequer com um só. Que sabeis sobre eles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis em sobriedade, justiça e piedade, mas até por comparação com outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: «Toma o último lugar», a fim de ficarmos verdadeiramente sós na última fila. Desse modo não pensareis, já não digo em preferir-vos, mas simplesmente em comparar-vos com quem quer que seja.     

Papa Francisco

Capazes de compaixão

· ​Missa em Santa Marta ·

O perdão de Deus não é uma sentença do tribunal que pode absolver por «insuficiência de provas». Ao contrário, nasce da compaixão do Pai por todas as pessoas. E é esta precisamente a missão de cada sacerdote, que deve ter a capacidade de se comover para entrar deveras na vida do seu povo. Reafirmou Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira, 30 de Outubro, na capela da Casa de Santa Marta.
A compaixão, frisou o Papa na homilia pronunciada em espanhol, é «uma das virtudes, por assim dizer, um atributo que Deus possui». Isto é-nos narrado por Lucas no trecho evangélico (14, 1-6) proposto pela liturgia. Deus, afirmou Francisco, «tem compaixão; compaixão por cada um de nós; compaixão pela humanidade e enviou o seu Filho para a curar, regenerar, recriar, renovar». Por isso, prosseguiu, «é interessante que na parábola do filho pródigo, que todos conhecemos, se diz que quando o pai – imagem de Deus que perdoa – vê que o filho volta, sente compaixão».
«A compaixão de Deus não é sentir pena: uma não tem nada a ver com a outra», advertiu o Papa. De facto, «posso sentir pena por um cãozinho que está a morrer ou por uma situação». E «sinto pena também por uma pessoa: faz-me pena, sinto muito que lhe esteja a acontecer algo». Mas «a compaixão de Deus é entrar no problema, na situação do outro, com o seu coração de Pai». E «por isso enviou o seu Filho».
«Constatamos a compaixão de Jesus no Evangelho», prosseguiu Francisco, recordando que «Jesus curava as pessoas sem ser um curandeiro». Aliás Jesus «curava as pessoas como sinal – além de as curar verdadeiramente – como sinal da compaixão de Deus, para salvar, para reconduzir a ovelha perdida ao redil, repor no porta-moedas as dracmas perdidas pela mulher», acrescentou referindo-se às parábolas evangélicas.
«Deus sente compaixão» repetiu o Pontífice. E «com coração de Pai, entrega o seu coração por cada um de nós». Com efeito, «quando Deus perdoa, perdoa como Pai, não como um oficial judiciário que lê os actos de um processo e diz: “sim, na realidade pode ser absolvido por insuficiência de provas...”». Deus «perdoa-nos a partir de dentro, perdoa porque entrou no coração daquela pessoa».
Depois, Francisco recordou que «quando Jesus deve apresentar-se na sinagoga, em Nazaré, pela primeira vez, e lhe dão a ler o livro, cabe-lhe precisamente o anúncio do profeta Isaías: “Fui enviado para anunciar a boa nova, para libertar quantos se sentem oprimidos”». Estas palavras significam, explicou, «que Jesus foi enviado por Deus para entrar em cada um de nós, libertando-nos dos nossos pecados, dos nossos males e para anunciar “a boa nova”». De facto, o «anúncio de Deus» «é jubiloso».
E esta é também a missão de cada sacerdote: «Comover-se, comprometer-se na vida do povo, porque um presbítero é um sacerdote, assim como Jesus é sacerdote». Contudo, acrescentou o Pontífice, «quantas vezes – e depois tivemos que nos ir confessar – criticámos aqueles sacerdotes aos quais não interessa o que acontece aos seus paroquianos, que não se preocupam por eles: “não, não é um bom sacerdote”, dissemos». Porque «um bom sacerdote compromete-se». Exactamente como faz desde há sessenta anos o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, arcebispo-bispo emérito de Zacatecas e presidente emérito do Pontifício Conselho para a pastoral no campo da saúde, apesar dos seus problemas de saúde. A ele – presente na missa juntamente com noventa fiéis mexicanos – Francisco dirigiu-se com particular afecto no aniversário da sua ordenação sacerdotal, ocorrida a 20 de Outubro de 1955.
Ao cumprimentar o cardeal, dando graças a Deus pelo seu serviço especialmente às pessoas que sofrem, o Papa aproveitou a ocasião para apresentar de novo o perfil essencial desse sacerdote, reconhecido antes de tudo pela sua capacidade de cuidar do povo, primeiro na paróquia e depois também como bispo, comprometido num dicastério da cúria romana. Sessenta anos de vida sacerdotal, afirmou o Papa, contêm certamente uma grande riqueza de encontros, de problemas humanos, de escuta e de perdão. Sempre ao serviço da Igreja.
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Conferência episcopal italiana

O sonho de Deus

· Mensagem da Conferência episcopal italiana para o 38º dia nacional pela vida ·

«Todos os que se põem ao serviço da pessoa humana realizam o sonho de Deus»: recordaram os bispos italianos, que difundiram hoje a mensagem para o 38º dia nacional pela vida, que se celebra a 7 de Fevereiro de 2016. «A misericórdia faz florescer a vida» é o título do documento, assinado pelo Conselho permanente da Cei. 
Contagiar com misericórdia, lê-se na mensagem, «significa ajudar a nossa sociedade a sarar de todos os atentados à vida. A lista é impressionante: “É atentado à vida – escrevem os bispos, citando o discurso do Pontífice aos participantes no encontro promovido pela Associação Ciência e Vida a 30 de Maio de 2015 – a chaga do aborto. É atentado à vida deixar morrer os nossos irmãos nas embarcações no canal da Sicília. É atentado à vida a morte no trabalho porque não se respeitam as mínimas condições de segurança. É atentado à vida a morte por subalimentação. É atentado à vida o terrorismo, a guerra, a violência; mas também a eutanásia. Amar a vida é sempre cuidar do outro, querer o seu bem, cultivar e respeitar a sua dignidade transcendente”». A misericórdia, recordam os prelados, «fará florescer a vida: a dos migrantes rejeitados nos barcos ou nos confins da Europa, a vida de crianças obrigadas a ser soldados, a vida das pessoas idosas excluídas do aconchego do lar e abandonadas em asilos, a vida de quem é explorado por patrões sem escrúpulos, a vida de quantos não vêem reconhecido o seu direito a nascer», porque, como disse Francisco em Santa Marta a 16 de Março passado, «somos nós o sonho de Deus que, como um verdadeiro apaixonado, quer mudar a nossa vida».
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Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»

Evangelho segundo S. Lucas 14,1.7-11.
Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus, para tomar uma refeição. Todos O observavam.
Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola:
«Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu;
então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar.
Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados.
Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

«Os meus pés vacilam»

Livro de Salmos 94(93),12-13a.14-15.17-18.
Feliz o homem a quem Vós ensinais, Senhor, e instruís na vossa lei,
para lhe dar a paz nos dias de angústia.
O Senhor não rejeita o seu povo nem abandona a sua herança.
Mas há-de julgar com justiça e hão-de segui-la todos os corações retos.
Se o Senhor não viesse em meu auxílio, em breve a minha alma habitaria no silêncio.
Quando digo: «Os meus pés vacilam», a vossa bondade, Senhor, me sustenta.


Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.

Carta aos Romanos 11,1-2a.11-12.25-29.
Irmãos: Eu pergunto: Teria Deus rejeitado o seu povo? De modo nenhum. Porque eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
Deus não rejeitou o seu povo, que de antemão conheceu.
Pergunto ainda: Teria Israel tropeçado para cair definitivamente? De modo nenhum. Mas da sua queda resultou a salvação dos gentios, para provocar a emulação de Israel.
Se a sua queda se tornou riqueza para o mundo e o seu declínio riqueza para os gentios, que não fará a sua participação plena na salvação?
Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para não pensardes que sois sábios: O endurecimento de uma parte de Israel durará até que chegue à salvação a plenitude dos gentios.
Então todo Israel será salvo, como diz a Escritura: «De Sião virá o Libertador, que afastará as iniquidades de Jacob.
E esta será a aliança que farei com eles, quando perdoar os seus pecados».
Quanto ao Evangelho, eles são inimigos de Deus para vossa utilidade; mas quanto à escolha divina, são por Ele amados por causa dos seus pais.
Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.

Santo do dia

Sabado, dia 31 de Outubro de 2015

Santo do dia : Santo Afonso Rodrigues, viuvo, religioso, +1617 


Sabado, dia 31 de Outubro de 2015

Santo Afonso Rodrigues, viuvo, religioso, +1617

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O humílimo Afonso Rodriguez ancorou na vida religiosa após uma infeliz experiência matrimonial. Educado no colégio jesuíta de Alcalá, teve de abandonar os estudos para tomar o lugar do pai no comércio de tecidos, casando-se aos 27 anos de idade. Tendo perdido a esposa e os filhos, angustiado procurou continuar a sua vida como comerciante até se descuidar, caindo em dívidas e a cada dia mais perdendo o gosto pelas coisas materiais. Sentindo-se chamado para a vida religiosa, ingressou na Companhia de Jesus como simples irmão coadjutor. Durante quase quarenta anos foi religioso exemplar, exercendo o humilde mister de porteiro. Foi o Jesuíta e confessor, que preparou São Pedro Claver, que seria o apóstolo dos escravos negros. Santo Afonso Rodriguez era de facto um grande mestre na oração. Dotado de dons sobrenaturais e carismas, desenvolveu grande apostolado, chegando a possuir numeroso grupo de discípulos, entre os quais São Pedro Claver. Deixou escritos que revelam uma sabedoria nada livresca, muito verdadeira e profunda. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII.

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