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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Papa Francisco

O último degrau
· Missa em Santa Marta ·
14 de Junho de 2016

No caminho do cristão «não há lugar para o ódio»: se, como «filhos», os crentes quiserem «assemelhar-se ao Pai», não devem limitar-se à simples «letra da lei», mas viver cada dia o «mandamento do amor». Chegando até a «rezar pelos inimigos»: isto é ao «último degrau» ao qual é necessário subir para curar o «coração ferido pelo pecado». Assim o Papa Francisco, na missa celebrada em Santa Marta na manhã de terça-feira, 14 de junho, evidenciou que Jesus, invertendo a ideia de «próximo», veio para levar a lei à «plenitude». De facto, Jesus – disse – não «veio para cancelar a lei», culpa da qual foi acusado pelos seus inimigos, mas para «a levar à plenitude». Toda «até ao último jota».
Com efeito, na época os doutores da lei davam-lhe «uma explicação demasiado teórica, casuísta». De facto, explicou o Pontífice, era uma visão «na qual não havia o coração próprio da lei, que é o amor» concedido por Deus «a nós». No centro já não havia o que no Antigo Testamento era «o maior mandamento» – ou seja «amar a Deus, com todo o coração, com todas as forças, com toda a alma, e o próximo como a ti mesmo» – mas uma casuística que só procurava compreender: «Podemos fazer isto? Até a que ponto se pode fazer isto? E se não pudermos?».
Portanto, Jesus «inspirando-se nos mandamentos» procura recuperar «o verdadeiro sentido da lei para o levar à sua plenitude». Assim, por exemplo, em relação ao quinto mandamento, recorda: «Foi dito “não matarás”. É verdade! Mas se tu insultas o teu irmão, estás a matá-lo». Isto explica que «há muitas formas, tantas maneiras de matar». Assim «aperfeiçoa a lei». E ainda: «Se o teu irmão te pedir uma roupa, dá-lhe também o teu manto! E se ti pedir para caminhar um quilómetro com ele, caminha dois!». Isto é, Jesus – comentou o Papa – pede sempre algo «mais generoso», porque o «amor é mais generoso que a letra, que a letra da lei».
Esta «obra» de aperfeiçoamento não serve só «para o cumprimento da lei, mas é um trabalho de cura do coração». Nos trechos evangélicos nos quais Jesus continua a explicação dos mandamentos, disse Francisco, «há um caminho de cura de um coração ferido pelo pecado original». E é um caminho proposto a todos, porque «todos nós temos o coração ferido pelo pecado, todos». E dado que Jesus recomenda que sejamos «perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste», para «nos assemelharmos ao Pai», para sermos deveras «filhos», devemos seguir precisamente «esta senda de cura».
Retomando o trecho evangélico proposto pela liturgia tirado do Evangelho de Mateus (5, 43-48) – no qual Jesus recorda: «Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar o teu inimigo», mas acrescenta: «Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos!» – o Papa frisou que nesta estrada «não há lugar para o ódio». O nível eleva-se cada vez mais: Jesus primeiro «exorta-nos a doar mais aos nossos irmãos e amigos», agora também «aos nossos inimigos». Com efeito «o último degrau desta escada» rumo à cura traz consigo a recomendação: «Rezai pelos que vos perseguem».
Um mandamento – «rezar pelos inimigos» – que nos pode desorientar, pois, «pela ferida que todos nós temos no coração», vem-nos naturalmente a vontade de desejar «alguma coisa de desagradável» a um inimigo que, por exemplo, fala mal de nós. Mas «Jesus diz-nos: “Não, não! Reza por ele e faz penitência por ele”».
Neste sentido o Pontífice narrou que quando era jovem ouvia falar «de um dos grandes ditadores do mundo no período pós-guerra», do qual se dizia: «Que Deus o leve ao inferno o mais depressa possível!». Se do coração saía de maneira imediata este sentimento, o mandamento novo ao contrário exortava: «Rezai por ele». Certamente, acrescentou Francisco, é «mais fácil rezar por alguém que está distante, por um ditador afastado, que rezar por aquele que me insultou». E no entanto é precisamente isto que «Jesus nos pede».
Temos a vontade de perguntar: «Mas, Senhor, para que tanta generosidade?». Jesus dá-nos a resposta precisamente no trecho evangélico: «Deste modo sereis os filhos do vosso Pai no céu». Se deste modo «age o Pai», assim somos chamados a agir para ser «filhos». Isto é, esta «cura do coração», «leva-nos a tornar-nos filhos». E que faz o Pai? «Faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos» pois «é Pai de todos».
Outra objeção: mas Deus é pai inclusive «daquele delinquente, daquele ditador?». A resposta é clara: «Sim é pai! Como é meu pai! Ele nunca nega a sua paternidade!». E se quisermos «assemelhar-nos» a ele, devemos caminhar «nesta vereda». Com efeito, Jesus conclui o sermão dizendo: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai». Isto é, explicou o Pontífice, «é-nos proposto um caminho sem fim», porque «todos os dias devemos fazer algo assim». A tal propósito, Francisco sugeriu a todos «algo prático», ou seja, perguntar-se: «rezo pelos meus inimigos ou desejo-lhes alguma coisa desagradável?». São suficientes «cinco minutos, não mais» para me questionar: «Quem são os meus inimigos? Os que me fizeram mal? Os que eu não amo? Ou com os quais estou em desacordo? Quem são? Rezo por eles?». Cada um, acrescentou o Papa, «dê uma resposta». E concluiu: «Que o Senhor nos conceda a graça» de «rezar pelos inimigos; por quantos não gostam de nós; por quem nos feriu e nos persegue», com «nome e sobrenome». E veremos que esta oração dará dois frutos: ao nosso inimigo «fazendo-o melhorar, pois a oração é poderosa», e a nós «tornando-nos mais filhos do Pai».
Missa em Santa Marta

quarta-feira, 15 de junho de 2016

SOMOS TODOS MENDIGOS


· Na audiência geral o Papa fala sobre a cura do cego de Jericó ·
15 de Junho de 2016

«De mendigos para discípulos»: eis a «passagem» que os cristãos são chamados a realizar a exemplo do cego de Jericó que, depois de ter sido curado, «segue o Senhor começando a fazer parte da sua comunidade». Ao recordar o episódio evangélico narrado por Lucas, o Papa convidou os fiéis reunidos na praça de São Pedro para a audiência geral de quarta-feira 15 de junho, a evitar em especial a tentação do «incómodo» diante dos necessitados, doentes, prófugos e refugiados.
«Quantas vezes nós, quando vemos tantas pessoas na rua — necessitadas, doentes, famintas — nos sentimos incomodados», observou a propósito, ressaltando que isto acontece também «quando nos encontramos diante de tantos prófugos e refugiados». Trata-se de «uma tentação que todos nós temos: todos, até eu», admitiu. Por isso, «a palavra de Deus admoesta-nos, recordando-nos que a indiferença e a hostilidade nos tornam cegos e surdos, impedindo-nos de ver os irmãos e de reconhecer neles o Senhor». E, acrescentou, «às vezes esta indiferença e hostilidade tornam-se até agressão e insulto: “Expulsai-os todos!”, “ponde-os noutro lugar!”».
Para o Pontífice, ao contrário, a cura do cego mostra aos crentes que «quando Jesus passa, há sempre libertação, salvação». Ouvindo a sua invocação, o Senhor «tira o cego da margem do caminho, colocando-o no centro da atenção dos seus discípulos e da multidão». O mesmo acontece para cada cristão: «Pensemos também nós — comentou o Papa — quando estivemos em maus lençóis, até em situações de pecado, foi precisamente Jesus quem nos pegou pela mão, nos tirou da margem do caminho e nos concedeu a salvação».
Portanto, a passagem do Senhor é «um encontro de misericórdia que une todos ao redor dele para permitir que reconheçamos quem precisa de ajuda e de consolação». E a pergunta dirigida por Jesus ao cego — «Que queres que eu faça por ti?» — é a prova de que o próprio Deus «se faz servo do homem pecador». E o Papa concluiu com um convite: «Deixemo-nos também nós interpelar por Jesus, curar por Jesus e perdoar por Jesus, seguindo Jesus e louvando a Deus». Porque todos nós somos mendigos» e precisamos da salvação de Cristo que, recordou Francisco, «infunde a sua misericórdia em todos aqueles que encontra: chama-os, atrai-os, reúne-os, cura-os e ilumina-os, criando um novo povo que celebra as maravilhas do seu amor misericordioso».
Catequese do Papa

terça-feira, 14 de junho de 2016

Papa Francisco


Não se habituar ao desperdício
e à fome
· Durante a visita ao Programa alimentar mundial o Papa recordou que enquanto as ajudas e os planos de desenvolvimento forem obstaculizados as armas poderão circular livremente ·
13 de Junho de 2016
A falta de alimento não é «fruto de um destino cego», mas de uma «distribuição egoísta e mal feita dos recursos», recordou o Papa durante a visita à sede do Programa alimentar mundial (Pam), onde foi na manhã de segunda-feira, 13 de junho, por ocasião da abertura da sessão anual do conselho executivo da agência da Onu comprometida na luta contra a fome. No discurso pronunciado em frente dos representantes de diversos governos do mundo, Francisco convidou com força a não se acostumar com as tragédias que atingem a humanidade e a não considerar a pobreza «como um dado da realidade entre tantos», esquecendo, ao contrário, que «a miséria tem um rosto: tem o rosto de uma criança, o rosto de uma família, o rosto de jovens e idosos», mas também «o rosto da falta de oportunidade e de trabalho de muitas pessoas», o rosto «das migrações forçadas, das casas abandonadas e destruídas».
O Pontífice voltou a afirmar com clareza que a subnutrição «não é algo natural, não é um dado óbvio nem evidente». Pelo contrário, é a consequência de uma «mercantilização dos alimentos» que causa exclusão e leva a «habituar-se ao supérfluo e ao desperdício quotidiano de alimento». Todavia – foi a admoestação de Francisco - «far-nos-á bem recordar que o alimento que se desperdiça é como se o roubássemos à mesa do pobre, daquele que tem fome». Um convite a «refletir sobre o problema da perda e do desperdício de alimentos, a fim de identificar soluções e modalidades que, enfrentando seriamente este problema, sejam veículo de solidariedade e de partilha com os mais necessitados».
Do Papa veio também um firme apelo a «desburocratizar a fome», removendo os obstáculos que impedem que os planos de desenvolvimento e as iniciativas humanitárias realizem os seus objetivos. O Pontífice denunciou em particular o «estranho e paradoxal fenómeno» devido ao qual as ajudas às vítimas da guerra e da fome são estorvadas ao passo que as armas «circulam com uma arrogância e quase absoluta liberdade em muitas partes do mundo». Deste modo, afirmou, «quem se nutre são as guerras e não as pessoas». E assim «as vítimas multiplicam-se, porque o número das pessoas que morrem de fome e exaustas se acrescenta ao dos combatentes que morrem no campo de batalha e ao dos numerosos civis falecidos durante os conflitos e nos atentados». Daqui o pedido dirigido aos Estados, solicitados a incrementar «decididamente a vontade efetiva de cooperar com o Programa alimentar mundial» para poder assim permitir «que se realizem projetos sólidos e consistentes e programas de desenvolvimento a longo prazo» a fim de debelar aquela que Francisco – no sucessivo encontro com o pessoal da agência – definiu «uma das maiores ameaças à paz e à serena convivência humana».
Discursos do Papa

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Papa Francisco

A pastoral do ouvido
· No congresso da Cei sobre as pessoas portadoras de deficiência o Papa recomenda o acolhimento e a escuta de todos ·
11 de Junho de 2016
A discriminação das pessoas com deficiência mental é algo muito feio, sobretudo quando acontece numa paróquia. Ajudado pelos leigos, o sacerdote deve ao contrário acolher e ouvir todos – sem desculpas – ajudando cada um a compreender a fé, o amor e a aproximar-se dos sacramentos para que todos possam conhecer Deus, afirmou o Papa Francisco dialogando com um grupo de deficientes que na manhã de sábado, 11 de junho, na sala Paulo VI, participaram no congresso promovido pela Cei.



Posto de lado o texto do discurso preparado e respondendo de forma improvisada às perguntas, Francisco convidou as comunidades cristãs a praticar «a pastoral do ouvido», fazendo com que seja garantida uma preparação adequada para os sacramentos com a linguagem compreensível para cada pessoa, para que todos tenham a mesma possibilidade de receber os sacramentos. E recordou que Pio X deu indicações para dar a comunhão às crianças, transformando assim uma diversidade em igualdade, porque sabia que a crianças compreendem, talvez de outro modo: com efeito, cada um, afirmou o Papa, têm um forma diferente de conhecer as coisas, mas todos podem conhecer Deus. Por esta razão, acrescentou, um pároco não pode rejeitar um deficiente dizendo que não entende.

Todos somos diferentes, realçou ainda Francisco, contudo muitas vezes temos medo das diversidades porque são sempre um desafio. Na realidade, seria mais fácil ignorar as diversidades e desenrascar dizendo hipocritamente «somos todos iguais», deixando de lado que não o é. Ao contrário as diversidades, se colocadas juntas, são uma riqueza, um desafio que não deve assustar, e também o caminho para crescer e melhorar. O segredo, concluiu o Pontífice, é reunir o que temos. Para expressar esta atitude, o gesto mais bonito e profundo é precisamente o aperto de mão, que está a indicar uma troca recíproca de dons.




quinta-feira, 9 de junho de 2016

Papa Francisco

O vinho bom da família
· Na audiência geral o Papa Francisco comentou o episódio evangélico de Caná e agradeceu o bonito testemunho dos que celebram as bodas de ouro ·
8 de Junho de 2016
«Este sim que é “o vinho bom” da família!»: o Papa Francisco escolheu a imagem-símbolo das bodas de Caná para agradecer publicamente aos casais que festejavam os cinquenta anos de matrimónio participando na audiência geral de quarta-feira, 8 de junho, na praça de São Pedro. Nas reflexões sobre o tema jubilar à luz de episódios evangélicos, o Pontífice comentou na manhã de hoje precisamente aquele que João (2, 1-11) descreve e no qual se revelou «o primeiro sinal da misericórdia» de Jesus. Trata-se, esclareceu recorrendo à linguagem da informática, de «uma espécie de “portal de entrada”, são esculpidas palavras e expressões que iluminam o inteiro mistério de Cristo e abrem o coração dos discípulos à fé».
Refletindo sobre o «primeiro dos milagres» de Cristo, que o evangelista chama «sinais», porque Jesus «não os realizou para suscitar admiração, mas para revelar o amor do Pai», o Papa evidenciou a importância da transformação da água em vinho. «A água é necessária para viver – explicou – mas o vinho exprime a abundância do banquete e a alegria da festa».
E dado que, acrescentou com uma das suas habituais considerações pessoais improvisadas, «é uma festa de casamento na qual falta o vinho, os recém-casados envergonham-se disto. Mas imaginai – Francisco comentou brincando – terminar uma festa de casamento bebendo chá; seria uma vergonha. O vinho é necessário para a festa».
Em seguida, o Papa fixou a sua atenção na Virgem Maria, outra protagonista da cena, e em particular nas palavras que dirige aos servos. «É curioso – observou – são as suas últimas palavras reportadas pelos Evangelhos. São a sua herança que entregou a todos nós. Também hoje Nossa Senhora diz a todos nós: “Fazei o que ele vos disser». É a herança que nos deixou: é bonito!».
Com efeito, prosseguiu, «servir o Senhor significa ouvir e praticar a sua Palavra». E deste modo «a recomendação simples mas essencial da Mãe de Jesus torna-se «o programa de vida do cristão. Para cada um de nós – concluiu o Papa – beber da ânfora equivale a confiar-nos à Palavra de Deus para sentir a sua eficácia na vida».
E a propósito de bodas, exatamente na quarta-feira foi difundida a notícia por parte do Pontífice de uma mesa de trabalho, coordenada pelo secretário-geral da Conferência episcopal italiana, «para a definição das principais questões interpretativas e aplicativas de interesse comum», relativas à reforma do processo matrimonial introduzida pelo motu proprio Mitis Iudex Dominus Iesus.
No final da audiência Francisco saudou os vários grupos linguísticos presentes na praça e no aniversário do seu histórico encontro de 8 de junho de 2014 no Vaticano com os presidentes de Israel e da Palestina, relançou a iniciativa de oração da Ação católica italiana «um minuto pela paz».
Catequese do Papa
Audiência geral

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A bateria do cristão

PAPA FRANCISCO

· Missa em Santa Marta ·
7 de Junho de 2016
Se o cristão cede à tentação da «espiritualidade do espelho» não alimenta a sua luz com a «bateria da oração» e enxerga só «a si mesmo» sem se doar aos outros, não pratica a sua vocação e torna-se como uma lâmpada que não ilumina e como sal que não dá sabor.
Recordou o Papa Francisco que, na missa celebrada no dia 7 de junho em Santa Marta, tirou da liturgia a célebre comparação evangélica evidenciando a eficácia da linguagem de Jesus que «fala sempre aos seus com palavras fáceis» a fim de que «todos possam compreender a mensagem». De facto, no trecho de Mateus (5, 13-16), frisou o Pontífice, encontra-se «uma definição dos cristãos: o cristão deve ser sal e luz. O sal dá sabor, conserva e a luz ilumina». Um exemplo que exorta à ação, dado que «a luz não foi feita para ficar escondida, porque se permanecer escondida apaga-se» e «nem sequer o sal é um objeto de museu nem de armário porque no final estraga-se com a humidade e perde a sua força, o seu sabor».
Mas, perguntou o Papa, «como fazemos para evitar que a luz e o sal faltem?», isto é, «como se faz para evitar que o cristão decline, que seja débil, se enfraqueça precisamente na sua vocação?». Uma resposta pode vir de outra parábola, a «das dez servas (Mateus 25, 2): cinco estultas e cinco sábias». A sabedoria e a estultice, explicou Francisco, nascem do facto de que «algumas levaram consigo o óleo, para que não faltasse» enquanto as outras, «brincando com a luz, esqueceram-se» e as suas luzes acabaram por se apagar. De resto, acrescentou o Papa com um exemplo mais atual, «até a lanterna, quando começa a enfraquecer, dizemos que é preciso recarregar a bateria».
Contudo, a conclusão é a mesma: «Qual é o óleo do cristão? Qual é a bateria para produzir luz? Simplesmente a oração». A tal propósito, o Pontífice quis aprofundar: «Podes fazer muitas coisas, tantas obras, inclusive obras de misericórdia, podes fazer muitas coisas grandes pela Igreja – uma universidade católica, um colégio, um hospital – e até te farão um monumento como benfeitor da Igreja» mas «se não rezas» tudo isto não trará luz. «Quantas obras – disse – se tornam obscuras, por falta de luz, por falta de oração». Por oração, explicou o Papa, entende-se «a oração de adoração ao Pai, de louvor à Trindade, a oração de ação de graças, também a oração para pedir algo ao Senhor», contudo sempre «uma oração do coração». É precisamente ela «o óleo, a bateria, que dá vida à luz».
Passando para o exemplo do sal, Francisco indicou «outro comportamento do cristão»: assim como o sal que, para não se tornar «algo inutilizável, que se deita fora, um objeto de museu ou esquecido no armário» deve ser usado, também o cristão deve «doar-se» e «temperar a vida dos outros; dar sabor a muitas coisas com a mensagem do Evangelho». O cristão não deve «conservar-se a si mesmo» mas «é sal que se dá». Jesus, disse Francisco, «escolhe bem os seus exemplos»: «tanto a luz como o sal são para os outros, não para nós mesmos». Com efeito «a luz não ilumina a si mesma» e «o sal não tempera a si mesmo». Alguém poderia objetar: «Se me doar, me doar, doar o meu sal e também a minha luz, eles acabarão e acabarei no escuro». Mas, esclareceu o Papa, «há a força de Deus, porque o cristão é um sal doado por Deus no Batismo: é o sal do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma; é a luz do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma».
Este dom continua a ser doado a ti se o compartilhares: «E nunca acaba». Isto é explicado, por exemplo, na Escritura com o episódio narrado na primeira leitura (1 Re 17, 7-16) onde Elias diz à viúva de Sarepta: «Não temas que acabe a cevada e o óleo; volta e faz como disseste» e até pede: «prepara-me antes com isso um pãozinho, e traz-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até ao dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra». Também neste caso, explicou o Pontífice, «é o Senhor que faz este milagre».
Portanto, concluiu o Papa dirigindo-se a cada cristão: «Ilumina com a tua luz, mas defendes-te da tentação de te iluminar a ti mesmo». A «espiritualidade do espelho» é «horrível». E acrescentou: «Defendes-te da tentação de te curar a ti mesmo. Sê luz para iluminar e sal para dar sabor e conservar». Sobre as obras, lê-se na Escritura, «que se vejam as vossas obras boas e se deem glória ao vosso Pai que está nos Céus». Isto é, explicou Francisco, é preciso «voltar» Àquele «que te concedeu a luz e o sal» e pedir ajuda ao Senhor a fim de que «nos auxilie nisto: cuidar sempre da luz, não a esconder, pô-la em ato; do sal, doá-lo, o justo, o que for necessário, mas doá-lo». O sal que se espalha «aumenta» e a luz «ilumina muitas pessoas»: são estas «as boas obras do cristão».
Missa em Santa Marta

terça-feira, 7 de junho de 2016

PAPA FRANCISCO


O Gps e os quatro sarilhos
· Missa em Santa Marta ·
6 de Junho de 2016
Se as Bem-aventuranças são «o navegador Gps para a nossa vida cristã», existem também as «anti-Bem-aventuranças» que certamente nos farão «errar o caminho»: Francisco admoestou contra o apego às riquezas, a vaidade e o orgulho, indicando na mansidão, que não deve ser confundida claramente com a «estultice», as Bem-aventuranças sobre as quais refletir mais. E assim na missa celebrada na manhã de segunda-feira 6 de junho, na capela da Casa de Santa Marta, o Pontífice sugeriu a releitura das páginas evangélicas sobre as Bem-aventuranças escritas por Mateus e Lucas.
«Podemos imaginar» afirmou Francisco, em que contexto Jesus pronunciou o discurso das Bem-aventuranças, assim como narra Mateus no seu Evangelho (5, 1-12). Eis então «Jesus, as multidões, o monte, os discípulos». E «Jesus pôs-se a falar e a ensinar a nova lei, que não cancela a antiga, porque ele próprio disse que até o ultimo jota da antiga lei deve ser cumprida». Na realidade, Jesus «aperfeiçoa a antiga lei, leva-a à sua plenitude». E «esta é a lei nova, a que nós chamamos as Bem-aventuranças». Sim, explicou o Papa, «é a nova lei do Senhor para nós». Com efeito, as Bem-aventuranças «são o guia de navegação, do itinerário, são os navegadores de vida cristã: precisamente aqui vemos, neste caminho, segundo as indicações deste navegador, como podemos ir em frente na nossa vida cristã».
Nas Bem-aventuranças, realçou Francisco, «há muitas coisas bonitas: podemos deter-nos em cada uma até às dez da manhã». Mas «eu gostaria de me deter no modo como o evangelista Lucas explica isto». Relativamente ao trecho de Mateus proposto hoje pela liturgia, afirmou o Papa, Lucas no capítulo 6 do seu Evangelho «diz o mesmo, mas no final acrescenta algo que Jesus disse: os quatro sarilhos». Precisamente «os quatro sarilhos». E assim eis que também Lucas enumera aquele «beatos, beatos, beatos, beatos todos». Mas depois acrescenta «sarilhos, sarilhos, sarilhos, sarilhos»
São exatamente «quatro sarilhos». Ou seja: «Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação; ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome; ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis; ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas». E «estes sarilhos – continuou o Papa – iluminam o essencial desta página, deste guia de caminho cristão».
O primeiro «sarilho» diz respeito aos ricos. «Já disse várias vezes, recordou Francisco, que «as riquezas são boas» e que «é prejudicial e negativo o apego às riquezas, ai de vós. Com efeito, a riqueza «é uma idolatria; quando eu sou apegado, então faço idolatria». Não é certamente por acaso que «a maior parte dos ídolos são de ouro». E assim há «aqueles que se sentem felizes, não lhes falta nada», têm «um coração satisfeito, um coração fechado, sem horizontes: riem, estão saciados, não têm fome de nada». E depois há «aqueles que gostam de incenso: gostam de que todos falem bem deles e assim estão tranquilos». Mas «“ai de vós” diz o Senhor: esta vai contra a lei, é o Gps errado».
É importante observar, continuou o Papa, que «estes são os três degraus que levam à perdição, assim como as bem-aventuranças são os degraus que levam em frente na vida». O primeiro dos «três degraus que levam à perdição» é, precisamente, «o apego às riquezas», quando sentimos que «não precisamos de nada». O segundo é «a vaidade», a busca «que todos digam bem de mim, todos falem bem: sinto-me importante, demasiado incenso» e por fim acabo por «acreditar que sou justo, não como aquele», afirmou Francisco, sugerindo que pensássemos «na parábola do fariseu e do publicano: «Agradeço-te porque não sou como ele”». A ponto que quando somos levados pela vaidade acabamos até por dizer, e isto acontece todos os dias, «obrigado, Senhor, porque sou um bom católico, não como o meu vizinho, a minha vizinha».
O terceiro é «o orgulho que é a saciedade», são «as risadas que fecham o coração». Com estes três degraus vamos rumo à perdição», explicou o Papa, porque «são as anti-bem-aventuranças: o apego às riquezas, a vaidade e o orgulho».
«Ao contrário, as Bem-aventuranças são o caminho, são o guia para o caminho que nos leva para o reino de Deus», sublinhou Francisco. Porém, entre todas «há uma, não digo que é a chave, mas faz-nos pensar muito: “Bem-aventurados os mansos”». Precisamente «a mansidão». Jesus «diz de si mesmo: aprendei de mim que sou manso de coração, que sou humilde e tenho um coração dócil». Por conseguinte, «a mansidão é um modo de ser que nos aproxima muito de Jesus». Ao contrário, «a atitude oposta procura sempre inimizades, acontecem guerras e muitas coisas negativas». O Papa admoestou contra o risco de que «a mansidão de coração» possa ser interpretada erroneamente como «estultice: não, é outra coisa, é a capacidade de compreender a grandeza de Deus, e adoração».
Antes de voltar à celebração da missa, o Pontífice convidou a pensar nas «Bem-aventuranças que são o bilhete, a carta de condução da nossa vida, para não se perder e não nos perdermos». E «hoje nos fará bem lê-las; são poucas, cinco minutos, capítulo 5 de Mateus». Sim, propôs, «lê-las um pouquinho, em casa, cinco minutos, far-nos-á bem», porque as Bem-aventuranças são «o caminho, o guia». Ao concluir, convidou a pensar também nas «quatro anti-Bem-aventuranças» narradas pelo evangelista Lucas, aqueles quatro sarilhos «que me farão errar o caminho e acabar mal».

domingo, 5 de junho de 2016

Cuidar da Mãe Terra



Um domingo que amanhece chuvoso. No passado, muitos ainda insistem nessa mania, se diria que é um mau tempo. São resquícios de uma época em que a humanidade não compreendia perfeitamente o sentido da própria natureza. Como mau tempo, quando muitos lavradores aguardam com ansiedade por esta chuva abençoada para salvar suas colheitas? Como mau tempo, quando em várias cidades, sobretudo em virtude da própria agressão à natureza, os reservatórios de água encontram-se em pleno volume morto?

Nada é mau ou bom na natureza. Vulcões, terremotos, enchentes são a própria Mãe Terra desenvolvendo a sua marcha, criando e recriando a vida. Muitos desses acontecimentos, no entanto, são agravados pela ação inconsequente e nefasta do próprio homem.

É dito que o preço do pecado é a morte, e a ação irresponsável do homem comum, do homem ganancioso pelo acúmulo de riquezas, mesmo que ela signifique a derrubada de árvores nas florestas, a poluição da atmosfera e a destruição e degradação do meio ambiente, contribui inexoravelmente para o fim da vida.

Muitos possuem um enorme desdém com relação à Vida. São agressores da natureza, dos animais e do próprio semelhante. Indiferentes a fome de muitos, especialmente das crianças, cultuam o deus do consumo e do desperdício. Agridem as mulheres como fonte e matriz da própria perpetuação da espécie.

Se perdem em debates inócuos sobre a origem do universo, existência de Deus ou deuses. Batem no peito orgulhosos de suas verdades, esquecidos de cada um possui a sua própria verdade fruto das próprias condições e vivência que estão tendo na Terra.

Não que o debate em si seja algo de ruim. Mas, quando não há a perspectiva de através dele se procurar a melhoria da vida para todos, torna-se estéril. E nada há mais urgente do que o próprio debate em torno da preservação da Natureza, fruto da doação de um Criador ou do acaso de uma explosão cósmica. Tanto faz. O que importa é o comportamento que se tem diante da preservação e melhoria da própria Vida, de todos e para todos.

sábado, 4 de junho de 2016

Imaculado Coração de Maria

Sabado, dia 04 de Junho de 2016




Esta memória ao Imaculado Coração de Maria não é nova na Igreja; tem as suas profundas raízes no Evangelho que repetidamente chama a nossa atenção para o Coração da Mãe de Deus. Por isto, na Tradição Viva da Igreja encontramos esta devoção confirmada pelos Santos Padres, Místicos da Idade Média, Santos, Teólogos e Papas como João Paulo II.
"Depois ele desceu com eles para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração". Este relato bíblico que se encontra no Evangelho segundo São Lucas, une-se ao canto de louvor entoado por Maria, o Magnificat; a compaixão e intercessão diante do vinho que havia acabado e a presença de Maria de pé junto a Cruz, revelam-nos a sintonia do Imaculado Coração de Maria para com o Sagrado Coração de Jesus.
Entre os santos, São João Eudes destacou-se como apóstolo desta devoção e, entre os Papas que propagaram esta devoção, destaca-se Pio XII que em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.
As aparições de Nossa Senhora em Fátima no ano de 1917, de tal forma espalharam a devoção ao Coração de Maria que o Cardeal Cerejeira disse um dia: "Qual é precisamente a mensagem de Fátima? Creio que poderá resumir-se nestes termos: a manifestação do Coração Imaculado de Maria ao mundo actual, para o salvar". Desta forma, pudemos conhecer que o Pai e Jesus querem estabelecer no mundo inteiro a devoção ao Imaculado Coração, que se encontra fundamentada na Consagração e Reparação a este Coração que "no final triunfará".


cf.www.catolicanet.com.br

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Jesus Cristo

Sagrado Coração de Jesus (ofício próprio)




A liturgia deste dia convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus pelos homens – por todos os homens, sem excepção. Como imagem privilegiada para exprimir esta realidade, a Palavra de Deus utiliza a figura do Pastor: Deus é o Pastor que, com amor, cuida do seu rebanho.
A primeira leitura apresenta Deus como um “bom pastor” (contraposto aos líderes de Israel, os “maus pastores” que conduziram o Povo por caminhos de egoísmo e de morte), cuja preocupação fundamental é o bem-estar do seu rebanho; nesse contexto, o profeta anuncia a obra do Pastor/Deus: libertação do rebanho/Povo, o êxodo para a terra da liberdade, a condução do rebanho para “pastagens excelentes” e os cuidados amorosos que o Pastor dispensará a cada uma das suas ovelhas.
A segunda leitura lembra-nos que o amor de Deus se derrama continuamente sobre os homens. A prova cabal desse imenso amor é Jesus Cristo, o Filho que o Pai enviou ao nosso encontro para nos libertar do egoísmo e do pecado e que deu a própria vida para que o projecto de amor do Pai se concretizasse e atingisse a humanidade inteira.
O Evangelho retoma a imagem do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorrectas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus.


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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Perseverança em Deus



"Necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé. E se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daquele que retrocedem para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma." (Hebreus 10: 36-39)

Como é difícil nos mantermos na fé, em um mundo cada vez mais cheio de atrativos falsos que nos desviam o olhar e o comportamento em relação às coisas. Imagens coloridas da televisão e todo tipo de entretenimento e jogos eletrônicos disponíveis em celulares e tablets, envolvendo não apenas crianças e jovens, mas também muitos adultos.

O prazer do lúdico, infantilizando eternamente as pessoas, fazendo que muitos não assumam verdadeiro papel de pais ou mães e por meio de um comportamento extremamente permissivo, influenciando negativamente na formação dos próprios filhos.

Alunos que não respeitam seus professores nas escolas, que agridem impunemente seus colegas, fazendo do chamado bulling um ato corriqueiro. A disciplina vista como algo que tolhe a criatividade da criança e dos jovens.

Para que mundo caminhamos, quando os próprios religiosos são os primeiros a não perseverar na fé em Deus. Cultos, missas e atividades religiosas transformadas em festas que estimulam a sensualidade como nos antigos festivais ao deus Baco. Será, verdadeiramente, esta a casa do Senhor?

Foi dito que não se pode servir a dois senhores. Mas, quando os fazem achando normal reinterpretar a Palavra de Deus de maneira a que ela se torne maleável aos seus próprios pensamentos e maneira de agir.

Sabemos que é difícil perseverar, fazendo a vontade de Deus. Mas, é pela oração que podemos pedir auxílio para que não nos afastemos de sua Palavra. "Livrai-nos do mal", ensinou Jesus em sua oração. Precisamos ser humildes e pedirmos ajuda para que possamos perseverar.

O apóstolo Paulo falou da dificuldade de nos mantermos fiéis aos ensinamentos de Cristo, mas da mesma forma falou que é pela fé e perseverança que cada vez mais nos aproximaremos de Deus. Jesus venceu o mundo e é dever dos que os seguem lutar de maneira firme para cada vez mais estar próximo do que Ele pregou.




quarta-feira, 25 de maio de 2016

Papa Francisco

Hino à alegria

· Missa em Santa Marta ·

«O bilhete de identidade do cristão é a alegria»: o «estupor» diante da «grandeza de Deus», do seu «amor», da «salvação» que doou à humanidade não pode deixar de levar o crente a uma alegria que nem sequer as cruzes da vida podem afetar, porque também na provação há «a certeza de que Deus está connosco».
Foi um verdadeiro hino à alegria a meditação do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na segunda-feira 23 de maio. A inspiração proveio da liturgia do dia. Em particular, o Pontífice quis reler o incipit do trecho tirado da primeira Carta de Pedro (1, 3-9) que – disse – pelo «tom exultante», a «alegria», o modo do apóstolo intervir «com toda a força» recorda o início do «Oratório de Natal de Bach». Com efeito, escreve Pedro: «Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vós que, mediante a fé, sois protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo».
São palavras em que se percebe «a maravilha diante da grandeza de Deus», diante da «regeneração que o Senhor – “em Jesus Cristo e por Jesus Cristo” – fez em nós». E é «um estupor cheio de júbilo, alegre»: logo a seguir, observou o Papa, no texto da carta encontra-se a «palavra-chave», ou seja: «Por esta razão estais repletos de alegria».
A alegria sobre a qual fala o apóstolo é duradoura. Por isso, explicou Francisco, ele acrescenta na epístola que, mesmo se por algum tempo somos obrigados a estar «afligidos pelas provações», aquela alegria do início «não nos será tirada». Com efeito, brota «daquilo que Deus fez em nós: regenerou-nos em Cristo e deu-nos uma esperança». Uma esperança – «a que os primeiros cristãos apresentavam como uma âncora no céu» – que, disse o Papa, é também a nossa. Dali provém a alegria. E de facto Pedro, concluindo a sua mensagem, convida todos: «Por isso exultai de alegria indizível e gloriosa».
De tudo isto, sublinhou o Pontífice, compreende-se como a alegria seja realmente a «virtude do cristão». Um cristão, especificou, «é um homem e uma mulher com a alegria no coração». Mais ainda: «Não existe um cristão sem alegria». Alguém poderia objetar: «Mas, Padre, eu já vi tantos!», pretendendo dizer com isto «não são cristãos: dizem que o são, mas não é assim, falta-lhe algo». Eis porque segundo o Papa «o bilhete de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido eleitos por Jesus, salvos por Jesus, regenerados por Jesus; a alegria daquela esperança que Jesus espera por nós». E também «nas cruzes e nos sofrimentos desta vida», acrescentou, o cristão vive aquela alegria, experimentando-a de outra forma, isto é, com a «paz» que vem da «segurança que Jesus nos acompanha, está connosco». Com efeito, o cristão vê «crescer esta alegria com a confiança em Deus». Ele sabe bem que «Deus se lembra dele, que Deus o ama, que o acompanha, espera por ele. Isto é alegria».
Em paralelo com a este hino da alegria, a liturgia do dia propõe «outra palavra», que está ligada ao episódio do Evangelho de Marcos (10, 17-27) no qual se narra sobre o jovem «que se aproximou de Jesus para o seguir»: um «bom jovem» a ponto de conseguir «conquistar o coração de Jesus» o qual, lê-se, «olhou para ele» e «amou-o». Jesus fez uma proposta àquele jovem: «Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o que possuis e dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me»: mas ao ouvir estas palavras ele «ficou abatido e afastou-se triste».
O jovem, realçou Francisco, «não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza». Mas porquê? A resposta é clara: «Porque possuía muitos bens. Era agarrado aos bens».
Aliás, o próprio Jesus tinha avisado «que não se pode servir a dois senhores: ou serves o Senhor ou serves as riquezas». Voltando sobre este tema já enfrentado numa homilia proferida há poucos dias, o Pontífice explicou: «as riquezas não em si são negativas», a maldade é «servir a riqueza». Em síntese, foi por isso que o jovem se foi embora triste: «Ele ficou abatido e afastou-se triste».
Este episódio esclarece a vida quotidiana «nas nossas paróquias, nas nossas comunidades, nas nossas instituições»: aqui com efeito, sublinhou o Papa, se «encontrarmos pessoas que se consideram cristãs e querem ser cristã, mas são tristes», significa que algo «não está bem». E é tarefa de cada um ajudar estas pessoas «a encontrar Jesus, a apagar aquela tristeza, para que possam rejubilar do Evangelho, possam ter esta alegria que é própria do Evangelho».
Francisco quis aprofundar mais este conceito central e ligar a alegria ao estupor que brota – como recordou são Pedro na sua carta – «diante da revelação, do amor de Deus, da emoção do Espírito Santo». Por conseguinte, podemos afirmar que «o cristão é um homem, uma mulher de estupor».
Uma palavra – «estupor» – que está presente também no final do trecho evangélico do dia, «quando Jesus explica aos apóstolos que aquele jovem tão bom não conseguiu seguí-lo, porque era apegado às riquezas e diz que é muito difícil que um rico, que uma pessoa apegada às riquezas, entre no reino dos Céus». Com efeito, lê-se ainda que eles, «mais surpreendidos», diziam: «E quem se pode salvar?».
O homem, o cristão – explicou o Papa – pode estar tão surpreendido perante tamanha grandeza e beleza, a ponto de pensar: «Eu não consigo. Não sei como fazer!». A resposta dada por Jesus, encarando os seus discípulos é consoladora: «Impossível aos homens – não conseguimos... – mas não a Deus?». Ou seja, podemos viver a «alegria cristã», o «estupor da alegria», e salvar-nos «do risco de viver apegados a outras coisas, às mundanidades», só «com a força de Deus, com a força do Espírito Santo».
Portanto, confidenciou o Pontífice no final da homilia, «peçamos hoje ao Senhor que nos dê o estupor perante ele, perante as muitas riquezas espirituais que nos concedeu; e juntamente com este estupor nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver com o coração em paz as numerosas dificuldades; e nos proteja da tentação de procurar a felicidade em muitas coisas que afinal acabam por nos entristecer: prometem tanto, mas nada nos darão!». Esta a conclusão: «lembrai-vos bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de estupor».
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terça-feira, 24 de maio de 2016

TRISTE É A INGRATIDÃO


Lucas 17:11-19
“De caminho a Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia. Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”
Há pessoas que em determinada fase da vida, enfrentando dificuldades são socorrida por alguém que, misteriosamente, cruza em seu caminho e as alivia da situação ruim que parecia não ter um fim feliz.
Com o passar do tempo, recuperadas da má fase, chegam a apontar, seguidamente, defeitos naquela que a socorreu. Em vez de destacar os pontos positivos do outro, passam a mencionar somente as falhas, procurando inclusive buscar erros cometidos no passado por aquele que a socorreu.
A ingratidão não é com o próximo, mas com Deus que colocou diante delas uma pessoa para as socorrer no meio do maior sofrimento.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Papa Francisco

Papa: Jesus nos dá a verdadeira alegria, não a riqueza

2016-05-23 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - “O cristão vive na alegria e no estupor graças à ressurreição de Jesus Cristo”, disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, (23/05), na Casa Santa Marta. 
 
Comentando a Primeira Carta de São Pedro Apóstolo, o Pontífice sublinhou que não obstante as provações, nunca nos será tirada a alegria “daquilo que Deus fez em nós. Regenerou-nos em Cristo e nos deu a esperança”. 
A carteira de identidade do cristão é a alegria do Evangelho
“Podemos caminhar rumo àquela esperança que os primeiros cristãos representavam como uma âncora no céu. Aquela esperança que nos dá alegria”, disse Francisco, que acrescentou:
“O cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria! Mas, Padre, eu já vi tanta coisa! Não são cristãos! Dizem que são, mas não são! Falta-lhes alguma coisa. A carteira de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido escolhido por Jesus, salvo por Ele, regenerado por Jesus. A alegria daquela esperança que Jesus espera de nós, a alegria que, nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se expressa de outra maneira que é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha. Está conosco”.
“O cristão faz esta alegria crescer com a confiança em Deus. Deus se lembra sempre de sua aliança. O cristão sabe que Deus se lembra dele, que Deus o ama, que Deus o acompanha, que Deus o espera. Esta é a alegria”, disse ainda o Papa.
É um mal servir a riqueza, no final faz-nos tristes
Francisco, assim, dirigiu sua atenção para a passagem do Evangelho de hoje que narra o encontro de Jesus com o jovem rico. Um homem, disse, que “não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza”, “porque possuía muitos bens”:
“Era apegado aos bens! Jesus nos disse que não se pode servir a dois senhores: ou serve a Deus ou serve as riquezas. As riquezas não são ruins em si mesmas: mas servir a riqueza, esse é o mal. O pobre homem foi embora triste... “Ele franziu a testa e retirou-se triste”. Quando em nossas paróquias, nas nossas comunidades, em nossas instituições, encontramos pessoas que se dizem cristãs e querem ser cristãs, mas são tristes, algo está errado. E nós devemos ajudá-las a encontrar Jesus, a tirar essa tristeza, para que possa se alegrar com o Evangelho, possa ter essa alegria que é própria do Evangelho”.
Ele se concentrou sobre a “alegria e o estupor”. “O estupor bom – disse o Papa – diante da revelação, diante do amor de Deus, diante das emoções do Espírito Santo”.
O cristão “é um homem, uma mulher de estupor”. Uma palavra, destacou, que volta hoje no final, “quando Jesus explica aos Apóstolos que aquele jovem tão bom não conseguiu segui-lo, porque ficou preso às riquezas”.
Quem pode ser salvo, se perguntam então os Apóstolos? A eles, o Senhor responde: “Impossível aos homens”, mas “não a Deus!”. 
Não buscar a felicidade em coisas que, no final, nos entristecem
A alegria cristã, portanto, “o estupor da alegria, de ser salvos de viver presos às coisas, à mundanidade – as muitas mundanidades que nos afastam de Jesus – isso pode ser superado somente com a força de Deus, com a força do Espírito Santo”:
“Peçamos hoje ao Senhor que nos dê o estupor diante Dele, diante das muitas riquezas espirituais que nos deu; e com este estupor nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver com paz no coração as inúmeras dificuldades; e nos proteja da busca da felicidade em muitas coisas que, no final, nos entristecem: prometem muito, mas não nos darão nada! Lembrem-se bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de estupor”.
(MJ/SP/BF)
(from Vatican Radio)