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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Lições adventistas


O mal dos fariseus

Texto de Karyne M. Lira Correia

Há pelo menos duas décadas eu ouço a palavra ‘fariseu’ ser utilizada em tom pejorativo. Na igreja em que cresci, ela costumava ser utilizada por jovens para criticar os membros mais conservadores da igreja. Aos 19 anos, percebi que não se tratava de um “adjetivo” para o conservadorismo, mas para qualquer pessoa que defendesse as Reformas espirituais, pastores ou leigos, ou que pregasse sobre determinada coisa ser certa ou errada (independente de como pregasse).
Desde que comecei a estudar sobre Reavivamento e Reforma, sempre tive comigo o receio de ser “fariseu”. Isto porque a mensagem de reforma com que tive contato durante a infância e adolescência era a mensagem de saúde, e ela era passada de uma forma nada atrativa. Ao contrário, eu sentia repulsa por esta mensagem e cheguei a afirmar que nunca me tornaria vegetariana. Agora que eu estava estudando e iniciando minha caminhada nas reformas espirituais, o fantasma dos “fariseus” do passado me assombravam.
Mais alguns anos se passaram, e eu finalmente entendi qual era o problema dos fariseus. Ser fariseu, em si, não era problema. O grande problema deles foi apontado por Jesus em Mateus 23:2 e 3:
“Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;”
Jesus afirma que as coisas que os fariseus diziam deviam ser feitas – “observai-as e fazei-as”. O problema não estava então no que eles diziam que se devia ou não devia fazer. O problema, aparentemente, não eram as regras que eles defendiam. O mal dos fariseus era sua própria vida – “não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem”. Eles pregavam aquilo que não viviam. Por isso, em outra ocasião eles foram chamados por Cristo de hipócritas (Mateus 15:7) – “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.”Mateus 15:8
Ainda no capítulo 23, se continuarmos lendo, veremos que eles gostavam de aplausos, de ser bem vistos, de aparentar serem do bem, viverem em retidão, quando na verdade, no íntimo de sua vida aquilo não era real assim. Eles tinham muito discurso, muita pose, mas pouca fidelidade de fato.
Eles também pareciam não compreender o espírito da lei. Cumpriam as formalidades que a lei (moral e cerimonial) exigia, mas não cumpriam a lei de fato, porque a lei não se encerra em suas formalidades. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” Mateus 23:23. Jesus foi claro em dizer “deveis, porém, fazer estas coisas” (o que é próprio do espírito da lei) “e não omitir aquelas” (as formalidades, os detalhes da lei)

Um problema atual

Infelizmente, o mal dos fariseus continua existindo, e todos corremos o risco de sofrer desse mal. Isso porque pregar é mais fácil que viver. Querer que os outros mudem é mais fácil do que mudarmos a nós mesmos. É mais fácil aconselhar do que seguir conselhos.
Recentemente várias pessoas se manifestaram nas redes sociais contra a morte de milhares de cachorros que seriam comidos num festival chinês. Algo que me chamou a atenção na ocasião foi que muitos dos que se indignaram contra o costume chinês (e que pude ler as manifestações de indignação através do meu facebook) são carnívoros. Apenas uma pessoa indignada, dos meus contatos, não come carne, mas usa outros produtos de origem animal que são extraídos a custa de sofrimento animal também. Tenho alguns amigos veganos, e não me recordo de ter visto qualquer manifestação de indignação da parte deles. Aquelas pessoas, movidas por paixão, se queixaram dos chineses, enquanto elas mesmas são cúmplices da morte de milhares de perus na época do Natal, e de centenas de outros animais ao longo do ano (li uma crítica nesta direção, em um site de notícias, e achei bem coerente). Talvez não perceberam que, à semelhança dos fariseus, estavam criticando algo que elas mesmas fazem. É mais fácil querer mudar a China do que mudarmos a nós mesmos!
É mais fácil, também, querer que meu irmão me ame e me aceite, do que amá-lo e aceitá-lo. Uma moça estava se queixando com alguns amigos que o povo da igreja não ama quem é diferente, que sendo adventista, só porque ela usava jóias, isso e aquilo outro, as pessoas a “julgavam”. Depois de alguns minutos ouvindo este discurso, um de seus amigos a questionou se era apenas os que usavam jóias, isso e aquilo que deveriam ser aceitos e amados. Questionou se ela amava e aceitava as irmãs que não usam calça comprida, que só usam saia abaixo do joelho, que seguem uma dieta vegetariana estrita, etc… Houve silêncio, e o assunto mudou.
Isto se repete na igreja em diversas áreas. A pessoa prega sobre modéstia, mas ela mesma não segue os princípios de modéstia cristã. Prega sobre reforma de saúde, mas ela mesma mantém seus pecados acariciados em relação ao apetite. Prega sobre fidelidade nos dízimos e nas ofertas, mas é mesquinha em doar para a igreja parte dos recursos que O Senhor lhe deu no fim do mês. Prega sobre amor ao próximo, mas não é tolerante com quem pensa diferente, ou guarda rancor contra o irmão. E para cada detalhe da vida cristã, teremos exemplos do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. E não me refiro aqui a quem prega algo e eventualmente cai. Este não era o problema dos fariseus – uma queda eventual, para a qual João escreveu a solução (I João 2:1). Refiro-me ao não praticar, como hábito voluntário, aquilo que está pregando.

Uma solução antiga

Foi a um fariseu que Cristo disse: “Necessário vos é nascer de novo.” João 3:7. Essas são palavras profundas. São estas as palavras que o Senhor tem para cada ser humano que sofre deste mal, para cada um de nós.
Nascer de novo não é dar uma melhoradinha em quem eu era antes. Nascer de novo é sinônimo de mudança total.
“A vida cristã não é uma modificação ou melhoramento da antiga, mas uma transformação da natureza. Tem lugar a morte do eu e do pecado, e uma vida toda nova. Essa mudança só se pode efetuar mediante a eficaz operação do Espírito Santo.” Mensagens aos Jovens, pág. 157.
Só podemos nascer de novo pela operação do Espírito Santo. Esta não é uma obra que podemos fazer por nós mesmos. É uma obra que devemos aceitar que o Espírito faça em nós.
Saul era um rei que, à semelhança dos fariseus, se detinha nas formalidades (especialmente para justificar seus pecados). A ele Samuel disse que “obedecer é melhor do que sacrificar” (I Samuel 15:22). Lendo a história de Saul em Patriarcas e Profetas, me deparei com o seguinte texto: “Mas saul estava tão satisfeito consigo mesmo e com sua obra, que saiu ao encontro do profeta como alguém que devesse ser elogiado em vez de reprovado.” (pág. 618). Ele havia cometido um pecado voluntário atrás do outro, movido por orgulho, e ainda desejava ser elogiado em vez de reprovado. Quão dispostos estamos a aceitar a reprovação de nossos atos? O Espírito de Deus nos mostra onde erramos, seja através da Bíblia, dos Testemunhos, de outras pessoas, ou falando diretamente à nossa mente. Mas precisamos estar dispostos a reconhecer que estamos errados para que Ele possa efetuar a obra de transformação.
O rei que substituiu Saul foi chamado “homem segundo o coração de Deus”. Sobre ele, o Espírito de Profecia declara:
“Então Ele chamou ao trono “um homem segundo o Seu coração” (I Sam. 13:14); não um que fosse irrepreensível em seu caráter, mas que, em vez de confiar em si, confiaria em Deus, e seria guiado por Seu Espírito; que, ao pecar, sujeitar-se-ia à reprovação e correção.” (Patriarcas e Profetas, pág. 636)
Como disse anteriormente, todos estamos sujeitos a sofrer do mal dos fariseus. Contudo, isto não é o fim! Jesus tem a solução! O Espírito Santo está ansioso por transformar-nos em nova criatura. Que possamos nos sujeitar à reprovação e correção, a fim de experimentarmos plenamente o poder transformador da graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Meu corpo -- adventistas

Meu corpo, Suas regras!

Contudo, a resposta feminina ao machismo – o feminismo – também não é bíblica ou cristã!
Há algum tempo me deparei com alguns vídeos de propagandas cuja mensagem central era que se o corpo é meu, as regras são minhas. Lembro-me que um dos vídeos abordava esta ideia ao falar sobre aborto, e outro ao falar sobre imagem pessoal (corte de cabelo, roupa, maquiagem, esmaltes, etc…).
“Meu corpo, minhas regras” – quanto perigo em uma frase tão pequena! E não é de surpreender. O primeiro engano em que a mulher caiu também foi dito em poucas palavras – “Certamente não morrereis” Gênesis 3:4. Queridas amigas precisamos abrir nossos olhos.
A Palavra do Senhor nos ensina algo diferente do que o mundo tem propagado:
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” 1 Coríntios 6:19,20.
A mulher cristã submete seu corpo à vontade de Deus! Ela segue o que a Palavra diz em I Coríntios 10:31, e come não o que quer, mas o que agrada a Deus. Ela não adorna seu corpo com trajes e enfeites que desagradam a Deus, mas segue o que a Sagrada Escritura diz em I Pedro 3:3 e 4. Ela entende que não pertence a si mesma, mas Àquele que deu Sua vida para resgata-la das trevas para a Sua maravilhosa luz (I Pedro 2:9). Jesus não é apenas seu Salvador, mas também seu Senhor, e sua vida (incluindo seu corpo) é na verdade a vida de Cristo nela (Gálatas 2:20).

Mais do que uma peça de tecido – uma ideologia

Um dos temas mais delicados para nós, mulheres cristãs, parece ser o da modéstia cristã. Alguns dos textos mais fortes que já li nos testemunhos (e com os quais mais lutei) do Espírito de Profecia são acerca deste tema.
Sem que muitas de nós percebamos, as ideias feministas tem ganhado espaço entre as mulheres cristãs, e tornado ainda mais delicado o tratamento deste assunto.
A Palavra de Deus é clara sobre a distinção que deve haver entre o vestuário feminino e masculino: “Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.” Deuteronômio 22:5. Mas seguindo uma ideologia feminista de igualdade, peças masculinas foram inseridas no guarda-roupa feminino, e muitas de nossas irmãs as utilizam hoje sem ter a menor atenção acerca da ideologia que essas peças carregam.
Recentemente li uma matéria acerca da moda unissex. Uma matéria publicada em um site secular, mas que evidencia muito (até porque isso não é segredo que o mundo da moda pretenda guardar) a ideologia que está por trás de muitas peças de roupa. Você pode ler a matéria completa aqui. Ali são citadas pessoas, como Coco Chanel, que trouxeram elementos masculinos para a moda feminina, e mostrado claramente o interesse que há em se criar uma moda neutra, que possa ter adesão de homens e mulheres, que carregue consigo essa ideologia da igualdade (e neutralidade) de gênero.
No tempo em que Ellen White viveu, ela já advertia o povo de Deus acerca deste tipo de ideologia e de sua influência no vestuário da mulher adventista. Alertou as irmãs de sua época acerca do traje americano (traje que trazia para o vestuário feminino peças de caráter masculino) e afirmou que o testemunho sobre esse assunto lhe foi “dado como reprovação para as irmãs que se sentem inclinadas a adotar um estilo de vestuário criado para homens” (T1, pág. 458).
Atualmente outros grupos, além do movimento feminista, têm erguido uma bandeira que propõe uma igualdade de gênero que não é bíblica. Esta ideologia está por trás de muito do que tem sido produzido no mundo da moda nos últimos anos, e por trás de muito do que tem sido usado por nossas irmãs (e também nossos irmãos).
Querida amiga, como citei acima, este é um tema delicado para nós, mulheres. Eu lutei muito com Deus acerca destes assuntos (você pode ler aqui meu testemunho sobre uma parte dessa luta). Quando O Espírito Santo começou a me falar acerca de peças de roupas que deviam sair do meu guarda-roupa, confesso que eu sofri, eu resisti, eu teimei, mas O Senhor usou muitos e diferentes meios para me convencer e me converter acerca deste assunto. Eu entendo como é difícil para muitas mulheres aceitarem toda a verdade acerca de como deve ser o nosso vestuário, pois foi muito difícil para mim. Hoje, eu me sinto livre da moda e de toda desvantagem que agora posso enxergar que havia em usar aquelas peças de roupas. Mas na época em que eu as usava, eu não queria aceitar que elas não fossem apropriadas a uma mulher cristã.
Sabe querida, o mundo tem tentado nos convencer de que devemos seguir nossa própria lei acerca do que fazemos com o nosso corpo. Mas nós sabemos que só há uma lei segura a seguir – a lei de Deus. “Nenhum servo pode servir a dois senhores” ( Lucas 16:13), não podemos servir a Deus através de nosso corpo enquanto seguimos nossas próprias regras. Nosso olhar deve estar fixo em Jesus, e não em nós mesmas, e nossos ouvidos atentos à voz do Espírito Santo (Isaías 30:21), e não ao que nosso coração enganoso diz (Jeremias 17:9). Maria, serva de Deus, decidiu que seu corpo estaria a serviço do Senhor, e por isso gerou em seu ventre o Filho de Deus. A resposta desta mulher virtuosa ao chamado de Deus foi precisa “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.” Lucas 1:38. Esta deve ser também a nossa resposta a Deus.
Aquilo que vestimos não é apenas pedaços de tecido inofensivos, modelados e costurados. O que vestimos é também uma mensagem. Quando olhamos para a vida dos servos de Deus relatada na Bíblia, vemos que eles não tinham apenas uma mensagem para falar, mas eles eram a mensagem, sua vida, seus hábitos, tudo comunicava algo a quem os observava. Ao usarmos uma peça de roupa, não estamos apenas nos vestindo, estamos também dizendo a quem pertencemos e que tipo de caráter temos. Não é por menos que vestes são uma representação de caráter. Elas são muito significativas sim. O Diabo sabe disso e investe fortemente neste assunto. Não achemos que devemos dar pouca importância a ele.
Para concluir, gostaria de dividir com você algo que tocou profundamente meu coração quando eu estava estudando acerca da vontade de Deus para o nosso vestuário. Desejo que Deus fale com você através dessa citação, e que você reflita profundamente acerca da mensagem que está contida nas roupas que cobrem o seu corpo.
Minha atenção foi chamada para o seguinte texto bíblico: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes que nos cantos das suas vestes façam borlas pelas suas gerações; e as borlas em cada canto presas por um cordão de azul. E as borlas vos serão para que, vendo-as, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os cumprais; o não seguirdes os desejos do vosso coração, nem dos vossos olhos, após os quais andais adulterando. Para que vos lembreis de todos os Meus mandamentos, e os cumprais, e santos sereis a vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos ser por Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.” Números 15:38-41. Deus ordena expressamente um simplíssimo adorno de vestuário para os filhos de Israel, com o propósito de distingui-los das nações idólatras que os cercavam. Quando eles olhassem para essa peculiaridade de suas vestes, lembrar-se-iam de que eram o povo que guardava os mandamentos de Deus, e que Ele havia atuado de maneira miraculosa para livrá-los do cativeiro egípcio, a fim de que O servissem e Lhe fossem um povo santo. Eles não deviam atender aos próprios desejos ou imitar as nações idólatras, mas permanecer como um povo distinto, separado e que todos os que os olhassem pudessem dizer: Eis aqueles que Deus tirou da terra do Egito e que guardam a lei dos Dez Mandamentos. Um israelita deveria ser reconhecido tão logo fosse visto, pois Deus, através de meios simples, os distinguia como Seus. – {T1 524.1}
A ordem dada por Deus aos filhos de Israel para colocarem uma fita azul em suas vestes, não deveria ter nenhuma influência direta sobre sua saúde. Apenas enquanto Deus os abençoasse e a fita mantivesse em sua memória as elevadas reivindicações de Jeová, seriam guardados de misturar-se com outras nações, participando de suas festas licenciosas e comendo carne de porco e ricos alimentos prejudiciais à saúde. Deus deseja agora que Seu povo adote o vestuário da reforma, não apenas para distingui-los do mundo como Seu povo peculiar, mas porque uma reforma no vestuário é essencial à sua saúde física e mental. O povo de Deus tem, em grande medida, perdido seus traços distintivos, gradualmente se modelando segundo o mundo e mesclando-se com ele, até que em muitos respeitos se torna semelhante a ele. Isso desagrada a Deus. Ele os dirige, assim como conduziu os filhos de Israel do passado, a saírem do mundo e abandonarem suas práticas idólatras, não seguindo o próprio coração (pois que esse não é santificado) ou sua visão, que os têm conduzido para longe de Deus e os unido ao mundo. – {T1 524.2}
Algo deve ser feito para diminuir o envolvimento do povo de Deus com o mundo. O traje da reforma é simples e saudável, todavia, há uma cruz nele. Agradeço a Deus pela cruz e alegremente curvo-me para erguê-la. Temo-nos unido tanto ao mundo que perdemos de vista a cruz e não desejamos sofrer por amor a Cristo. – {T1 525.1} Não precisamos inventar uma cruz, mas se Deus no-la apresenta, deveríamos alegremente tomá-la. Ao aceitar a cruz, somos distinguidos do mundo, que não nos ama e ainda ridiculariza nossa peculiaridade. Cristo foi odiado porque Ele não era do mundo. Podem Seus seguidores esperar melhor sorte que seu Mestre? Se não sofremos censura ou desdém do mundo podemos ficar alarmados, pois é nossa conformidade com o mundo que nos torna tão semelhantes a ele, que não desperta seus ciúmes ou sua malícia. Não há confronto de caráter. O mundo despreza a cruz. “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” 1 Coríntios 1:18. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo.” Gálatas 6:14. [*] – {T1 525.2}

Enviado por leitora

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Oração


Quando eu aprendi a orar

Karine M. Lira Correia

Foi há 10 anos atrás.
2006 é o ano que tenho marcado em minha mente, de forma especial, como o ano em que comecei a aprender o que é viver uma vida de oração e dependência consciente de Deus. Digo consciente, porque somos dependentes de Deus, querendo ou não. É graças às suas misericórdias que estamos vivos. Mas há uma dependência consciente, escolhida, voluntária, que podemos exercer.

Pedindo a Deus um homem segundo o Seu coração

Até 2006 eu havia namorado bons rapazes, pessoas legais, mas que não eram compatíveis comigo. No último relacionamento que eu havia tido, o desgaste emocional havia sido tanto, que eu havia dito a mim mesma que ficaria bons anos sem me envolver com ninguém. Isto foi em 2005. Mas cerca de um ano havia se passado, e eu desejava encontrar alguém especial. Até então, eu havia feito minhas próprias escolhas, seguindo meus próprios critérios.
Como se não bastasse, 2006 estava sendo um ano ruim para mim, espiritualmente falando. Eu havia feito amizades e me envolvido em atividades na universidade que fizeram com que minha relação com a igreja esfriasse. Apesar de as pessoas não perceberem, pois eu permanecia muito ativa em minha igreja local, eu conhecia muito bem as decepções e o desanimo que tomavam conta de mim para as atividades que eu executava lá. Isto me fez sentir mais necessidade de alguém. Não um alguém qualquer, mas um homem segundo o coração de Deus.
Numa certa tarde, enquanto esses sentimentos me machucavam, fiz uma oração muito sincera a Deus. Tão sincera, que creio que tenha sido até injusta e tenha faltado o respeito com Ele. Mas falei tudo o que se passava em minha mente e em meu coração, e ao final pedi que Ele escolhesse alguém para ser o homem com quem eu deveria viver toda a minha vida. Comprometi-me a não aceitar namorar nenhum outro, a não ser aquele que Deus apontasse como sendo o Seu escolhido. Pedi a Ele um sinal para que eu soubesse, e então minha mente e meu coração puderam descansar.
Esta oração foi feita em meados de Julho. Em Outubro, conheci pela internet um rapaz. Ele havia encontrado meu perfil no Orkut através de uma comunidade de jovens adventistas. No dia 14 nos falamos pela primeira vez, pelo Orkut mesmo. Depois começamos a nos comunicar pelo MSN. Ficamos amigos. E no dia 1º de Novembro, por telefone, ele pediu para namorar comigo. Neste mesmo momento, Deus respondeu ao sinal que eu havia pedido, e então eu disse “SIM”.
Nunca havíamos nos visto pessoalmente, nos falávamos a pouco mais que duas semanas, mas O Senhor disse “é este”, e eu dei um passo de fé! Hoje, sou uma mulher completamente feliz em meu casamento. Deus escolheu para mim um homem verdadeiramente cristão, dedicado às coisas eternas, inteligente e prudente. E quem nos conhece, sabe o quanto nos amamos e vivemos felizes o plano de Deus para nós!
Desde que tive esta experiência com Deus, minha vida mudou, e a oração passou a ser o meio oficial através do qual eu tomo minhas decisões e resolvo meus problemas.

Uma oração não respondida a meu gosto

É claro que de lá para cá, Deus me disse alguns “Nãos”, enquanto me ensinava Sua vontade para mim. Lembro-me de um “Não” bem significativo. Era o ano de 2009. Eu já estava casada, e agora me preparava para minha formatura. Foi quando tive a triste notícia de que a colação de grau seria na sexta à noite (sábado).
Eu havia aprendido a confiar em Deus, e comecei a pedir intervenção divina. Estava tão confiante de que Deus me responderia, que este assunto não me afligia. Eu não tinha dúvida alguma que O Senhor proveria meios para mudar o dia da colação. Mas o tempo passava, e nada mudava. Eu comecei a pensar que Deus estava provando minha fé, e que agiria no último segundo. Este pensamento me deixava muito tranquila.
Contudo, o último segundo chegou, e Deus não agiu como eu esperava. Eu tenho certeza de que Ele estava provando minha fé, mas a prova teve um final diferente do que eu imaginei. Ali entendi que nem tudo o que parecia ser bom para mim era bom aos olhos de Deus. Ainda não compreendo por qual motivo Deus escolheu que eu ficasse de fora da formatura. Eu sonhava em pegar o diploma, erguer ao céu e agradecer publicamente ao meu Deus. Sonhava em tornar aquele um momento de testemunho acerca da fé que eu tinha em meu Salvador e Senhor. Talvez, no céu eu descubra que meu testemunho foi maior pela minha ausência do que seria pela minha presença.

Uma oração respondida contra minha vontade

Como se não bastasse a experiência acerca do dia da formatura, Deus me permitiu ter outra experiência contra minha vontade, poucos dias depois.
Eu estava me formando, e minha mãe começou a me falar sobre  a possibilidade de fazer um mestrado. Eu não queria de forma alguma. Estava ansiosa por abrir meu consultório. Não aguentava mais ficar presa ao ambiente acadêmico. Mas, ela insistiu tanto, que eu decidi consultar a Deus sobre o assunto.
Orei a Deus de forma muito sincera e falei honestamente a Ele que eu não queria fazer o mestrado. Ele sabia o quanto eu desejava abrir o consultório com o qual sonhara desde o dia em que passei no vestibular. E eu repeti isso para Ele. Mas, como uma filha obediente que eu desejava ser, disse a Ele que, se o mestrado fosse a Sua vontade, eu o faria. Contudo, não estudaria para a prova. Ele teria que me fazer passar.
Os dias de prova chegaram, e lá estava eu, sem estudar, sem ter muita ideia do que seria requerido de mim. Ao meu redor, dezenas de pessoas almejando uma vaga. Fiz as provas, e não tive nenhuma expectativa quanto a passar. Mas passei na prova escrita. Agora era a vez de fazer a entrevista, e lá estava eu, diante de cerca de 4 professores tendo que explicar minhas inteções em fazer o mestrado. Que intenções? Eu não tinha intenções! Não sei o que respondi àqueles professores. Sei apenas que não menti. Quando saí da sala de entrevista eu não sabia nem contar como havia sido. Deus deve ter respondido por mim.
O resultado saiu, e nem à universidade eu fui para ver se havia passado ou não. Eu tinha certeza de que não passaria. Então um amigo me ligou. Ele havia passado e queria ver para mim se eu estava na lista de aprovados. Com pena do constrangimento que ele sentiria em me dizer que meu número não estava na lista, eu lhe informei o meu número de inscrição. Foi quando ele, todo feliz, me comunicou que eu havia sido aprovada. E eu não acreditei. Formatura eu não poderia ter, mas metrado eu teria que fazer!

E agora, o que eu faço com isso?

Esta era minha pergunta no início de 2012. O mestrado estava concluído, e agora, finalmente eu queria abrir meu consultório. Até então eu havia atendido pessoas gratuitamente, nos poucos horários livres que possuía durante o mestrado. Mas, agora, havia me mudado para outra cidade (e estado) e precisava começar minha vida profissional em um lugar onde eu não conhecia ninguém do universo da psicologia, e onde eu era uma completa desconhecida também.
Fiz várias tentativas frustradas de contato com profissionais psicólogos. Alguns não se deram o trabalho de ser sequer educados. Eu só queria um consultório para sublocar. Certa manhã, meu esposo saiu para trabalhar e eu fiquei fazendo meu momento devocional. Ao concluir este momento com uma oração, questionei a Deus sobre o que eu faria com aquele mestrado. Para que dois anos a mais na universidade e um título de mestre? Por que eu não conseguia nenhum lugar para trabalhar? Ao concluir a oração Deus me enviou uma resposta através de uma mensagem de twitter (você pode ler sobre esta históriaaqui). Ele disse que eu devia me acalmar e deixar que Ele resolvesse aquilo para mim.
Fiquei calma, comecei minhas atividades, e no mesmo dia, fui contactada por uma médica, dermatologista, que gostaria de me sublocar um consultório em sua clínica. Psicodermatologia foi o meu campo de estudo durante o mestrado. Deus não me providenciou apenas um consultório. Ele respondeu também à minha pergunta sobre o mestrado – “o que eu faço com isso?”.

Hora de decidir

Algum tempo se passou e a realidade havia mudado um pouco. Meu esposo havia saído do emprego e nós havíamos aberto uma empresa nossa, com o intuito de usarmos nossas profissões de forma mais efetiva para a obra de Deus. Eu continuava indo ao consultório duas vezes na semana. Foi quando nos vimos diante da necessidade de tomarmos uma difícil decisão.
Em um determinado dia recebi uma ligação telefônica. Era uma convocação para assumir a vaga de um concurso público que eu nem lembrava mais que havia feito quando mudamos para Joinville. Na mesma semana, Marquinhos (meu esposo) recebeu uma ligação de uma das instituições de nossa igreja, convidando-o para trabalhar lá (neste caso, teríamos que mudar de estado). E agora? Empresa aberta havia pouco tempo, uma vaga de um concurso público para mim, e um convite de trabalho na obra de Deus para ele. Como se não bastasse isso, na semana seguinte, recebi outra ligação. Um médico de uma clínica em Joinville gostaria que eu trabalhasse na clínica dele. O modelo de trabalho e visão de saúde que ele estava me apresentando era o modelo dos meus sonhos. Nesta mesma semana, Marquinhos recebeu outra ligação, de outra instituição de nossa igreja, também o convidando para trabalhar lá. Em duas semanas tínhamos 4 propostas diferentes para analisar, tínhamos a empresa que havíamos, com muita oração, aberto e eu tinha o consultório (resposta da oração que contei acima).
Colocamos aquela decisão nas mãos de Deus. Pedimos a Ele uma resposta. Nosso maior desejo era trabalhar para Ele, por isso deixamos que Ele decidisse. E Deus nos respondeu. Mudei de clínica, e Marquinhos começou a prestar serviços para a obra através de nossa própria empresa, conforme O Senhor nos orientou que devia ser.

Um milagre

Em 2012, Marquinhos e eu havíamos tentado uma gravidez. Foi bastante complicado devido ao ovário policístico que eu tinha e os sintomas que o acompanhavam. Depois de sofrermos com aquilo, decidimos que faríamos uma pausa neste sonho. Dois anos se passaram, e estávamos, novamente, decididos a tentar. Fui à minha ginecologista e a informei sobre o desejo de retomarmos nossas tentativas. Ela me informou que eu demoraria pelo menos 1 ano e meio para engravidar naturalmente, e que somente após esse período ela nos proporia alternativas de tratamento, uma vez que ela já conhecia meu histórico clínico.
Saí de lá decidida a concluir a cartela de anticoncepcionais que eu estava tomando e não tomar mais aquele medicamento. Fiz isso, e na primeira semana de dezembro de 2014 começamos nossa jornada, que incluiu tabelinha, medição diária de temperatura basal, desintoxicação orgânica por meio dos alimentos que Deus proveu para a dieta do ser humano, atividade física regular e muitas orações nas madrugadas. No dia 31/12/2014 clamei a Deus, entre lágrimas, que fizesse um milagre em meu ovário e que nos desse um bebê. Esse bebê eu queria que fosse para glória do Seu nome, e que fosse um servo de Deus, um missionário útil em Sua obra.
Dentro de alguns dias, descobrimos que o ovário estava trabalhando (algo que não ocorreu em 2012 e nem quando eu era solteira e descobri que tinha ovário policístico) em seu próprio ritmo (com um ciclo de 42 dias). Dentro de poucos meses tínhamos um exame apontando que estávamos grávidos! Os 18 meses que a médica havia me dado como tempo mínimo foram transformados por Deus em 5 meses (descobrimos que eu estava grávida em Maio de 2015). Fui à ginecologista mais uma vez, e ela ficou surpresa com a notícia.
Hoje estamos em contagem regressiva para a chegada do nosso filho, que tem nascimento previsto para o dia 24 de janeiro, mas que nascerá no tempo de Deus!

Cuidado nas pequenas coisas

Depois da notícia da gravidez, você pode imaginar que minha mente voltou-se para os preparativos para receber nosso presente em forma de gente! Uma das coisas que eu gostaria era que pudéssemos comprar móveis de madeira. Isto porque quando casamos compramos bons móveis de MDF, que já não eram muito bons 6 anos depois de casados. Por outro lado, os móveis de madeira de quando eu era criança ainda estavam em ótimo estado e em uso na casa de uma tia.
Como mordomos de Deus, entendo que não devemos prezar apenas pela estética, mas principalmente pela durabilidade da mobília que compramos. Então começamos a busca pelos tais móveis de madeira. Que coisa difícil de encontrar. Quando encontrava algo 100% em madeira, era caríssimo, e ainda teria que vir de outra cidade/estado.
Finalmente decidimos ir a uma loja de móveis de madeira no estilo provençal aqui da cidade, onde eu já havia adquirido algumas peças para nossa casa no passado. Fizemos o orçamento. Não era algo barato, mas era menos caro do que os que eu havia encontrado fora daqui. Também não era exatamente o que eu tinha em mente para o quarto do nosso filho. Na verdade, até então, nada que eu tinha visto era o que eu tinha em mente.
Algumas semanas depois, voltamos a esta loja, no início da manhã, para negociar a compra. Qual não foi a minha decepção quando no final da negociação o gerente da loja fez uma proposta desonesta ao meu pai. Meu pai, que há anos prega sobre mordomia cristã, ouviu aquilo de forma repulsiva, e desistiu da compra.
Saímos da loja, voltando à estaca zero. Meu pai foi para seus compromissos de trabalho e meu esposo e eu fomos numa outra loja para providenciarmos outras coisas que já estavam programadas. Quando eu estava nessa outra loja, recebi a ligação de uma amiga. Ela me disse que uma amiga dela estava mudando para os EUA e estava vendendo os móveis do quarto de seu bebê, entre várias outras coisas da casa (muito já havia sido vendido, inclusive). Como eu estava grávida ela lembrou de mim. Os móveis eram 100% em madeira. Pedi que ela tentasse ver com a amiga alguma foto dos móveis (pois era de Curitiba – PR, e eu moro em Joinville – SC) para que eu pudesse ver, e também que me passasse o contato da amiga. Ela estava para entrar num compromisso e ficou de fazer isso assim que estivesse livre novamente. As horas passavam, e eu não tinha retorno. Orei a Deus pedindo a Ele que se os móveis ainda estivessem à venda quando eu conseguisse entrar em contato com a amiga dela, que isto seria para mim um indicativo de que deveríamos compra-los. No final do dia ela me enviou as fotos e o contato da amiga. Os móveis eram simplesmente lindos, do jeitinho que eu havia sonhado. Agora eu precisava checar se aquelas belezuras já haviam sido vendidas. Fiz contato com a dona dos móveis, e para a nossa alegria ela ainda não havia vendido.
Entendi que Deus havia providenciado os móveis para nós. Agora, eu precisava convencer meu pai disso, pois ele queria dar os móveis como presente de avô, mas essa seria uma compra às cegas, pois não conseguiríamos ir à Curitiba para ver os móveis. Então fiz outra oração. Pedi a Deus que a dona dos móveis aceitasse que o pagamento fosse no cheque e somente no dia que recebêssemos os móveis. Ela não me conhecia, e podia facilmente recusar enviar os móveis sem receber nenhum tipo de sinal, e ainda receber um cheque de uma pessoa estranha. Mas ela aceitou prontamente.
Então falei com o meu pai e hoje o enxoval do Ben está arrumando num quartinho com os móveis que eu sonhei para ele.

Respostas após o fim de semana

Quando descobrimos a gravidez, começamos a planejar minha saída do consultório. Isto era algo que já havíamos decidido antes. Com a chegada do bebê eu ficaria um tempo atendendo apenas pela internet e trabalhando com a empresa que temos, cujo escritório fica em nossa casa.
Como sou psicóloga, chegou um momento em que parei de pegar novos pacientes, pois não seria possível concluir o tratamento deles antes do nascimento do Ben. Ao mesmo tempo, fui concluindo o trabalho com outros pacientes, o que produziu uma grande redução da minha carga horária de trabalho.
Certo dia, ao chegar no consultório o dono da clínica me chamou para uma conversa e me explicou que com uma carga horária tão reduzida eu não era mais interessante para a clínica, e que deveria procurar um outro local para encerrar os atendimentos antes do nascimento do bebê. Eu não esperava por aquilo. Era uma quinta-feira à tarde. Pedi a Deus que me desse uma solução. Minha experiência em tentar sublocar consultório era traumática, tanto que os dois lugares em que trabalhei foram providenciados por Deus.
Na sexta-feira, conversei com uma amiga psicóloga que ficou de ver com a dona do consultório que ela usava se teria algum horário que eu pudesse usar até dezembro para concluir o atendimento dos meus pacientes. Ela ficou de verificar. O sábado chegou e, para guarda-lo, eu tive que esquecer esse assunto. Assim o fiz. Na segunda-feira recebi um retorno positivo. Tinha um lugar para atender! Tudo estava resolvido!
Algo semelhante ocorreu um tempo depois, quando eu comecei a me preparar para ficar apenas com o atendimento online. Eu tinha diante de mim alguns impasses burocráticos que meu contador não estava conseguindo resolver. Aquilo já estava me incomodando, pois ele me apresentava o caso como se não houvesse solução. Novamente, acabando a semana eu recebi a notícia de que não era possível resolver as coisas da forma como eu precisava que fossem resolvidas (apesar de que pela lógica, aquilo deveria ser muito simples). O sábado chegou e eu novamente tive que engavetar aquela preocupação. Na segunda-feira pela manhã, orei a Deus pedindo uma solução. Terminei a oração, peguei o telefone, e liguei para o órgão público responsável pelo assunto que estava amarrado. Em poucos minutos eu tinha não apenas uma resposta positiva por telefone, mas também uma formalização da resposta por e-mail. Problema resolvido!
Nesses dois episódios aprendi que posso descansar no sábado, não preciso me preocupar com minhas coisas no Dia Santo. O Senhor do sábado é o mesmo Senhor que ouve minhas orações e guia minhas decisões!

Amolecendo o coração

Já escrevi bastante, eu sei. Mas, gostaria de compartilhar apenas uma experiência a mais, bem recente!
Há poucos dias meu esposo me deixou no consultório e foi resolver algumas coisas pessoais. No caminho, uma mulher colidiu com o nosso carro. Ela não percebeu a sinalização, e ainda achou que meu esposo estivesse errado. Após a polícia esclarecer que ela estava errada, meu esposo pegou os contatos dela para poder combinar algo referente ao conserto do carro, e foi resolver as coisas que precisava.
No dia seguinte, fiz contato com a moça para verificar com ela sobre como deveríamos proceder para o conserto. Nosso carro estava na garantia, e por isso gostaríamos de conserta-lo em nossa concessionária. A conversa foi difícil e terminou com ela dizendo que entrássemos na justiça para requerer o que nos era de direito, e que não acionaria o seguro. Fiquei decepcionada. Durante a próxima madrugada fiz algumas orações pedindo a Deus que amolecesse o coração daquela mulher. Por mais que estivéssemos certos, eu sei como as coisas são demoradas para a justiça humana. De manhã, meu esposo saiu para atender um cliente. Quando voltou ele me mostrou uma mensagem que aquela moça havia enviado para ele, dizendo que podíamos ir à nossa concessionária fazer orçamento, que ela iria acionar o seguro dela para nós.
Hoje, o conserto do carro está agendado em nossa concessionária, e eu só posso dizer: “Deus seja louvado!”.

Uma promessa bíblica

Alguns textos bíblicos inspiram minha vida de oração. E um dos meus favoritos é “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.” Salmo 37:4.
Deus me ensinou que Ele responde cada uma de minhas orações, sempre conforme a Sua vontade, o que significa que é sempre com o melhor! Durante muito tempo minha vida de oração era algo fraco. Parecia que Deus não me ouvia muito. A resposta para isso está em Tiago 4:3. Contudo, há 10 anos tenho aprendido a pedir, a descansar em Deus, a louva-lo pelas pequenas coisas que Ele faz, e isso mudou a minha vida de tal forma que ressignificou em minha mente o que é ter uma vida de oração e viver pela fé!

Colaboração de leitora
Deus não é um “gênio da lâmpada” que vive para executar nossos desejos. Mas, Ele não é indiferente ao que desejamos, e está disposto a nos dar aquilo que precisamos!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Tudo que Deus nos pede é amor

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas5:14. Assim o apóstolo sintetiza a vontade expressa de Deus – Sua lei. O próprio Jesus já havia afirmado anteriormente:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mateus 22:37-40
Tudo o que Deus nos pede é que amemos. Que amemos a Ele e amemos ao próximo. Mas, o que é amar?
Como adventistas do sétimo dia, costumamos explicar que o decálogo se divide em duas partes: os primeiros 4 mandamentos se referem ao nosso amor para com Deus, e os 6 últimos ao nosso amor ao próximo. Então, amar não é simplesmente sentir uma emoção. Longe disso, amar implica em agir. Amar a Deus implica em adorar apenas a Ele, em não tomar Seu nome em vão e em santificar o dia que Ele escolheu – o Sábado. Amar ao próximo implica no respeito para com os pais, em não matar, não adulterar, não roubar, não mentir e não cobiçar. Amar é algo prático.
Isto fica explícito também na carta à Igreja de Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; […]” Apocalipse 2:4 e 5. A Igreja havia deixado o seu primeiro amor, e a solução apresentada por Cristo a ela era voltar a praticar as primeiras obras. Não é possível separar amor de obras. Amar é agir.
Até mesmo o Diabo, ao perverter a lei do amor, não o desvincula das obras. A Lei do Thelema diz: “Faze o que tu queres, será o todo da Lei.” “Amor é a lei, amor sob vontade.” Esta lei diabólica foi feita letra de uma música bastante conhecida no Brasil – “Sociedade Alternativa”. Ali (na música) é descrita uma porção de coisas que você pode fazer se quiser, afinal de contas, amar (de acordo com esta lei) é sinônimo de fazer o que quiser.
Este pensamento satânico, sintetizado na lei do Thelema parece invadir, atualmente, o mundo cristão. E o discurso dos cristãos tem sido uma espécie de “faze o que tu queres; simplesmente ame”. Tenho amigos cristãos de outras denominações, e já estudei em escolas de outras denominações, e para mim é muito visível a presença atual desse discurso nas igrejas cristãs.
A estratégia de Satanás, desde a primeira tentação feita neste mundo não mudou! Ele continua enganando ao misturar verdade com mentira. De fato, Deus quer que amemos. Isto é, na verdade, a única coisa que Ele nos pede. Mas amar não é fazer o que eu quero. Nosso coração é enganoso (Jeremias 17:9). Não podemos confiar em nossa própria vontade.
Infelizmente, em nosso meio (agora sendo mais específica quanto a nós, adventistas), tem se proliferado um discurso equivocado sobre o amor também! Sim, somos sujeitos a erros como todos os demais cristãos. E eu não me refiro aqui a algum livro ou sermão que tenha lido ou assistido, mas ao discurso que pude ouvir ao viajar nosso país de norte a sul nos últimos anos. Um discurso que há algum tempo atrás eu mesma reproduzi, e vi (e vejo) amigos reproduzirem também.
Geralmente, este discurso é amplamente usado para combater mensagens de reavivamento e reforma. Por isso, desde 2010, quando essa se tornou a ênfase da Igreja mundial, tenho a impressão de que esse discurso passou a ser mais utilizado em nosso meio. O discurso de que não precisamos fazer nada, apenas amar.
Não fazer nada, apenas amar. Não faz sentido algum. Não é possível amar sem fazer coisas. Você se sentiria amada por um marido que não lhe dá atenção, não lhe trata com respeito, que não é fiel a você, que não se importa com seus sentimentos, que apenas diz “eu te amo” uma vez ou outra? Claro que não! Mas temos falado, espiritualmente, em amar sem agir!
Então, quando alguém vem à Igreja pregar sobre Mordomia Cristã, quem se incomoda com o assunto dos dízimos e das ofertas porque não é fiel a Deus nessa área da vida, acusa o pregador de legalismo, de salvação pelo dízimo, salvação pelo pacto, e declara que tudo o que Deus requer de nós é amor. Esquece, talvez, que devolver a Deus os dízimos e as ofertas é amar a Deus e ao próximo. Que quando o fazemos, estamos amando as pessoas a quem o evangelho irá alcançar com o auxílio dos nossos recursos financeiros (dos quais Deus nem precisa, mas por misericórdia de nós, nos permite colaborar). Que apenas contribuir com a recolta e com o mutirão de natal é muito pouco!
O mesmo ocorre quando alguém prega sobre Reforma de Saúde. Quem rejeita a mensagem logo acusa que a mensagem é legalista, que é salvação pela soja, e que Deus só pede que amemos. Talvez nunca tenha pensado que se nosso corpo é templo do Espírito Santo, o cuidado para com o corpo é uma forma de amar a Deus. Talvez nunca tenha refletido que cuidar da saúde é uma forma de amar ao cônjuge, poupando-o de preocupações e cuidados com alguém doente, e de amar aos filhos, privando-os de heranças ruins. É uma forma de amar às pessoas que moram em nossa cidade, pois ao invés de sermos um número a mais nas estatísticas ruins do sistema público de saúde, somos instrumentos de Deus para levar saúde a uma sociedade doente. E como as pessoas lá fora ficam felizes quando ensinamos a elas a mensagem de saúde e cura que Deus nos deixou, e elas se libertam de doenças com as quais vinham sofrendo há anos! Viver e pregar a reforma de saúde é uma forma de amar. Falta de amor é ter um conhecimento tão precioso e mantê-lo escondido.
E o mesmo podemos dizer sobre tudo o que Deus requer de nós, todas as coisas que nos deixou reveladas através da bíblia e do Espírito de Profecia, e que hoje, alguns irmãos insistem em chamar de tradições ou meros costumes da IASD. Existe amor em vestir-se e comportar-se com modéstia cristã, em cuidar das entradas da alma ouvindo, vendo e lendo apenas o que Deus aprova, em frequentar apenas lugares em que Deus possa ser glorificado pela nossa presença, em não nos unirmos em jugo desigual… etc.
Querida amiga, nosso coração enganoso, nossa tendência natural para o pecado, nos faz ver restrições naquilo que Deus nos deu como amor. Nos faz proferir “desculpas esfarrapadas”, e até mesmo a reproduzirmos a diabólica lei do Thelema de forma disfarçada, para que possamos continuar na prática do que é mau, do que desagrada a Deus.
É bem verdade que muita gente já foi ferida por irmãos que trataram a verdade com legalismo, e a impuseram de tal forma, ou a usaram de modo tão hostil a ponto de criar em nós alguma resistência à verdade. Durante muito tempo eu resisti à mensagem de saúde por esta razão. Havia crescido com repulsa a uma mensagem que era pregada de forma, inclusive, nojenta (é, porque são nojentas e desnecessárias algumas coisas que se fala quando o assunto é saúde). Mas a falha do mensageiro não torna a verdade menos verdadeira. Isso não faz com que estas reformas não sejam o desejo de Deus para nossa vida. Tudo o que Deus nos pede, toda conduta, toda ação, é uma forma de amar! Vivamos este amor! 
Texto: Karyne M. Lira Correia
Colaboração de leitora

segunda-feira, 18 de abril de 2016

São Tomé

O APÓSTOLO QUE QUER VER PARA CRER




Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, que quer dizer “Gêmeo” quando da manifestação de Jesus para os apóstolos, não estava com eles. Disseram-lhe os outros discípulos: “Vimos o Senhor”. Tomé, que no seguimento a Jesus, havia vivido tantos contratempos e acontecimentos que não entendera, já não era o mesmo Tomé crente, mas um Tomé receoso, cuidadoso, atento a todos os pormenores com a sua crítica exigente que tinha direito a resposta razoavel para todas as afirmativas que colocassem em dúvida a sua credibilidade. Deixara de ser um homem pronto a crer e aceitar, e passou a se preocupar em não ser vítima da sua auto-ilusão, mas aquele que se recusava a crer até no que via. Tomé aceitara o convite de Jesus  para seguí-lo, e tinha se proposto até ir com ele para Betânia e, se fosse necessário, morrer com Jesus; Tomé queria saber para onde Jesus dizia que iria para ele pudesse ir junto, não importando para onde fosse.
Mas tudo havia se tornado uma ilusão: o Mestre havia morrido, o sonho acabara. E agora vem os discípulos e lhe dizem: “Vimos o Senhor” exatamente no dia e hora em que Tomé estava ausente. Estariam os discípulos de Jesus querendo brincar com coisa tão importante e séria? Tomé já havia acreditado demais. Não queria sofrer uma nova desilusão.
         Ao ouvir: “Vimos o Senhor”, Tomé responde prontamente e com convicção: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma acreditarei.” (Jo 20,25).
Como pode ser interpretada esta atitude de Tomé? Indiferença? Descrença? Honestamente, qual teria sido a sua atitude numa situação dessa? Você acreditaria prontamente no que diziam, ou deixaria transparecer a sua dúvida, a sua incredulidade, a sua indiferença, a sua descrença? Indiferença não. Talvez, o medo de se encontrar com Jesus depois de tudo que se passara.
Tomé, que havia se declarado pronto a morrer pelo Mestre, que havia encorajado os outros apóstolos a seguí-lo, afinal, também, como os demais, havia fugido na hora de perigo em que o Mestre fora preso, julgado, condenado e crucificado. Talvez o medo de sofrer uma nova desilusão.
A convivência com Jesus havia levado Tomé a um mundo que não era o seu, e nesse momento, afastado do seu Mestre, voltara à sua antiga natureza materialista. Assaltado pela tristeza, pela dúvida e pela desilusão, recusava-se a crer mesmo naquilo que visse, até que pudesse agarrar com as suas mãos e fazer como os cegos que por vezes se enganam menos que os que tem visão.
E acontece que, “oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja com vocês’.” (Jo 20,26). E acontece que Tomé estava presente. A voz calma de Jesus soa no ambiente com toda a nitidez: “A paz esteja com vocês”. Era a mesma voz que Tomé tão bem conhecia e que durante três anos lhe falara da ressurreição que ele, agora, colocava obstáculo e se recusava em aceitar. O Mestre voltara com a sua saudação tão conhecida.“A paz esteja com vocês”.
Era o mesmo Mestre; era o Mestre mesmo... Era a mesma saudação de paz que Jesus dirigia nesse momento àqueles que dias antes o haviam abandonado e fugido, que haviam quebrado as suas promessas de morrer pela fé, que haviam voltado para os seus afazeres, os seus lares.
O Mestre não dirige a Tomé uma única palavra de censura, como também não faria a cada um de nós. Em vez disso, o Mestre voltara com a sua calma costumeira e serenidade para lhes dar a sua paz. Essa paz que excede todo o nosso entendimento. O Mestre está mais pronto a conceder o seu perdão do que nós a recebê-lo.
Jesus aproxima-se, olha para cada um dos apóstolos e fixa o seu olhar em Tomé. Desta vez Jesus viera propositadamente para Tomé. Era o Bom Pastor que vinha buscar a ovelha perdida, o Mestre que vinha em auxílio do seu discípulo querido. Jesus dirige-se para Tomé e coloca-se na sua frente, e lhe diz: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não seja incrédulo mas fiel.” (Jo 20,27). Numa crise de fé, Tomé tem de decidir e agir. Ele sente uma nova, verdadeira e poderosa fé nascer no seu coração. Aquele Mestre que ele tanto amara, aquele por quem estivera pronto a dar a sua vida, aquele em quem crera como homem, como Mestre, como amigo, aquele em quem crera sem esperança, estava na sua frente. Cristo voltara de além-túmulo para lhe dizer que era mais do que um Mestre, mais do que um amigo, mais do que um profeta. Cristo voltara para lhe lembrar as suas palavras: Não fique perturbado o coração de vocês; acreditem em Deus, acreditem também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu teria dito a vocês; vou prepara lugar para vocês. E, se eu for e preparar lugar para vocês, virei outra vez, e tomarei vocês para mim mesmo, para que onde eu estiver estejam vocês também. E para onde eu vou vocês conhecem o caminho.” (Jo 14,1-4). Tomé, movido pela poderosa fé que sentia no seu coração, disse o que até aí não tinha descoberto: “Meu Senhor e meu Deus”. (Jo 20,28).
Tomé tornou-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos, chamando-o de“Meu Deus”. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro, nem mesmo João, haviam pronunciado a palavra “Deus” dirigindo-se a Jesus. Tomé não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus. Ele toma uma decisão. “Meu Senhor”. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o como seu Salvador. “Meu Deus”. Já não era a mesma fé sem esperança, movida pela lealdade a um amigo. Daí em diante, Tomé punha Jesus Cristo em igualdade com Deus Pai, acredita em Jesus Cristo como o Filho único de Deus.
Por vezes uma fé forte cresce vagarosamente. Após três anos de estudos e experiências, alegrias e desilusões, Tomé atingira a verdadeira maturidade da fé em Jesus Cristo como Deus onipoten

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Grandes pregadores: Kathiryn Kuhlman

KATHIRYN KULLMAN



Kathryn Kuhlman

         Kathryn Johanna Kuhlman nasceu no dia 9 de maio de 1907, na fazenda da 
família, a aproximadamente 10 quilômetros de Concórdia.
         Após concluir o ensino básico – tudo o que era oferecido na época –, 
Kathryn Kuhlman começou seu ministério, aos 16 anos de idade, como 
assistente de sua irmã e de seu cunhado. Não demorou para ela exercer um 
ministério próprio, um trabalho itinerante por Idaho, Utah e Colorado. Por fim, 
ela se estabeleceu em Denver, com seu Tabernáculo do Avivamento de Denver, 
com 2 mil assentos. Ela usava a mídia com eficácia e desenvolveu um influente 
ministério radiofônico. Kathryn casou com um evangelista que se divorciara da 
mulher apenas para se casar com ela. Isso destruiu seu ministério em Denver. O 
casal continuou o trabalho de evangelização, mas, após seis anos – ela silencia 
sobre o assunto – Kathryn deixou este homem e começou a trabalhar sozinha 
outra vez.
         Em 1946, em Franklin, na Pensilvânia, uma mulher foi curada de um tumor 
durante uma das reuniões dirigidas por Kathryn. Foi o início do que culminou 
com o “culto de milagres”. Kathryn era capaz de revelar um problema específico 
que estava ocorrendo em determinado local da platéia, e a pessoa recebia a cura. 
Ela voltou a estabelecer um ministério radiofônico, com um programa diário. 
Em 1948, mudou-se para Pittsburg, onde instalou seu quartel-general, realizando 
cultos no Carnegie Hall e na Primeira Igreja Presbiteriana. Kathryn alcançou fama 
nacional depois de um artigo de sete páginas publicado na revista Redbook [Livro 
de Registro].
         Em 1965, chegou da Califórnia um insistente convite da parte de Ralph 
Wilkerson, do Centro Cristão de Anahein (mais tarde Melodyland). Ela começou 
a realizar as reuniões no Auditório Shrine de Los Angeles. Durante dez anos seguidos, 
lotou regularmente os 7 mil lugares do auditório. Continuou com as reuniões de 
Pittsburg, enquanto expandia seu ministério para a televisão, produzindo mais de 
500 programas para a CBS. Em 1972, recebeu da Universidade Oral Roberts o 
título de doutora honoris causa.
         Somente em meados da década de 1960, Kathryn passou a se identificar com 
o movimento carismático. Os antigos pentecostais expulsos da tradição holiness 
tinham duas restrições ao seu ministério: ela era divorciada, e em seu ministério 
não havia testemunhos da experiência pessoal do falar em línguas. Ela não permitia 
a manifestação do dom de línguas em seus cultos de milagres.
         Kathryn fazia objeção ao apelo da “fé que cura” e dava todo o crédito ao 
poder do Espírito Santo. Acreditava que o dom da cura era dado ao doente, e os 
únicos dons que ela buscava eram o da “fé” e o da “palavra de conhecimento” 
(I Co 12:8,9). Ela não explicava porque algumas pessoas eram curadas e outras não, 
mas ressaltava que o maior milagre era a regeneração do novo nascimento. 
Kathryn sempre se referia a si mesma como evangelista. Ela jamais dizia que a 
doença era do diabo e evitava o assunto; preferia chamar a atenção do povo 
para o fato de como Deus é tremendo.
         Além dos casos de cura bem documentados, outro fenômeno associado a 
Kathryn era semelhante ao “cair no Espírito”, que acontecia quando ela orava 
pelo povo. Às vezes, dezenas e até mesmo centenas de pessoas tinham a experiência 
simultaneamente.
         Katryn era uma trabalhadora infatigável e nos cultos dava atenção aos mínimos 
detalhes: tudo tinha de ser de primeira classe. Na direção das reuniões, ela às vezes 
ficava de pé até cinco minutos sem interrupção. Uma ruiva muito alta, que se vestia 
com elegância, Kathryn era dramática na gesticulação e conscientemente ponderada 
no discurso. Seu amigo e biografo Jamie Buckingham revela: “Ela gostava de 
roupas caras, jóias preciosas, hotéis de luxo e viagens de primeira classe”. Foi uma 
estrela até a época de sua morte, pouco antes de completar 70 anos.
         Kathryn Kuhlman era uma evangelista itinerante sem suporte financeiro 
de nenhuma denominação; entretanto, cria em um grande Deus cujos recursos são 
ilimitados.
D. J. Wilson
DICTIONARY OF PENTECOSTAL AND CHARISMATIC MOVEMENTS
[DICIONÁRIO DOS MOVIMENTOS PENTECOSTAL E CARISMÁTICO]