quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Comentário do dia



Liturgia bizantina
Vésperas de 20 de Dezembro

Prepara-te, Belém: Ele vem!

Prepara-te, Belém: as portas do Éden abrem-se para todos. Exulta, Efratá (Mi 5,1), pois na gruta a Virgem faz florir a árvore de vida. […] Cristo aproxima-Se para nos servir; Ele, o Criador, toma a forma da obra das suas mãos. Rico na sua divindade e cheio de misericórdia, traz ao infeliz Adão uma nova criação e um nascimento novo. Inclina os céus, e no seio da Virgem Maria aproxima-Se de nós, revestido da nossa carne. Vai nascer na gruta de Belém, segundo as Escrituras; é como criança que surge, Ele que dá a vida às crianças no seio de suas mães.


Vamos pois ao seu encontro; vamos a Belém em grande alegria e com a alma em festa. O Senhor […] chega a sua casa como um estrangeiro; acolhamo-Lo para nos tornarmos hóspedes do seu paraíso, e aí ficarmos pela misericórdia daquele que nasce no estábulo. Abrem-se-nos já os pórticos da encarnação do Verbo de Deus.


Céus, rejubilai de alegria! Anjos, tremei de entusiasmo! Que a terra e os que a habitam se entreguem à alegria com os pastores e os magos! A Virgem Maria avança, com um vaso de alabastro cheio de perfume; trá-lo para a gruta, para nos aspergir as almas com o seu perfume, no Espírito Santo. Acorrei, potestades dos anjos! Vós que habitais Belém, preparai o presépio, porque Cristo está a caminho, a Sabedoria está a chegar. Fiéis, recebei os nossos votos; povos, digamos para júbilo da Mãe de Deus: «Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!» (Mt 21,9). Cristo, nosso Deus, vai aparecer à plena luz do dia; Ele já não demora. Nascerá de uma Virgem imaculada; depois, há-de descansar na gruta. […] Dirige o coro, Isaías, anuncia o Verbo de Deus, profetiza-nos que a sarça da Virgem é uma chama de fogo que não se consome (Ex 3,2). […] O astro misterioso que pára sobre o estábulo designa o Autor da vida, o Senhor que vem salvar todos os homens.



Glória a Deus nas alturas

Evangelho segundo S. Lucas 2,1-14.
Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra.
Este primeiro recenseamento efetuou-se quando Quirino era governador da Síria.
Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.
José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David,
a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe.
Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz
e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos.
O Anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo:
nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo:
«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org

Um povo purificado

Carta a Tito 2,11-14.
Caríssimo: Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens.
Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade,
aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo,
que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome

Livro de Salmos 96(95),1-3.11-13.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome,
anunciai dia a dia a sua salvação

publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.
Alegrem-se os céus, exulte a terra,
ressoe o mar e tudo o que ele contém.

Exultem os campos e quanto neles existe,
alegrem-se as árvores dos bosques.
Diante do Senhor que vem, que vem para julgar a terra.
Julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade.


Porque um menino nasceu para nós

Livro de Isaías 9,1-6.
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar.
Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos.
Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.
Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas.
Porque um menino nasceu para nós um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz».
O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

Santo do Dia

Quarta-feira, dia 24 de Dezembro de 2014

S. Charbel Makhlouf, monge, eremita, +1898



Charbel, cujo nome de baptismo era José, nasceu em Buga-Kafra, povoado do Norte do Líbano, em 1828. Filho de numerosa família pobre, mas profundamente religiosa, órfão de pai em tenra idade, desde criança sentia o chamamento de Deus para a vida religiosa. Aos 20 anos entrou no mosteiro da ordem libanesa maronita em Maifuc, seguindo depois para Annaya. No noviciado recebeu o nome de Charbel, santo martirizado em Edessa, cuja festa é celebrada pelos maronitas no dia 5 de dezembro. Foi ordenado sacerdote em 1859. No ano seguinte, escapou por pouco da horrível invasão turca, na qual morreram milhares de jovens cristãos e igrejas e mosteiros foram saqueados e destruídos.

Sua vida religiosa resumia-se à prática da profissão evangélica e austeridade, assiduidade na oração e obediência aos superiores. Em 1875, Charbel obteve licença para viver como eremita no ermo dos santos apóstolos Pedro e Paulo, a 1200 metros de altitude. Procurava, assim, viver na maior austeridade de vida, com mais rigor ainda do que no convento. Charbel não foi pregador nem missionário. Contudo, o seu eremitério era muito procurado para conselho e orientação espiritual. No dia 16 de Dezembro de 1898, no momento da elevação da hóstia e do cálice, sentiu-se arrebatado numa visão: era o fim da missa de sua vida terrena. Levado para a sua cela, estendido sobre tábuas nuas com um pedaço de madeiro por travesseiro, entrou em agonia. Exalou o seu último suspiro em 24 de Dezembro, para iniciar seu Natal no céu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Comentário do dia





Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão para o nascimento de João Baptista; PLS 2, 497

«Quem virá a ser este menino?»

Que maravilha! O mensageiro nasce antes daquele que o fez vir ao mundo. João é realmente a voz e Jesus o Verbo, a Palavra de Deus (cf Mt 3,3; Jo 1,1). […] A palavra nasce primeiro no espírito, e depois suscita a voz que a enuncia; a voz exprime-se pelos lábios e dá a conhecer a palavra aos que a escutam. Assim, Cristo permaneceu em seu Pai, por quem João foi criado, como todas as coisas, mas João saiu de uma mãe e deu Cristo a conhecer a todos os homens. Este era o Verbo que existia desde o princípio, antes que o mundo existisse; João foi a voz que precedeu a vinda do Verbo. A palavra nasce do pensamento; a voz sai do silêncio.


Assim, ao dar à luz a Cristo, Maria crê, ao passo que Zacarias, antes de gerar João, é castigado com a mudez. Um sai duma juventude em flor, o outro nasce duma mulher velha, enfraquecida. A Palavra habita o coração daquele que pensa; a voz expira no ouvido daquele que escuta. E talvez seja esse o sentido destas palavras de João: «Ele é que deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30). Pois as predições da Lei e dos profetas, surgidas antes de Cristo qual voz antes do Verbo, continuaram até João, em quem cessam as últimas prefigurações. Seguidamente, a graça do Evangelho e o anúncio do Reino dos Céus que não terá fim dão fruto e crescem em toda a terra.