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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Papa Francisco

Papa Francisco em terras mexicanas: chegou o missionário da paz

2016-02-13 Rádio Vaticana
Cidade do México (RV) – O Papa Francisco encontra-se em território mexicano desde o início da noite desta sexta-feira, quando foi recebido no Aeroporto Internacional Benito Juárez de Cidade do México pelo presidente do país Enrique Peña Nieto e pela primeira-dama. Uma acolhida oficial mas informal sem uma cerimônia protocolar nem discursos.
Antes da chegada do Papa, diante de uma multidão de pessoas em arquibancadas construídas para o evento, grupos musicais mexicanos narraram com suas músicas e vestidos típicos a história da tradição folclórica do país. Espetáculo que se repetiu depois diante do Papa. Aos gritos a multidão presente pediu a benção de Francisco que como pai amoroso concedeu. Uma recepção digna da alegria do povo mexicano.
Depois a transferência para a sede da Nunciatura Apostólica, onde será a residência de Francisco nos próximos dias.
Pelas ruas de Cidade do México Francisco recebeu o amor e o carinho de tantas pessoas que desde o início da tarde se posicionaram nas calçadas para, saudar e por um momento ver o “missionário da paz”, que vem confirmá-los na fé. Entusiamos que se misturaram com os gritos de viva o Papa, "bienvenido" Santo Padre. A cidade se transformou com a chegada do Papa. Apesar de ruas fechadas em uma das cidades com o pior trânsito do mundo, o povo estava feliz em ter em sua casa Papa Francisco.
Os mexicanos receberam o Papa com um abraço luminoso. De fato, formaram a maior ‘corrente’ de smartphones iluminados da história, um corredor de luzes do aeroporto da cidade até a Nunciatura Apostólica. Quem não tinha celular usou pequenas lanternas. Foi o “muro de luzes e de orações” de 19 km.
Os sinos da catedral de Cidade do México também tocaram nesta sexta-feira em festa durante duas horas sem interrupção por 80 voluntários que se alternaram, anunciando a chegada de Francisco; entre os sinos o mais famoso da cidade, chamado “Dona Maria”.
Na manhã deste sábado a cerimônia de boas-vindas no Palácio Nacional, onde Francisco será recebido com honras de chefe de Estado. Depois a visita de cortesia ao presidente e o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Em seguida a transferência para a catedral da cidade dedicada à Assunção de Nossa Senhora. Um edifício construído com pedras vulcânicas. O lugar era ocupado por um templo dedicado à divindade azteca Xipe. Hernán Cortés fez constuir uma igreja no lugar com o material recuperado de antigos templos. Na Catedral o Papa Francisco manterá um encontro com os bispos do México. Momentos antes o Santo Padre será recebido diante dos portões da Catedral pelo chefe de governo do local que lhe entregará as Chaves da Cidade. A Praça diante da Catedral, conhecida também como “Zócalo”, pode acolher cerca de 80 mil pessoas.
Ainda neste sábado, no final da tarde o Papa vai até a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, coração da religiosidade mexicana onde celebrará a Santa Missa. Após a celebração um momento de oração em privado no “Camarín”, lugar onde é conservada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.
Os próximos dias a agenda nacional mexicana se concentrará na visita do Papa Francisco e no impacto de sua mensagem ao povo mexicano, mesmo sendo um estado leigo. As expectativas sobre os seus discursos públicos certamente concentrarão a atenção de uma sociedade muito religiosa, mas ao mesmo tempo muito secularizada, que partilha as interrogações feitas por Francisco. Um líder religioso que se aproxima das preocupações das pessoas, que adverte para uma “guerra mundial em pedaços” e denuncia os pecados da pobreza e da corrupção.
A pergunta que todos fazem hoje aqui é: o que Francisco vai dizer ao México? Como os mexicamos vão receber suas palavras.
O seu itinerário por lugares emblemáticos de males nacionais é ao mesmo tempo um confronto com problemas que dizem respeito diretamente ao povo e ao seu desânimo em relação à justiça, às instituições e à própria convivência. As palavras de Francisco ajudarão como bálsamo para o desânimo? Despertará novos impulsos em uma sociedade que procurar crescer em todos os setores? A resposta dos mexicanos é sim.
Os lugares que Francisco irá tocar nos próximos dias dizem respeito às grandes preocupações e esperanças dos mexicanos. O tema central da visita “Missionário da misericódia e paz” gira em torno a perguntas sobre como recuperar a paz em um país que vive – como destacou nos dias passados a imprensa local – “o seu pedaço de guerra”. O questionamento da violência, da corrupção, do tráfico de drogas, a migração.
A imprensa internacional descreve a viagem como uma viagem difícil pois tocará lugares complicados. Estará em Ecatepec, onde poderá ver face a face uma das áreas mais violentas do país e com o mais elevado índice de feminicidios e mulheres desaparecidas. Ciudade Juárez onde a Corte Internacional dos Direitos Humanos e emitiu sentenças contra o país por causa das “mortes de Juárez”. Irá a Michocán que é uma das áreas mais “quentes” da guerra contra o narcotráfico. Também visitará Chiapas que desde os anos 90 emergiu como referente da marginalização e exclusão da população indígena com a insurreição “zapatista”. No norte do país, numa “missa binacional” poderá apalpar a problemática da migração, de crimes e do tráfico de pessoas.
São lugares representativos dos fragmentos de “guerra”, afirma a imprensa local.
Os mexicanos esperam muito desta visita de Francisco, suas palavras e gestos. Certamente o “Papa latino-americano” não irá depecioná-los.  
Dos estúdios da Rádio Vaticano, Cidade do México, Silvonei José.
(from Vatican Radio)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Papa Francisco

Numa perspectiva de ecologia integral

· Mensagem pontifícia para a Campanha da Fraternidade ·

Publicamos o texto da mensagem do Papa por ocasião da Campanha da fraternidade de 2016 sobre o tema «casa comum, nossa responsabilidade», que se realiza pela quarta vez com as Igrejas que fazem parte do Conselho nacional das Igrejas cristãs do Brasil. O lema bíblico escolhido foi o seguinte: «Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca».
Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: «Casa comum, nossa responsabilidade». Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: «Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca» (Am 5, 24).
É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com aMisereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.
Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.
Na encíclica Laudato si’, recordei que «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos» (n. 30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf.ibid.).E, numa perspectiva de ecologia integral, procurei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que «a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta» (n. 48).
Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela «deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático» (Laudato si’, 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos «a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» e descobrimos que Jesus quer «que toquemos a carne sofredora dos outros» (Evangelii gaudium, 270), dedicando-nos ao «cuidado generoso e cheio de ternura» (Laudato si’, 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.
Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: «ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz» (Laudato si’, 246). Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedindo que, por favor, não deixem de rezar por mim!
Vaticano, 22 de janeiro de 2016.
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Papa Francisco

Ano de graça

· Em São João de Latrão o Pontífice encontrou-se com os sacerdotes romanos e falou do jubileu da misericórdia e em Santa Maria Maior confiou à Virgem o encontro com Cirilo e a visita ao México ·

O Papa Francisco está muito contente com o que está a acontecer neste ano de graça do jubileu. Foi ele mesmo quem o confidenciou aos sacerdotes da diocese de Roma, com os quais se encontrou na manhã de 11 de fevereiro, na basílica de São João de Latrão.
A poucas horas da partida para o México, que começa por Havana com o histórico encontro com o Patriarca de Moscovo, Francisco quis realizar uma «peregrinação quaresmal» ao coração de Roma, indo encontrar os seus sacerdotes. E assim, às 10h30, chegou à basílica de Santa Maria Maior para confiar a visita à Salus populi Romani. Em seguida, por volta das 11h00, deslocou-se a São João de Latrão, onde estava a decorrer o tradicional encontro no início de Quaresma do clero romano. Na basílica o Papa confessou dez sacerdotes, e depois também ele se confessou a um deles.
Quem recebeu Francisco e lhe dirigiu uma saudação foi o cardeal Agostino Vallini, o qual lhe garantiu a proximidade do clero romano nesta viagem que vê no encontro com o Patriarca «uma «mudança na história da unidade». E precisamente a insistência sobre a missão de bispo de Roma, disse o cardeal recordando o dia da eleição de Francisco, fez «admirar muito» também o metropolita ortodoxo Ilarione. Em seguida, o cardeal agradeceu ao Papa esta visita que manteve a tradição do encontro com o seu clero. «Estamos a viver o jubileu com tanta dedicação» garantiu por fim o cardeal, «sobretudo fazendo a experiência da misericórdia através das confissões e da peregrinação».
No seu discurso improvisado, Francisco pediu com insistência aos sacerdotes para viverem profundamente a misericórdia, compreender e perdoar o povo que se vai confessar. Recordou que a carícia de um sacerdote faz muito bem, indicando o exemplo do Senhor que é sempre misericordioso. As pessoas, disse o Papa, devem encontrar no confessor um pai que não deixa que seu filho se afaste.
A ideia do jubileu da misericórdia, confidenciou a seguir, é fruto de uma inspiração espiritual e vem de longe: remonta a Paulo VI, afirmou, recordando também o magistério de João Paulo II, a mensagem de santa Faustyna Kowalska e as catequeses de Bento XVI. Por conseguinte, se o Senhor quer um jubileu da misericórdia, disse, é para que haja misericórdia na Igreja, para que se perdoem os pecados. Por isso, convidou os sacerdotes a serem generosos no perdão e a compreender as diversas linguagens dos penitentes: com efeito, há a linguagem das palavras, mas também a dos gestos que expressam a vontade de obter o perdão de Deus.
O encontro no Latrão assumiu um caráter penitencial. Antes da chegada do Papa, o bispo auxiliar de Roma, D. Angelo De Donatis, que preside ao Serviço para a formação permanente do clero, sugeriu uma reflexão centrada na negação de Pedro. Além disso, como sinal quaresmal, as ofertas recolhidas entre os sacerdotes durante o encontro foram destinadas à Caritas diocesana. Por fim, o cardeal Vallini entregou a todos os sacerdotes romanos, em nome do Papa, o livro Il nome di Dio è misericordia. O Pontífice regressou ao Vaticano por volta das 13h00.
Na tarde do dia anterior o Papa Francisco tinha celebrado na basílica de São Pedro a missa da quarta-feira de Cinzas, introduzindo a Igreja no tempo quaresmal. No final conferiu o mandato aos missionários da misericórdia. E na homilia pediu aos fiéis presentes que vençam hipocrisia, mundanidade e indiferença, pondo-se a caminho e deixando-se reconciliar com o Pai.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Futebol pela paz

Em campo pela paz

· Iniciativas de Scholas Occurrentes lançadas na presença do Papa ·

O Papa Francisco anunciou que no próximo dia 29 de Maio, no estádio Olímpico de Roma, terá lugar uma nova partida pela paz, após a do dia 1 de Setembro de 2014. 
Uma iniciativa que demonstra como é possível «fazer a paz» também com o jogo e com a arte, explicou o Pontífice na tarde de quarta-feira, 3 de Fevereiro, presidindo na Casina Pio IV, no Vaticano, ao encontro promovido pela fundação pontifícia Scholas Occurrentes para a formação dos jovens mais desfavorecidos nos países pobres.
Saudando os presentes o Pontífice frisou a importância do futebol e do desporto em geral, que – disse – é capaz de educar e promover a cultura do encontro. O valor da educação, explicou, deve ser enquadrado na harmonia da pessoa, isto é, no crescimento da totalidade do homem. Trata-se de dar espaço sobretudo à capacidade criativa dos jovens e dos adolescentes, a fim de promover o diálogo entre religiões e culturas e construir um mundo mais inclusivo.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Papa Francisco

Sala de Imprensa confirma viagem do Papa à Suécia

Cidade do Vaticano (RV) – Francisco viajará à Suécia em outubro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (25/01) pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre FedericoLombardi.
“O Papa irá a Lund, na Suécia, em 31 de outubro, onde participará de uma cerimônia conjunta entre a Igreja católica e a Federação Luterana mundial em virtude dos 500 anos da Reforma”, diz o comunicado.
Em uma nota, a Federação Luterana explica que o Papa Francisco, o Bispo Munib A. Younan e o Reverendo Martin Junge, Presidente e Secretário Geral da Federação, respectivamente, presidirão juntos à celebração ecumênica.
“A celebração vai dar destaque aos sólidos progressos ecumênicos entre católicos e luteranos e às conquistas recíprocas frutos do diálogo e será norteada pelo guia litúrgico católico-luterano ‘Oração Comum’, recentemente publicado”, escreve ainda a Federação Luterana, cuja sede está justamente na cidade de Lund.
Um Pontífice volta à Escandinávia
Será a primeira visita de um Pontífice ao país após a peregrinação de São João Paulo II à Escandinávia, no Verão de 1989.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O Papa das Mulheres

O Papa Francisco decidiu, na quinta-feira, 21 de janeiro, modificar a rubrica do Missal Romano relativo ao lava-pés durante a missa na Ceia do Senhor, estabelecendo que a participação no rito já não deve ser limitada só aos homens ou aos rapazes.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Papa Francisco

Três desafios

· Balanço e perspectivas do diálogo entre as religiões ·

No ano passado o Pontifício Conselho para o diálogo inter-religioso teve que desempenhar a sua missão num contexto ainda mais complicado e dramático. Penso nos atentados de Paris, em Janeiro e Novembro, sem esquecer outros actos terroristas perpetrados no mundo quase diariamente.
Não se pode negar que tal situação corre o risco de prejudicar a credibilidade do diálogo entre as religiões. Mas diria que quanto mais se complica a situação geral e diminui o optimismo, tanto mais se impõe o diálogo – a continuar ou iniciar – porque não existe outra alternativa.
Não obstante tudo, o nosso dicastério pôde colher, também nesse ano, uma série de resultados encorajadores. Recordo alguns deles. Começando pela tradução em língua «farsi» do Catecismo da Igreja católica, realizada pela Universidade das religiões e denominações de Qom e apresentada em Janeiro na Pontifícia universidade Gregoriana. Durante o ano de 2015 realizou-se também a reunião com o Royal Institute for Inter-Faith Studies, de Amã, na Jordânia, para preparar o quarto colóquio que terá lugar em Roma, em Maio de 2016. Trabalhou-se na perspectiva do quarto Christian-Muslim Summit, com a participação de católicos e episcopalianos, pela parte cristã, e de sunitas e xiitas, pela parte muçulmana. Este evento importante será realizado em Dezembro de 2016, em Teerã. No início deste ano novo, exactamente no mês de Fevereiro, terá lugar a reunião preparatória do décimo colóquio com os partners do Center for Interrreligious Dialogue, que depende da Islamic Culture and Relations Organization (Icro), com sede em Teerã. O encontro deveria ser realizado em Roma no mês de Novembro de 2015 mas por motivos práticos foi adiado.
Jean-Louis Tauran
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Papa Francisco

​O Papa Francisco em Greccio

Em oração lá onde nasceu o presépio. Na tarde de segunda-feira, 4 de Janeiro, o Papa Francisco foi de carro, de forma privada, ao santuário de Greccio para rezar diante do afresco medieval que recorda a primeira representação da Natividade, idealizada pelo santo de Assis em 1223. Uma presença improvisada e inesperada para os frades que, pouco antes das 15h00, viram o Pontífice chegar acompanhado pelo bispo de Rieti, D. Domenico Pompili, ao qual o Papa fez uma visita de cortesia. Antes de chegar ao santuário, Francisco encontrou-se também, de maneira breve e informal, com um grupo de jovens participantes no meeting da diocese dedicado à encíclicaLaudato si'. Faço votos que sigais a estrela, disse o Papa aos jovens e que tenhais, como os magos, «a humildade de descobrir Jesus nos pequeninos, nos humildes, nos pobres, nas pessoas que são descartadas pela sociedade». Depois do momento de oração, o Pontífice escreveu no livro dos visitantes: «Agradeço a Deus por esta graça e peço-lhe que abençoe a Igreja, os bispos de Rieti, os frades, os fiéis... e que nos ajude a todos a descobrir a estrela e a procurar o Menino». Em seguida, saudou a comunidade franciscana do santuário entretendo-se brevemente com os religiosos. Às 15h30 regressou a Roma.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Papa Francisco

A entrevista mais longa

· Desde o encontro de 31 de Julho de 1892 entre Rémy e Leão XIII até ao de 9 de Outubro de 2015 entre Pigozzi e o Papa Francisco ·

A entrevista mais longa concedida pelo Pontífice: assim, com uma fórmula tanto eficaz quanto pertinente, o editor apresentou o último livro de Jorge Mario Bergoglio («Risponde papa Francesco. Tutte le interviste e le conferenze stampa».Introdução de Giovanni Maria Vian, Venezia, Marsilio, 2015, 368 páginas), que reúne quase seiscentas respostas do Pontífice.
Quem colocou as perguntas, desde a primeira viagem internacional ao Brasil, foram cerca de noventa jornalistas do mundo inteiro, que se encontraram com ele pessoalmente ou durante as conferências de imprensa no avião, tornando-se de facto uma nova forma de comunicação papal. Embora a primeira entrevista a um Pontífice remonte a 1892, durante o pontificado de Leão XIII, como explica a introdução. Com efeito, em Fevereiro Pecci usou um jornal francês para lançar com uma sua declaração uma encíclica amenizadora em relação à França, ao passo que no final do mês de Julho recebeu uma célebre jornalista, Caroline Rémy, com a qual conversou por setenta minutos sobre o tema candente do anti-semitismo. Não faltaram polémicas, e talvez por esta razão o colóquio sucessivo de um Papa com um jornalista tenha tido lugar só em 1959, entre João XXIII e Montanelli, de facto uma oportunidade perdida. 
Tudo começou com Paulo VI e depois com os seus sucessores, em particular com o Pontífice actual, como documenta a recolha que acabou de ser publicada por Marsilio, em que os direitos autorais são destinados totalmente às obras de caridade do Papa. A exaustividade e a minuciosidade do livro, que deveras pode ser lido como uma longuíssima conversação com Francisco, ajudam de forma surpreendente a compreender o seu pensamento relacionado com questões de contemporaneidade, e a apreciar a sua linguagem imediata e muito vivaz.
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domingo, 27 de dezembro de 2015

Bestseller de Natal

30 Dias Para Entender a Bíblia


Na semana do Natal, de acordo com o site virtual Amazon, o livro 30 Dias para Entender a Bíblia esteve entre os mais vendidos no segmento Gospel.
O autor Max Anders apresenta os principais personagens, lugares e acontecimentos em ordem cronológica. Através de interessantes exercícios de memória, os pontos centrais da narrativa bíblica são incutidos ao leitor, sempre situando-o tanto geográfica quanto historicamente. A informação é apresentada com simplicidade e objetividade, sem que nenhum conhecimento prévio seja necessário. O iniciante ficará impressionado com suas descobertas durante a leitura de “30 Dias Para Entender a Bíblia”, enquanto o experiente conhecedor das Escrituras vai encontrar uma ferramenta útil para organizar e expandir seus conhecimentos.

Papa Francisco

Papa na Missa de Natal: descobrir Jesus para viver o essencial


24 de dezembro – Missa da Noite de Natal na Basílica de S. Pedro neste Ano Santo da Misericórdia. Em pleno Jubileu o Papa Francisco exortou os cristãos a pararem para contemplar o Menino Jesus na oração e a terem um estilo de vida simples, equilibrado e cheio de misericórdia que não se encha de luxo, prazer e consumo.

Na sua homilia o Santo Padre começou por citar as palavras do profeta Isaías: “Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo” (9, 2)! Os corações estão cheios de alegria porque a promessa realizou-se e “provém verdadeiramente de Deus”. E o “Menino Jesus é o verdadeiro consolador do coração”.
“Hoje, o Filho de Deus nasceu: tudo muda. O Salvador do mundo vem para Se tornar participante da nossa natureza humana: já não estamos sós e abandonados. A Virgem oferece-nos o seu Filho como princípio de vida nova. A verdadeira luz vem iluminar a nossa existência, muitas vezes encerrada na sombra do pecado. Hoje descobrimos de novo quem somos!”
Descobrir de novo a existência não permanecendo parados, eis o desafio do Papa Francisco: “Não nos é permitido ficar parados. Temos de ir ver o nosso Salvador, deitado numa manjedoura.”
Junto da manjedoura contemplemos o “Príncipe da Paz” e “permaneçamos em silêncio e deixemos que seja aquele Menino a falar” – afirmou o Santo Padre que sublinhou que se tomarmos Jesus nos nossos braços e “nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a paz do coração que jamais terá fim. Este Menino ensina-nos aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida.”
“Nasce na pobreza do mundo, porque, para Ele e a sua família, não há lugar na hospedaria. Encontra abrigo e protecção num estábulo e é deitado numa manjedoura para animais. E todavia, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus. A partir daqui, para os homens de coração simples, começa o caminho da verdadeira libertação e do resgate perene. Deste Menino, que, no seu rosto, traz gravados os traços da bondade, da misericórdia e do amor de Deus Pai, brota – em todos nós, seus discípulos, como ensina o apóstolo Paulo – a vontade de «renúncia à impiedade» e à riqueza do mundo, para vivermos «com sobriedade, justiça e piedade» (Tt 2, 12).”
Segundo o Papa Francisco “numa sociedade frequentemente embriagada de consumo e prazer, de abundância e luxo, de aparência e narcisismo”, Jesus “chama-nos a um comportamento sóbrio, isto é, simples, equilibrado, linear, capaz de individuar e viver o essencial.”
“Num mundo que demasiadas vezes é duro com o pecador e brando com o pecado, há necessidade de cultivar um forte sentido de justiça, de buscar e pôr em prática a vontade de Deus” – disse o Santo Padre na conclusão da sua homilia na Missa da Noite de Natal exortando os cristãos a terem um estilo de vida cheio de misericórdia baseado na oração:
“No seio duma cultura da indiferença, que não raramente acaba por ser cruel, o nosso estilo de vida seja, pelo contrário, cheio de piedade, empatia, compaixão, misericórdia, extraídas diariamente do poço da oração.”

sábado, 26 de dezembro de 2015

Papa Francisco

Papa: "Onde nasce Deus, nasce a esperança e floresce a misericórdia"

2015-12-25 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – “Onde nasce Deus, nasce a esperança, nasce a paz e floresce a misericórdia”. Na tradicional Mensagem Urbi et Orbi por ocasião do Natal, o Papa Francisco rezou pela paz. Ao recordar os tantos conflitos em andamentos nas diversas partes do mundo e as situações que ferem a dignidade humana, pediu: “Ao contemplar o presepio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: A paz esteja contigo!”.
Diante de milhares de fieis reunidos na Praça São Pedro e adjacências, o Papa Francisco dirigiu-se “à cidade e ao mundo” da sacada central da Basílica de São Pedro, para anunciar que “Cristo nasceu para nós (…) Ele é o “dia” luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo”.
O presepio mostra-nos o “sinal” que Deus nos deu: “um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. E “juntamente com os pastores – convidou o Santo Padre -  prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração”:
“Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis”.
“Onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra” – disse o Pontífice - recordando que “precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído”:
“Oxalá israelenses e palestinos retomem um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira. Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iêmen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o patrimônio histórico e cultural de povos inteiros”.
O Papa recordou ainda as vítimas dos “hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis”, pedindo também  consolação e força ao Menino Jesus para os cristãos “perseguidos em muitas partes do mundo por causa de sua fé. São os mártires de hoje”.
O fortalecimento do diálogo na República Democrática do Congo, no Burundi e no Sudão do Sul foi ressaltado pelo Papa, “em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua”.
O Papa referiu-se também à Ucrânia, pedindo que a verdadeira paz “inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro” e que ilumine os esforços do povo colombiano, para que “continue empenhado na busca da desejada paz”.
O Papa recordou também da existência de “multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens”:
“Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico”.
O drama das milhares de pessoas que viajam “em condições desumanas”,  arriscando a própria vida em busca de segurança e de uma esperança foram recordados por Francisco:
“Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem”.
O Santo Padre também pediu que o Senhor dê esperança aos desempregados, que são tantos,  e sustente “o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas no campo político e econômico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana”.
Ao falar da misericordia, o Papa dirigiu-se aos encarcerados:
“Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Este é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal”.
E assim hoje, juntos, concluiu o Papa, “exultemos no dia da nossa salvação”, fixando o olhar nos braços abertos de Jesus no presépio, que nos mostra o abraço misericordioso de Deus” e que proclama: “A paz esteja contigo!”.
Após o Papa concedeu a todos a sua Bênção com a Indulgência Plenária na forma prevista pela Igreja. 
Ao concluir, Francisco dirigiu-se a todos os presentes na Praça São Pedro e àqueles que o acompanhavam pela rádio, televisão e outros meios de comunicação, para desejar as suas mais cordiais felicitações de Natal:
“É o Natal do Ano Santo da Misericórdia, por isto desejo a todos que possa acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim, faremos crescer a paz!”.  (JE)
Eis a mensagem na íntegra:
Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!
Cristo nasceu para nós, exultemos no dia da nossa salvação! Abramos os nossos corações para receber a graça deste dia, que é Ele próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).
Neste dia, nasceu da Virgem Maria Jesus, o Salvador. O presépio mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os pastores de Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em cada ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em cada família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de Deus encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o «sinal» de Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas que é Filho do Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador, porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração.
Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis.
Onde nasce Deus, nasce a esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra. E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído. Oxalá israelenses e palestinos retomem um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira.
Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.
Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força.
Paz e concórdia, pedimos para as queridas populações da República Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do Sul, a fim de se reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua.
Que o Natal traga verdadeira paz também à Ucrânia, proporcione alívio a quem sofre as consequências do conflito e inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro.
Que a alegria deste dia ilumine os esforços do povo colombiano, para que, animado pela esperança, continue empenhado na busca da desejada paz.
Onde nasce Deus, nasce a esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade. E, todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico.
Não falte o nosso conforto às pessoas que fogem da miséria ou da guerra, viajando em condições tantas vezes desumanas e, não raro, arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem.
Neste dia de festa, o Senhor dê esperança àqueles que não têm trabalho e sustente o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana.
Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Esta é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal.
E assim hoje, juntos, exultemos no dia da nossa salvação. Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8).