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sábado, 20 de agosto de 2016

No lugar do outro

Na mensagem para o Meeting de Rimini o Papa convida ao diálogo ·


Um «encontro verdadeiro» exige sempre «a disponibilidade a pôr-se no lugar do outro para compreender, abaixo da superfície, o que agita o seu coração, o que ele procura verdadeiramente». Começando com esta afirmação o Papa Francisco – numa mensagem assinada pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin – convidou os participantes na 37ª edição do Meeting de Rimini, inaugurado a 19 de agosto, a não se cansarem de alimentar o diálogo com todos. «Descobriremos que abrir-se ao próximo – lê-se no texto enviado ao bispo da cidade, Francesco Lambiasi – não empobrece o nosso olhar, mas torna-nos mais ricos porque nos leva a reconhecer a verdade do outro, a importância da sua experiência e a base daquilo que ele diz, até quando esconde atrás de si atitudes e opções que não compartilhamos». Evocando o tema do Meeting, «Tu és um bem para mim», a mensagem recorda que «diante das ameaças para a paz e a segurança dos povos e das nações» os cristãos são chamados a tomar consciência de que «é antes de tudo uma insegurança existencial que nos faz ter medo uns dos outros, como se fosse um nosso antagonista que nos priva do espaço vital e ultrapassa os confins que nós mesmos construímos». A exemplo de Jesus, ao contrário, o fiel «cultiva sempre um pensamento aberto ao próximo, quem quer que ele seja, porque não considera ninguém perdido definitivamente».



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Francisco: Jesus não faz nada pela metade



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa refletiu sobre o milagre da multiplicação dos pães na Audiência geral de quarta-feira (17/08). Diante de milhares de pessoas que lotaram a Sala Paulo VI, Francisco afirmou:

“Assim era Jesus, sempre com a compaixão. Sempre pensando nos outros”.

O Papa destacou uma reação de Jesus diante da multidão:

“Jesus não é frio, não tem um coração frio. Jesus é capaz de se comover”, disse o Pontífice.

Todavia – recordou o Papa – mesmo sentindo-Se ligado à multidão e sem querer que essa vá embora, Cristo tem necessidade de momentos de solidão, “de oração com o Pai: e muitas vezes passa a noite rezando com seu Pai”, disse Francisco.

E, assim, mais uma vez, Jesus se dedica ao povo. “A sua compaixão não é um sentimento vago; mostra toda a força da Sua vontade de estar próximo a nós e de nos salvar”.

“Nos ama muito, Jesus, e quer estar próximo a nós”, refletiu o Pontífice.

Nascer e renascer

Ao reiterar que o “Senhor vai ao encontro das necessidades do homem”, mas que, todavia, quer que cada um de nós participe concretamente da sua compaixão, o Papa traçou um paralelo entre o milagre dos pães e a Eucaristia.

“A comunidade cristã nasce e renasce continuamente desta comunhão eucarística” – prosseguiu o Papa – “Jesus quer chegar a todos, para levar a todos o amor de Deus. Por isso, faz de cada fiel um servidor da misericórdia”.

“Assim, Jesus vê a multidão, sente compaixão, multiplica os pães – e o mesmo faz com a Eucaristia – e nós fiéis que recebemos este dom, somos incentivados por Jesus a levar este serviço aos outros, com a mesma compaixão de Jesus”.

Tudo!

O Papa então conclui sua reflexão recordando que todos ficaram saciados.

“Quando Jesus com a sua compaixão, com o seu amor nos dá uma graça, perdoa os nossos pecados, nos abraça, nos ama, nunca faz pela metade. Tudo! Como aconteceu aqui. Todos se saciaram. Jesus preenche o nosso coração, a nossa vida, do seu perdão, da sua compaixão”.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O DESASSOSSEGO DOS JOVENS


Foi observado que a espontaneidade e a autenticidade de gestos e palavras explicam em grande parte a atenção e o consenso suscitados pelo Papa Francisco em ambientes até muito diversos. O fenómeno registra-se sobretudo nas viagens internacionais, que há mais de meio século se tornaram uma forma de exercício cada vez mais importante do serviço papal. Tudo isto se verificou também no itinerário polaco, do qual o Pontífice traçou um primeiro rápido balanço no diálogo com os jornalistas durante o voo de regresso de Cracóvia. Numa nação e a um povo em relação aos quais Bergoglio usou quatro adjetivos: belo, entusiasta, nobre, bom.
Fizeram admirar positivamente, e não só os meios de comunicação, sobretudo as palavras do Papa: das meditações durante as celebrações aos diálogos, em parte improvisados e extraordinariamente vivazes, com os jovens reunidos para a jornada mundial, até aos diálogos com os jornalistas no avião. Sobre temas de urgente atualidade, entre os quais sobressai sem dúvida a confirmação da linha de clara rejeição do enfurecer terrorista e da sua assimilação a uma religião, interpretação negativa e objetivamente infundada.
«Penso que não é justo identificar o islão com a violência» repetiu mais uma vez o Pontífice, em coerência com os seus predecessores e com a renovação conciliar que lançou bases sólidas para o diálogo entre crenças diversas. E com razão o Papa Francisco recordou que, não obstante o perigo dos fundamentalismos, a vontade de muitíssimos crentes muçulmanos é a busca da paz e do encontro, sobretudo nalguns países africanos. Mas o contraste do extremismo violento, exercitado e propagandeado pelo auto-proclamado Estado islâmico, deve ser acompanhado pela superação da ignorância e por um urgente exame de consciência sobre os valores que nas sociedades da opulência e do consumo desenfreado, que aliás está em crise, são apresentados aos jovens.
Por isso é sem dúvida positiva a iniciativa, iniciada na França e retomada na Itália, de convidar fiéis muçulmanos para rezar nas igrejas. E por isto é importante ler com atenção o diálogo do Pontífice com os jornalistas. Não é ocasional que o Papa Francisco, o qual tinha acabado de improvisar um apaixonado diálogo com os voluntários da jornada mundial, tenha de facto iniciado com um elogio aos jovens, os quais invadiram a centenas de milhares as ruas de Cracóvia, e o ouviram e rezaram com ele num silêncio impressionante: «Eu gosto de falar com os jovens. E gosto de ouvir os jovens» disse, especificando imediatamente: «os jovens inquietos, os jovens criativos», porque também eles, «como nós, como todos» acrescentou, «dizem disparates e dizem coisas boas».
E precisamente os diálogos muito vivazes com as moças e os jovens que foram a Cracóvia explicam as preocupações do Pontífice e o seu elogio do desassossego dos jovens. Desassossego existencial e espiritual vivido por Bergoglio em primeira pessoa, como contou diversas vezes. E que o jovem jesuíta argentino talvez tenha encontrado depois na Narração do Peregrino, título com o qual desde há quase um século é conhecida a simples e apaixonante autobiografia ditada por alguns companheiros de Inácio de Loiola.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O bem maior



11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
Isaías 1:11


Assim como se indignou com a matança de animais, sacrifícios e cultos estranhos, Deus também está farto de adorações, cantos e louvações, pregações e exaltações que não sejam acompanhadas de um verdadeiro amor ao próximo e a própria vida, o bem maior que nos legou.

sábado, 6 de agosto de 2016

Transfiguração do Senhor

Sabado, dia 06 de Agosto de 2016



A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o papa Calisto III. O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar-se à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica - luz, brancura, glória, nuvem ... que indicam a presença de Deus.
O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Papa Francisco

 "Em agosto, rezar pelo esporte como veículo de fraternidade"
No mês em que se realizam as Olimpíadas, maior evento esportivo global, Francisco afirma que “com o esporte, é possível construir a cultura do encontro entre todos, por um mundo de paz”.
O Pontífice revela “sonhar com o esporte como a prática da dignidade humana, convertida num veículo de fraternidade”. E convida: “Treinamos juntos esta oração?”.
Enfim, o Papa pede que rezemos para que “o esporte fomente o encontro fraterno entre os povos e contribua para a paz no mundo”.
O Apostolado da Oração constitui a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, se unem ao Sacrifício Eucarístico, no qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção e colaboram na salvação do mundo.
A sede da associação está em Roma e o superior geral da Companhia de Jesus é também o superior geral do AO.
O AO começou no Brasil em Itu, São Paulo, em 1871, por iniciativa do Padre Bartolomeu Taddei, SJ, considerado o fundador e propagador do AO no Brasil.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

PAPA FRANCISCO E AS OLIMPÍADAS




Olimpíadas de solidariedade
· Os votos na perspetiva dos jogos no Rio de Janeiro ·
3 de Agosto de 2016

O verdadeiro prêmio das olimpíadas não é uma medalha mas a «a realização de uma civilização onde reine a solidariedade». Foram os votos do Papa Francisco na perspetiva da abertura dos jogos do Rio de Janeiro, expressos na quarta-feira, 3 de agosto, durante a audiência geral, ao dirigir-se aos fiéis de língua portuguesa.
«Diante de um mundo que está sedento de paz, tolerância e reconciliação – disse o Papa – faço votos de que o espírito dos Jogos Olímpicos possa inspirar a todos, participantes e espectadores, a combater o bom combate e a terminar juntos a corrida (cf. 2 Tm 4, 7-8), almejando alcançar como prêmio não uma medalha, mas algo muito mais valioso: a realização de uma civilização onde reine a solidariedade, fundada no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana, independentemente das diferenças de cultura, cor da pele ou religião». E dirigindo-se aos brasileiros: «desejo que esta seja uma oportunidade para superar os momentos difíceis e comprometer-se a “trabalhar em equipe” para a construção de um país mais justo e mais seguro, apostando num futuro cheio de esperança e alegria! Que Deus abençoe a todos!»
Papa Francisco
www.ardgospel.blogspot.com.br

Um grito pela vida

Por uma medalha de ouro
contra o tráfico


· Iniciativa da rede de religiosas «Um grito pela vida» ·
4 de Agosto de 2016

Há dois anos, por ocasião da copa do mundo de futebol contribuiu de modo determinante (+ 42 por cento de denúncias) para fazer emergir os casos de exploração sexual de crianças e adolescentes e de situações de tráfico de pessoas. Hoje, enquanto têm início as Olimpíadas e sobre o mais vasto país sul-americano se acendem os holofotes do cenário internacional, a rede brasileira de religiosas contra o tráfico de pessoas «Um grito pela vida» põe novamente em campo a campanha «Jogue a favor da vida». O mesmo slogan de 2014 e ainda a consciência de que desempenha um papel decisivo no contraste a um fenómeno acompanha que cada vez mais as grandes manifestações que atraem massas de turistas e visitantes de todas as partes do mundo.

De facto, também as olimpíadas brasileiras correm o risco de se transformar em ocasião propícia para a criminalidade, para os traficantes de seres humanos destinados à exploração sexual ou empregatícia. «Se a sociedade e as instituições não estiverem atentas, as situações de degradação como a violência sexual e o trabalho de menores, tenderão a aumentar», adverte a religiosa Eurides Alves de Oliveira, coordenadora de «Um grito pela vida».

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Vida contra a morte

Então. Queremos que tudo corra bem. Que haja paz e harmonia. Mas, às vezes somos atraídos pelas coisas ruins. É preciso não nos contaminarmos. Não se trata de alienação diante das coisas do mundo, mas a de procurar em nosso dia a dia a busca de equilíbrio, quer seja ouvindo música, lendo um livro, vendo um filme, reunindo com os amigos, indo à igreja ou ao futebol, ao restaurante ou qualquer coisa que nos afaste da dor e da violência. Isso é a busca do reino de Deus. Ter fé nas coisas boas, colocando a vida contra a morte.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Senhor me escutou

O Senhor não foi surdo aos meus apelos. Ele com zelo tomou para si a minha causa e os efeitos de sua ação já se fazem presente e certamente a vitória não tardará. E ela será muito mais completa do que eu supunha ou poderia imaginar. Porque, quando o meu Deus age, maravilhas acontecem e o agir é correspondente à minha fé. E a minha fé é miseravelmente pequena como um simples grão de areia.
Mas, não é nessa pequenez que também começa a nossa vida?

domingo, 3 de julho de 2016

Vida nova do Homem Novo

Décimo Quarto Domingo do tempo comum (semana II do saltério)



Décimo Quarto Domingo do tempo comum

Embora as leituras de hoje nos projectem em sentidos diversos, domina a temática do “envio”: na figura dos 72 discípulos do Evangelho, na figura do profeta anónimo que fala aos habitantes de Jerusalém do Deus que os ama, ou na figura do apóstolo Paulo que anuncia a glória da cruz, somos convidados a tomar consciência de que Deus nos envia a testemunhar o seu Reino.
É, sobretudo, no Evangelho que a temática do “envio” aparece mais desenvolvida. Os discípulos de Jesus são enviados ao mundo para continuar a obra libertadora que Jesus começou e para propor a Boa Nova do Reino aos homens de toda a terra, sem excepção; devem fazê-lo com urgência, com simplicidade e com amor. Na acção dos discípulos, torna-se realidade a vitória do Reino sobre tudo o que oprime e escraviza o homem.
Na primeira leitura, apresenta-se a palavra de um profeta anónimo, enviado a proclamar o amor de pai e de mãe que Deus tem pelo seu Povo. O profeta é sempre um enviado que, em nome de Deus, consola os homens, liberta-os do medo, e acena-lhes com a esperança do mundo novo que está para chegar.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo deixa claro qual o caminho que o apóstolo deve percorrer: não o podem mover interesses de orgulho e de glória, mas apenas o testemunho da cruz – isto é, o testemunho desse Jesus, que amou radicalmente e fez da sua vida um dom a todos. Mesmo no sofrimento, o apóstolo tem de testemunhar, com a própria vida, o amor radical; é daí que nasce a vida nova do Homem Novo.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Jesus

Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo



Preciosíssimo Sangue de Cristo


Em 1848, o Papa Pio IX foi expulso de Roma pelas forças revolucionárias. No ano seguinte, os exércitos franceses permitiram-lhe voltar à Cidade Eterna, após um ataque que durou de 28 de Junho a 1 de Julho. Invocando e dando graças pelo sangue derramado por Jesus por amor aos homens de todos os tempos, o Sumo Pontífice criou esta festa, situando-a no dia em que lhe foi possível voltar a Roma. S. Pio X alargou a festa à Igreja Universal. Nos nossos dias é celebrada solenemente em algumas congregações religiosas.

Martírio dos cristãos

Santos Protomártires da Igreja de Roma, 64-67

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Protomártires de Roma
Hoje a Igreja celebra a memória dos cristãos que sofreram o martírio durante a perseguição de Nero, no ano 64. A culpa do incêndio de Roma recaiu sobre os cristãos, os quais foram cruelmente martirizados. Do lado Sul da Basílica Vaticana há um recinto pequeno, chamado ainda hoje Praça dos Protomártires (primeiros mártires) Romanos. As iluminações que lá se vêem na noite de 26 de Junho, evocam as fogueiras que, pelos anos 64 e 65 extinguiram, ou sublimaram, humildes e heróicas vidas humanas. Roma ardera seis dias e sete noites. Prendem-se primeiro os que são suspeitos de seguir o cristianismo, e depois, conforme as denúncias que se vão fazendo, prendem-se outros em massa, condenados menos pelo crime de incêndio, do que pelo ódio que outros lhes têm. Aos tormentos juntam-se as mofas, homens envolvidos em peles de animais morrem despedaçados pelos cães, ou são presos a cruzes, ou destinados a ser abrasados e acendidos, à maneira luz nocturna ao anoitecer ... Nero oferece os seus jardins para este espectáculo; vestido de cocheiro, corre misturado com a multidão, ou em cima dum carro. A perseguição movida por Nero prolongou-se até ao ano 67. E entre os mártires mais ilustres estavam São Pedro e São Paulo. O primeiro foi crucificado no circo de Nero, actual Basílica de São Pedro. São Paulo foi decapitado junto da estrada que leva a Óstia.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Papa Francisco

Diante do espelho
· Missa do Pontífice em Santa Marta ·
20 de Junho de 2016
Há regras claras sugeridas por Jesus para não cair na hipocrisia: não julgar os outros para não sermos também nós julgados com a mesma medida; e quando sentimos a tentação de o fazer, é melhor primeiro olhar-se ao espelho, não para nos escondermos com a maquilhagem mas para ver bem como somos realmente. Recordando que o único verdadeiro juízo é o de Deus com a sua misericórdia, o Papa Francisco – na missa celebrada na manhã de segunda-feira 20 de junho na capela da Casa de Santa Marta – recomendou que não cedamos à tentação de nos colocarmos no lugar do Senhor, duvidando da sua palavra.
«Jesus fala às pessoas e ensina muitas coisas acerca da oração, das riquezas, das preocupações fúteis, muitas, sobre como se deve comportar um seu discípulo» afirmou Francisco. E assim «temos este trecho do Evangelho sobre o julgamento» proposto pela liturgia (Mateus 7, 1-15). É um excerto em que «o Senhor é muito concreto». De facto, se o Senhor «algumas vezes para nos fazer compreender, conta uma parábola, aqui é: direto, porque o julgamento é algo que só ele pode fazer».
«O episódio começa» com uma palavra clara de Jesus: «Não julgueis, para não serdes julgados». Portanto, «se não quiseres ser julgados não julgues os outros: “tac, tac”, claro». E o Senhor «dá um passo adiante», indicando precisamente o critério da medida: «Porque com o julgamento mediante o qual julgais sereis julgados e com a medida com a qual medis, sereis medidos».
«Todos nós queremos, no dia do julgamento, que o Senhor olhe para nós com benevolência, que o Senhor se esqueça de muitas coisas ruins que fizemos na vida» disse Francisco. E «isto é justo, porque somos filhos, e um filho espera isto do pai, sempre». Mas «se julgares constantemente os outros, com a mesma medida serás julgados: isto é claro».
«Primeiro, o mandamento, o facto: “Não julgueis para não ser julgados”» reafirmou o Papa, acrescentando: «Segundo, a medida será a mesma que vós usais para com os irmãos». E depois «o terceiro passo: olha-te ao espelho mas não a fim de te maquilhar para que não se vejam as rugas; não, não, não é este o conselho!». Pelo contrário, sugeriu Francisco, «olha-te ao espelho para te veres a ti mesmo, como és». As palavras de Jesus são claras: «Por que olhas para o cisco que está no olho do teu irmão e não te dás conta da trave que está no teu? Ou como dirás ao teu irmão: “deixa que te tire o cisco do olho” enquanto no teu há a trave?”».
«Como nos qualifica o Senhor – questionou-se o Pontífice – quando fazemos isto? Uma só palavra: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão”». Na realidade, não deveria surpreender a reação do Senhor que «se altera; é muito forte, e parece também que nos insulta: chama “hipócrita” quem julga os outros».
A razão é que «quem julga – explicou o Papa – coloca-se no lugar de Deus, considera-se Deus e duvida da palavra de Deus». É precisamente «o que a serpente convenceu os nossos pais a fazer: “Não, não, Deus é um mentiroso, se vós comerdes disto, sereis como ele”. E eles queriam colocar-se no lugar de Deus».
Por esta razão, insistiu o Pontífice, «é muito feio julgar: deixemos o julgamento só a Deus, só a ele!». A nós compete «o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas», se serve «também falar com eles» para os admoestar se algo parece não estar no caminho certo. De qualquer forma «nunca julgar, nunca», porque «se julgarmos é hipocrisia».
Aliás, afirmou Francisco, «quando julgamos colocamo-nos no lugar de Deus, isto é verdade, mas o nosso juízo é um pobre juízo: nunca, nunca pode ser um verdadeiro julgamento». Porque, «o verdadeiro julgamento é o que Deus faz». E «por que o nosso não pode ser como o de Deus? Por que Deus é Omnipotente e nós não? Não, porque ao nosso julgamento falta a misericórdia» E «quando Deus julga, julga com misericórdia».
Na conclusão o Papa sugeriu que pensemos «hoje naquilo que o Senhor nos diz: não julgar, para não ser julgado, a medida com a qual julgamos será a mesma que usarão para connosco; e, terceiro, olhemo-nos ao espelho antes de julgar». E assim quando temos a tentação de dizer: «ela faz isto, ele faz aquilo», é melhor olhar-se ao espelho antes de falar. Caso contrário, «serei um hipócrita – reiterou Francisco – porque me coloco no lugar de Deus». E contudo «o meu julgamento é um pobre juízo: falta algo tão importante que o juízo de Deus possui, falta a misericórdia». O Senhor, auspiciou o Papa, «nos faça compreender bem estas coisas».
Missa em Santa Marta

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Papa Francisco

Nas nascentes da fé

· ​Mensagem vídeo do Papa na vigília da visita à Arménia ·

«Vou como peregrino para haurir da antiga sabedoria do vosso povo e beber das nascentes da vossa fé». Afirmou Francisco numa mensagem vídeo dirigida à população da Arménia – em visita de 24 a 26 de junho – e transmitida no país na noite de quarta-feira, 22 de junho.
Para o Pontífice a viagem ao «primeiro país cristão» – que tem início na tarde de sexta-feira com a cerimónia de boas-vindas no aeroporto de Yerevan e o momento de oração na catedral arménia apostólica de Santa Etchmiadzin – é a ocasião para manifestar à comunidade local «admiração e dor»: admiração, porque encontrastes na cruz de Jesus e no vosso engenho a força para vos erguerdes sempre, até de sofrimentos entre os mais terríveis que a humanidade recorda», e «dor, pelas tragédias que os vossos pais viveram na sua carne».
Não é por acaso que um dos gestos mais significativos da visita será precisamente a homenagem às vítimas do Metz Yeghérn, com a oração da manhã de sábado no memorial de Tzitzernakaberd juntamente com Karekin II. E ao catholicos o Papa dirigiu o convite a «dar renovado impulso à nossa senda para a plena unidade», evidenciando assim a dimensão ecuménica de uma viagem que terá entre os seus eventos centrais a missa em Gyumri, a oração pela paz em Yerevan e a divina liturgia dominical em Etchmiadzin.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Histórias e rostos a ser acolhidos


· No Angelus o novo apelo do Papa a favor dos refugiados ·
20 de Junho de 2016
«Os refugiados são pessoas como todas, mas às quais a guerra tirou a casa, o trabalho, os familiares e amigos. As suas histórias e os seus rostos convidam-nos a renovar o compromisso para construir a paz na justiça». Na véspera do dia mundial promovido pela Onu, o Papa lançou no domingo, 19 de junho, um novo apelo para o acolhimento dos refugiados, exortando os fiéis presentes na praça de São Pedro para a recitação do Aneglus a «estar com eles: a encontrá-los, acolhê-los, escutá-los, para nos tornarmos juntos artífices de paz segundo a vontade de Deus». Aliás, o tema deste ano escolhido pelas Nações Unidas é precisamente «Com os refugiados. Nós estamos do lado de quem é obrigado a fugir».
No final da oração mariana Francisco recordou também o início em Creta do concílio pan-ortodoxo, com o convite a unir-se aos «nossos irmãos ortodoxos, invocando o Espírito Santo para que assista com os seus dons os patriarcas, os arcebispos e os bispos reunidos no concílio» e exortou os fiéis na praça a recitar uma Ave-Maria «por todos os nossos irmãos ortodoxos».
Precedentemente, comentando como de costume o Evangelho de domingo, explicou o que significa seguir Cristo. O trecho de Lucas (9, 18-24), explicou, «convida-nos mais uma vez a confrontar-nos diretamente com Jesus. Num dos raros momentos tranquilos em que se encontra sozinho com os seus discípulos, Ele pergunta-lhes: “As multidões, quem dizem que eu sou?”». E hoje a mesma pergunta, acrescentou atualizando a reflexão, é proposta a cada um de nós. Por conseguinte, esclareceu o Pontífice, «somos chamados a tornar a resposta de Pedro a nossa resposta». Com efeito, «muitas pessoas sentem o vazio à sua volta e dentro de si; outras vivem na inquietude e na insegurança por causa da precariedade e dos conflitos. Todos necessitamos de respostas adequadas aos nossos interrogativos, às nossas perguntas concretas. Em Cristo, só nele, é possível encontrar a paz verdadeira e o cumprimento de cada aspiração humana», concluiu.
Angelus do Papa

terça-feira, 21 de junho de 2016

Histórias e rostos a ser acolhidos


· No Angelus o novo apelo do Papa a favor dos refugiados ·
20 de Junho de 2016
«Os refugiados são pessoas como todas, mas às quais a guerra tirou a casa, o trabalho, os familiares e amigos. As suas histórias e os seus rostos convidam-nos a renovar o compromisso para construir a paz na justiça». Na véspera do dia mundial promovido pela ONU, o Papa lançou no domingo, 19 de junho, um novo apelo para o acolhimento dos refugiados, exortando os fiéis presentes na praça de São Pedro para a recitação do Agelus a «estar com eles: a encontrá-los, acolhê-los, escutá-los, para nos tornarmos juntos artífices de paz segundo a vontade de Deus». Aliás, o tema deste ano escolhido pelas Nações Unidas é precisamente «Com os refugiados. Nós estamos do lado de quem é obrigado a fugir».
No final da oração mariana Francisco recordou também o início em Creta do concílio pan-ortodoxo, com o convite a unir-se aos «nossos irmãos ortodoxos, invocando o Espírito Santo para que assista com os seus dons os patriarcas, os arcebispos e os bispos reunidos no concílio» e exortou os fiéis na praça a recitar uma Ave-Maria «por todos os nossos irmãos ortodoxos».
Precedentemente, comentando como de costume o Evangelho de domingo, explicou o que significa seguir Cristo. O trecho de Lucas (9, 18-24), explicou, «convida-nos mais uma vez a confrontar-nos diretamente com Jesus. Num dos raros momentos tranquilos em que se encontra sozinho com os seus discípulos, Ele pergunta-lhes: “As multidões, quem dizem que eu sou?”». E hoje a mesma pergunta, acrescentou atualizando a reflexão, é proposta a cada um de nós. Por conseguinte, esclareceu o Pontífice, «somos chamados a tornar a resposta de Pedro a nossa resposta». Com efeito, «muitas pessoas sentem o vazio à sua volta e dentro de si; outras vivem na inquietude e na insegurança por causa da precariedade e dos conflitos. Todos necessitamos de respostas adequadas aos nossos interrogativos, às nossas perguntas concretas. Em Cristo, só nele, é possível encontrar a paz verdadeira e o cumprimento de cada aspiração humana», concluiu.
Angelus do Papa

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Submersos e explorados


· No mundo quase 46 milhões de pessoas reduzidas em escravidão ·
1 de Junho de 2016
No mundo quase 46 milhões de pessoas vivem em estado de escravidão. Destas, 1.243.400 (2,7 por cento) encontram-se na Europa. Contudo, é a Ásia que detém o triste primado, com dois terços dos explorados. Acabam nas malhas desta engrenagem terrível sobretudo as mulheres, as crianças e os migrantes: os mais sujeitos ao tráfico de seres humano. Foi traçado um quadro geral do fenómeno no último relatório da Walk Free Foundation, que todos os anos publica o Global Slavery Index, cobrindo 167 países.
O relatório contém 42.000 entrevistas realizadas em 53 línguas diversas, correspondentes a 44 por cento da população mundial. O dado mais preocupante é que a escravidão não diminui, aliás aumenta: no último ano mais de dez milhões de pessoas tornaram-se escravas, obrigadas a viver em condições terríveis de exploração e atraso. A Índia confirma ser o país com o número mais elevado de escravos (18,3 milhões), mas a resposta do seu Governo ao problema — dizem os analistas australianos — está a reforçar-se. Mas a chaga é generalizada: na China encontram-se 3,39 milhões de escravos, no Paquistão 2,13, em Bangladesh 1,53 e no Uzbequistão 1,23 milhões. Juntos, estes cinco países representam quase 58 por cento da população escravizada no mundo, praticamente 26,6 milhões de pessoas. À Ásia é atribuído também outro primado, o da incidência da escravidão sobre a população: na Coreia do Norte 4,37 por cento dos habitantes está nestas condições, e ainda faltam medidas adequadas do Governo. Em seguida vem o Uzbequistão (3,97 por cento dos habitantes) e o Camboja (1,65). Os canais através dos quais os novos escravos são cooptados são sobretudo o tráfico de seres humanos, o trabalho forçado, a submissão pelas dívidas, o matrimónio forçado, a exploração sexual para fins comerciais.

sábado, 18 de junho de 2016

Papa Francisco

Com realismo evangélico
· No congresso da diocese de Roma o Papa falou sobre a família ·
17 de Junho de 2016
Hoje é preciso considerar a família com o «realismo evangélico» que não se limita «à descrição das situações e problemas, e menos ainda do pecado», mas «vai sempre além e consegue ver por detrás de cada rosto, história e situação uma oportunidade e possibilidade»: eis a indicação pastoral que o Papa sugeriu ao inaugurar os trabalhos do congresso da diocese de Roma dedicado ao tema: «A alegria do amor: o caminho das famílias em Roma à luz da exortação apostólica Amoris laetitia».
Aos bispos, sacerdotes e catequistas reunidos na tarde de 16 de junho na basílica de São João de Latrão, o Pontífice propôs uma pista de leitura da exortação, encerrada em três exortações: «A vida de cada pessoa, a vida de cada família deve ser tratada com muito respeito e cuidado; evitemos pôr em campo uma pastoral de guetos e para os guetos; demos espaço aos idosos para que voltem a sonhar». Trata-se de «três imagens que nos recordam que a fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele: não como os perfeitos e imaculados que julgam que sabem tudo, mas como pessoas que conheceram o amor de Deus por nós».
Sucessivamente, solicitado por três perguntas, Francisco voltou a abordar alguns temas, alertando em especial contra o individualismo que enjaula a liberdade e exortando a empreender sempre «o caminho da ternura, da escuta, do acompanhamento». Quanto à pastoral familiar, o Papa recomendou que sejam evitadas as insídias do «rigorismo» e do «laxismo», pois no campo doutrinal não existe a «segurança matemática». A moral — garantiu — «é sempre um gesto de amor: amor a Deus, amor ao próximo. É também um ato que deixa espaço à conversão do outro, não condena imediatamente».
Palavras do Papa

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Papa Francisco

· ​À Roaco o Papa recordou que a paz de Cristo bateu às portas do Médio Oriente, da Índia e da Ucrânia ·

Cristo é «a nossa paz e bate à porta do nosso coração no Médio Oriente, assim como na Índia ou na Ucrânia», disse o Papa Francisco aos participantes na octogésima nona sessão plenária da Reunião das obras de ajuda para as Igrejas orientais (Roaco), recebidos em audiência na manhã de quinta-feira, 16 de junho, na Sala Clementina.
Aos representantes das agências que ajudam as comunidades cristãs orientais o Pontífice expressou especial gratidão «pelo zelo que tendes em levar em frente a missão confiada a vós». E dirigindo um pensamento particular ao novo guardião da Terra Santa e aos frades menores «que há séculos garantem a manutenção dos lugares santos e dos santuários», referiu-se aos recentes trabalhos de restauro em curso em Belém, durante os quais, «numa parede da nave, veio à luz um sétimo anjo em mosaico que, juntamente com os outros seis, formam uma espécie de procissão rumo ao lugar que comemora o mistério do nascimento do Verbo que se fez carne».
Uma circunstância que impeliu Francisco a pensar que «também o rosto das nossas comunidades eclesiais pode estar coberto por “incrustações” devidas aos diversos problemas e pecados». E no entanto, afirmou, «a vossa obra deve ser sempre guiada pela certeza de que sob as incrustações materiais e morais, até sob as lágrimas e o sangue provocados pela guerra, pela violência e perseguição, sob a camada que parece impenetrável há um rosto luminoso como o do anjo do mosaico».
Depois de ter recordado a coleta extraordinária proclamada em abril para a Ucrânia e ter evocado a necessidade de favorecer o espírito de comunidade na Índia e «em toda parte do mundo onde católicos latinos e orientais vivem lado a lado», o Papa concluiu pedindo que o acompanhassem com a oração na próxima viagem à Arménia.
Logo depois, na Sala Paulo VI, Francisco encontrou-se com os representantes da «grande família do espetáculo itinerante e popular» que celebraram o jubileu.
Definindo-os «artesãos da festa, da maravilha e da beleza», o Pontífice exortou-os em particular a «semear beleza e alegria num mundo às vezes pessimista e triste». Estes são os votos formulados: «Possais sempre desempenhar o vosso trabalho com amor e zelo, confiantes de que Deus vos acompanha com a sua providência, generosos nas obras de caridade, disponíveis a oferecer recursos e o génio das vossas artes e profissões. E não podeis imaginar o bem que praticais: um bem que se semeia».